Acre embarca 27 toneladas de carne bovina para o Peru e abre nova frente de exportação

O Acre abriu nesta terça-feira, 19 de maio, uma nova rota de exportação de carne bovina com o embarque de 27 toneladas produzidas pelo Nosso Frigorífico e destinadas a Lima, no Peru. A carga saiu de Rio Branco no fim da tarde e deve chegar à capital peruana em até três dias, ampliando a presença da proteína animal acreana no mercado internacional poucos dias depois do primeiro envio da empresa para Singapura.

A operação marca o início de uma sequência de seis carregamentos para o mercado peruano. Murilo Leite, sócio do Nosso Frigorífico e presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Estado do Acre, afirmou que os demais embarques estão programados para o próximo mês. “Os demais seguem no mês que vem”, disse.

O novo fluxo comercial reposiciona parte da carne que antes era enviada principalmente para estados do Sudeste e do Nordeste. A estimativa do setor é que 70% da produção processada pelos frigoríficos acreanos vinha sendo comercializada para outros estados brasileiros, enquanto 30% permaneciam no mercado local. Agora, uma parcela desse volume começa a atravessar as fronteiras do país em busca de novos compradores.

O avanço sobre o mercado peruano ocorre em um momento de expansão das exportações acreanas. Reportagem publicada na última semana informou que o Nosso Frigorífico havia embarcado o primeiro contêiner de carne bovina do estado para Singapura, num movimento de diversificação que levou a empresa de cinco para 17 países atendidos, com meta de chegar a 25 até o fim de 2026. A unidade industrial emprega diretamente 450 trabalhadores e mantém busca por mais profissionais para ampliar a produção.

A abertura do mercado peruano para a carne bovina acreana tem um histórico anterior. Em dezembro de 2022, o governo do Acre anunciou a autorização para exportação de carne suína e bovina ao Peru, com validade de três anos. Em abril deste ano, novas articulações federais voltaram a tratar da ampliação de mercados para as carnes produzidas no estado, incluindo negociações para Chile e Vietnã, enquanto o Peru seguia como destino estratégico para a proteína animal acreana.

No caso do Peru, o desafio comercial passa também pelo perfil de consumo. O país vizinho mantém consumo per capita mais elevado de carne de frango e suína, enquanto a bovina ainda ocupa espaço menor na dieta da população. A aposta do setor frigorífico acreano é crescer nesse mercado com oferta regular, proximidade logística e expansão da presença regional da carne produzida no estado. “Essa carne era comercializada em outros estados do país, mas agora está ampliando a presença do trabalho do produtor de carne do Acre e do trabalhador da indústria do Acre em outros lugares do mundo”, afirmou Murilo Leite.

Acre embarca primeira carga de carne bovina para Singapura e amplia presença no mercado externo

O Acre deu neste sábado mais um passo na expansão das exportações de carne bovina ao embarcar a primeira carga com destino a Singapura, mercado considerado um dos mais rigorosos do Sudeste Asiático. A remessa saiu da unidade do Nosso Frigorífico e reforça o avanço da indústria local, que ampliou investimentos, elevou a produção e abriu espaço em novos destinos internacionais.

A operação ocorre em meio à mudança de escala vivida pelo setor no estado. Em cinco anos, o número de países compradores da carne acreana passou de cinco para 17. A expectativa das empresas é fechar o ano com embarques para 25 mercados. A carga enviada a Singapura deixou a planta industrial em um rodotrem com cerca de 27 toneladas e seguirá até o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, antes do transporte para a Ásia.

O movimento acompanha a ampliação da estrutura frigorífica no Acre. O Nosso Frigorífico emprega cerca de 450 trabalhadores e concentra quase metade dos investimentos anunciados pelo setor nos últimos anos. Diretor da empresa, Murilo Leite afirmou que a abertura de novos mercados encerra uma longa espera da cadeia produtiva local. “O nosso frigorífico concentra praticamente metade dos investimentos realizados no setor nos últimos anos. Isso representa geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico para o Acre. Nós tentávamos há muitos anos avançar nesses mercados e hoje estamos vivendo um momento histórico”, disse.

Nos últimos três anos, os frigoríficos instalaram ou anunciaram cerca de R$ 120 milhões em investimentos no estado. Na unidade responsável pelo embarque deste sábado, a capacidade de abate subiu de 400 para 800 animais por dia, enquanto o processamento industrial passou de 100 para 500 animais diariamente. A expansão elevou o volume de produção e fortaleceu a cadeia da pecuária acreana.

Além de Singapura, a carne produzida no Acre já segue para compradores na América do Sul, na Ásia e no Oriente Médio. Para atender parte dessa demanda, as empresas adaptaram protocolos industriais e passaram a operar também com exigências específicas de mercados externos, como o abate halal, adotado para países muçulmanos, entre eles a Arábia Saudita.

Murilo Leite atribuiu a abertura comercial ao trabalho de articulação feito nos últimos anos entre empresários e representantes do governo brasileiro. “O Jorge enxergou o potencial que o Acre tinha, especialmente no setor de proteína. Ele fez um chamamento para que os empresários acreditassem. Levou os empresários do Acre para o mundo e colocou o estado na rota das exportações. Sem esse apoio, sem a diplomacia restabelecida e sem o trabalho do ministro Carlos Fávaro no Ministério da Agricultura, nós não estaríamos vivendo esse momento”, afirmou.

Ex-presidente da ApexBrasil, Jorge Viana afirmou que o avanço do setor revela uma nova fase da economia acreana. “Isso não acontecia no Acre e está acontecendo agora. E é só o começo. É emocionante ver jovens formados na Universidade Federal do Acre trabalhando aqui, mulheres liderando equipes, pequenos produtores participando desse crescimento e a carne acreana chegando ao mundo inteiro”, disse.

Ele também relacionou o crescimento das exportações à agenda de promoção comercial construída nos últimos anos. “Foram dezenas de encontros empresariais organizados para abrir mercados para o Brasil. E hoje vemos aqui o resultado: geração de empregos, crescimento econômico e o Acre entre os estados que mais ampliaram as exportações nos últimos anos. Onde eu vou, eu levo o Acre junto, porque minha vida é aqui”, afirmou.

A ampliação das vendas externas não ficou restrita a uma única empresa. Outras indústrias do segmento também reforçaram operações no estado, em um cenário de expansão da atividade pecuária e de diversificação dos mercados compradores. Para o setor, o embarque deste sábado inaugura uma nova etapa para a proteína animal produzida no Acre. “O empresariado acreditou, investiu e fez acontecer. Hoje é um momento de celebração para todo o setor frigorífico acreano”, declarou Murilo Leite.