Produtores rurais interditaram um trecho da BR-364, em frente à Escola Santa Rita, após a Vila Lagoinha, em Cruzeiro do Sul, nesta segunda-feira, 13, em protesto contra o atraso no início das obras de recuperação dos ramais. Os manifestantes afirmam que o Governo do Acre e o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) não cumpriram o acordo firmado com as comunidades e exigem o início imediato dos serviços.
O bloqueio interrompeu o tráfego na rodovia e reuniu moradores de comunidades rurais que dependem dos ramais para escoar a produção agrícola, transportar estudantes e garantir o acesso a serviços de saúde e ao comércio. Durante a manifestação, cartazes cobravam explicações sobre a aplicação dos recursos destinados à infraestrutura rural e direcionavam críticas ao chefe da Casa Civil, Madson Cameli, esposo da governadora Mailza Assis, e ao deputado estadual Zezinho Barbary. Em uma das faixas, os manifestantes perguntam: “Madson, cadê nosso dinheiro dos ramais?”. Em outra, questionam: “Zezinho Barbary, cadê o asfalto do Ramal 2?”.

O protesto ocorre em meio ao aumento da pressão de produtores rurais em diferentes regiões do Acre pela recuperação das estradas vicinais. Nas últimas semanas, agricultores e lideranças comunitárias intensificaram as cobranças ao governo estadual, alegando que a demora na execução da Operação Verão compromete o transporte da produção, dificulta a mobilidade das famílias e gera prejuízos econômicos. O tema também tem sido debatido na Assembleia Legislativa, onde produtores cobram maior fiscalização sobre a aplicação dos recursos destinados aos ramais e mais agilidade na execução das obras.
Em março deste ano, o Deracre apresentou a representantes de sindicatos rurais e lideranças de Cruzeiro do Sul o planejamento para recuperação dos ramais da região durante o período de estiagem. Os produtores, no entanto, afirmam que os serviços ainda não começaram nos trechos considerados prioritários, motivo que levou à interdição da BR-364 como forma de pressionar o Estado.
A recuperação dos ramais é considerada essencial para a economia do Vale do Juruá, onde milhares de famílias dependem das estradas vicinais para transportar a produção agrícola, acessar escolas, unidades de saúde e manter o abastecimento das comunidades rurais.
Até o momento, o Governo do Acre e o Deracre não haviam informado quando os serviços reivindicados pelos manifestantes serão iniciados na região.