Família suspeita que homem estava vivo durante velório e denuncia negligência no Hospital do Juruá
A família de Diemerson de Souza Ângelo, que morreu após sofrer um acidente de motocicleta em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, denuncia possível negligência médica e questiona as circunstâncias em que a morte foi confirmada. Durante o velório, os parentes afirmam ter percebido sinais que interpretaram como batimentos cardíacos, mesmo depois da emissão da declaração de óbito e da liberação do corpo pelo Instituto Médico Legal (IML).
O caso foi divulgado neste domingo (11) e envolve atendimentos realizados no Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, e em uma unidade hospitalar no município de Guajará, no Amazonas.
Segundo a irmã de Diemerson, a família desconfiou de que ele pudesse estar vivo durante o velório e decidiu acionar a polícia. O corpo foi encaminhado ao hospital de Guajará, onde, conforme o relato, um médico teria identificado frequência cardíaca e iniciado os preparativos para transferir o paciente novamente ao Hospital do Juruá.
A familiar afirma que o profissional chegou a solicitar que enfermeiras registrassem a situação em vídeo e providenciassem equipamentos para retirar o homem do caixão. Entretanto, após uma conversa telefônica com um médico do Hospital do Juruá, a família foi informada de que o óbito estava confirmado, e o corpo retornou ao velório.
A mudança de avaliação aumentou as dúvidas dos familiares, que cobram esclarecimentos sobre os procedimentos utilizados para confirmar a morte.
Além do episódio durante o velório, a família denuncia possíveis falhas no atendimento recebido por Diemerson após o acidente de motocicleta, ocorrido na tarde de domingo, 4 de outubro.
O motociclista foi socorrido e levado ao Hospital do Juruá, onde uma tomografia identificou uma lesão na cabeça. Segundo a irmã, apesar das dores e dos episódios de vômito, ele permaneceu durante horas em uma maca no corredor, aguardando avaliação especializada.
“Meu irmão permanecia no corredor, em cima de uma maca, gritando de dor e pedindo ajuda”, relatou.
Na segunda-feira (5), uma neurologista teria identificado um edema cerebral, caracterizado pelo inchaço do cérebro. Conforme a família, naquele momento não houve indicação de cirurgia, que seria considerada caso o quadro clínico apresentasse agravamento.
A irmã afirma que o estado de saúde do paciente piorou nas horas seguintes. Ele teria deixado de responder aos estímulos e apresentado secreção nasal, mas não foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Na manhã de terça-feira (6), a mãe de Diemerson, que acompanhava a internação, recebeu a notícia da morte do filho.
Os familiares agora questionam a demora no atendimento especializado, a ausência de intervenção cirúrgica e os procedimentos adotados diante da piora do quadro neurológico.
Em manifestação pública, a irmã afirmou que pretende buscar a responsabilização por eventuais falhas na assistência prestada ao motociclista.
“A família quer justiça e a gente vai conseguir”, declarou.
Até o momento, não há confirmação independente de que Diemerson apresentasse atividade cardíaca durante o velório. A suspeita relatada pelos familiares depende de esclarecimentos médicos e da análise dos registros dos atendimentos realizados nas duas unidades hospitalares.
Também não há comprovação de negligência médica. A avaliação das condutas adotadas exige exame dos prontuários, dos procedimentos realizados e das condições clínicas do paciente durante a internação.
O caso levanta questionamentos sobre o atendimento de emergência, o acompanhamento de pacientes com traumatismo craniano e os protocolos de confirmação de óbito. A família espera respostas sobre as circunstâncias da morte e sobre a assistência recebida por Diemerson no Hospital do Juruá.