Política

Jornalistas do Grupo Integração recebem apoio após denunciarem ameaças no Acre

Os jornalistas Rogério Wenceslau e Chico Melo, do Grupo Integração, receberam manifestações de solidariedade nesta sexta-feira, 17, em Rio Branco, depois de relatarem, durante o programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração, supostas ameaças de prisão atribuídas a integrantes do alto escalão do Governo do Acre. O caso levou entidades da categoria a cobrarem apuração e ampliou a repercussão política sobre uma possível tentativa de intimidação contra profissionais da imprensa.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre e a Federação Nacional dos Jornalistas repudiaram o episódio e defenderam a responsabilização de eventuais envolvidos, caso as denúncias sejam confirmadas. As entidades afirmaram que jornalistas não podem ser intimidados, coagidos ou ameaçados em razão do trabalho que exercem e que o uso de qualquer estrutura pública para constranger profissionais da comunicação afronta a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação.

A nota também trata como grave a denúncia de que alguém teria afirmado ser “dono da Polícia Civil” ou possuir poder para determinar a prisão de jornalistas. A Polícia Civil do Acre é comandada pelo delegado-geral Pedro Paulo Silva Buzolin, dentro da estrutura do Governo do Estado, hoje sob gestão da governadora Mailza Assis Cameli. A manifestação das entidades não cita nominalmente os supostos autores das ameaças.

A repercussão alcançou nomes da política acreana. O senador Alan Rick, do Republicanos, enviou mensagem de apoio a Chico Melo e Rogério Wenceslau e classificou o episódio como uma “tentativa nefasta, ilegal e covarde de intimidação”.

O deputado estadual Edvaldo Magalhães, do PCdoB, também se manifestou em defesa dos jornalistas. “Você tem minha solidariedade e minha defesa institucional. Não se calem. Força. Sigamos!”, publicou. Edvaldo está no quinto mandato na Assembleia Legislativa do Acre e tem atuação ligada ao movimento sindical dos trabalhadores em educação.

Outra manifestação veio do prefeito de Feijó, Railson Ferreira da Silva, o Delegado Railson, do Republicanos. Ele afirmou que a Polícia Civil “não tem dono” e que a instituição é “forte” e não pode ser tratada como “braço investigativo de um grupo”. Railson é delegado e exerce o mandato de prefeito no quadriênio 2025-2028.

O caso reacendeu a discussão sobre garantias ao exercício do jornalismo no Acre, especialmente em situações que envolvem denúncias contra agentes públicos ou grupos políticos. Rogério Wenceslau e Chico Melo relataram que as supostas ameaças estariam ligadas à atuação profissional dos dois no Grupo Integração.

O Sinjac e a FENAJ cobraram apuração pelas autoridades competentes e defenderam a integridade física e moral dos profissionais de comunicação. As entidades afirmaram que permanecerão vigilantes na defesa da liberdade de imprensa e do pleno exercício do jornalismo no Acre.

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