MPAC apura irregularidades na queda de ponte em Sena Madureira e vai à Justiça por documentos

A queda de parte da ponte Frei Paulino Baldaçari, em Sena Madureira, ocorrida no dia 5 de junho, está no centro de uma investigação do Ministério Público do Acre (MPAC) sobre possíveis falhas no projeto, na execução, nos materiais utilizados e na fiscalização da obra. As informações foram reveladas em reportagem do jornalista Adailson Oliveira, exibida no jornal Gazeta em Manchete desta segunda-feira (10).

A apuração conduzida pelo promotor Júlio César de Medeiros também busca esclarecer se alertas anteriores sobre as condições do terreno foram ignorados. Um estudo realizado em 2015 pelo Serviço Geológico do Brasil já apontava a ocorrência do fenômeno conhecido como “terras caídas”, processo erosivo que atinge as margens do rio Iaco e provoca instabilidade do solo.

Mesmo com o histórico de erosão na área, a ponte foi construída no local. A investigação agora busca determinar qual foi o grau de participação do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) e da construtora Cidade nas decisões tomadas durante o planejamento e a execução da obra.

Risco às famílias e medidas cobradas

Com o desmoronamento do barranco ainda em andamento, o Ministério Público cobrou da Prefeitura de Sena Madureira e do Governo do Acre a retirada das famílias que vivem nas proximidades da ponte. Existe o risco de que o avanço da erosão alcance residências instaladas na área.

O MPAC também deu prazo de 15 dias para que a Polícia Civil conclua o laudo pericial sobre o desabamento e solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) uma investigação sobre os contratos firmados entre o poder público e a empresa responsável pela obra.

Técnicos do Ministério Público também devem realizar uma avaliação independente para verificar se foram feitos estudos adequados do solo e se as dimensões dos pilares da ponte atendiam aos padrões técnicos e de segurança exigidos para uma estrutura construída em uma área sujeita à erosão.

Quatro pessoas ficaram feridas no desabamento. O caso mais grave foi o do juiz aposentado Ednaldo Muniz dos Santos, que segue em tratamento médico fora do Acre.

Documentos viram alvo de impasse e MPAC vai à Justiça

Outro ponto revelado pela reportagem de Adailson Oliveira envolve a dificuldade enfrentada pelo Ministério Público para obter a documentação completa da obra. O MPAC requisitou os arquivos, mas recebeu respostas divergentes sobre quem estaria de posse dos documentos.

O Deracre informou que os papéis estavam com a construtora Cidade. A empresa, por sua vez, afirmou que a documentação estaria com o órgão estadual. Diante do impasse, o Ministério Público decidiu recorrer à Justiça para obrigar a apresentação dos arquivos necessários à continuidade das investigações.

A Procuradoria-Geral do Estado também encaminhou ao MPAC um documento no qual sustenta que o governo não deveria ser responsabilizado pelo desabamento. O argumento apresentado é de que a contratação foi feita de forma integral, abrangendo desde a elaboração do projeto até a execução da obra.

O promotor Júlio César de Medeiros rejeitou a tese de afastamento da responsabilidade do Estado e afirmou que a atuação do Deracre será apurada em todas as etapas, desde a escolha e aceitação do local da construção até a fiscalização da obra e a existência de seguro que pudesse reduzir eventuais prejuízos aos cofres públicos.

“É preciso investigar a participação do Deracre em todos os níveis. Começa por aceitar a obra em local reconhecidamente com erosão, passa pela fiscalização, até o seguro da obra, que poderia ressarcir o prejuízo do Estado”, afirmou o promotor.

Produtores rurais interditam BR-364 e cobram recuperação de ramais em Cruzeiro do Sul

Produtores rurais interditaram um trecho da BR-364, em frente à Escola Santa Rita, após a Vila Lagoinha, em Cruzeiro do Sul, nesta segunda-feira, 13, em protesto contra o atraso no início das obras de recuperação dos ramais. Os manifestantes afirmam que o Governo do Acre e o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) não cumpriram o acordo firmado com as comunidades e exigem o início imediato dos serviços.

O bloqueio interrompeu o tráfego na rodovia e reuniu moradores de comunidades rurais que dependem dos ramais para escoar a produção agrícola, transportar estudantes e garantir o acesso a serviços de saúde e ao comércio. Durante a manifestação, cartazes cobravam explicações sobre a aplicação dos recursos destinados à infraestrutura rural e direcionavam críticas ao chefe da Casa Civil, Madson Cameli, esposo da governadora Mailza Assis, e ao deputado estadual Zezinho Barbary. Em uma das faixas, os manifestantes perguntam: “Madson, cadê nosso dinheiro dos ramais?”. Em outra, questionam: “Zezinho Barbary, cadê o asfalto do Ramal 2?”.

O protesto ocorre em meio ao aumento da pressão de produtores rurais em diferentes regiões do Acre pela recuperação das estradas vicinais. Nas últimas semanas, agricultores e lideranças comunitárias intensificaram as cobranças ao governo estadual, alegando que a demora na execução da Operação Verão compromete o transporte da produção, dificulta a mobilidade das famílias e gera prejuízos econômicos. O tema também tem sido debatido na Assembleia Legislativa, onde produtores cobram maior fiscalização sobre a aplicação dos recursos destinados aos ramais e mais agilidade na execução das obras.

Em março deste ano, o Deracre apresentou a representantes de sindicatos rurais e lideranças de Cruzeiro do Sul o planejamento para recuperação dos ramais da região durante o período de estiagem. Os produtores, no entanto, afirmam que os serviços ainda não começaram nos trechos considerados prioritários, motivo que levou à interdição da BR-364 como forma de pressionar o Estado.

A recuperação dos ramais é considerada essencial para a economia do Vale do Juruá, onde milhares de famílias dependem das estradas vicinais para transportar a produção agrícola, acessar escolas, unidades de saúde e manter o abastecimento das comunidades rurais.

Até o momento, o Governo do Acre e o Deracre não haviam informado quando os serviços reivindicados pelos manifestantes serão iniciados na região.

Edvaldo cobra planejamento para recuperação de ramais no Acre

O deputado estadual Edvaldo Magalhães cobrou, nesta terça-feira, 7, na Assembleia Legislativa do Acre, planejamento antecipado para a recuperação dos ramais no estado. A fala foi direcionada à execução dos serviços pelo governo durante o período de verão amazônico, quando as condições climáticas permitem a entrada de máquinas nas áreas rurais e a melhoria dos acessos usados por produtores e comunidades.

O parlamentar afirmou que os trabalhos nos ramais não podem começar apenas quando a estiagem já está em curso. Para Edvaldo, o cronograma de máquinas, equipes e trechos prioritários deve estar definido ainda no período de chuvas, para que as intervenções comecem assim que o tempo permitir. “Qualquer planejamento mínimo de governo tem que estar prontinho no inverno para quando abrir o primeiro raio do sol do verão, começar os trabalhos”, disse.

A cobrança ocorreu durante pronunciamento no pequeno expediente da sessão ordinária. Edvaldo também cumprimentou produtores rurais presentes na Aleac e tratou da reunião entre representantes do setor produtivo e o Deracre para discutir o cronograma de recuperação dos ramais. O tema mobiliza comunidades rurais porque a trafegabilidade interfere diretamente no escoamento da produção, no transporte escolar, no acesso a serviços públicos e na circulação de moradores.

Ao defender planejamento prévio, o deputado afirmou que a recuperação dos ramais precisa sair da lógica de ações improvisadas e passar a seguir um calendário público, com definição de prioridades e execução compatível com a janela de trabalho aberta pela estiagem. A fala reforça a pressão para que o governo apresente com antecedência os pontos que receberão manutenção, a extensão dos serviços e o ritmo previsto para as frentes de trabalho.

Márcio Bittar diz que governo Mailza pode não querer o PL e coloca Bolsonaro como prioridade em 2026

O senador Márcio Bittar afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a eleição nacional será sua prioridade em 2026, defendeu o palanque bolsonarista no Acre, admitiu que uma articulação entre PL e Republicanos pode mexer no tabuleiro estadual e criticou a falta de diálogo do Palácio Rio Branco após a saída de Sula Ximenes do Deracre.

Bittar entrou no estúdio com a política acreana atravessada por três disputas ao mesmo tempo: a pré-campanha ao governo, a tentativa de reeleição ao Senado e a montagem do palanque presidencial ligado a Jair Bolsonaro. Logo no início da entrevista, ele defendeu que a vida pessoal de quem disputa cargo público também precisa entrar no debate. “O político, quando entra numa campanha dizendo que a vida pessoal não importa, está mentindo. A vida pessoal importa, sim”, disse o senador.

Para explicar a posição, Bittar citou a própria família. Falou da mãe, de 93 anos, com Alzheimer, e da irmã mais nova, que depende de cuidados desde o nascimento. “Se você descobre, por exemplo, que o Márcio Bittar não cuida da mãe dele, não cuida da irmã dele, você acha que ele vai cuidar bem do Estado?”, questionou. A frase abriu a linha central da entrevista: campanha, para ele, deve revelar trajetória, comportamento e lado político.

Na leitura de Bittar, o Acre vive uma eleição diferente porque a velha divisão entre PT e anti-PT perdeu força na disputa estadual. Ele lembrou que o grupo petista governou o Acre por 20 anos, tentou voltar em 2022 e também saiu derrotado nas eleições municipais de 2024. “Depois de tanto tempo, nós conseguimos vencer o PT e depois derrotamos a tentativa de voltar em 2022 e em 2024 também”, afirmou.

Com o PT fora do centro da disputa, Bittar disse ter relação política e pessoal com os três nomes que hoje aparecem no campo competitivo para o governo: Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick. “No meu caso, eu tenho amizade com os três, eu tenho história com os três. Cabe a mim cuidar da tentativa de me reeleger”, declarou. Segundo ele, a ausência da polarização estadual permite que sua energia se concentre mais na eleição nacional.

O senador foi direto ao tratar de Bolsonaro. “Como você disse, Chico, eu tenho lado. O meu lado é o lado do presidente Bolsonaro”, afirmou. Em outro momento, ao ser perguntado se cuidaria no Acre do palanque bolsonarista, reforçou que a pauta federal é o que mais pesa em sua atuação. “A eleição mais importante para mim, com todo respeito à Mailza, ao Bocalom e ao Alan, não é eleição local. Eles não vão resolver os problemas que eu trabalho e que eu estudo há 30 anos.”

Bittar citou Flávio Bolsonaro como nome do seu campo para a Presidência e disse que pretende trazê-lo ao Juruá. “O Flávio vai vir aqui. Ele vem no Juruá. Ele não vem nem parar em Rio Branco, é direto para cá”, afirmou. A declaração serviu de ponte para o tema que mais mexe no bastidor da direita acreana: uma possível aliança nacional entre PL e Republicanos, partido de Alan Rick.

O senador confirmou conversa com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. “Ele confirmou isso. Não tem novidade nisso. O PL, que tem o nosso pré-candidato, quer o apoio, quer uma coligação com o Republicanos”, disse. Bittar tratou a negociação como movimento natural de política nacional. “No momento em que o PL busca o apoio do Republicanos na candidatura do Flávio, é natural que o Republicanos peça reciprocidade.”

Essa reciprocidade pode chegar ao Acre. Bittar afirmou que Rogério Marinho lhe disse que não haverá obrigação formal. “Ninguém vai te obrigar a nada, não há verticalização”, relatou. Ainda assim, reconheceu que uma pressão direta de Flávio Bolsonaro mudaria o peso da decisão. “Se ele vem e me pede: Márcio, nós estamos aqui numa articulação nacional, queremos trazer o Republicanos, ajuda a gente, eu vou ficar numa situação”, disse.

A relação com o governo Mailza Assis ganhou tensão quando o assunto chegou ao Deracre. Bittar disse que sempre viu como mais coerente manter a aliança entre PL, PP e União Brasil, mas afirmou sentir, em alguns momentos, que o próprio governo pode não querer essa aproximação. “Eu sempre entendi que seria mais coerente manter essa aliança. Agora, às vezes eu tenho a impressão de que o governo é que não quer o PL”, declarou.

O caso de Sula Ximenes virou o exemplo principal. Bittar lembrou que ela é filiada ao PL, foi retirada de uma possível candidatura a deputada estadual e voltou ao Deracre a pedido do governo. Depois, deixou o cargo. “Ela me disse que pediu demissão porque se sentiu empurrada para fora, e o governo não fala nada com o PL”, afirmou.

O senador também disse que soube da saída de Sula pela imprensa. “Pela imprensa”, respondeu, ao ser perguntado como tomou conhecimento da exoneração. Na avaliação dele, a situação expôs ruído político dentro do Palácio Rio Branco. “Falta articulação no Palácio Rio Branco”, disse. Bittar evitou personalizar a crítica, mas manteve o recado: “Não quero botar isso no nome de ninguém, mas senta o chapéu na cabeça de quem couber.”

A saída de Sula, para Bittar, não atinge apenas a relação partidária. O senador ligou a crise à execução de obras e emendas no Deracre. Ele afirmou que ainda tem recursos destinados à autarquia e citou o viaduto da Corrente e outras ações em andamento. “Eu continuo sendo o parlamentar que mais tem emenda no Deracre”, declarou.

Bittar também respondeu às cobranças sobre o período em que foi relator do Orçamento da União. Disse que o poder do relator era limitado e que não poderia levar todo o orçamento nacional para o Acre. “O poder que eu tive como relator é um poder relativo. Eu não posso pegar o orçamento e levar todo para o meu Estado”, afirmou.

Segundo o senador, por sua atuação como relator, conseguiu trazer cerca de R$ 600 milhões a mais para o Acre. Somando emendas extraordinárias liberadas no governo Bolsonaro, disse que o valor passou de R$ 1 bilhão. “Quando eu digo que trouxe mais de R$ 1 bilhão, são outras tantas emendas. Eu consegui muita emenda extraordinária no governo do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ele citou recursos para ramais, máquinas entregues a prefeituras e obras como o mini anel de Brasileia e Epitaciolândia. Também afirmou que destinou R$ 200 milhões para a BR-364 dentro do orçamento geral. “Para a BR-364 foram R$ 200 milhões. Mas, dos R$ 600 milhões que eu consegui, eu tive que atender prefeitura, governador, todo mundo queria emenda”, disse.

Na pauta ambiental, Bittar voltou a defender sua tese de que os principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia estão em Brasília, e não nos governos locais. “Os grandes problemas da região amazônica não se resolvem aqui, se resolvem no Brasil”, afirmou. Para ele, leis federais permitem ações de órgãos como Ibama e ICMBio em áreas rurais. “Se você é contra, como eu sou contra, essas ações, eu tenho que ajudar a mudar a lei. E ela é em Brasília.”

O senador também respondeu por que essas mudanças não avançaram durante o governo Bolsonaro. “Não mudou porque não tinha maioria, principalmente no Senado”, disse. Bittar afirmou que o poder de organizações não governamentais na Amazônia é maior do que parte da população imagina e defendeu a CPI das ONGs como instrumento para expor esse debate.

Em sua fala mais dura, classificou a disputa ambiental na Amazônia como conflito econômico. “Na verdade, isso é uma guerra econômica travestida de preocupação ambiental. Nós temos que desfazer isso”, declarou. Ele também acusou ONGs de atuarem contra obras estratégicas no Acre, citando a ponte de Rodrigues Alves e a continuidade da BR-364.

Ao final da entrevista, Bittar voltou ao tema da campanha. Para ele, a pré-campanha e a campanha servem para mostrar ao eleitor quem são os candidatos, o que pensam e o que fizeram quando tiveram poder. “A pré-campanha e a campanha são para você saber quem é quem, o que pensa, o que está fazendo. Se você é governo do Acre, o que fez? Se você é governo do Brasil, o que fez?”, afirmou.

A entrevista deixou Bittar no lugar onde ele costuma se colocar: sem tentar esconder o lado. O senador quer a reeleição, mantém relação com os principais nomes do governo estadual, mas avisou que sua prioridade será o palanque nacional de Bolsonaro. No Acre, essa escolha pode aproximar ou afastar aliados. E, pelo tom da conversa, o Deracre virou mais que uma autarquia em crise: virou a primeira rachadura visível entre o Palácio Rio Branco e o grupo que o governo ainda precisa decidir se quer manter por perto.

Jornal da Manhã em Coluna – 3 de julho de 2026

A coluna desta sexta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, cobertura de Gledson Albano, participação do senador Márcio Bittar e entrevista com o deputado estadual Pedro Longo em Cruzeiro do Sul.

Deracre sem comando

A saída de Sula Ximenes do Deracre abriu uma crise que não cabe apenas na troca de comando. O problema agora chegou ao caixa, ao planejamento e ao chão dos ramais. A autarquia entrou em julho sem direção definitiva, justamente quando o verão deveria estar com máquinas nas comunidades rurais.

No Jornal da Manhã, a cobrança foi direta: se o governo prometeu ramal recuperado, precisa mostrar máquina trabalhando. A zona rural não vive de anúncio. Vive de estrada aberta, ponte em pé, bueiro colocado e piçarra no trecho que corta a produção antes de chegar à cidade.

Operação Verão só na propaganda

A Operação Verão foi anunciada com mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho, 400 máquinas e a promessa de atender 12 mil quilômetros de ramais. Mas a leitura feita no programa foi outra: entre o discurso e a execução, a distância ainda é grande.

No Juruá, a avaliação da bancada é que a operação não chegou de verdade. Há ações pontuais, mas a percepção nos ramais é de espera. Em Rio Branco, até máquina que estava na Transacreana teria sido retirada, provocando preocupação entre moradores.

O produtor esperando

O mês de junho passou quase inteiro sem chuva forte, e mesmo assim a engrenagem não andou no ritmo prometido. Esse é o ponto que pesa. Quem mora no ramal sabe que o verão amazônico não espera reunião, nomeação nem disputa interna.

Quando a chuva voltar, o preço vai cair no colo de quem planta, cria, leva filho para a escola, tenta chegar ao posto de saúde e depende da estrada para vender o que produz. A cobrança do programa foi simples: promessa feita para a zona rural precisa virar serviço antes do inverno.

Calixto e a imprensa

A fala do secretário de governo Luiz Calixto também entrou no centro do debate. A bancada rebateu a tentativa de tratar críticas à gestão como misoginia contra a governadora Mailza Assis.

O questionamento feito no ar foi outro: crítica a governo não nasce do gênero de quem ocupa o cargo. Nasce do uso de dinheiro público, da falta de resposta, da promessa sem entrega e da obrigação de prestar contas. Quando a agenda é pública e a conta sai do bolso do contribuinte, o assunto deixa de ser pessoal.

Moralidade seletiva

Rogério Wenceslau tratou como moralidade seletiva o movimento de aliados do governo que passaram a defender uma limpeza administrativa depois que antigos aliados começaram a ser exonerados.

A avaliação foi dura: enquanto todos estavam no mesmo barco, ninguém parecia incomodar. Quando a cadeira mudou de peso e alguns nomes perderam espaço, a defesa da moralidade apareceu como discurso político. A pergunta que ficou foi se a régua vale para todos ou apenas para quem saiu do grupo.

Márcio Bittar no estúdio

O senador Márcio Bittar chegou ao Jornal da Manhã para uma conversa sem roteiro fechado. A bancada brincou que a pauta cabia em uma folha quase vazia, mas a entrevista passou por política nacional, alianças no Acre, BR-364, ambientalismo, PL, governo Mailza e a crise no Deracre.

Bittar deixou claro que tem lado. Repetiu que continua no campo bolsonarista e defendeu que a campanha precisa servir para o eleitor saber quem é quem, o que cada um pensa e o que cada grupo fez quando teve poder nas mãos.

O PL e o Palácio

A relação entre o PL e o Palácio Rio Branco apareceu como um dos pontos sensíveis da entrevista. Bittar afirmou que sempre viu coerência na manutenção da aliança com PP e União Brasil, mas disse ter a impressão de que o próprio governo pode não querer o PL por perto.

O caso de Sula Ximenes foi usado como exemplo. Para o senador, a saída dela do Deracre mexe com obras, emendas e compromissos assumidos. Ele também lembrou que há obras paradas pelo inverno que precisam ser retomadas agora no verão.

BR-364 e saída pelo Peru

A ligação do Juruá com o Peru voltou à pauta. Bittar defendeu que Cruzeiro do Sul não pode continuar como fim de linha e disse que uma saída internacional mudaria a lógica econômica da região.

A discussão passou pela BR-364, pela possibilidade de integração com mercados asiáticos e pelo entrave ambiental. O senador afirmou que o pré-projeto avançou no governo Bolsonaro, mas o passo seguinte, a licitação do projeto executivo, ficou parado após ação judicial movida por organização ambiental.

Malária no centro do mapa

O Ministério da Saúde escolheu o Juruá como projeto piloto do plano de eliminação da malária. A meta nacional é erradicar a doença até 2030, e Cruzeiro do Sul passa a ocupar posição central nesse esforço.

A escolha não veio por acaso. No Juruá, a malária não é estatística distante. É febre conhecida, exame repetido, remédio na rotina e famílias que contam episódios da doença como quem conta marcas de sobrevivência. O desafio agora é fazer o plano sair da reunião técnica e chegar ao morador do ramal, da beira do rio e da comunidade onde o mosquito ainda manda no território.

Pedro Longo no ramal

O deputado estadual Pedro Longo chegou ao estúdio depois da entrevista com Márcio Bittar e trouxe a experiência de agendas no Juruá. Ele contou que passou pela Expoacre, esteve em Mâncio Lima, foi a Rodrigues Alves e visitou o ramal dos Pinheiros.

A descrição foi direta: o ramal continua muito precário. Se chovesse, a saída seria difícil até com carro traçado. Longo também citou conversa com a Cooperverde, presidida por Paulo Sérgio, e falou em projetos de diversificação da produção naquela região.

MDB em teste

A situação do MDB no Acre entrou na conversa com Pedro Longo. A bancada provocou o deputado sobre a indefinição do partido entre o campo de Mailza Assis e uma eventual aproximação com Alan Rick.

Longo respondeu que entrou no MDB dentro de um contexto de alinhamento com o governo e afirmou que continuará onde sempre esteve: com Mailza. A frase deixou o recado político mais claro do que qualquer nota partidária. Se o MDB mudar de lado, Pedro Longo não necessariamente muda junto.

Tensão no Deracre! Queda em pagamentos de ramais e ruído sobre caixa da Operação Verão

Governo anunciou mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho e 12 mil quilômetros de ramais, mas base de pagamentos mostra que, até 1º de julho, o nome “Operação Verão” aparece quase só em diárias; grande licitação de ramais foi suspensa

A saída de Sula Ximenes do comando do Deracre abriu uma crise que vai além da troca de cadeira na autarquia. O problema, agora, está no caixa e na execução da Operação Verão 2026, lançada pelo governo Mailza Assis com discurso de força-tarefa, máquinas nos ramais e investimentos milionários.

O governo anunciou a operação em 1º de junho, em Rio Branco, prometendo mais de 40 frentes simultâneas, mais de 400 máquinas e equipamentos, cerca de 500 trabalhadores e meta de atender 12 mil quilômetros de ramais. No mesmo ato, a gestão falou em aproximadamente R$ 50 milhões para ramais e pontes, além de R$ 30 milhões em recursos federais voltados para Cruzeiro do Sul. Sula, então presidente do Deracre, afirmou que a operação teria mais de R$ 70 milhões em investimentos do governo estadual.

O discurso era de verão planejado. Os dados, porém, contam uma história mais complicada.

Levantamento feito em pagamentos do Deracre entre 2022 e 2026 mostra que o órgão não está necessariamente pagando menos no geral. Pelo contrário: até 1º de julho de 2026, o Deracre já havia pago R$ 174,1 milhões. No mesmo período de 2025, eram R$ 157 milhões. O caixa geral da autarquia, portanto, não encolheu. Cresceu.

A queda aparece quando o filtro vai para o que importa na propaganda da Operação Verão: ramais, estradas vicinais e recuperação de acessos rurais.

Até 1º de julho de 2025, o Deracre havia pago R$ 14,5 milhões em despesas com menção a ramais ou estradas vicinais. No mesmo período de 2026, o valor caiu para R$ 8,3 milhões. É uma redução de cerca de 43% nos pagamentos ligados a ramais, justamente no ano em que o governo lançou a operação como uma das principais vitrines da gestão Mailza.

A diferença fica ainda mais sensível quando o levantamento busca o termo literal “Operação Verão” nos históricos de pagamento. Em 2025, a expressão aparece em 39 registros, somando R$ 9,47 milhões pagos. A maior parte era de serviços de pessoa jurídica, com recuperação de pontos críticos, tapa-buraco e intervenções executadas em campo.

Em 2026, até 1º de julho, a mesma busca encontra 32 registros e apenas R$ 37,8 mil pagos. Todos em diárias.

Deracre tem R$ 43 milhões empenhados e não pagos em 2026

Outro dado reforça a pressão sobre o caixa do Deracre. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos. Desse total, R$ 36,2 milhões ainda nem haviam sido liquidados e R$ 6,9 milhões já estavam liquidados, mas sem pagamento registrado.

A maior concentração está em empenhos feitos em junho, mês de lançamento da Operação Verão. Só nesse período, aparecem R$ 19,6 milhões empenhados e não pagos. O saldo aberto envolve principalmente serviços de pessoa jurídica, obras e instalações, material de consumo, equipamentos e convênios.

No recorte específico de ramais e estradas vicinais, o quadro é ainda mais sensível para o discurso do governo. A base mostra R$ 11,1 milhões empenhados e não pagos em objetos ligados a ramais. Entre os maiores saldos estão o Ramal Estrada Velha, em Epitaciolândia, com R$ 4,3 milhões empenhados sem pagamento; o Ramal Centrinho e Ramal Escondido, com R$ 1,5 milhão; e contratos ligados ao Ramal dos Paulistas, Ramal do Adolar, Ramal Vai Se Ver e pontes em ramais.

O dado não significa que nenhuma máquina tenha ido a campo. O próprio governo publicou ações em ramais, como no Ramal Esperança, em Brasileia, onde informou serviços em 14 quilômetros, lançamento de piçarra, espurgo de asfalto, bueiros e mobilização de equipamentos.

Mas a base de pagamentos mostra que, até agora, o rastro financeiro da Operação Verão 2026 não acompanha o tamanho do anúncio. No papel do Deracre, o nome da operação aparece mais como deslocamento, vistoria e fiscalização do que como pagamento efetivo de obra.

No Juruá, onde a cobrança por ramais costuma pesar mais, o governo lançou uma etapa própria da Operação Verão em 12 de junho. A matéria oficial informou R$ 26 milhões em recursos federais do Ministério da Agricultura e Pecuária para recuperar cerca de 80 quilômetros de ramais em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Também afirmou que o Estado colocaria recursos próprios para mais de 800 quilômetros de serviços sob demanda na região.

É exatamente aí que a pergunta sobre a origem do dinheiro ganha força. No recorte de ramais da base de 2026, o Deracre tem R$ 19,5 milhões empenhados, mas só R$ 8,3 milhões pagos. A maior parte paga saiu da fonte 15000100, classificada em documentos do Estado como recursos próprios do Tesouro Estadual. Outra parte relevante aparece na fonte 27003120, ligada a emendas parlamentares de bancada em superávit. 

Ou seja: a Operação Verão foi vendida como uma grande ação nova do governo, mas parte importante do dinheiro dos ramais aparece misturada a fontes antigas, emendas, convênios e contratos que já vinham se arrastando de anos anteriores.

O caso mais simbólico é o Contrato de Repasse nº 850470/2017. Esse convênio aparece na base de pagamentos com movimentações em 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026. Só em 2026, há R$ 8,86 milhões empenhados vinculados a esse número, mas apenas R$ 2,37 milhões pagos.

Esse contrato não nasceu agora. Em 2019, o próprio governo Gladson Cameli anunciou a liberação de cerca de R$ 94 milhões para recuperação de ramais em todo o Acre, recurso de emendas de bancada que, segundo a publicação oficial da época, estava “empacado” e poderia ser perdido se não fosse destravado. (Noticias do Acre)

Sete anos depois da origem da emenda e cinco anos após o governo dizer que havia destravado o recurso, o mesmo pacote ainda aparece nos pagamentos do Deracre. Isso ajuda a explicar a morosidade na política de ramais no Acre: não se trata apenas de falta de anúncio. Anúncio houve. O que falta, ano após ano, é execução no ritmo prometido à população rural.

A contratação nova que poderia dar escala à Operação Verão também não engrenou até aqui. A Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, no ComprasGov nº 90044/2026, Processo nº 0000002/2026-Deracre, foi aberta para contratar serviços de engenharia de melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá. O edital foi prorrogado para 3 de junho, mas, um dia antes da sessão, a comissão publicou aviso de suspensão por haver pedidos de esclarecimentos e/ou impugnações pendentes de resposta do órgão demandante. 

Na prática, a grande contratação de ramais do Deracre em 2026 foi suspensa no início do verão amazônico, justamente quando o governo dizia que colocaria o maquinário em campo.

A saída de Sula Ximenes piorou a leitura política. O Integração Net mostrou que, nos bastidores, a exoneração abriu ruído sobre o caixa da operação. A versão de bastidor aponta suspeita de que o dinheiro prometido para sustentar a Operação Verão não estaria disponível como havia sido combinado, com questionamentos envolvendo emenda de bancada e planejamento para recuperação de ramais. 

Os números não provam, sozinhos, falta de dinheiro. Mas sustentam a cobrança. Se o governo anunciou mais de R$ 70 milhões, mais de 40 frentes, 12 mil quilômetros de ramais e estrutura pesada em todas as regionais, precisa mostrar quais contratos bancam a operação, quanto já foi empenhado, quanto foi pago, quais ramais foram efetivamente atendidos e que parte do recurso é dinheiro novo do Estado, emenda de bancada, convênio federal ou saldo de contrato antigo.

Áudio expõe crise interna e resposta da Sefaz não encerra dúvida sobre o caixa

A crise da Operação Verão não nasceu apenas de especulação política. Reportagem do AC24Agro trouxe um áudio atribuído ao diretor de Ramais do Deracre, Celso Sousa, no qual ele afirma que havia decisão interna para “parar o trecho” e devolver máquinas terceirizadas que atuavam em ramais, na AC-90 e em aeródromos. Segundo a reportagem, o diretor relacionou o problema à falta de conexão entre Sefaz e Seplag e disse que “não está tudo certo” na execução da operação. 

A Sefaz reagiu por meio do secretário Amarísio Freitas. A versão oficial é que a Operação Verão tinha acabado de completar 30 dias, que seria imprudente falar em interrupção dos serviços nesse prazo e que o Deracre trabalha com uma cota mensal de pouco mais de R$ 15 milhões em recursos próprios. A secretaria também afirmou que o Tesouro não controla quando serão liberados recursos de emendas federais ou outras fontes. 

A resposta, porém, não elimina o questionamento. O próprio governo lançou a Operação Verão prometendo mais de 40 frentes de trabalho, mais de 400 máquinas, cerca de 500 trabalhadores, 12 mil quilômetros de ramais e investimentos superiores a R$ 70 milhões. Se parte relevante desse dinheiro dependia de emendas federais, convênios ou liberações fora do controle direto da Sefaz, a pergunta permanece: quanto desse pacote estava, de fato, disponível para execução quando a operação foi anunciada?

Os dados do Deracre reforçam a dúvida. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos em 2026. No recorte de ramais e estradas vicinais, eram R$ 11,1 milhões empenhados sem pagamento. Ao mesmo tempo, o nome “Operação Verão” aparecia na base quase só em diárias, somando apenas R$ 37,8 mil pagos.

Há ainda outro ponto sensível: a grande licitação de ramais de 2026, a Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, foi suspensa antes da sessão prevista para 3 de junho. O processo tratava da contratação de serviços de engenharia para melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá.

Por isso, a explicação da Sefaz pode até responder ao rito financeiro mensal, mas não responde ao problema político e administrativo aberto pela Operação Verão. O que está em discussão não é apenas se a Sefaz repassa cotas ao Deracre. É se o governo anunciou uma operação maior do que o dinheiro disponível, os contratos ativos e a capacidade real de execução conseguiam sustentar naquele momento.

Hoje, a fotografia disponível é dura para o governo Gladson/Mailza: o Deracre pagou mais no conjunto, mas pagou menos em ramais; a Operação Verão 2026 aparece quase só em diárias; a licitação estadual para ramais foi suspensa; e parte da execução ainda depende de recursos antigos, anunciados desde 2019.

No palanque, a Operação Verão nasceu como vitrine. Nos dados, até agora, ela parece ter subido no telhado.

Jornal da Manhã em Coluna – 1º de julho de 2026

A coluna desta quarta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau e cobertura de Gledisson Albano e Mazinho Rogério na primeira noite da Expoacre Juruá 2026.

A feira abriu, a política também

A Expoacre Juruá começou com parque cheio, show de Nattanzinho Lima e a velha cena de Cruzeiro do Sul quando a cidade vira ponto de encontro do interior inteiro. Mas, por trás da música, dos estandes e da poeira dos carros na BR-405, a política abriu sua própria porteira.

A governadora Mailza Assis fez a abertura oficial da feira. Só que a noite não foi apenas de governo. Foi também de adversários circulando, aliados medindo distância e pré-candidatos testando o calor do público.

Alan Rick no mesmo terreiro

O senador Alan Rick chegou à Expoacre Juruá como pré-candidato ao governo e com o prefeito Zequinha Lima ao lado. Em política, a imagem às vezes fala antes do microfone.

Alan não foi à feira apenas para cumprimentar expositor. Foi ocupar espaço. E ocupar espaço no Juruá, em noite de abertura, diante de empresários, produtores, lideranças e visitantes de fora, é mandar recado para o Acre inteiro.

Zequinha mudou a temperatura

A presença de Zequinha Lima no campo de Alan Rick mexe com a conta do Palácio Rio Branco. O prefeito de Cruzeiro do Sul não é um apoio qualquer. Ele governa o principal município do Juruá e conhece como poucos o peso político de uma feira cheia.

Quando Zequinha sai de perto de Mailza e aparece ao lado de Alan, não é só uma troca de palanque. É um movimento que encoraja outros insatisfeitos a fazer a própria travessia.

A fila começou a andar

Rogério Wenceslau resumiu o momento com uma frase que ficou no ar: “A fila tá andando e tá andando rápido”.

A debandada do governo deixou de ser murmúrio de gabinete. Agora aparece em praça pública, em feira, em entrevista, em chegada de comitiva. O barco ainda navega, mas já tem passageiro olhando para a margem.

Falta conversa no Palácio

Wenceslau foi direto ao ponto ao falar em falta de sensibilidade e falta de articulação. Governo que perde ouvido político começa a perder antes no detalhe: uma liderança que não atende, um prefeito que se sente pequeno, uma promessa que fica sem resposta.

No Acre, ninguém rompe de repente. Primeiro avisa. Depois se cala. Quando aparece ao lado do adversário, a decisão já amadureceu faz tempo.

Donadoni fora da Casa Civil

A exoneração de Jonathan Donadoni da Casa Civil caiu no meio da semana como mais uma peça solta no tabuleiro. A Casa Civil é o lugar da costura. Quando quem costura sai, o rasgo aparece mais.

O governo tratou a mudança como decisão administrativa. Wenceslau devolveu a pergunta que incomoda: “Será que sabem a diferença entre decisão de governo e decisão de estado?”.

Decisão de governo cobra conta

Toda governadora pode trocar secretário. Isso faz parte do comando. O problema é o momento, o método e o efeito político da troca.

Quando a base já reclama, quando prefeitos se movem e quando aliados históricos começam a sair, uma exoneração na Casa Civil deixa de ser ato interno. Vira termômetro de crise.

Sula sai e o ramal sente

A saída de Sula Ximenes do Deracre pesa porque o órgão não vive apenas dentro do gabinete. O Deracre chega no ramal, na ponte, na estrada de barro, na operação verão e no produtor que espera a máquina antes da chuva voltar.

Sula pediu exoneração reclamando de compromissos não cumpridos e falta de condições para tocar o trabalho. Isso transforma uma troca administrativa em problema político com cheiro de barro molhado.

Deracre não é enfeite

No Juruá, o Deracre é uma das mãos mais visíveis do governo. Quando o ramal abre, a comunidade lembra. Quando fecha, lembra mais ainda.

Por isso a preocupação com a operação verão é séria. É agora que o serviço precisa andar. Depois que o inverno amazônico chega, a desculpa costuma vir junto com a lama.

Governo tenta conter a leitura

Mailza Assis negou crise e apresentou as mudanças como medidas de gestão. É a resposta esperada de quem está no comando e precisa segurar a imagem de normalidade.

Mas política não se controla apenas com declaração. A leitura se forma no conjunto: Donadoni fora, Sula fora, Zequinha distante, Alan crescendo no Juruá e aliados observando quem será o próximo a atravessar.

A feira como vitrine eleitoral

A Expoacre Juruá tem boi, negócio, show, comida, empreendedor e família andando pelo parque. Mas também tem pré-campanha em estado puro.

Cada aperto de mão vira sinal. Cada foto vira mensagem. Cada ausência vira comentário. Em noite de feira cheia, o político que circula bem sai maior. O que circula acuado sente o peso da multidão.

Trânsito cheio, sinalização falha

A Prefeitura montou transporte gratuito para o público, mas a chegada e a saída tiveram fila grande de veículos. Também houve reclamação sobre falta de sinalização em alguns pontos.

Evento desse tamanho não perdoa improviso. A multidão mostra sucesso, mas também testa a capacidade de organização da cidade.

Empreendedor quer vender

Os empreendedores chegaram à Expoacre Juruá com expectativa positiva. Para muita gente, a feira é a chance de vender em poucos dias o que às vezes demora mês inteiro para girar.

Enquanto político mede força, o pequeno comerciante mede caixa. É ele quem sente primeiro se a festa deu certo.

Segurança em alerta

A Polícia Militar e o Ciosp agiram rápido e apreenderam três motocicletas durante a movimentação da Expoacre. Em noite de público grande, segurança boa é aquela que aparece antes do problema crescer.

A feira movimenta dinheiro, gente e trânsito. Também exige presença firme do Estado.

Até a seleção entrou no clima

No fim do programa, a Copa do Mundo apareceu com torcedor esperançoso, mas sem tanta fé no Brasil.

A frase combina com o momento político do Acre. Tem gente torcendo pelo governo, mas já sem a mesma confiança no jogo.

A cena do dia

A primeira noite da Expoacre Juruá teve música alta, parque cheio e palanque disputado. Mailza abriu oficialmente a feira, mas Alan Rick e Zequinha Lima roubaram parte da cena política.

No Juruá, a festa começou com multidão. A crise, também.

No Jornal da Manhã, Edvaldo cobra investigação da ponte de Sena Madureira e questiona valores

No Jornal da Manhã desta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães levou a queda da ponte de Sena Madureira para o centro da cobrança política no Acre. A obra, construída pelo governo do Estado por meio do Deracre, foi entregue, recebida, paga e caiu pouco mais de dois anos depois. Para Edvaldo, a Assembleia Legislativa não pode ficar fora da apuração porque o caso envolve dinheiro público, contrato, aditivos, fiscalização e uma pergunta simples: por que a ponte não resistiu?

A entrevista começou pela escolha do instrumento de investigação. Edvaldo explicou que não pediu uma CPI porque ela poderia ser barrada antes de funcionar. A saída foi propor uma comissão de acompanhamento externo, com objeto definido: a ponte de Sena Madureira. A comissão, na avaliação do deputado, permite que a Assembleia acompanhe o trabalho do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da polícia técnica, cobre documentos e leve informações já levantadas pelos parlamentares.

O ponto mais forte da entrevista foi a diferença entre o valor do contrato inicial e o custo final da obra. Edvaldo disse que o contrato era de R$ 36 milhões, mas que o valor pago chegou a R$ 45 milhões e alguns quebrados, perto de R$ 46 milhões. A Procuradoria-Geral do Estado, o Ministério Público e a Justiça de Sena Madureira trabalharam, até ali, com pedido de bloqueio e ressarcimento de R$ 36 milhões. Para o deputado, a conta não fecha porque os aditivos também saíram dos cofres públicos.

Edvaldo rejeitou a tentativa de separar o aterro da ponte. “Você não contrata o tabuleiro da ponte, você contrata uma ponte inteira”, disse. A frase mirou o argumento de que cerca de R$ 9 milhões teriam sido usados em obra complementar. Para ele, cabeceira, acesso, aterro, fundação e tabuleiro fazem parte do mesmo conjunto entregue à população. Se o dinheiro foi pago dentro do contrato da ponte, deve entrar na apuração e no cálculo do possível prejuízo.

A cobrança avançou sobre a transparência dos pagamentos. Edvaldo afirmou que procurou no Tribunal de Contas os registros da obra e encontrou no Sicom apenas os R$ 36 milhões do contrato original. Os aditivos, reajustes e novas medições, segundo ele, não apareciam no sistema. O deputado tratou essa ausência como uma das razões para a comissão existir, porque cada pagamento de obra pública precisa ter origem, medição, serviço executado e registro disponível aos órgãos de controle.

A parte técnica da entrevista foi direta. Edvaldo afirmou que havia diferença entre o que estava previsto nas linhas iniciais do projeto e o que teria sido executado. Ele citou tubulações com diâmetro menor e estacas menos profundas do que o previsto. A obra foi contratada pelo modelo RDC, em que o edital sai com diretrizes gerais e projeto básico, mas, na leitura do deputado, nem essas linhas teriam sido respeitadas na execução.

A explicação da “terra caída” também foi contestada. Edvaldo lembrou que rios amazônicos enchem, secam, mudam barrancos e provocam erosão todos os anos. Isso precisa estar dentro do cálculo de engenharia. Para ele, uma coisa é perder uma cabeceira e reconstruir o acesso; outra é a ponte cair por completo. “Nós estamos tratando de uma ponte que não aguentou porque a sua estrutura foi mal feita”, afirmou.

A garantia da obra virou outro ponto sem resposta. Edvaldo disse que, até o dia anterior à entrevista, o documento da garantia da ponte não havia sido identificado. Ele também rebateu a versão de que a carta de garantia valeria apenas até o recebimento da obra. Para o deputado, se o contrato prevê garantia de cinco anos, a empresa precisa bancar essa responsabilidade por meio da garantidora. A pergunta que ficou foi objetiva: quem garante a ponte que caiu?

No fim da entrevista, a ponte deixou de ser apenas um problema de engenharia. Virou um teste para a Assembleia. A proposta começou com Edvaldo, passou por nove assinaturas e chegou a 14 apoios no debate do Jornal da Manhã. A queda da ponte abriu uma fissura política porque expôs uma obra cara, recente e sem explicação completa. Agora, a comissão terá de dizer se vai atrás dos documentos ou se deixará que a lama do rio cubra também os rastros do contrato.

Bastidores da política: Sula Ximenes teria perdido força no Deracre após interferências

O comentarista Rogério Wenceslau disse nesta quarta-feira, 17, durante o Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, que a presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre, Sula Ximenes, teria perdido autonomia dentro do Deracre por causa de interferências políticas no governo estadual. A declaração foi feita durante debate sobre a atuação de pessoas sem mandato que, na avaliação da bancada, influenciam decisões internas da gestão.

Wenceslau afirmou que Sula havia deixado um projeto eleitoral pelo PL para reassumir o comando do Deracre a pedido da governadora Mailza Assis. Na avaliação dele, a escolha teria sido feita em um momento em que ela aparecia como um nome competitivo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

“A diretora-presidente do Deracre, Sula Ximenes, esteve aqui recentemente. Ela estava tudo certo para ser candidata a deputada estadual pelo PL, com expectativa de vitória. Era uma das candidatas mais fortes da chapa. Ela abriu mão desse projeto pessoal e voltou para a direção do Deracre a pedido da governadora”, disse.

O comentarista declarou que, apesar de continuar no cargo, Sula teria perdido espaço nas decisões internas da autarquia. “Hoje, em função das eminências pardas que estão dentro do governo, ela está profundamente arrependida. Apesar de ela ser diretora-presidente, já não tem mais poder sobre a autarquia”, afirmou.

A crítica foi feita no contexto de uma discussão sobre mudanças internas no Deracre. Wenceslau disse que movimentações políticas dentro do órgão podem tirar o foco da execução de obras, da recuperação de ramais e das ações de infraestrutura que costumam ganhar força no período de estiagem.

“Estão fazendo mudanças internas, tirando o foco do que é importante, que são as obras e o resultado. Estão mexendo politicamente dentro da autarquia e inviabilizando o trabalho dela, que até então era aprovado e aplaudido”, declarou.

Para o comentarista, a disputa por influência dentro da autarquia pode afetar diretamente serviços considerados estratégicos para o interior do Acre, como manutenção de estradas vicinais, pontes, ramais e frentes da Operação Verão. Ele associou a possível perda de comando de Sula a um problema maior de articulação dentro do governo.

“Pessoas que não têm voto, que não têm mandato, que oficialmente não são nada no governo, mas que mandam, estão desestruturando o que foi feito de positivo em função de interesses pessoais. E o preço quem paga sempre é a população do Acre”, disse.

A fala acrescenta mais um ponto de tensão à relação entre governo, aliados e setores da base política. O Deracre ocupa posição central na agenda administrativa do Estado, principalmente no verão amazônico, quando prefeituras, comunidades rurais e produtores cobram trafegabilidade nos ramais e avanço em obras de infraestrutura.

Durante o programa, Wenceslau também defendeu que as críticas feitas na bancada não tinham caráter pessoal. “Eu desafio qualquer ouvinte, qualquer pessoa do meio político, a provar que eu ofendi ou atingi a honra de alguém aqui. A gente narra os fatos e traz informações exclusivas de bastidores, mas sempre com respeito”, afirmou.

“Não aprendi a fazer política de cara feia”: resposta de Zequinha expõe o comportamento de Zezinho Barbary em Cruzeiro do Sul.

A fala recente do deputado federal Zezinho Barbary no lançamento da Operação Verão, na sede do Deracre em Cruzeiro do Sul, abriu aspas na política local e recebeu resposta pública em tom direto do prefeito Zequinha Lima. Ao defender a “política da verdade” e criticar o que chamou de “tapinha nas costas” sem resultado, Zezinho deixou no ar um recado político que, agora, ganhou devolução pública.

No discurso, Zezinho cobrou mais agilidade da gestão municipal, afirmou que recursos destinados ao município ainda dependem de projetos e reclamou da ausência de representante de Cruzeiro do Sul em um ato de entrega de máquinas. Também reforçou que seu mandato já direcionou R$ 70 milhões ao município . O tom subiu quando o deputado afirmou que faz política “olhando no rosto” das pessoas e não aceita justificar a falta de entrega com gesto ou cerimônia.

A resposta veio com o prefeito Zequinha Lima, também em público, num discurso de recado e contenção. “Eu não aprendi a fazer política de cara feia”, disse, ao defender uma atuação baseada em diálogo, respeito e composição. Zequinha afirmou ainda que divergências políticas não devem respingar na governadora e que problemas pessoais ou políticos precisam ser resolvidos fora daquele ambiente institucional. A fala foi lida nos bastidores como uma reação direta ao discurso anterior de Zezinho.

Há relatos de que acordos de campanha não teriam sido cumpridos com aliados, por parte de Barbary, o que ajuda a explicar o desconforto que agora veio à tona. Entre pessoas próximas ao prefeito, a cobrança pública de Zezinho é tratada como sinal de ingratidão política, sobretudo pelo peso que Zequinha teve na articulação que fortaleceu a eleição do deputado.

É publico e notório, conforme acompanhado por tantos de Cruzeiro, que quando Zequinha esteve na campanha junto de Zezinho Barbary, para sua eleição a deputado federal, os votos chegaram e fortaleceram e muito sua chegada a Brasília. Em 2022, Zezinho Barbary teve 9.215 votos em Cruzeiro do Sul, significa que Cruzeiro do Sul respondeu por 46,17% da votação geral dele, de 19.958 votos.

Que fique o recado, o povo adora a traiagem, mas odeia o traidor