Perpétua Almeida alerta para impacto das apostas online no orçamento das famílias brasileiras

O crescimento das plataformas de apostas esportivas, conhecidas como “bets”, e os reflexos desse mercado sobre a vida financeira da população brasileira foram tema de um pronunciamento da ex-deputada federal Perpétua Almeida divulgado nas redes sociais. Ao abordar o avanço do setor, ela afirmou que o país enfrenta uma crise silenciosa, marcada pelo comprometimento da renda das famílias e pelo aumento de casos de dependência relacionados aos jogos de azar.

Durante a manifestação, Perpétua apresentou números sobre o alcance das apostas no Brasil. Segundo ela, cerca de 11 milhões de brasileiros já enfrentam problemas relacionados ao vício em apostas, enquanto aproximadamente R$ 37 bilhões são movimentados mensalmente nas plataformas. Ela também lembrou que, somente durante a Copa do Mundo, mais de R$ 640 milhões foram direcionados ao setor no país.

A ex-parlamentar criticou a estratégia de divulgação adotada pelas empresas do segmento e afirmou que campanhas publicitárias têm estimulado a adesão de novos apostadores. “Eles usam celebridades e influenciadores para vender um sonho que já virou pesadelo na vida de muitas pessoas”, declarou.

Na avaliação de Perpétua Almeida, a popularização das apostas tem provocado consequências diretas no orçamento doméstico. Ela afirmou que valores destinados às plataformas deixam de ser utilizados em despesas essenciais das famílias brasileiras.

“O dinheiro que vai para as bets está fazendo falta na feira do mês, na compra dos remédios, do material escolar e até no pagamento da conta de luz”, afirmou.

Outro ponto abordado foi o destino dos recursos movimentados pelas empresas de apostas. Segundo a ex-deputada, grande parte desse dinheiro sai do bolso dos trabalhadores brasileiros e beneficia grupos econômicos sediados fora do país, sem retorno proporcional para a economia nacional.

Para ela, o tema exige uma discussão mais ampla e medidas para enfrentar os impactos sociais e econômicos provocados pela expansão do setor. “É preciso enfrentar esse problema com muita coragem, e nós vamos debater esse assunto”, concluiu.

Conselho Monetário regulamenta bloqueio de contas de apostas ilegais

O Conselho Monetário Nacional aprovou nesta quinta-feira (25), em Brasília, a regulamentação que obriga bancos e instituições de pagamento a bloquear contas usadas por operadores de apostas de quota fixa sem autorização legal. A medida entra em vigor em 28 de agosto e cria prazo de até 24 horas para impedir a movimentação financeira dessas empresas após notificação da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

A resolução define como será executado o bloqueio previsto em decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada. O objetivo é dificultar a atuação de sites e empresas que operam apostas ilegais no país, impedindo que recursos ligados à atividade continuem circulando pelo Sistema de Pagamentos Brasileiro.

O procedimento começa quando a Secretaria de Prêmios e Apostas identifica uma operação irregular e emite um auto de constatação. Depois disso, a secretaria envia a ordem às instituições financeiras e de pagamento, que passam a ter obrigação de bloquear as contas vinculadas aos operadores apontados.

A regra alcança contas de depósito à vista, poupança, contas de pagamento pré-pagas e contas de registro. Após o bloqueio, os valores existentes ficam indisponíveis, e novas transações destinadas direta ou indiretamente a essas contas devem ser recusadas quando tiverem relação com apostas ilegais.

O bloqueio não é definitivo em todos os casos. As contas poderão ser liberadas se uma decisão administrativa final reconhecer que o titular não deveria ter sido atingido pela medida. Também poderá haver desbloqueio após a conversão dos valores em depósito judicial.

Quando a Justiça confirmar a perda dos recursos, o dinheiro será destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Nessa situação, as instituições financeiras deverão encerrar as contas dos titulares.

A medida integra o conjunto de ações federais para combater operadores clandestinos de apostas e foi criada a partir de mudanças na legislação de enfrentamento ao crime organizado. A norma regulamenta dispositivo incluído na Lei nº 14.790/2023 pelo Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e também o Decreto nº 13.033/2026, que definiu atribuições da Secretaria de Prêmios e Apostas.

Fonte e foto: Agência Brasil