Alunos denunciam risco de acidentes em escola estadual com piso cedendo e telhado danificado em Cruzeiro do Sul
Estudantes da Escola Professor Francisco Albecir Brito da Silva, localizada na comunidade Periquito, às margens do Rio Liberdade, na zona rural de Cruzeiro do Sul, denunciaram as condições estruturais do prédio onde estudam. Em vídeo divulgado nas redes sociais, os alunos mostram paredes com frestas, assoalho comprometido e danos no telhado, além de relatarem medo de acidentes durante as aulas.
A estudante Bianca Silva percorreu as instalações da escola, construída em madeira, para mostrar a situação enfrentada pelos alunos. Nas imagens, ela apresenta salas com paredes deterioradas, aberturas que permitem a entrada da água da chuva e pontos do assoalho que apresentam inclinação e desnível.
Segundo Bianca, o piso chegou a ceder em uma ocasião em que várias pessoas estavam reunidas no local. A estudante também relatou que uma árvore caiu sobre parte do telhado da unidade e que os danos provocados pelo acidente ainda não foram reparados.
“É uma estrutura que causa medo e insegurança, não só pra mim, mas para os outros alunos também. Estou fazendo o vídeo para que as pessoas vejam a nossa realidade, que também nos preocupa”, afirmou Bianca.
Em outro momento da gravação, acompanhada de uma colega, a estudante reforçou o pedido de providências para melhorar as condições do prédio. “Não queremos privilégios, apenas uma escola digna para todos”, declararam as alunas.
A denúncia ocorre em meio a outros registros de problemas na infraestrutura das escolas estaduais do Acre. Em junho de 2025, a situação de estudantes que assistiam às aulas em um antigo curral, na comunidade Limoeiro, zona rural de Bujari, ganhou repercussão nacional após reportagem do programa Fantástico, da TV Globo.
Na ocasião, as imagens mostraram crianças estudando em um ambiente sem paredes, com chão de terra batida, instalações sanitárias improvisadas e ausência de água encanada. O caso provocou a atuação do Ministério Público do Acre e a adoção de medidas pelo governo estadual.
Dados divulgados em 2026 pela plataforma QEdu também mostram dificuldades na infraestrutura das unidades de ensino acreanas. Apenas 57% das escolas do estado possuem acesso à água potável, enquanto a média nacional chega a 96%. O levantamento aponta ainda que somente 13% das escolas acreanas estão ligadas à rede pública de esgoto, contra 49% no país.
O fornecimento de energia elétrica também apresenta diferenças. No Acre, 62% das escolas estão conectadas à rede pública, enquanto a média brasileira alcança 96%.
As condições da educação estadual também estão sob investigação em outras frentes. Em setembro deste ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Death Note para apurar suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e desvio de recursos federais destinados à educação no Acre. O possível prejuízo investigado supera R$ 30 milhões. Em julho, a Operação Talha Real havia investigado suspeitas de irregularidades em contratos financiados com recursos do Fundeb que somavam mais de R$ 51 milhões.
As investigações não possuem relação comprovada com os problemas estruturais denunciados pelos estudantes da escola de Cruzeiro do Sul.
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) foi procurada para prestar esclarecimentos sobre as condições da Escola Professor Francisco Albecir Brito da Silva, mas não havia apresentado resposta até a publicação da denúncia.