Após 26 anos, Acre volta a confirmar casos de sarampo e reforça vigilância na fronteira com o Peru
O Acre voltou a registrar casos confirmados de sarampo após 26 anos. Nesta quinta-feira (8), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou a doença em dois pacientes vindos do Peru e atendidos em Rio Branco. A identificação do vírus mobilizou equipes de saúde em municípios da fronteira e na capital, com monitoramento de pessoas que tiveram contato com os pacientes e ações de vacinação para evitar a transmissão.
De acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), os últimos casos confirmados no Acre haviam ocorrido em 2000, quando 11 pessoas foram diagnosticadas com a doença. Naquele ano, seis casos foram registrados em Rio Branco, três em Acrelândia, um em Mâncio Lima e outro em Plácido de Castro.
Os novos pacientes são uma criança de 11 meses e uma mulher de 30 anos, moradores de Puerto Maldonado, no Peru. Antes de receberem atendimento em Rio Branco, eles passaram pelos municípios de Assis Brasil e Brasileia. A criança está internada em estado grave em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enquanto a mulher permanece hospitalizada, sem sinais de gravidade.
Apesar da confirmação, ainda não é possível afirmar que o vírus esteja circulando no Acre. A Sesacre investiga onde ocorreu a infecção e considera a possibilidade de que os pacientes tenham contraído a doença fora do território brasileiro. A classificação definitiva como casos importados dependerá da conclusão da investigação epidemiológica.
O trajeto percorrido pelos pacientes levou as autoridades sanitárias a ampliar o acompanhamento na região de fronteira. As equipes dos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) trabalham na identificação de contatos e na avaliação de possíveis exposições ao vírus.
A Secretaria de Saúde também programou ações de bloqueio vacinal em Brasileia e em duas unidades hospitalares de Rio Branco: o Hospital de Urgência e Emergência (Huerb) e o Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into). A vacinação será direcionada às pessoas com indicação, conforme avaliação das equipes de vigilância.
Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a cobertura vacinal contra o sarampo chegou a 98,69%. O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que as equipes estão mobilizadas para acompanhar a situação.
“Não há, até o momento, evidência de transmissão sustentada do vírus em Rio Branco, e temos uma cobertura vacinal de 98,69%. Estamos trabalhando para identificar rapidamente qualquer situação suspeita e adotar as medidas necessárias. A vacinação continua sendo nossa principal ferramenta de proteção”, declarou.
A população deve manter a caderneta de vacinação atualizada. O sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida por partículas respiratórias, e pode provocar febre, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite.
Pessoas que apresentarem esses sintomas devem procurar atendimento médico e informar possíveis viagens recentes ou contato com pessoas infectadas. A recomendação é evitar escolas, locais de trabalho e outros ambientes coletivos enquanto houver suspeita da doença, até receber orientação de um profissional de saúde.