A liderança indígena Francisco Piyãko, do povo Ashaninka do Acre, contestou nesta quinta-feira (1º) o uso de imagens de lideranças indígenas em material divulgado pela assessoria do candidato ao Senado Gladson Cameli. Segundo Piyãko, uma das fotografias utilizadas foi registrada durante uma agenda institucional realizada em janeiro de 2025 e não representa apoio eleitoral das pessoas que aparecem na imagem.
O material da assessoria de Gladson foi divulgado com o título “Gladson Cameli pede apoio de lideranças e povos indígenas para candidatura ao Senado”. No texto, o ex-governador pede votos às comunidades indígenas e afirma que mantém uma relação de compromisso com os povos originários. As publicações reproduzem fotografias de Gladson ao lado de indígenas, mas não apresentam declarações das pessoas retratadas afirmando apoio à candidatura.
Francisco Piyãko afirmou que algumas das imagens é anterior ao período eleitoral e foi feita durante a 5ª Conferência Indígena da Ayahuasca, realizada em janeiro de 2025, quando lideranças apresentavam reivindicações relacionadas aos povos indígenas e à segurança pública.
“Só falo o seguinte: essa foto foi tirada em 2025, em janeiro de 2025, na Conferência da Ayahuasca, e a gente estava apresentando um documento do movimento indígena para o secretário nacional de Segurança Pública. Esse é um ponto, uma informação”, afirmou.
A conferência citada por Piyãko ocorreu entre os dias 25 e 30 de janeiro de 2025, na Terra Sagrada Yawanawá, no Alto Rio Gregório. Gladson participou do encontro ainda como governador para receber uma carta elaborada pelos povos indígenas. O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, também participou da agenda.
Piyãko também contestou a afirmação de Gladson sobre a relação de seu governo com os povos indígenas. Na avaliação da liderança Ashaninka, não houve uma política estruturante construída a partir do diálogo permanente com as comunidades.
“Em nenhum momento esse governo se relacionou com comunidade, com lideranças indígenas, para discutir política pública para o Estado. Está marcado exatamente por não ter feito nada de maneira estruturante para os povos indígenas”, declarou.
Ao pedir apoio eleitoral, Gladson afirmou no material de campanha que pretende dar continuidade, no Senado, ao trabalho que diz ter iniciado no governo de “proteção e cuidado com os povos indígenas”. Ele também declarou que participou de festivais e atividades realizadas nas comunidades ao longo de sua trajetória política.
Francisco Piyãko disse ainda que a presença de lideranças em fotografias feitas durante agendas públicas não deve ser interpretada automaticamente como adesão política. “Usar a nossa imagem para dizer que a gente está apoiando? Não. Pode ter algumas lideranças que apoiam, mas o conjunto do movimento indígena não tem essa candidatura, não tem apoio a essa candidatura”, afirmou.
Segundo Piyãko, ele procurou pessoas que aparecem na fotografia questionada e recebeu delas a informação de que não estão apoiando Gladson. “Consultei quem está ali naquela foto. Nenhum está apoiando o Gladson. É conversa”, declarou, classificando dessa forma a associação entre algumas das fotografias e o pedido eleitoral.
A liderança defendeu que materiais de campanha utilizem imagens apenas de indígenas que tenham autorizado a vinculação de suas fotografias ao apoio político.
“Eles têm que usar a foto de quem ele perguntou se pode tirar foto e dizer que está apoiando. Tem que botar foto de quem está apoiando, que até vai ajudar nós a entender qual liderança está apoiando o Gladson, e não botar foto de quem não foi nem consultado se pode ou não”, disse.
Piyãko encerrou afirmando que, caso existam lideranças indígenas atuando na campanha do ex-governador, elas próprias devem aparecer nos materiais eleitorais. “Ele bote a foto de quem está assumindo campanha para ele. Tem que botar, porque se ele quer dizer que alguém está apoiando, tem que botar a foto”, afirmou.