Em entrevista ao Jornal da Manhã, ex-secretário afirmou que governo não quitou todas as obrigações com empresa responsável pelas cirurgias ortopédicas
O ex-secretário de Estado de Saúde Pedro Pascoal afirmou, em entrevista ao Jornal da Manhã, que o pagamento realizado pelo governo do Acre à empresa responsável pelos serviços de Ortopedia e Traumatologia foi apenas parcial e que ainda existem obrigações pendentes.
A declaração confirma informação publicada pelo Grupo Integração na quinta-feira, 9, após análise dos dados atualizados de empenhos e pagamentos do Fundo Estadual de Saúde. O levantamento mostrou que o governo quitou R$ 1.630.134,00 referentes aos serviços médicos prestados em março, mas ainda havia valores e procedimentos administrativos pendentes.
“O pagamento foi parcial. Não foi pago tudo aquilo que a empresa estava cobrando”, afirmou Pedro Pascoal durante a entrevista.
A crise envolve a GoiásMed Serviços Médicos Ltda., contratada por meio do Contrato Sesacre nº 140/2026 para prestar serviços médicos em Ortopedia e Traumatologia na rede estadual de saúde.
A empresa havia comunicado oficialmente à Secretaria de Estado de Saúde que poderia paralisar parcialmente os atendimentos e as cirurgias eletivas caso os pagamentos em atraso não fossem regularizados. No ofício, a GoiásMed cobrou o saldo remanescente da competência de fevereiro, a quitação integral dos serviços prestados em março e a emissão do empenho referente a abril.
Após a ameaça de paralisação, a Sesacre informou que o pagamento havia sido processado e encaminhado à instituição bancária. Os dados consultados pelo Grupo Integração confirmaram que o empenho de R$ 1.630.134,00, referente aos serviços médicos de março, passou a aparecer como pago.
No entanto, o levantamento também mostrou que a regularização não alcançou todas as pendências citadas pela empresa.
“Quando se fala que foi pago, parece que foi resolvido tudo. Não foi. Houve um pagamento, mas ainda ficaram pendências”, declarou Pascoal.
Nos dados mais recentes, permanece sem pagamento um empenho de R$ 373.129,87 destinado ao fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais, conhecidos como OPME. Esses materiais são utilizados nas cirurgias e demais procedimentos ortopédicos e traumatológicos.
O empenho aparece registrado, mas ainda sem liquidação e sem pagamento. Além disso, o ofício da GoiásMed também menciona um saldo remanescente referente a fevereiro e a necessidade de emissão do empenho pelos serviços prestados em abril.
Pascoal reforçou que o problema não estaria relacionado à falta de dinheiro disponível no Fundo Estadual de Saúde.
“Dinheiro no Fundo Estadual de Saúde é o que não falta. Tem gente que vai perder a cirurgia pelo SUS, e o motivo não é falta de dinheiro”, afirmou.
Segundo o ex-secretário, os dados financeiros do Fundo Estadual de Saúde poderiam ser consultados publicamente e demonstrariam a existência de recursos para manter os contratos e serviços em funcionamento.
“Em 2023, a Saúde recebeu um repasse de R$ 240 milhões e, em 2025, deixei a gestão com um saldo de R$ 509 milhões. Esse é um dado que pode ser consultado”, disse.
Ao afirmar que o pagamento foi apenas parcial, Pascoal desloca novamente o debate para a administração dos processos internos da Sesacre. Se havia dinheiro disponível, o governo precisa explicar por que os débitos chegaram ao ponto de uma empresa ameaçar suspender cirurgias eletivas.
A GoiásMed havia informado que, caso as pendências não fossem regularizadas, suspenderia parcialmente os atendimentos e as cirurgias eletivas a partir das 18h do dia 8 de julho. Os procedimentos de urgência e emergência seriam mantidos no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco e no Hospital Geral de Cruzeiro do Sul.
O contrato com a GoiásMed é originado do Pregão Eletrônico SRP nº 600/2025 e possui valor total classificado de R$ 29.294.170,00. O objeto inclui serviços médicos de Ortopedia e Traumatologia, adulto e pediátrico, além de equipamentos, instrumentais e OPME para a rede estadual.
Até a última atualização dos dados analisados pelo Grupo Integração, o governo havia pago R$ 2.679.318,00 à empresa. O total inclui R$ 1.049.184,00 referentes à competência de fevereiro e R$ 1.630.134,00 pelos serviços de março.
Ainda assim, a cobrança formal da GoiásMed indica que o pagamento registrado não encerrou o impasse. A empresa continuava apontando saldo de fevereiro, materiais ortopédicos sem pagamento e serviços de abril ainda sem empenho.
A fala de Pedro Pascoal no Jornal da Manhã reforça, portanto, o que os números já haviam mostrado: o pagamento de março avançou depois da ameaça de paralisação, mas a relação financeira entre o governo e a empresa responsável pelas cirurgias ortopédicas permanecia sem regularização completa.