No Jornal da Manhã, Jorge Viana diz que quer ser “resolvedor de problemas” do Acre

O ex-governador Jorge Viana usou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta terça-feira, 23, no Juruá, para apresentar sua pré-candidatura ao Senado como uma disputa centrada na reconstrução da capacidade política do Acre em Brasília, na recuperação da BR-364 e na relação direta com prefeitos, governo estadual e governo federal. “Eu não estou desesperado para ganhar uma eleição. Eu quero muito ganhar essa eleição, eu quero muito ajudar o Acre. A causa é o Acre”, disse Jorge, ao defender que a política precisa sair da lógica de ataque pessoal e voltar a resolver problemas concretos da população.

A entrevista ocorreu em meio à agenda que Jorge Viana cumpre pelo Vale do Juruá. Ele citou passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa, dentro de uma estratégia de escuta antes da formalização da candidatura. O tom adotado foi de cobrança sobre o atual momento do estado. “Eu estou descontente com o caminho que o Acre pegou. As coisas não estão boas e eu posso ajudar. Eu estou me oferecendo para ajudar”, afirmou.

O ponto mais forte da conversa foi a BR-364. Jorge disse que percorreu a estrada “quilômetro a quilômetro” e levou ao Dnit um plano para enfrentar os trechos mais críticos da rodovia. Segundo ele, a proposta foi apresentada ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que esteve no Acre e aceitou o encaminhamento. “Hoje um ônibus demora dezoito horas daqui de Cruzeiro para Rio Branco. Uma carreta, dois dias. Uma caminhonete, doze a quinze horas. E, se Deus quiser, em setembro nós vamos ter uma estrada regular, com aquelas áreas intragáveis e péssimas resolvidas”, declarou.

A fala mira diretamente a vida de quem depende da estrada para trabalhar, vender, estudar, fazer tratamento de saúde ou viajar entre o Juruá e a capital. Ao tratar da BR-364, Jorge tentou amarrar sua experiência administrativa à promessa de articulação federal. “Eu fui governador, fui senador, fui prefeito. Juntaram uns técnicos, montaram um plano quilômetro a quilômetro, e o ministro dos Transportes veio e acatou o plano”, disse.

Jorge também falou sobre a ponte que caiu em Sena Madureira e comparou o caso com obras feitas em governos anteriores no Juruá, como a ponte de Cruzeiro do Sul, iniciada em seu governo, executada por Binho Marques e inaugurada por Tião Viana. “Essa ponte tem dezesseis anos. Ela foi preparada inclusive para algum tipo de terremoto. Caiu lá uma ponte em Sena, é lamentável, com dois anos de uso, mas eu não posso acusar ninguém. Eu quero que tenha uma apuração rigorosa, porque era dinheiro público”, afirmou.

Na leitura política de Jorge, o Acre perdeu planejamento e passou a depender de ações soltas. Ele criticou a substituição de políticas públicas estruturadas por emendas parlamentares usadas como vitrine eleitoral. “Acabar com essa onda de emenda para cá, emenda para lá. Tem que ter políticas públicas”, disse. Em seguida, citou obras de sua gestão no Juruá, como o Hospital do Juruá, o aeroporto, a avenida em Mâncio Lima, a chegada da universidade a Cruzeiro do Sul, a ponte e a própria estrada. “Não dá para a gente não ter mais governos que não têm um projeto”, completou.

Ao falar de Cruzeiro do Sul, Jorge foi direto na crítica ao ritmo de investimentos públicos na cidade nos últimos anos. “Eu não vejo obras aqui em Cruzeiro do Sul. Se tirar as coisas que o governo federal ainda está fazendo, não sobra nada”, disse. Para ele, a falta de obras afeta o comércio, o emprego e o ambiente social. “O comércio não vende, ninguém emprega. Há um ambiente de sofrimento na população”, afirmou.

A entrevista também abriu espaço para uma proposta voltada à economia digital. Jorge defendeu que Cruzeiro do Sul e o restante do Acre precisam de mais cabos de fibra óptica e internet de alta qualidade para permitir que jovens trabalhem de casa prestando serviços para empresas de outros países. “Eu quero três, quatro cabos de fibra óptica daqui para Rio Branco, e a cidade fibrada, com internet de altíssima qualidade”, disse. “Essa nova geração de garotos de 15, 16, 20 anos é talentosa. Nós estamos na era do serviço. Eles podem, de casa, prestar serviço para empresa na China, na Índia, na Europa, nos Estados Unidos.”

A relação com o presidente Lula ocupou outro bloco central da entrevista. Jorge criticou políticos acreanos que, segundo ele, evitam reconhecer investimentos federais por divergência ideológica. “O cara ganha um mandato para fazer guerra ideológica. Não conte comigo para isso”, declarou. Ele disse que, caso seja eleito, pretende atuar como ponte entre o governo federal, o governo estadual e as prefeituras. “Eu serei o interlocutor do presidente Lula aqui em Cruzeiro do Sul e nos municípios todos. Como é que eu só vou trabalhar quando o PT tiver? Eu não estou candidato para ser senador do PT. Eu estou candidato para ser senador do Acre e do Brasil.”

Jorge citou o cumprimento à governadora Gladson Cameli durante a agenda com o ministro dos Transportes e defendeu relação institucional com qualquer gestor. “Se eu quero ser senador da República, eu vou ter que trabalhar por dois anos com todos os prefeitos do Acre. É assim que funciona”, disse. A frase funciona como recado para um ambiente político estadual marcado por alinhamentos nacionais, disputas de grupo e dificuldade de convivência entre adversários.

A entrevista também teve resposta aos ataques contra jornalistas do Juruá. Sem citar nome, Jorge criticou um pré-candidato que, segundo ele, teria acusado profissionais da imprensa de serem comprados. “Eu queria ser solidário com vocês, porque teve um dos pré-candidatos que veio agredir o jornalismo dizendo que jornalista aqui se compra. Eu não combinei nunca nenhuma entrevista na minha vida”, afirmou. “Eu não estou usando microfone nem minhas redes sociais para agredir ninguém. Tomei uma decisão. Não tenho mais idade, não tenho tempo, e acho que a população cansou desse tipo de malandragem política.”

Jorge buscou se diferenciar de adversários que apostam no confronto permanente nas redes sociais. “Não contem comigo para ficar rebatendo coisa, agredindo ninguém. Não vai ter isso. Me esperem com a minha vivência para ser um resolvedor de problemas”, disse. A fala resume o eixo escolhido para sua pré-campanha: experiência administrativa, acesso a Brasília, crítica ao improviso e promessa de reconstruir pontes políticas em um estado que depende de obras federais para destravar transporte, produção, saúde e conectividade.

Salatiel diz que Festival da Banana vai movimentar Rodrigues Alves e fortalecer produtores

O prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Magalhães, apresentou nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, a programação da 10ª edição do Festival da Banana e dos 34 anos do município. A agenda começa em julho, terá trilha feminina, show gospel com Samuel Mariano, casamento coletivo pelo Projeto Cidadão, rodeio, feira de produtos derivados da banana e encerramento em 2 de agosto com show de Léo Magalhães. “Pra nós é uma satisfação, alegria de nós estarmos aqui para trazer boas notícias para a nossa querida população de Rodrigues Alves, falar dos festejos que vão se anteceder aí no próximo mês de julho, em comemoração tanto ao aniversário da cidade como também ao Festival da Banana, onde nós vamos estar realizando a décima edição”, disse o prefeito.

Salatiel começou a entrevista falando da situação financeira da prefeitura. O prefeito disse que a arrecadação própria de Rodrigues Alves é baixa e que a gestão depende de repasses federais, emendas parlamentares e convênios para manter serviços e investimentos. “Rodrigues Alves, a sua arrecadação própria não dá pra mim pagar a metade da folha dos nossos garis que cuidam da limpeza da cidade. Então, por aí, você já vê o enfrentamento e a dificuldade que um gestor passa”, afirmou.

A queda populacional registrada no último censo também entrou na conversa. Salatiel disse que o município tinha estimativa de mais de 18 mil habitantes e caiu para pouco mais de 14 mil moradores na contagem oficial, o que reduziu o repasse do Fundo de Participação dos Municípios. Para o prefeito, essa perda afeta diretamente áreas como educação, saúde, assistência social, meio ambiente, manutenção de ramais e realização de eventos públicos. Mesmo com esse cenário, ele defendeu a festa como parte da identidade do município. “A gente vai estar fazendo os festejos da cidade porque já é algo cultural. E você sabe, muitas vezes, a maioria da população, se você não faz, reclama; e se você faz, reclama do mesmo jeito. Mas a gente vai estar lá, se Deus quiser, trabalhando com muito cuidado para que nós possamos fazer um grande evento”, declarou.

O principal ponto da entrevista foi a produção de banana. Salatiel citou comunidades como Praia da Amizade, Três de Maio, Profeta, Agrovila do Moju, Pucalpa e Foz do Paraná como áreas importantes para a economia rural de Rodrigues Alves. “Hoje, se nós pegarmos aqui da Praia da Amizade até a Foz do Paraná, você vai ver o quantitativo de produtores que nós temos hoje que produzem banana”, disse. O prefeito também falou sobre os prejuízos causados pelas cheias em áreas próximas ao Rio Juruá. “Às vezes a banana passa muito tempo ali dentro d’água e acaba afetando a sua produção”, afirmou.

Salatiel disse que Rodrigues Alves produz mais banana do que consome e que a fábrica de derivados ajuda a ampliar o uso da produção local. “Hoje nós temos uma fábrica que fabrica os derivados da banana. Todos esses derivados da banana são feitos lá nessa fábrica. Hoje o doce da banana, banana chips, bombom da banana, é tudo feito lá dentro dessa fábrica, que hoje é gerida pela cooperativa Cooperfã”, afirmou. O festival vai reunir produtos como doce de banana, chips, bombom, tapioca e pastel de banana.

A programação começa no dia 4 de julho, com uma trilha feminina. “Dia quatro com uma trilha feminina. Então aí nós já convidamos todas as mulheres do Vale do Juruá, especificamente de Rodrigues Alves”, disse Salatiel. O prefeito afirmou que a atividade terá apoio mecânico e equipe de saúde durante o percurso. “Se acontecer de alguém passar mal, se machucar, vai ter todo o suporte lá”, completou.

A abertura oficial do Festival da Banana será no dia 29 de julho, com show gospel de Samuel Mariano. “Nós vamos estar também abrindo com o show gospel com o cantor e pastor Samuel Mariano. É a sua segunda vinda no estado do Acre. A primeira vinda dele foi na cidade de Epitaciolândia e agora ele vai estar vindo abrir a décima edição do Festival da Banana”, disse o prefeito.

No dia 30 de julho, a prefeitura vai realizar casamento coletivo em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre, por meio do Projeto Cidadão. “Você que quer casar, dia trinta de julho nós vamos estar realizando este casamento lá no estádio de futebol, no pôr do sol. A gente vai fazer uma coisa bem romântica”, afirmou Salatiel.

A entrevista também passou pela articulação política da prefeitura. Salatiel citou o senador Sérgio Petecão e os deputados federais Zezinho Barbary, Antônia Lúcia e Roberto Duarte entre os parlamentares que destinaram recursos para Rodrigues Alves. Sobre Zezinho Barbary, o prefeito disse que o volume de investimentos já passa de R$ 25 milhões. “Hoje nós temos, dos oito deputados federais, o deputado Zezinho Barbary, que o seu montante hoje já ultrapassa os vinte e cinco milhões de investimento dentro do município”, afirmou.

Ao falar da deputada federal Antônia Lúcia, Salatiel disse que o recurso destinado por ela garante a realização da festa. “A festa da cidade vai acontecer através dela. Se não fosse ela, nós não iríamos fazer”, afirmou. O prefeito explicou que o dinheiro veio para ações culturais e não pode ser usado em outras áreas. “Se eu não realizar os eventos culturais, eu vou ter que devolver esse recurso para a União. Eu não posso tirar ele de lá e botar na educação, na saúde, em infraestrutura”, declarou.

No fim da entrevista, Salatiel falou do pastel de banana como novidade da edição deste ano. “Esse ano nós temos também o pastelzinho de banana. É uma novidade”, disse. O produto foi preparado pela panificadora Davi e apresentado no lançamento da programação. “Quem teve lá degustou desse pastelzinho muito delicioso. Para mim foi excepcional. Eu tenho certeza que vai ser novidade”, afirmou.

O Festival da Banana chega à 10ª edição com a promessa de movimentar produtores, comerciantes, empreendedores e moradores de Rodrigues Alves. A entrevista de Salatiel mostrou que a prefeitura quer usar a festa para reforçar a produção rural, ampliar a venda de derivados da banana e manter o evento como uma das principais marcas do município no Vale do Juruá.

No Jornal da Manhã, Edvaldo cobra investigação da ponte de Sena Madureira e questiona valores

No Jornal da Manhã desta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães levou a queda da ponte de Sena Madureira para o centro da cobrança política no Acre. A obra, construída pelo governo do Estado por meio do Deracre, foi entregue, recebida, paga e caiu pouco mais de dois anos depois. Para Edvaldo, a Assembleia Legislativa não pode ficar fora da apuração porque o caso envolve dinheiro público, contrato, aditivos, fiscalização e uma pergunta simples: por que a ponte não resistiu?

A entrevista começou pela escolha do instrumento de investigação. Edvaldo explicou que não pediu uma CPI porque ela poderia ser barrada antes de funcionar. A saída foi propor uma comissão de acompanhamento externo, com objeto definido: a ponte de Sena Madureira. A comissão, na avaliação do deputado, permite que a Assembleia acompanhe o trabalho do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da polícia técnica, cobre documentos e leve informações já levantadas pelos parlamentares.

O ponto mais forte da entrevista foi a diferença entre o valor do contrato inicial e o custo final da obra. Edvaldo disse que o contrato era de R$ 36 milhões, mas que o valor pago chegou a R$ 45 milhões e alguns quebrados, perto de R$ 46 milhões. A Procuradoria-Geral do Estado, o Ministério Público e a Justiça de Sena Madureira trabalharam, até ali, com pedido de bloqueio e ressarcimento de R$ 36 milhões. Para o deputado, a conta não fecha porque os aditivos também saíram dos cofres públicos.

Edvaldo rejeitou a tentativa de separar o aterro da ponte. “Você não contrata o tabuleiro da ponte, você contrata uma ponte inteira”, disse. A frase mirou o argumento de que cerca de R$ 9 milhões teriam sido usados em obra complementar. Para ele, cabeceira, acesso, aterro, fundação e tabuleiro fazem parte do mesmo conjunto entregue à população. Se o dinheiro foi pago dentro do contrato da ponte, deve entrar na apuração e no cálculo do possível prejuízo.

A cobrança avançou sobre a transparência dos pagamentos. Edvaldo afirmou que procurou no Tribunal de Contas os registros da obra e encontrou no Sicom apenas os R$ 36 milhões do contrato original. Os aditivos, reajustes e novas medições, segundo ele, não apareciam no sistema. O deputado tratou essa ausência como uma das razões para a comissão existir, porque cada pagamento de obra pública precisa ter origem, medição, serviço executado e registro disponível aos órgãos de controle.

A parte técnica da entrevista foi direta. Edvaldo afirmou que havia diferença entre o que estava previsto nas linhas iniciais do projeto e o que teria sido executado. Ele citou tubulações com diâmetro menor e estacas menos profundas do que o previsto. A obra foi contratada pelo modelo RDC, em que o edital sai com diretrizes gerais e projeto básico, mas, na leitura do deputado, nem essas linhas teriam sido respeitadas na execução.

A explicação da “terra caída” também foi contestada. Edvaldo lembrou que rios amazônicos enchem, secam, mudam barrancos e provocam erosão todos os anos. Isso precisa estar dentro do cálculo de engenharia. Para ele, uma coisa é perder uma cabeceira e reconstruir o acesso; outra é a ponte cair por completo. “Nós estamos tratando de uma ponte que não aguentou porque a sua estrutura foi mal feita”, afirmou.

A garantia da obra virou outro ponto sem resposta. Edvaldo disse que, até o dia anterior à entrevista, o documento da garantia da ponte não havia sido identificado. Ele também rebateu a versão de que a carta de garantia valeria apenas até o recebimento da obra. Para o deputado, se o contrato prevê garantia de cinco anos, a empresa precisa bancar essa responsabilidade por meio da garantidora. A pergunta que ficou foi objetiva: quem garante a ponte que caiu?

No fim da entrevista, a ponte deixou de ser apenas um problema de engenharia. Virou um teste para a Assembleia. A proposta começou com Edvaldo, passou por nove assinaturas e chegou a 14 apoios no debate do Jornal da Manhã. A queda da ponte abriu uma fissura política porque expôs uma obra cara, recente e sem explicação completa. Agora, a comissão terá de dizer se vai atrás dos documentos ou se deixará que a lama do rio cubra também os rastros do contrato.

Jornal da Manhã em Coluna – 18 de junho de 2026

Bastidores, cobranças e tensão política no Acre

Chapa quente

O Jornal da Manhã desta quinta-feira, 18, começou com a política em temperatura alta. A decisão judicial que mandou retirar outdoors do senador Alan Rick em Rio Branco dominou boa parte do debate e virou combustível para uma discussão maior: a regra vale só para Alan ou será aplicada também a outros políticos que fazem divulgação de mandato?

Dois pesos

Rogério Wenceslau avaliou que a ação contra os outdoors de Alan Rick pode ter produzido efeito contrário ao esperado. Para ele, ao judicializar a divulgação do mandato do senador, o Progressistas colocou o governo no centro da crítica e abriu espaço para Alan se apresentar como alvo de perseguição política.

Regra para todo mundo?

Chico Melo entrou no debate com uma pergunta direta: se há outdoors de outros parlamentares pelo Acre divulgando emendas e ações de mandato, a mesma medida será adotada contra todos? A provocação expôs o ponto mais sensível da discussão: o critério usado contra Alan Rick será geral ou seletivo?

Michele no alvo

Wenceslau também chamou atenção para os ataques contra Michele Miranda, esposa de Alan Rick, após ela sair em defesa do marido nas redes sociais. O comentarista disse que blogs e sites alinhados ao governo passaram a mirar Michele, levando a disputa para um campo pessoal.

Limite perigoso

Na avaliação de Wenceslau, atacar cônjuges abre um limite perigoso na disputa política. Ele afirmou que, se esse for o caminho, o governo pode ter mais a perder, porque familiares de outros personagens políticos também podem ser puxados para o centro do debate.

Arasuper no furacão

Outro ponto levantado foi a decisão que também atingiu propaganda institucional de Alan Rick em telas da rede Arasuper. Wenceslau avaliou que o movimento levou para dentro da disputa política um grupo empresarial que não tinha interesse em entrar nessa briga. Para ele, foi mais um erro de cálculo da articulação governista.

Expoacre Juruá sob alerta

A organização da Expoacre Juruá também entrou na coluna de bastidores. Wenceslau afirmou que há preocupação entre empresários de Cruzeiro do Sul com o andamento dos preparativos para o evento, marcado para começar no dia 30 de junho. Segundo ele, faltando menos de duas semanas, a estrutura ainda não estaria no ritmo esperado.

Dinheiro e holofote

Para Wenceslau, os grandes eventos do governo movimentam dinheiro, visibilidade e interesses políticos. No caso da Expoacre Juruá, ele disse que há muita gente interessada nos recursos e nos holofotes da feira. A preocupação é que a disputa interna atrase decisões e comprometa a entrega da estrutura.

Ponte pressiona governo

A comissão externa da Aleac para acompanhar o colapso da ponte de Sena Madureira já conta com apoio acima do necessário. O assunto foi tratado como mais um desgaste para o governo, especialmente porque a queda da ponte abriu uma cobrança mais ampla sobre obras públicas estaduais.

Deputados mudando de lado

A leitura feita na bancada é que parte dos deputados estaduais já começa a se afastar do governo na prática. Com a eleição se aproximando, a tendência é que parlamentares busquem preservar a própria imagem diante do eleitor, principalmente em temas de forte desgaste, como obras paradas, contratos questionados e estruturas que falharam.

Sem paz até 2026

Wenceslau foi direto: não é para esperar tempos de paz até a eleição. Segundo ele, tudo que estiver mal resolvido no governo tende a vir à tona. A Assembleia, nesse cenário, vira palco natural das cobranças, principalmente porque deputados precisarão mostrar serviço antes de pedir voto novamente.

TFD vira cobrança pública

Fora da política partidária, o caso de Jéssica Souza trouxe uma cobrança dura ao governo. A mãe da jovem, Clécia Souza, relatou ao vivo a espera de 56 dias por transferência via TFD. A fala expôs a falta de resposta às famílias e transformou a fila por atendimento especializado em mais uma pressão pública sobre a Secretaria de Saúde.

PM precisa explicar

A troca de tiros entre duas guarnições da Polícia Militar em Cruzeiro do Sul também entrou no programa com tom de cobrança. A bancada considerou o caso grave e mal explicado. Ninguém ficou ferido, mas o episódio deixou uma pergunta incômoda: como duas equipes da própria polícia acabam atirando uma contra a outra?

Guajará no limite

A situação da delegacia de Guajará, usada como presídio, também foi destaque. O Ministério Público cobra solução definitiva para o problema, que envolve superlotação, presos condenados em delegacia e estrutura inadequada. O caso mostra uma crise prisional que não para na divisa entre Acre e Amazonas.

O recado do programa

O Jornal da Manhã desta quinta deixou um recado claro: a pré-campanha de 2026 já começou no Acre, e começou sem clima de trégua. Outdoors, familiares, obras públicas, eventos do governo, TFD e segurança pública entraram no mesmo tabuleiro. A partir de agora, cada problema administrativo tende a virar fato político.

No Jornal da Manhã: ataques à esposa de Alan Rick abrem limite perigoso na disputa política

O jornalista Rogério Wenceslau afirmou nesta quinta-feira, 18, no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, que os ataques dirigidos a Michele Miranda, esposa do senador Alan Rick, abriram um limite perigoso na disputa política no Acre. A declaração surgiu durante o debate sobre a decisão judicial que mandou retirar outdoors do senador em Rio Branco e colocou no centro da discussão a forma como aliados do governo passaram a reagir à defesa pública feita por Michele nas redes sociais.

Wenceslau disse que a ofensiva contra Alan Rick deixou de atingir apenas o senador e passou a alcançar sua família. Para ele, Michele entrou no debate depois de defender o marido diante da judicialização dos outdoors, mas acabou virando alvo de blogs e sites que, na avaliação do comentarista, atuam em sintonia com a defesa política do governo.

“Eles partiram para o ataque contra o senador, mas principalmente contra a mulher do senador, a esposa dele, a Michele Miranda”, afirmou Wenceslau durante o programa. O jornalista lembrou que Michele não costuma ocupar a linha de frente da política, mas reagiu após a decisão contra a propaganda do mandato de Alan Rick. A partir daí, a disputa deixou o terreno da crítica institucional e avançou sobre a vida pessoal de quem está ao redor do pré-candidato.

O ponto mais duro da análise de Wenceslau foi o alerta sobre o risco de transformar familiares em alvos permanentes da pré-campanha. “Se for para atacar cônjuges, o governo tem muito mais a perder”, disse. A frase expôs a avaliação de que esse tipo de confronto pode sair do controle e produzir desgaste também para quem tenta explorar politicamente o episódio.

A discussão nasceu da ação movida pelo Progressistas, partido da governadora Mailza Assis, contra outdoors de Alan Rick em Rio Branco. As peças divulgavam ações do mandato do senador. Depois da decisão judicial pela retirada da propaganda, aliados de Alan Rick passaram a defender que o caso reforça a narrativa de perseguição política, enquanto adversários sustentam que a exposição extrapolava os limites da divulgação parlamentar.

Wenceslau afirmou que o episódio fortaleceu Alan Rick ao colocá-lo na posição de alvo de uma ação política e judicial. Ele também questionou a diferença de tratamento entre o senador e outros agentes públicos que usam outdoors, painéis e campanhas institucionais para divulgar ações, emendas e obras no Acre. Para o comentarista, a mesma régua precisa valer para todos, inclusive para campanhas do governo com a imagem da governadora.

Chico Melo, âncora do programa, reforçou que o debate não se limita aos outdoors de Alan Rick. Ele afirmou que a pré-campanha de 2026 também deve discutir uso da máquina pública, propaganda institucional e exposição de gestores e parlamentares antes do período eleitoral. “Essa discussão entra nesse outro campo. A estrutura do Estado nessa pré-campanha também vai ser questionada”, disse.

A bancada também tratou da retirada de propaganda de Alan Rick em telas da rede Arasuper, em Rio Branco. Wenceslau avaliou que a medida levou para dentro da disputa um grupo empresarial que não buscava participar do embate político. Para ele, a articulação governista errou ao ampliar o alcance do conflito e transformar uma discussão sobre outdoors em uma crise política com novos personagens.

No fim do debate, Chico Melo afirmou que a Rádio Integração mantém espaço aberto para o Progressistas e para o governo apresentarem suas versões. A bancada defendeu o cumprimento das decisões judiciais, mas também afirmou que Alan Rick tem direito de recorrer e de questionar se a mesma regra será aplicada a outros políticos que usam propaganda de mandato no Acre.

Gerlen cobra nova ponte em Sena Madureira e acusa governo do Acre de abandonar município

O prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, cobrou nesta sexta-feira, 12, uma resposta imediata do governo do Acre sobre a queda da ponte que ligava o primeiro ao segundo distrito do município, durante entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, em participação por telefone. A obra, aguardada por décadas pela população, desabou e deixou quatro pessoas feridas. Para o prefeito, a cidade não pode receber apenas catraias como solução emergencial enquanto espera explicações sobre uma estrutura pública que custou R$ 45 milhões e caiu antes de cumprir plenamente sua função.

A entrevista começou pelo ponto mais sensível: a vida de quem ficou isolado ou passou a depender de travessia improvisada para estudar, trabalhar, comprar, vender ou buscar atendimento. Gerlen tratou o caso como uma tragédia urbana, não apenas como um acidente de engenharia. “Infelizmente, Sena Madureira vive um momento triste na sua história. Aguardou por décadas a construção de uma obra importante que une dois distritos e, de repente, esta obra ruiu, despencou, vitimou quatro pessoas”, disse. O prefeito frisou que não houve mortes, mas lembrou que vítimas ficaram feridas e que moradores ainda enfrentam medo, revolta e insegurança.

A principal cobrança de Gerlen é que o governo apresente uma solução definitiva. “O que a população gostaria de ouvir é que outra ponte vai ser construída”, afirmou. Na avaliação dele, a resposta oficial ainda não alcançou o tamanho do problema. O prefeito criticou o reforço da travessia por catraias e defendeu a instalação de uma balsa capaz de transportar motocicletas e bicicletas, enquanto uma nova ponte não sai do papel. “Vejam só, tinha uma catraia, estão botando a segunda catraia. É o suficiente? Não é. Essa população merece respeito neste momento”, disse.

Gerlen também cobrou assistência direta aos moradores do segundo distrito. Para ele, o governo deveria montar uma estrutura de atendimento na própria comunidade, com presença de equipes sociais, psicológicas e administrativas. “Tem gente que está abalada emocionalmente, tem gente que vai ter problemas psicológicos em razão disso. Tem senhoras, idosos, que ainda têm medo só do barulho que aconteceu ali na região”, afirmou. A fala revela uma dimensão que nem sempre aparece quando uma obra pública desaba: junto com concreto, ferro e madeira, cai também a sensação de segurança de quem vive ao redor.

O prefeito rejeitou a tentativa de atribuir a queda da ponte apenas ao fenômeno das terras caídas. Gerlen disse que o desbarrancamento às margens dos rios é conhecido há gerações por quem mora na Amazônia e deveria ter sido considerado no projeto. “Conversa para boi dormir”, afirmou. “Quem mora às margens dos rios sabe que todos os anos o barranco do rio desmorona. Isso não começou nesse ano nem no ano passado. Isso é assim há milhares e milhares de anos.” Para ele, uma obra desse porte precisava nascer preparada para a realidade do rio, e não cair diante de um fenômeno previsível.

Ao tratar dos custos da obra, Gerlen elevou o tom. “Eles gastam quarenta e cinco milhões, recebem quarenta e cinco milhões para construir uma ponte e a ponte cai. Fica o dito pelo não dito. Isso é um absurdo, isso é um escárnio”, declarou. A cobrança atinge diretamente o governo estadual, a empresa responsável pela construção e os órgãos de controle. O prefeito afirmou que a Procuradoria do Município já notificou a empresa e o governo do Acre para que adotem providências. “A população não pode ficar sem ter uma resposta. A população está revoltada, sobretudo a população do bairro Segundo Distrito.”

A queda da ponte também expôs a crise política entre a prefeitura e o Palácio Rio Branco. Gerlen afirmou que a relação institucional com o governo praticamente deixou de existir desde que ele assumiu posição política fora do grupo governista estadual. “A relação com o governo não existe. A governadora vem no município de Sena Madureira e sequer liga para o prefeito para dizer que está na cidade”, disse. Para ele, a divergência eleitoral passou a interferir na administração. “Estão preocupados simplesmente com eleição, não estão preocupados com a população.”

O prefeito levou a crítica para outras áreas da gestão. Disse que Sena Madureira tem uma das maiores malhas de ramais do Acre e que a prefeitura reabriu cerca de 4 mil quilômetros no ano passado, enquanto o governo estadual teria atuado em aproximadamente 200 quilômetros. “O governo do Estado não disponibilizou um litro de óleo diesel para a prefeitura fazer a reabertura desses ramais”, afirmou. A frase resume uma queixa recorrente de prefeitos do interior: a dependência de máquinas, combustível e apoio estadual para manter abertas as estradas de terra por onde passa a produção rural, o transporte escolar e boa parte da vida econômica dos municípios.

Gerlen também citou a cessão de servidores como exemplo do que considera desprestígio político contra Sena Madureira. Segundo ele, o governo mantém servidores cedidos para fora do Estado, mas não atende pedidos do município. “Para Sena Madureira não tem ninguém. Você entendeu a forma que Sena Madureira é tratada por esse governo?”, questionou. Na leitura do prefeito, o município paga o preço de uma disputa que deveria ficar restrita ao campo eleitoral, mas acaba chegando à rotina administrativa.

Outro ponto da entrevista foi a construção de casas populares. Gerlen afirmou que a prefeitura trabalha em unidades habitacionais no bairro Pista e pretende iniciar outras 100 casas de alvenaria, com ordem de serviço, recurso em conta, terreno comprado e licitação concluída. O prefeito acusou o Instituto de Meio Ambiente do Acre de embargar a construção de 30 casas de madeira em área urbana já habitada. “Hoje nós vamos entrar com mandado de segurança. Vamos recorrer ao Poder Judiciário para construir casas para as pessoas de Sena Madureira”, disse.

A crítica ganhou contorno social quando Gerlen afirmou que a medida prejudica famílias que esperam por moradia. “Isso é covardia com a população sena-madureirense, não é com o prefeito. Eles não fazem e nem querem deixar fazer”, declarou. A disputa, nesse caso, envolve duas responsabilidades públicas que precisam andar juntas: a proteção ambiental e o direito à moradia. O prefeito sustenta que a área já é ocupada e que a prefeitura tem condições legais de construir. O governo e o órgão ambiental precisam explicar à população quais riscos ou exigências motivaram o embargo.

Gerlen ainda comentou o bloqueio da BR-364 feito por moradores em protesto após a queda da ponte. Disse respeitar a manifestação, mas rejeitou cobranças para que estivesse no local. “O que é que o prefeito vai fazer no bloqueio, sendo que eu estou na prefeitura todos os dias, de manhã e à tarde, de segunda a sexta-feira?”, perguntou. Para ele, demandas dirigidas à prefeitura devem ser levadas ao gabinete. “Quem quer trazer algum problema, alguma situação para o prefeito municipal, vem na prefeitura, não vai bloquear a BR.”

Mesmo com críticas duras ao governo, Gerlen tentou afastar a imagem de conflito pessoal com a governadora. Ele negou ter abandonado um evento oficial em Sena Madureira e disse que permaneceu até o encerramento. “Eu fiquei até o final do evento, esperei a governadora terminar de falar, a cumprimentei e a tratei muito bem”, afirmou. Segundo o prefeito, estudantes deixaram o local porque a programação atrasou, e a saída acabou atribuída ao seu grupo político. “Não saímos. Ficamos até o final. Uma coisa que eu não sou é mal educado. Eu trato a governadora muito bem.”

Coronel Ulysses defende endurecimento penal, cobra geração de emprego e confirma pré-candidatura à reeleição no Acre

O deputado federal Coronel Ulysses afirmou nesta terça-feira, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, que pretende manter o discurso centrado em segurança pública, geração de emprego e desenvolvimento econômico do Acre. Ao longo da conversa, ele defendeu mudanças na legislação penal, criticou a audiência de custódia, cobrou mais oportunidades para os jovens e confirmou que hoje é pré-candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados.

Logo no início da entrevista, Ulysses disse que estava no Juruá para cumprir agenda e participar da entrega da ordem de serviço de melhorias no ramal São Luís, no Passo Fundo. “É uma honra poder estar aqui com vocês” e “é sempre prazeroso estar em Cruzeiro do Sul, a cidade que eu nasci”, afirmou, ao citar ainda compromissos na região.

O principal eixo da entrevista foi a segurança pública. O parlamentar disse que tem atuado para endurecer a legislação e voltou a defender mudanças nas regras da audiência de custódia. “Esse é o objetivo desse projeto, ou seja, moralizar a audiência de custódia”, declarou. Na mesma linha, afirmou que o mecanismo “tem sido utilizado como um instrumento de impunidade e de aumento da violência” e disse que a proposta em debate busca impedir que reincidentes e acusados de crimes graves sejam soltos novamente.

Ao tratar da situação do Acre, o deputado afirmou que o Estado recebeu recursos para a área, mas sustentou que o enfrentamento da violência não pode ficar restrito ao policiamento. “Segurança não se faz só com polícia não”, disse. Em seguida, reconheceu que o problema passa também por educação, gestão e mercado de trabalho. “Infelizmente, nós não temos gerado a quantidade de emprego necessária para que o jovem, adolescente, realmente tenha oportunidade de trabalhar”, afirmou.

Na parte econômica, Coronel Ulysses defendeu que o Acre aposte no agronegócio, na pecuária e na agricultura familiar como caminho para ampliar renda e vagas de trabalho. Para ele, o Estado precisa criar ambiente para produção e empreendedorismo. “Nós temos que gerar emprego e temos que gerar renda”, disse. Ele também afirmou que a vocação econômica acreana está ligada ao setor primário e criticou entraves que, na avaliação dele, travam o crescimento local.

A entrevista também entrou no cenário eleitoral de 2026. Questionado sobre a possibilidade de disputar o Senado, o deputado disse que, neste momento, seu projeto é a reeleição. “Eu sou pré-candidato a deputado federal”, afirmou. Em seguida, admitiu que já avaliou uma candidatura majoritária, mas alegou falta de estrutura financeira para esse movimento. “Pra mim falta estrutura. Eu não tenho estrutura econômica pra vir pra uma candidatura de senador”, declarou.

Ao encerrar a participação, Coronel Ulysses reforçou o apelo por uma escolha mais criteriosa dos eleitores e disse que a política decide temas centrais da vida da população, da segurança à economia. A entrevista manteve o deputado em um tom de pré-campanha, com críticas a adversários, defesa de pautas conservadoras e tentativa de se firmar como um nome da direita acreana para 2026.

Padre Antonio Menezes diz em entrevista ao Jornal da Manhã que compra de votos é “pecado social”

Em entrevista ao Jornal da Manhã desta quarta-feira (3), na Rádio Integração 99,9 FM, em Cruzeiro do Sul, o padre Antonio Menezes afirmou que a compra de votos virou uma prática naturalizada no Acre, criticou a polarização política e defendeu a entrada de religiosos na vida pública com foco em serviço, e não em poder. Pré-candidato a deputado estadual, natural de Manuel Urbano e atualmente ligado à Diocese de Rio Branco, ele disse que decidiu colocar o nome na disputa por entender que “a igreja precisa se envolver na boa política, não na politicagem”.

Ao longo da conversa, padre Antonio tentou marcar posição como um nome que quer se diferenciar da velha lógica eleitoral. A fala mais forte da entrevista veio quando o debate chegou ao voto comprado. Ao comentar o tema, ele afirmou que a política foi deformada por práticas que tratam o eleitor como mercadoria e resumiu a crítica em uma expressão que deve repercutir no debate eleitoral deste ano: “Isso é pecado social”.

O padre disse que a compra de votos rompe qualquer compromisso com o interesse coletivo e transforma a eleição em uma negociação privada. “Quem vende o voto, de um certo modo, está deixando de se comprometer com o bem comum”, afirmou. Em outro momento, endureceu ainda mais o discurso: “É pecado comprar voto, é pecado vender o seu voto. E não é só quem vende não, quem compra vai também”. Para ele, o problema se agravou a ponto de muita gente já tratar o esquema como parte normal da campanha.

Segundo o religioso, esse ambiente ajudou a afastar o eleitor da política e alimentou uma sensação de descrença generalizada. “Isso foi normalizado”, disse. Na avaliação dele, a prática corrói a representação antes mesmo da posse, porque o acerto financeiro substitui o compromisso público. “Como é que uma pessoa que compra o nosso voto vai se comprometer conosco? A conta já tá paga”, afirmou, ao defender uma reação social contra esse modelo.

Padre Antonio também procurou justificar por que decidiu sair da atuação exclusivamente religiosa para entrar na disputa partidária. Ele disse que a decisão amadureceu diante da percepção de que a igreja não pode se omitir diante da crise política e social do estado. “Nós temos responsabilidade com o nosso Acre”, declarou. Na mesma linha, completou: “Se a gente não tem responsabilidade com a política, todos nós iremos sofrer”.

Ao explicar a candidatura, ele apresentou a política como extensão de uma missão de serviço. “É diante de tudo isso que eu coloquei o meu nome pra servir, através da religião, através da educação, mas também através da boa política”, afirmou. O padre também tentou associar a própria trajetória ao discurso que leva para a pré-campanha. Filho de seringueiro, nascido no seringal Sardinha, em Manuel Urbano, ele lembrou a vivência no interior, o contato com ribeirinhos, moradores de estrada e populações mais pobres do Acre para sustentar que conhece a realidade do estado além da retórica eleitoral.

Essa tentativa de aproximação com o eleitor apareceu quando falou da própria origem e da situação de Manuel Urbano, município que citou como exemplo de isolamento e falta de planejamento. Ao lembrar as dificuldades de acesso à cidade, defendeu projetos que integrem melhor a região e disse que o desenvolvimento precisa começar pela entrada do município. O trecho serviu para reforçar a imagem que tenta construir: a de alguém que vem do interior, conhece as carências locais e quer transformar essa vivência em plataforma política.

Outro eixo central da entrevista foi a crítica ao uso da religião como instrumento de poder. Sem negar o avanço de candidaturas religiosas no país, padre Antonio disse que esse movimento pode produzir estragos quando nasce de ambição pessoal. “Existem dois tipos de teologia: a teologia que nos insere na realidade das pessoas e a teologia do domínio”, afirmou. Na sequência, fez o alerta: “Se você, seja padre, seja pastor, entra com intenção egoísta na política, vai ser um estrago terrível”.

A fala foi acompanhada de uma tentativa de separar a participação religiosa na política do uso eleitoral da fé. Segundo ele, o problema não está na presença de líderes religiosos no debate público, mas na finalidade dessa presença. “Se o padre ou o pastor ou qualquer religioso entra na política de forma convertida com o seu coração pra servir, Jesus veio pra servir, não pra ser servido”, declarou. A formulação funciona como resposta a um ambiente em que parte do eleitorado passou a olhar com desconfiança para candidaturas associadas a igrejas.

O padre também disse que não pretende alimentar o ambiente de confronto ideológico que tem marcado o debate político. Ao falar sobre o avanço da polarização, afirmou que esse clima já atinge famílias, partidos e comunidades religiosas. “Nós não iremos entrar nessa polarização cruel, da briga, do ódio, que divide as famílias, os partidos”, disse. Em seguida, indicou o tom que pretende adotar na campanha: “Jamais iremos falar de pessoas. Iremos falar de propostas”.

A declaração busca posicioná-lo como um nome que tentará escapar do padrão de campanhas marcadas por ataques pessoais, guerra ideológica e mobilização religiosa agressiva. Na entrevista, ele sustentou que o campo político precisa ser reconstruído a partir de compromisso social, decência e responsabilidade pública. “A política, na sua essência, é o homem e a mulher, o cidadão que cuida do bem comum”, afirmou.

Mesmo ao assumir a pré-candidatura pelo PT, padre Antonio preferiu não transformar a entrevista em uma defesa partidária convencional. O centro da fala permaneceu na crítica moral à compra de votos, no chamado à participação social e na tentativa de recolocar a política sob a chave do serviço. “O Acre é pra quem ama”, disse, ao resumir a mensagem que pretende levar adiante.

A entrevista no Jornal da Manhã desta quarta-feira, na Rádio Integração 99,9 FM, em Cruzeiro do Sul, serviu como uma espécie de carta de apresentação do pré-candidato. Mais do que anunciar um nome na disputa, o espaço foi usado para lançar um discurso duro contra a compra de votos, rejeitar a polarização e defender uma presença religiosa comprometida com os pobres e com o bem comum. Em um cenário de descrença na política e forte dependência de estruturas eleitorais tradicionais, padre Antonio tenta abrir espaço com uma mensagem simples, moral e direta: “A igreja precisa se envolver na boa política, não na politicagem”.

Alan Rick critica Mailza por viaduto e tenta atrair Zequinha para 2026

O senador Alan Rick elevou o tom contra a governadora Mailza durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta sexta-feira, 29 de maio, em Cruzeiro do Sul, ao reagir à informação de que não seria convidado para a inauguração de um viaduto em Rio Branco, obra que, segundo ele, recebeu R$ 17 milhões de emenda de seu mandato. No mesmo bloco político, o pré-candidato ao governo do Acre abriu publicamente as portas para uma aproximação com o prefeito Zequinha Lima, do PP, partido da governadora, e disse que quer o gestor cruzeirense ao seu lado na disputa de 2026.

A resposta sobre Mailza veio depois de uma pergunta sobre a polarização que começa a marcar a pré-campanha. Alan Rick confirmou que destinou a emenda para o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, ainda no período em que o projeto era tratado com a equipe do governo estadual. O senador afirmou ter registros da destinação do recurso e lembrou que gravou vídeo, à época, em frente ao Palácio Rio Branco, ao lado da então prefeita Socorro Neri e do governador Gladson Cameli. “Foi uma emenda nossa para aquele complexo da Avenida Ceará”, disse.

Alan também afirmou que, no início, integrantes do governo teriam tentado negar a autoria da emenda. Para ele, a ausência de convite para a inauguração se soma a outras atitudes que considera politicamente pequenas. O senador citou o caso do prefeito de Feijó, que, segundo ele, teria passado três dias em Rio Branco acompanhado de oito vereadores sem ser recebido pela governadora, e mencionou ainda prefeitos de Epitaciolândia e Jordão como exemplos de gestores que, na avaliação dele, enfrentaram dificuldades por estarem alinhados ao seu grupo político.

A fala mais direta veio quando Alan separou a disputa eleitoral da entrega da obra. “Não precisa me convidar. Basta que façam a obra bem feita, que entreguem a obra no tempo rápido, que seja propícia para o povo e que não desviem recursos”, afirmou. A frase expõe a linha que o senador tenta sustentar na pré-campanha: cobrar o governo, associar seu mandato a entregas concretas e dizer que não pretende condicionar apoio institucional à posição política dos prefeitos.

Na entrevista, Alan buscou contrastar sua postura com a do grupo governista. Disse que recebe todos os prefeitos do Acre em Brasília, inclusive aliados da governadora, e afirmou que, em um estado pequeno e com muitos problemas, punir município por escolha partidária é ignorar a população. “Eu recebo todos os prefeitos do Acre, principalmente trato até melhor os que são aliados da governadora para mostrar que a gente é diferente”, declarou.

Logo depois da crítica à governadora, o assunto mudou para Zequinha Lima, mas a conexão política ficou clara. O prefeito de Cruzeiro do Sul é filiado ao PP, partido de Mailza, e passou a ser tratado por Alan como um nome desejado em seu palanque. Questionado sobre o “namoro” político com Zequinha, o senador respondeu em tom aberto: “Vai ser, se Deus quiser”. Em seguida, chamou o prefeito de “pessoa do bem” e relembrou uma passagem em Brasília, quando Zequinha chegou ao gabinete em busca de emendas, cansado e com fome, e foi recebido com farofa de ovo e farinha de Cruzeiro do Sul.

A lembrança serviu para Alan reforçar a relação pessoal com o prefeito e para mostrar como pretende tratar gestores municipais caso chegue ao governo. Ele disse que Zequinha procurava recursos para Cruzeiro do Sul e que a conversa no gabinete simbolizava respeito aos prefeitos. “É assim que eu trato os prefeitos, com muito carinho, com muito respeito”, afirmou.

Alan admitiu que a situação partidária de Zequinha cria um obstáculo. O prefeito está no PP, mesma sigla de Mailza, mas o senador disse respeitar essa condição e, ao mesmo tempo, afirmou que o gestor sabe das resistências dentro do grupo governista. Segundo Alan, há falas no outro campo político de que Zequinha estaria “queimado” em Cruzeiro do Sul e poderia prejudicar a imagem da vice-governadora. O senador disse pensar o oposto. “Eu quero o Zequinha do meu lado. Para mim, o Zequinha vale ouro”, declarou.

A tentativa de atração de Zequinha tem peso eleitoral evidente. Cruzeiro do Sul é o principal município do Juruá e um dos centros decisivos da eleição estadual. Alan ressaltou que o prefeito conhece os bairros, os ramais e a realidade local. Também saiu em defesa da gestão municipal ao afirmar que todo prefeito do interior enfrenta problemas, especialmente com baixa arrecadação própria e alto custo de obras como asfaltamento.

O senador foi além da simpatia política e deixou a porta aberta para uma composição mais ampla com o Juruá. Questionado sobre a possibilidade de escolher um vice da região, respondeu que “toda possibilidade” existe, mas disse que a decisão será tomada apenas na reta final. Para Alan, o vice precisa agregar partidos, tempo de televisão, aliados, municípios, força política, carisma e votos.

A movimentação mostra dois eixos da estratégia de Alan Rick. O primeiro é pressionar Mailza em temas de gestão, emendas e tratamento aos prefeitos, tentando fixar a ideia de que o governo usa a máquina com critério político. O segundo é disputar lideranças que hoje orbitam o campo governista, especialmente no Juruá, onde Zequinha Lima pode alterar o peso regional de qualquer palanque em 2026.

Ao declarar que não precisa de convite para inauguração e, quase no mesmo fôlego, dizer que está “de braços abertos” para Zequinha, Alan Rick deixou a pré-campanha mais nítida. A disputa contra Mailza não será apenas por votos. Será também por obras, prefeitos, símbolos regionais e pela narrativa de quem trata melhor os municípios acreanos.

Alan Rick mira governo do Acre e defende produção rural, BR-364 e aliança ampla em 2026

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre, afirmou nesta sexta-feira, 29 de maio, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que sua pré-candidatura nasceu da pressão recebida nas viagens pelos municípios e que o próximo governo terá de enfrentar três prioridades imediatas: recuperar a economia, garantir trafegabilidade na BR-364 e fortalecer a produção rural.

Alan disse que tem tratado a liderança em pesquisas com responsabilidade e afirmou que o resultado real será conhecido apenas nas urnas. Ainda assim, citou a boa recepção nas agendas recentes em Feijó, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Para ele, o movimento nas ruas mostra que o eleitor acreano quer participar mais diretamente da construção do próximo governo.

O senador afirmou que a decisão de disputar o governo ganhou força depois das eleições municipais de 2024, quando percorreu o estado apoiando aliados. Segundo ele, a cobrança pelo lançamento de sua candidatura passou a aparecer com frequência nas conversas com moradores, prefeitos e lideranças comunitárias. “A política tem que ser uma missão”, disse. “Nunca foi meu interesse ter o poder pelo poder.”

Na área econômica, Alan Rick disse que o Acre vive um quadro preocupante. Ele citou o dado de que 44 mil acreanos deixaram o estado nos últimos seis anos, segundo o IBGE, e relacionou essa saída à falta de oportunidades. Para o senador, o êxodo de jovens e trabalhadores mostra que parte da população perdeu confiança na capacidade do estado de gerar emprego, renda e futuro.

A produção rural ocupou boa parte da entrevista. Alan defendeu mais assistência técnica, crédito e equipamentos para o produtor. Ele citou entregas de tratores, implementos, tobatas e fábricas de farinha automatizadas e móveis nos municípios do Juruá. Também afirmou que 600 famílias da região recebem assistência técnica rural por meio de emendas de seu mandato.

Para o senador, entregar máquinas não basta. Ele afirmou que o produtor precisa de orientação para plantar melhor, corrigir o solo, manejar o gado, usar adubo corretamente e acessar linhas de financiamento. Alan cobrou uma atuação mais forte dos bancos públicos, especialmente do Banco da Amazônia, para que o crédito chegue ao pequeno produtor.

A BR-364 também foi tratada como prioridade. Alan disse que a rodovia é de responsabilidade federal, mas não pode ser vista como um problema distante do governo estadual. Segundo ele, a estrada interfere diretamente no abastecimento, no escoamento da produção, no custo de vida e na integração entre o Vale do Acre e o Juruá.

O senador afirmou que a bancada federal, prefeitos e entidades comerciais já cobraram do Ministério dos Transportes a reconstrução da rodovia. Ele citou um investimento superior a R$ 1,8 bilhão e disse que o Acre não pode aceitar apenas reparos temporários. A previsão mencionada na entrevista é de início, em 15 de junho de 2026, de uma etapa de reconstrução com macadame hidráulico em 415 quilômetros.

Alan Rick também criticou o governo estadual ao comentar obras e repasses. Ao falar sobre o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, disse ter destinado R$ 17 milhões em emenda e afirmou que não precisa de convite para inauguração. “O que eu quero é obra bem feita, entregue logo e dinheiro público bem aplicado”, declarou.

Na relação com prefeitos, o senador defendeu tratamento institucional, independentemente de partido. Ele afirmou que recebe todos os gestores acreanos em Brasília e criticou possíveis retaliações políticas contra municípios comandados por adversários. Para Alan, o estado é pequeno e precisa de cooperação entre mandato federal, governo estadual e prefeituras.

Sobre alianças, Alan Rick disse que pretende construir uma frente ampla. Citou conversas com lideranças nacionais e estaduais, mencionou Mara Rocha como pré-candidata ao Senado e elogiou o senador Sérgio Petecão. Também afirmou que a escolha do vice ficará para a fase final, após pesquisas e avaliação de critérios como força política, votos, partidos, tempo de televisão e presença nos municípios.

Questionado sobre o governador Gladson Cameli, Alan afirmou que o caso é triste para o Acre e que cabe à defesa provar a inocência nas instâncias judiciais. O senador disse que o estado precisa superar o desgaste político e voltar a ser reconhecido nacionalmente por resultados positivos.

Na reta final da entrevista, Alan buscou marcar posição contra a polarização. Disse que quer receber votos de eleitores da direita, do centro e da esquerda, e afirmou que não pretende alimentar ódio contra adversários. “O Acre é pequeno demais para você ficar plantando ódio só porque o cara é de um partido ou de uma ideologia diferente da sua”, afirmou.

A entrevista mostrou o eixo inicial da pré-campanha de Alan Rick: apresentar o mandato no Senado como base de entrega, transformar a escuta nos municípios em argumento político e vincular a disputa de 2026 a temas concretos, como economia, estrada, produção rural, saúde e crédito. O desafio será transformar esse discurso em plano de governo e sustentar, até a eleição, a imagem de candidato capaz de reunir forças políticas diferentes em torno de uma agenda comum.