Política

Bastidores da política: Sula Ximenes teria perdido força no Deracre após interferências

O comentarista Rogério Wenceslau disse nesta quarta-feira, 17, durante o Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, que a presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre, Sula Ximenes, teria perdido autonomia dentro do Deracre por causa de interferências políticas no governo estadual. A declaração foi feita durante debate sobre a atuação de pessoas sem mandato que, na avaliação da bancada, influenciam decisões internas da gestão.

Wenceslau afirmou que Sula havia deixado um projeto eleitoral pelo PL para reassumir o comando do Deracre a pedido da governadora Mailza Assis. Na avaliação dele, a escolha teria sido feita em um momento em que ela aparecia como um nome competitivo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

“A diretora-presidente do Deracre, Sula Ximenes, esteve aqui recentemente. Ela estava tudo certo para ser candidata a deputada estadual pelo PL, com expectativa de vitória. Era uma das candidatas mais fortes da chapa. Ela abriu mão desse projeto pessoal e voltou para a direção do Deracre a pedido da governadora”, disse.

O comentarista declarou que, apesar de continuar no cargo, Sula teria perdido espaço nas decisões internas da autarquia. “Hoje, em função das eminências pardas que estão dentro do governo, ela está profundamente arrependida. Apesar de ela ser diretora-presidente, já não tem mais poder sobre a autarquia”, afirmou.

A crítica foi feita no contexto de uma discussão sobre mudanças internas no Deracre. Wenceslau disse que movimentações políticas dentro do órgão podem tirar o foco da execução de obras, da recuperação de ramais e das ações de infraestrutura que costumam ganhar força no período de estiagem.

“Estão fazendo mudanças internas, tirando o foco do que é importante, que são as obras e o resultado. Estão mexendo politicamente dentro da autarquia e inviabilizando o trabalho dela, que até então era aprovado e aplaudido”, declarou.

Para o comentarista, a disputa por influência dentro da autarquia pode afetar diretamente serviços considerados estratégicos para o interior do Acre, como manutenção de estradas vicinais, pontes, ramais e frentes da Operação Verão. Ele associou a possível perda de comando de Sula a um problema maior de articulação dentro do governo.

“Pessoas que não têm voto, que não têm mandato, que oficialmente não são nada no governo, mas que mandam, estão desestruturando o que foi feito de positivo em função de interesses pessoais. E o preço quem paga sempre é a população do Acre”, disse.

A fala acrescenta mais um ponto de tensão à relação entre governo, aliados e setores da base política. O Deracre ocupa posição central na agenda administrativa do Estado, principalmente no verão amazônico, quando prefeituras, comunidades rurais e produtores cobram trafegabilidade nos ramais e avanço em obras de infraestrutura.

Durante o programa, Wenceslau também defendeu que as críticas feitas na bancada não tinham caráter pessoal. “Eu desafio qualquer ouvinte, qualquer pessoa do meio político, a provar que eu ofendi ou atingi a honra de alguém aqui. A gente narra os fatos e traz informações exclusivas de bastidores, mas sempre com respeito”, afirmou.

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