O ex-governador e ex-senador Tião Viana afirmou que está “de corpo e alma” na campanha do filho, Virgílio Viana, que disputa uma vaga de deputado federal pelo Acre. Tião participa ativamente da candidatura e diz que pretende colocar a experiência acumulada na vida pública à disposição do filho, sem interferir na construção de uma trajetória própria para a nova geração.
“Estou de corpo e alma na campanha do meu filho. Quero estar ao lado dele, transmitir aquilo que aprendi ao longo da minha trajetória e, ao mesmo tempo, respeitar o caminho que ele está construindo. Virgílio pertence a uma nova geração e precisa apresentar suas próprias respostas para os desafios do Acre”, afirmou Tião.
Formado em Direito e integrante de uma família com longa atuação na política acreana, Virgílio reconhece a influência da trajetória do pai, mas tenta construir uma candidatura ligada aos problemas atuais do estado. Entre os temas apresentados na campanha estão inovação, empreendedorismo, melhoria dos serviços públicos, sustentabilidade e políticas voltadas à população de menor renda.
“Tenho orgulho do que meu pai construiu, mas sei que preciso conquistar a confiança dos acreanos pelo que tenho a oferecer. Quero olhar para os problemas de hoje, sem perder de vista quem mais precisa do poder público”, afirmou Virgílio.
Tião Viana foi eleito duas vezes senador e governou o Acre por oito anos. Entre as ações associadas às suas gestões estão o Saúde Itinerante, criado para levar atendimento a comunidades com dificuldade de acesso aos serviços médicos, e iniciativas de incentivo a florestas plantadas, com produção vinculada à conservação ambiental. Ao falar sobre a campanha do filho, o ex-governador defendeu que as soluções apresentadas agora precisam considerar as mudanças ocorridas no estado nas últimas décadas.
“Fiz a minha parte e agora quero apoiar meu filho para que ele faça a dele. O Acre mudou, surgiram outras necessidades e cabe a quem chega agora encontrar respostas para esse novo momento. Quero estar presente, ajudar no que puder e colocar minha experiência à disposição dessa nova caminhada”, disse.
A campanha de Virgílio tem colocado entre as prioridades o apoio aos pequenos negócios, a qualificação profissional, a geração de empregos e a melhoria dos serviços públicos. A permanência dos jovens no Acre também entrou no debate diante da perda populacional registrada nos últimos anos.
Dados do Censo 2022 mostram que o Acre teve saldo migratório negativo de 23,7 mil moradores entre 2017 e 2022. Nesse período, 33,9 mil pessoas deixaram o estado e 10,2 mil chegaram. Virgílio defende a criação de oportunidades para quem pretende permanecer no Acre e condições para que jovens que saem em busca de formação ou emprego possam retornar.
Saúde, segurança e educação também aparecem entre as propostas apresentadas durante a campanha. Virgílio defende ampliar o atendimento médico, melhorar a qualidade do ensino e reforçar políticas de enfrentamento à violência, levando em consideração as diferenças entre Rio Branco e os municípios do interior.
A tecnologia é outro eixo da candidatura. Virgílio sustenta que ferramentas digitais podem reduzir os impactos das grandes distâncias entre os municípios e facilitar o acesso à educação e aos serviços públicos. Em publicação recente nas redes sociais, ele também relacionou inteligência artificial, novas profissões e qualificação da juventude ao debate sobre o futuro econômico do Acre.
Na área ambiental, a proposta apresentada é conciliar conservação e atividade econômica, com valorização da floresta em pé e aproveitamento dos recursos naturais em benefício das comunidades. As ideias fazem parte do conceito apresentado pela campanha como “Acre do futuro”, que reúne modernização da gestão pública, desenvolvimento econômico, tecnologia e uso sustentável dos ativos ambientais.
Para Tião Viana, o papel na campanha será contribuir com a experiência política sem definir os passos do filho. “Legado não é repetir uma história. É deixar referências para que quem vem depois avance e faça a sua parte. Estou ao lado do Virgílio porque acredito na capacidade dele e porque entendo que a política também precisa abrir espaço para novas ideias e novas gerações”, afirmou.