Zequinha diz que governo rompeu relação com Cruzeiro do Sul e acusa retaliação política

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima (PP), afirmou nesta sexta-feira (2), durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração 99,9 FM, que a relação institucional entre a Prefeitura e o Governo do Acre deixou de existir depois de sua mudança de posição na disputa estadual. Zequinha acusou o governo de retirar investimentos do município em razão da decisão política que tomou durante a campanha. A Prefeitura de Cruzeiro do Sul confirma Zequinha como atual prefeito do município.

“A relação institucional entre governo e prefeitura deixou de existir a partir do momento que eu fiz uma ruptura e fiz uma escolha. Infelizmente, porque eu tenho o direito de fazer minhas escolhas e, independentemente das escolhas que eu fizer, as relações institucionais não podem deixar de existir”, declarou.

Zequinha afirmou que considera a reação do governo uma punição que ultrapassa a disputa entre lideranças políticas e chega à população de Cruzeiro do Sul. “Eu optei por uma linha política diferente da do governo e a decisão que o governo tomou foi de me punir, punir o município. Quando ele pune o município, ele não está punindo o Zequinha, ele está sacrificando as pessoas”, disse.

O rompimento político de Zequinha com o grupo governista ocorreu durante a disputa de 2026, quando o prefeito passou a apoiar a candidatura de Alan Rick ao Governo do Acre. A mudança de posição já vinha sendo registrada publicamente desde junho.

Na entrevista, o prefeito citou os ramais como uma das áreas atingidas pelo afastamento entre Estado e município. Zequinha disse que Prefeitura e Deracre haviam dividido as regiões que seriam atendidas e afirmou que os serviços de responsabilidade municipal continuam sendo executados, enquanto criticou a atuação estadual.

“A parte que coube à Prefeitura eu tenho me esforçado muito, com a nossa equipe, para que a gente possa deixar o ramal funcionando no período invernoso. A parte que coube ao Estado, eu lamento, porque infelizmente não está sendo feito e, quando se faz, se faz pela metade”, declarou.

Questionado sobre a afirmação de que a manutenção de ramais seria responsabilidade dos municípios, Zequinha disse que, historicamente, o trabalho em Cruzeiro do Sul sempre foi dividido entre Estado e Prefeitura. Ele citou Santa Luzia como uma das regiões tradicionalmente atendidas pelo Estado e questionou a função do Deracre caso o órgão deixe de atuar nessas áreas.

“Para que existe Deracre em Cruzeiro do Sul? Para trabalhar na cidade? Não. O Deracre existe para ajudar nos ramais, para ajudar o agricultor. Senão fecha a porta do Deracre e tira todo mundo dali”, afirmou.

A declaração mais direta sobre a relação com o Palácio Rio Branco veio quando Zequinha afirmou que os convênios existentes entre Estado e Prefeitura foram cancelados após sua mudança política. Segundo ele, um deles previa R$ 4 milhões para a educação municipal.

“Infelizmente, a posição política que eu tomei fez com que o Estado deixasse de investir nessa cidade. Os convênios que tinha com a Prefeitura, todos eles foram cancelados. Todos, 100%”, afirmou.

Zequinha também fez uma acusação sobre as condições para liberação desse convênio. Segundo o prefeito, o recurso teria sido apresentado pelo próprio governo, mas posteriormente a liberação teria sido vinculada ao apoio político a um parlamentar governista.

“Vieram com o convênio. Aí depois, para que pudesse liberar o dinheiro, eu tinha que apoiar o deputado X do governo para poder liberar o dinheiro. Eu disse: ‘Não, isso eu não vou fazer. Eu não vou me amarrar em cima de um convênio. Se o convênio é para investir, investe, independentemente de posições políticas do prefeito ou não’”, relatou.

O prefeito também respondeu a críticas sobre emendas parlamentares destinadas a Cruzeiro do Sul. Ele citou uma indicação de R$ 2 milhões para o Pentecostes e afirmou que apenas R$ 500 mil teriam sido liberados até agora. Segundo Zequinha, a Prefeitura entrou com outros R$ 500 mil de contrapartida para permitir o andamento do serviço.

“Não basta só você alocar o recurso. Você tem que alocar o recurso, mas tem que ter a capacidade de se articular diante do Governo Federal e fazer com que esse recurso possa chegar às prefeituras ou ao Governo do Estado”, disse.

Ao fazer o balanço da própria administração, Zequinha colocou a infraestrutura como o principal problema ainda enfrentado pelo município. Segundo ele, a Prefeitura executou quase 40 quilômetros de pavimentação ao longo dos últimos seis anos e já possui mais de R$ 50 milhões em recursos destinados a obras de asfaltamento para os próximos dois anos. Também afirmou que pretende emitir, depois do período eleitoral, ordens de serviço para outras oito obras.

Na Avenida Copacabana, uma das obras citadas durante a entrevista, Zequinha afirmou que a drenagem já foi concluída e que a meta é avançar com a pavimentação antes do encerramento do período de verão. “Nós queremos, se Deus quiser, antes do término do verão, concluir pelo menos a pavimentação da Copacabana. A drenagem já está pronta”, declarou.

Na saúde, o prefeito afirmou que Cruzeiro do Sul ampliou serviços para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para Rio Branco. Zequinha disse que aproximadamente 5 mil cirurgias oftalmológicas foram realizadas em cerca de um ano e meio a dois anos, dentro de um conjunto de 18 mil procedimentos. Os atendimentos, segundo ele, alcançaram também moradores de municípios vizinhos.

“Foram 5 mil pessoas que deixaram de viajar para Rio Branco para fazer uma cirurgia do olho”, afirmou.

Na agricultura, Zequinha citou a implantação da unidade de beneficiamento de café em Santa Luzia e disse que o projeto foi executado sem recursos do Governo do Estado. Segundo o prefeito, a estrutura possui sete secadores e capacidade para receber até 1,5 mil sacas de café por dia.

“Aquela indústria deveria ter sido feita pelo Governo do Estado, mas ali não tem um centavo do Governo do Estado naquela indústria”, afirmou.

O prefeito também disse que passou a plantar café como forma de estimular pequenos produtores a aderirem à cultura. Atualmente, afirmou possuir nove hectares plantados. A Prefeitura, segundo ele, criou um programa que oferece mudas, calcário, adubo e assistência técnica às famílias interessadas na produção.

“A mandioca tem que continuar sendo cultivada porque é a nossa principal fonte de economia no município. Agora, o café pode ajudar”, disse.

Ao falar sobre o Festival da Farinha, Zequinha afirmou que a movimentação financeira chegou a aproximadamente R$ 13,5 milhões e disse que o evento foi realizado sem participação financeira do Estado. “Foi o maior Festival da Farinha que Cruzeiro do Sul já fez, sem um centavo do Governo do Estado”, declarou.

Na parte política da entrevista, Zequinha afirmou que estava consciente das consequências quando decidiu mudar de grupo na eleição estadual. Disse ter sofrido ataques durante a campanha, inclusive ofensas racistas, e declarou não se arrepender da decisão.

“Quando eu tomei uma decisão, não foi uma decisão feita de supetão. Foi uma decisão pensada. E quando eu tomei uma decisão pensada, eu pensei nas pessoas. Eu não pensei em mim. Se eu tivesse pensado em mim, eu estava hoje dentro do governo, tinha uns convênios lá, estava bem”, afirmou.

Zequinha também reafirmou apoio a Gladson Cameli e fez críticas a integrantes do atual grupo governista. Segundo o prefeito, pessoas que chegaram a posições de poder com o apoio de Gladson estariam agora se afastando dele.

“Eu já era Gladson, vou continuar sendo Gladson, vou continuar votando no Gladson e vou continuar pedindo voto para o Gladson”, disse. O prefeito também alegou que integrantes do governo estariam orientando lideranças a não apoiar o ex-governador, afirmação apresentada por ele sem identificar nominalmente os responsáveis.

No encerramento, Zequinha fez uma defesa da liberdade de imprensa e afirmou que agentes públicos precisam aceitar críticas. “Quem não está preparado para ouvir crítica não pode estar na vida pública”, disse. Para o prefeito, jornalistas precisam ter liberdade para questionar governos e gestores sem sofrer pressão.

“O jornalista tem que ter a liberdade de falar aquilo que ele pensa. Nós estamos vivendo numa democracia”, afirmou. Zequinha disse ainda que pretende manter o ritmo administrativo até o fim de seu segundo mandato: “Eu vou cada dia mais buscar todas as forças que eu tiver para continuar trabalhando cada vez mais por essa cidade.”

Jornal da Manhã em Coluna – 16 de julho de 2026

A coluna desta quinta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau e reportagens de Gledson Albano e Mazinho Rogério.

Remanso foi para a rua

O bairro Remanso começou a manhã com protesto por falta de água. Moradores interditaram a rua principal para cobrar uma resposta da Saneacre, responsável pelo sistema de abastecimento na comunidade.

A reclamação não é nova. O bairro cresceu, novas ruas foram abertas, famílias construíram casas e a estrutura de água ficou para trás. A caixa d’água que atende a região foi construída ainda na gestão do então prefeito Aluísio Bezerra e, hoje, não acompanha mais a demanda.

Água uma vez por semana

José Maria, presidente da associação de moradores do Remanso, disse ao Jornal da Manhã que há mais de 250 famílias afetadas. Em algumas casas, segundo ele, a água chega apenas uma vez por semana.

A cobrança é simples: perfurar um novo poço e ampliar a rede. Há ruas sem encanamento, famílias aguardando ligação e um projeto que já teria sido apresentado por técnicos da Saneacre. O que falta, segundo o morador, é autorização do governo do Estado.

Quando o cidadão precisa fechar rua para pedir água, o problema já passou do limite administrativo. Virou retrato de abandono.

Saneacre no centro da cobrança

A dúvida inicial era saber se a responsabilidade era da prefeitura ou do Estado. José Maria disse que a gestão do sistema foi repassada à Saneacre ainda na administração do ex-prefeito Ilderlei Cordeiro.

A partir daí, a cobrança ficou direcionada. O bairro quer que a Saneacre assuma o problema, apresente prazo e execute a solução. Sem água, não há discurso que se sustente.

Buraco aberto também virou queixa

Além da falta de água no Remanso, a bancada cobrou a Saneacre por outro problema: buracos abertos nas ruas de Cruzeiro do Sul depois de serviços de conserto de vazamentos.

A avaliação feita no programa foi direta. A empresa abre, conserta o vazamento e deixa o buraco. Depois, a culpa cai na prefeitura, que precisa correr para reduzir o dano no trânsito e na vida de quem passa pelas vias.

A população não quer saber quem empurra a responsabilidade. Quer a rua de volta e o serviço completo.

Gladson mirou o próprio aliado

Na política, o assunto que abriu o debate foi a ação da Federação União Progressista contra o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, e o senador Alan Rick.

A situação chamou atenção porque Zequinha declarou apoio a Alan Rick para o governo, mas também afirmou publicamente que apoiaria Gladson Cameli para o Senado, caso o ex-governador consiga disputar a eleição.

Mesmo assim, o nome do prefeito apareceu na representação. A acusação envolve campanha antecipada, conduta vedada e abuso de poder econômico.

A conta não fecha

A bancada tratou o caso como uma contradição política. Se Zequinha ainda declara apoio a Gladson para o Senado, por que o partido presidido por Gladson move ação contra ele?

Depois, chegou a informação de que o ex-governador não teria conhecimento da inclusão do prefeito na ação. A pergunta ficou no ar: quem move uma ação desse tamanho sem o presidente da federação saber?

A crise expõe mais uma rachadura no grupo governista. Quando aliado começa a ser tratado como adversário, é sinal de que a base perdeu comando.

Mailza herdou o governo, mas não a liderança

A leitura política feita no Jornal da Manhã foi que a base da governadora Mailza Cameli segue desmontada. A movimentação do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, ao acenar para Gladson no grupo de Tião Bocalom, também entrou na conta.

Gladson saiu do governo, mas ainda pesa no jogo. Mailza ficou com a caneta, mas não recebeu automaticamente o controle político do grupo.

Essa diferença aparece a cada crise.

Folha inchada acendeu alerta

Outro ponto levantado no programa foi a informação de que a folha do governo do Acre estaria acima do limite em cargos comissionados. O valor citado foi de cerca de R$ 1 milhão acima do teto.

Nomear e exonerar comissionados não está proibido neste período, mas estourar limite de despesa é outra história. A expectativa agora é saber se o Tribunal de Contas do Estado fará alerta, recomendação ou adotará medida mais dura.

Dinheiro público não aceita desaforo. E folha inchada em ano eleitoral sempre vira assunto político.

Terreno de R$ 23 milhões caiu

O recuo do governo na desapropriação da área que seria usada para a nova sede da Expoacre, em Rio Branco, também entrou no programa como exemplo de atuação dos órgãos de controle.

O decreto previa a compra de uma área de 76 hectares por quase R$ 23 milhões. Depois dos questionamentos, veio a revogação.

A leitura da bancada foi simples: se a informação não viesse a público e se os órgãos de fiscalização não entrassem no caso, o negócio poderia ter avançado.

Expoacre Juruá ainda pede explicação

Os gastos da Expoacre Juruá voltaram ao centro da conversa. A Associação Transformar recebeu mais de R$ 15 milhões para realizar a feira e, segundo a apuração comentada no programa, tem estrutura mínima e ligação política com nomes próximos ao núcleo do governo.

O ponto mais sensível foi o valor dos cachês das atrações nacionais. O plano de trabalho aponta R$ 6,3 milhões só para artistas.

Leonardo aparece com R$ 2,1 milhões. Natanzinho Lima, com R$ 1,7 milhão. Ícaro e Gilmar, com R$ 750 mil. Thiago Brava e padre Fábio de Melo, com R$ 650 mil cada. A banda Morada aparece com R$ 400 mil, e uma atração infantil, com R$ 50 mil.

Quando o palco apaga, a conta continua acesa.

PF bateu na Educação

A notícia mais pesada da manhã veio de Rio Branco. A Polícia Federal deflagrou a Operação Talha Real para investigar suspeitas de desvio de recursos federais da educação repassados à Secretaria de Estado de Educação pelo Fundeb.

São 21 mandados de busca e apreensão cumpridos em Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. A Justiça também determinou bloqueio de bens, valores e imóveis dos investigados, além da suspensão temporária das atividades de seis empresas com contratos na Educação.

Os contratos investigados passam de R$ 51 milhões.

Fundeb virou caso de polícia

A investigação envolve suspeitas de peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo da licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Durante o cumprimento dos mandados, um investigado foi preso em flagrante por posse ilegal de munições de uso permitido.

A informação apurada durante o programa apontava que a investigação alcançaria contratos ligados a merenda escolar, livros e material didático. Também chegaram relatos de viaturas da Polícia Federal no depósito de merenda escolar da Secretaria de Educação.

Quando recurso da educação vira alvo de operação policial, quem perde primeiro é o aluno.

Mais uma viatura na porta do governo

A imagem da Polícia Federal em prédio do governo do Acre deixou de ser novidade. Esse foi o ponto mais duro da análise feita no Jornal da Manhã.

O Estado acumula operações, denúncias, suspeitas e condenações envolvendo o grupo que comandou a máquina pública nos últimos anos. O governo tenta falar em futuro, mas o presente insiste em bater à porta com mandado de busca.

A política pode tentar mudar a narrativa. A Polícia Federal não trabalha com narrativa.

Festival da Farinha abriu espaço para empreendedores

Mazinho Rogério trouxe as informações sobre o Festival da Farinha 2026. As inscrições para empreendedores já estão abertas em Cruzeiro do Sul, com mais de 100 espaços disponíveis.

O evento começa no dia 26 de agosto e será realizado novamente no Complexo Esportivo do bairro Aeroporto Velho. A estrutura vai receber empreendedores de alimentação, bebidas, artesanato, plantas ornamentais, doces, salgados, churrasco, restaurantes, trailers, açaí e pequenos negócios.

A prefeitura também prepara capacitações para quem vai trabalhar durante os quatro dias de festa.

Atrações serão anunciadas no sábado

O prefeito Zequinha Lima deve anunciar no sábado a programação oficial do Festival da Farinha, incluindo as atrações nacionais.

A expectativa é de que o evento movimente a economia local e abra espaço para artistas do município. Segundo o programa, quase 70 artistas cadastrados na prefeitura estão aptos a participar da festa.

Festival bom não é só show. É renda circulando, comércio vendendo e artista local no palco.

Rodrigues Alves entra no calendário

O Jornal da Manhã também lembrou que o Festival da Banana começa no dia 25 de julho, em Rodrigues Alves, dentro da programação de aniversário do município, comemorado no dia 28.

Os festivais de verão movimentam o Juruá, atraem público e ajudam a economia dos municípios. O desafio é fazer festa com organização, transparência e resultado para quem trabalha.

Boa notícia nos Vicentinos

No encerramento, a boa notícia veio do Lar dos Vicentinos. A Prefeitura de Cruzeiro do Sul assinou termo de colaboração de R$ 305 mil para reforçar os serviços prestados aos idosos acolhidos pela instituição.

O recurso será usado em alimentação, acompanhamento técnico e cuidados diários. O valor é fruto de emenda do senador Márcio Bittar.

Os Vicentinos fazem um trabalho que merece apoio permanente. Ali estão pessoas que já deram sua contribuição e agora precisam de cuidado, respeito e presença do poder público.