Coluna Jornal da Manhã

Jornal da Manhã em Coluna – 16 de julho de 2026

A coluna desta quinta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau e reportagens de Gledson Albano e Mazinho Rogério.

Remanso foi para a rua

O bairro Remanso começou a manhã com protesto por falta de água. Moradores interditaram a rua principal para cobrar uma resposta da Saneacre, responsável pelo sistema de abastecimento na comunidade.

A reclamação não é nova. O bairro cresceu, novas ruas foram abertas, famílias construíram casas e a estrutura de água ficou para trás. A caixa d’água que atende a região foi construída ainda na gestão do então prefeito Aluísio Bezerra e, hoje, não acompanha mais a demanda.

Água uma vez por semana

José Maria, presidente da associação de moradores do Remanso, disse ao Jornal da Manhã que há mais de 250 famílias afetadas. Em algumas casas, segundo ele, a água chega apenas uma vez por semana.

A cobrança é simples: perfurar um novo poço e ampliar a rede. Há ruas sem encanamento, famílias aguardando ligação e um projeto que já teria sido apresentado por técnicos da Saneacre. O que falta, segundo o morador, é autorização do governo do Estado.

Quando o cidadão precisa fechar rua para pedir água, o problema já passou do limite administrativo. Virou retrato de abandono.

Saneacre no centro da cobrança

A dúvida inicial era saber se a responsabilidade era da prefeitura ou do Estado. José Maria disse que a gestão do sistema foi repassada à Saneacre ainda na administração do ex-prefeito Ilderlei Cordeiro.

A partir daí, a cobrança ficou direcionada. O bairro quer que a Saneacre assuma o problema, apresente prazo e execute a solução. Sem água, não há discurso que se sustente.

Buraco aberto também virou queixa

Além da falta de água no Remanso, a bancada cobrou a Saneacre por outro problema: buracos abertos nas ruas de Cruzeiro do Sul depois de serviços de conserto de vazamentos.

A avaliação feita no programa foi direta. A empresa abre, conserta o vazamento e deixa o buraco. Depois, a culpa cai na prefeitura, que precisa correr para reduzir o dano no trânsito e na vida de quem passa pelas vias.

A população não quer saber quem empurra a responsabilidade. Quer a rua de volta e o serviço completo.

Gladson mirou o próprio aliado

Na política, o assunto que abriu o debate foi a ação da Federação União Progressista contra o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, e o senador Alan Rick.

A situação chamou atenção porque Zequinha declarou apoio a Alan Rick para o governo, mas também afirmou publicamente que apoiaria Gladson Cameli para o Senado, caso o ex-governador consiga disputar a eleição.

Mesmo assim, o nome do prefeito apareceu na representação. A acusação envolve campanha antecipada, conduta vedada e abuso de poder econômico.

A conta não fecha

A bancada tratou o caso como uma contradição política. Se Zequinha ainda declara apoio a Gladson para o Senado, por que o partido presidido por Gladson move ação contra ele?

Depois, chegou a informação de que o ex-governador não teria conhecimento da inclusão do prefeito na ação. A pergunta ficou no ar: quem move uma ação desse tamanho sem o presidente da federação saber?

A crise expõe mais uma rachadura no grupo governista. Quando aliado começa a ser tratado como adversário, é sinal de que a base perdeu comando.

Mailza herdou o governo, mas não a liderança

A leitura política feita no Jornal da Manhã foi que a base da governadora Mailza Cameli segue desmontada. A movimentação do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, ao acenar para Gladson no grupo de Tião Bocalom, também entrou na conta.

Gladson saiu do governo, mas ainda pesa no jogo. Mailza ficou com a caneta, mas não recebeu automaticamente o controle político do grupo.

Essa diferença aparece a cada crise.

Folha inchada acendeu alerta

Outro ponto levantado no programa foi a informação de que a folha do governo do Acre estaria acima do limite em cargos comissionados. O valor citado foi de cerca de R$ 1 milhão acima do teto.

Nomear e exonerar comissionados não está proibido neste período, mas estourar limite de despesa é outra história. A expectativa agora é saber se o Tribunal de Contas do Estado fará alerta, recomendação ou adotará medida mais dura.

Dinheiro público não aceita desaforo. E folha inchada em ano eleitoral sempre vira assunto político.

Terreno de R$ 23 milhões caiu

O recuo do governo na desapropriação da área que seria usada para a nova sede da Expoacre, em Rio Branco, também entrou no programa como exemplo de atuação dos órgãos de controle.

O decreto previa a compra de uma área de 76 hectares por quase R$ 23 milhões. Depois dos questionamentos, veio a revogação.

A leitura da bancada foi simples: se a informação não viesse a público e se os órgãos de fiscalização não entrassem no caso, o negócio poderia ter avançado.

Expoacre Juruá ainda pede explicação

Os gastos da Expoacre Juruá voltaram ao centro da conversa. A Associação Transformar recebeu mais de R$ 15 milhões para realizar a feira e, segundo a apuração comentada no programa, tem estrutura mínima e ligação política com nomes próximos ao núcleo do governo.

O ponto mais sensível foi o valor dos cachês das atrações nacionais. O plano de trabalho aponta R$ 6,3 milhões só para artistas.

Leonardo aparece com R$ 2,1 milhões. Natanzinho Lima, com R$ 1,7 milhão. Ícaro e Gilmar, com R$ 750 mil. Thiago Brava e padre Fábio de Melo, com R$ 650 mil cada. A banda Morada aparece com R$ 400 mil, e uma atração infantil, com R$ 50 mil.

Quando o palco apaga, a conta continua acesa.

PF bateu na Educação

A notícia mais pesada da manhã veio de Rio Branco. A Polícia Federal deflagrou a Operação Talha Real para investigar suspeitas de desvio de recursos federais da educação repassados à Secretaria de Estado de Educação pelo Fundeb.

São 21 mandados de busca e apreensão cumpridos em Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. A Justiça também determinou bloqueio de bens, valores e imóveis dos investigados, além da suspensão temporária das atividades de seis empresas com contratos na Educação.

Os contratos investigados passam de R$ 51 milhões.

Fundeb virou caso de polícia

A investigação envolve suspeitas de peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo da licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Durante o cumprimento dos mandados, um investigado foi preso em flagrante por posse ilegal de munições de uso permitido.

A informação apurada durante o programa apontava que a investigação alcançaria contratos ligados a merenda escolar, livros e material didático. Também chegaram relatos de viaturas da Polícia Federal no depósito de merenda escolar da Secretaria de Educação.

Quando recurso da educação vira alvo de operação policial, quem perde primeiro é o aluno.

Mais uma viatura na porta do governo

A imagem da Polícia Federal em prédio do governo do Acre deixou de ser novidade. Esse foi o ponto mais duro da análise feita no Jornal da Manhã.

O Estado acumula operações, denúncias, suspeitas e condenações envolvendo o grupo que comandou a máquina pública nos últimos anos. O governo tenta falar em futuro, mas o presente insiste em bater à porta com mandado de busca.

A política pode tentar mudar a narrativa. A Polícia Federal não trabalha com narrativa.

Festival da Farinha abriu espaço para empreendedores

Mazinho Rogério trouxe as informações sobre o Festival da Farinha 2026. As inscrições para empreendedores já estão abertas em Cruzeiro do Sul, com mais de 100 espaços disponíveis.

O evento começa no dia 26 de agosto e será realizado novamente no Complexo Esportivo do bairro Aeroporto Velho. A estrutura vai receber empreendedores de alimentação, bebidas, artesanato, plantas ornamentais, doces, salgados, churrasco, restaurantes, trailers, açaí e pequenos negócios.

A prefeitura também prepara capacitações para quem vai trabalhar durante os quatro dias de festa.

Atrações serão anunciadas no sábado

O prefeito Zequinha Lima deve anunciar no sábado a programação oficial do Festival da Farinha, incluindo as atrações nacionais.

A expectativa é de que o evento movimente a economia local e abra espaço para artistas do município. Segundo o programa, quase 70 artistas cadastrados na prefeitura estão aptos a participar da festa.

Festival bom não é só show. É renda circulando, comércio vendendo e artista local no palco.

Rodrigues Alves entra no calendário

O Jornal da Manhã também lembrou que o Festival da Banana começa no dia 25 de julho, em Rodrigues Alves, dentro da programação de aniversário do município, comemorado no dia 28.

Os festivais de verão movimentam o Juruá, atraem público e ajudam a economia dos municípios. O desafio é fazer festa com organização, transparência e resultado para quem trabalha.

Boa notícia nos Vicentinos

No encerramento, a boa notícia veio do Lar dos Vicentinos. A Prefeitura de Cruzeiro do Sul assinou termo de colaboração de R$ 305 mil para reforçar os serviços prestados aos idosos acolhidos pela instituição.

O recurso será usado em alimentação, acompanhamento técnico e cuidados diários. O valor é fruto de emenda do senador Márcio Bittar.

Os Vicentinos fazem um trabalho que merece apoio permanente. Ali estão pessoas que já deram sua contribuição e agora precisam de cuidado, respeito e presença do poder público.

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