A tentativa de transformar o horário do pouso do aeromédico em Feijó em prova suficiente para encerrar qualquer questionamento sobre a morte de Anderson Montefusco deixa de fora o ponto central do caso.
Os registros divulgados mostram que a aeronave pousou às 18h20 e que, três minutos depois, foi comunicado o óbito do paciente. Isso esclarece uma coisa: o avião chegou a Feijó. Mas não responde à pergunta mais importante: quanto tempo Anderson já aguardava pela transferência quando a aeronave finalmente pousou?
O debate não pode começar às 18h20. Precisa começar no momento em que a remoção foi solicitada.
Há relatos de que a preparação para a transferência ocorria desde horas antes. O próprio governo informou que outras duas crianças, consideradas casos prioritários, foram transportadas antes. É uma explicação que precisa ser considerada, mas que também abre outra discussão: a estrutura disponível era suficiente para atender simultaneamente situações graves no interior?
Também não é possível afirmar, sem avaliação técnica, que a demora provocou a morte de Anderson. Seria irresponsável fazer essa relação sem prontuário, parecer médico e análise completa do atendimento. Mas é igualmente precipitado tratar o caso como esclarecido apenas porque a aeronave pousou três minutos antes da confirmação do óbito.
Por isso, a cobrança feita pelo prefeito de Feijó não perde automaticamente a validade com a divulgação do horário do pouso. O que precisa ser esclarecido é a sequência completa: que horas a transferência foi solicitada, quando foi autorizada, quando a empresa foi acionada, quais missões a aeronave cumpriu antes e por que chegou somente às 18h20.
Se o governo quer encerrar qualquer dúvida, o caminho é simples: publicar a linha do tempo completa da regulação.
O avião ter chegado é um fato. Saber se chegou no tempo necessário é outra questão.