Patrimônio de Ninawa Huni Kui expõe preconceito contra indígenas nas redes

Ninawa Huni Kui declarou R$ 1,59 milhão em patrimônio à Justiça Eleitoral ao entrar na disputa por uma vaga de deputado federal no Acre. O dado é público, relevante e deve ser tratado como o patrimônio de qualquer candidato: pode ser informado, comparado e investigado. O que veio depois, porém, mostrou que para parte do público a questão não era apenas quanto ele possui. Era quem possui.

“Índio rico em”, escreveu um leitor. Outro insinuou que ONGs dentro de aldeias seriam “excelentes fontes de trabalhos”. Houve ainda quem questionasse como alguém com quase R$ 2 milhões poderia defender os povos originários.

A declaração patrimonial inclui terra, casa e veículos. Não há, por si só, nada de extraordinário nisso. O estranhamento nasce quando a palavra “cacique” entra na mesma frase que R$ 1,59 milhão e aciona uma velha expectativa: a de que um indígena autêntico deveria necessariamente ser pobre.

É aí que a discussão deixa de ser apenas eleitoral.

Ninawa pode ser cobrado por suas posições políticas, por sua atuação pública e pela origem de seu patrimônio, caso exista algum fato concreto que justifique apuração. O que não pode funcionar como indício de irregularidade é sua identidade indígena.

Um empresário rico pode defender empresários. Um pecuarista pode possuir milhões em terras e representar produtores rurais. Um parlamentar milionário pode dizer que representa trabalhadores pobres. Mas, diante de um cacique com casa, terra e caminhonete, ainda aparece a pergunta carregada de suspeita: como um indígena conseguiu isso?

Essa pergunta carrega séculos de uma imagem construída de fora para dentro. O indígena é aceito no imaginário nacional como vítima, pobre, isolado ou dependente. Quando ocupa espaços de poder, estuda, administra, empreende, disputa eleições ou acumula patrimônio, parte desse mesmo olhar passa da compaixão à desconfiança.

Também houve reação contrária. Entre os comentários apareceram manifestações de respeito e a frase simples: “indígenas no topo”. O contraste importa porque mostra que a disputa não está apenas em torno de Ninawa, mas da própria ideia de qual lugar um indígena pode ocupar na sociedade brasileira.

Patrimônio de candidato é assunto público. Deve ser fiscalizado. Se houver incompatibilidade, investigue-se. Se houver irregularidade, publique-se.

Mas cocar não é comprovante de pobreza.

Ser indígena não exige certificado de miséria.

Talvez a pergunta mais reveladora dessa história não seja como Ninawa Huni Kui chegou a R$ 1,59 milhão em bens. É por que a possibilidade de um indígena possuir patrimônio ainda incomoda tanta gente.

Coronel Ulysses defende endurecimento penal, cobra geração de emprego e confirma pré-candidatura à reeleição no Acre

O deputado federal Coronel Ulysses afirmou nesta terça-feira, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, que pretende manter o discurso centrado em segurança pública, geração de emprego e desenvolvimento econômico do Acre. Ao longo da conversa, ele defendeu mudanças na legislação penal, criticou a audiência de custódia, cobrou mais oportunidades para os jovens e confirmou que hoje é pré-candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados.

Logo no início da entrevista, Ulysses disse que estava no Juruá para cumprir agenda e participar da entrega da ordem de serviço de melhorias no ramal São Luís, no Passo Fundo. “É uma honra poder estar aqui com vocês” e “é sempre prazeroso estar em Cruzeiro do Sul, a cidade que eu nasci”, afirmou, ao citar ainda compromissos na região.

O principal eixo da entrevista foi a segurança pública. O parlamentar disse que tem atuado para endurecer a legislação e voltou a defender mudanças nas regras da audiência de custódia. “Esse é o objetivo desse projeto, ou seja, moralizar a audiência de custódia”, declarou. Na mesma linha, afirmou que o mecanismo “tem sido utilizado como um instrumento de impunidade e de aumento da violência” e disse que a proposta em debate busca impedir que reincidentes e acusados de crimes graves sejam soltos novamente.

Ao tratar da situação do Acre, o deputado afirmou que o Estado recebeu recursos para a área, mas sustentou que o enfrentamento da violência não pode ficar restrito ao policiamento. “Segurança não se faz só com polícia não”, disse. Em seguida, reconheceu que o problema passa também por educação, gestão e mercado de trabalho. “Infelizmente, nós não temos gerado a quantidade de emprego necessária para que o jovem, adolescente, realmente tenha oportunidade de trabalhar”, afirmou.

Na parte econômica, Coronel Ulysses defendeu que o Acre aposte no agronegócio, na pecuária e na agricultura familiar como caminho para ampliar renda e vagas de trabalho. Para ele, o Estado precisa criar ambiente para produção e empreendedorismo. “Nós temos que gerar emprego e temos que gerar renda”, disse. Ele também afirmou que a vocação econômica acreana está ligada ao setor primário e criticou entraves que, na avaliação dele, travam o crescimento local.

A entrevista também entrou no cenário eleitoral de 2026. Questionado sobre a possibilidade de disputar o Senado, o deputado disse que, neste momento, seu projeto é a reeleição. “Eu sou pré-candidato a deputado federal”, afirmou. Em seguida, admitiu que já avaliou uma candidatura majoritária, mas alegou falta de estrutura financeira para esse movimento. “Pra mim falta estrutura. Eu não tenho estrutura econômica pra vir pra uma candidatura de senador”, declarou.

Ao encerrar a participação, Coronel Ulysses reforçou o apelo por uma escolha mais criteriosa dos eleitores e disse que a política decide temas centrais da vida da população, da segurança à economia. A entrevista manteve o deputado em um tom de pré-campanha, com críticas a adversários, defesa de pautas conservadoras e tentativa de se firmar como um nome da direita acreana para 2026.

Perpétua Almeida anuncia pré-candidatura à Câmara e diz que quer “recuperar mandato” no Acre

A ex-deputada federal Perpétua Almeida anunciou, em vídeo publicado nas redes sociais, que é pré-candidata a deputada federal pelo PCdoB na chapa do campo progressista que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na gravação, ela diz que vai disputar a eleição para retomar o mandato que, segundo afirmou, não exerceu após um erro da Justiça Eleitoral reconhecido posteriormente, mas não corrigido.

No vídeo, Perpétua resgata a votação que recebeu na eleição passada e afirma que foi eleita, mas acabou ficando fora da Câmara. Ao justificar a nova candidatura, ela afirma que não interrompeu a atuação política e cita o período em que passou a ocupar a diretoria da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, por indicação do presidente Lula.

Na fala, a pré-candidata atribui à atuação no órgão a chegada de projetos industriais ao Acre. Ela menciona a entrega da indústria de beneficiamento do Café do Juruá, diz que outras três unidades estão em andamento e cita ainda a indústria de açaí em Feijó como uma das próximas entregas. Ao apresentar a linha política que pretende defender na campanha, Perpétua afirma que quer manter o foco em industrialização, agroindústrias e cooperativas, com prioridade para o pequeno produtor.

A ex-parlamentar também faz um balanço da passagem que teve pela Câmara dos Deputados e lista ações que considera marcos do mandato, como a indenização dos soldados da borracha, a solução para a dívida dos fiéis e medidas relacionadas ao uso de espingardas por moradores de comunidades rurais. Ela também afirma que emendas apresentadas no período continuam chegando a quem mais precisa.

Em tom de confronto político, Perpétua ainda convoca eleitores a compararem o que classifica como resultados de seus mandatos com a atuação da atual bancada federal do Acre. No fim da mensagem, pede que apoiadores acompanhem as redes sociais e participem da construção de propostas para a campanha.

Assista:

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado