Médico Thor Dantas foca em reestruturação da saúde e desenvolvimento econômico em pré-candidatura ao governo do Acre

O médico infectologista Thor Dantas detalhou seu plano de governo para o Estado do Acre durante sabatina no podcast Bar do Vaz, apresentado pelo jornalista Roberto Vaz. Pré-candidato ao governo estadual, Dantas propõe uma quebra na polarização ideológica para focar na reestruturação do sistema de saúde, na ampliação da infraestrutura viária e na inserção do estado em novas rotas comerciais da Ásia. A movimentação política busca atrair eleitores insatisfeitos com a atual gestão e conter o êxodo de jovens acrianos gerado pela ausência de oportunidades profissionais.

A corrida eleitoral no Acre ganha contornos de readequação administrativa. Pesquisas iniciais de intenção de voto colocam Dantas com 2% da preferência do eleitorado, atrás de nomes consolidados como Alan Rick, com 39%. Os números preliminares não alteram a estruturação da campanha, que foca no planejamento de longo prazo e no diálogo direto com a população nas ruas. O pré-candidato diagnostica um esvaziamento da capacidade de investimento do atual governo, que executa apenas 35% de seu orçamento disponível. O principal gargalo da gestão pública acriana é a escassez de planejamento e liderança, refletida na estagnação de obras civis e na precarização de unidades hospitalares do interior, a exemplo da estrutura de Sena Madureira.

A saúde pública é o eixo central do programa. Com 28 anos de atuação no estado e participação direta na criação do curso de medicina e da residência médica local, Dantas avalia a ampliação do número de leitos e a construção de um novo complexo hospitalar como medidas emergenciais. O projeto abrange a implementação de um plano de carreira sólido para fixar os cerca de 50 especialistas formados anualmente no Acre, contendo a fuga de profissionais para outros grandes centros. A reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) passará obrigatoriamente por uma pactuação com as prefeituras, garantindo o atendimento básico nos municípios e aliviando a superlotação nos prontos-socorros da capital. “A saúde tem uma parte que é cara realmente, mas tem coisa na saúde que é só trabalho em equipe para dar conta. Se eu tratar as hepatites aqui embaixo, eu evito o transplante lá em cima”, declarou o médico.

No campo econômico, a diretriz é a diversificação produtiva. O plano engloba o asfaltamento integral e permanente da ligação viária entre Cruzeiro do Sul e Rio Branco, além da injeção de crédito e fomento no agronegócio, na agricultura familiar e no extrativismo. O objetivo estratégico é utilizar o recém-inaugurado Porto de Chancay, no Peru, para exportar a produção acriana diretamente ao mercado asiático. Essa rota comercial servirá de alavanca para a industrialização local de insumos como castanha, cupuaçu e proteína animal. O desenvolvimento tecnológico, atrelado à geração de emprego e renda, forma a base do projeto para manter a força de trabalho jovem dentro do estado.

O pré-candidato rechaça a manutenção do embate entre esquerda e direita, classificando a disputa ideológica excessiva como um entrave governamental. A proposta defende o diálogo irrestrito com todas as esferas de poder e correntes políticas, assegurando a captação de recursos federais vitais para a sobrevivência econômica do estado. O desgaste gerado pela condução da crise sanitária nos anos anteriores e a fragmentação do grupo político que atualmente governa o Acre pavimentam o cenário no qual a nova chapa tenta se estabelecer.

A consolidação dessa plataforma eleitoral reconfigura o tabuleiro político acriano, forçando o debate público a abandonar as pautas exclusivamente ideológicas para se concentrar na execução orçamentária e na eficiência dos serviços básicos. O avanço da pré-candidatura ao longo do período pré-eleitoral testará a viabilidade de converter o desgaste da administração vigente em capital político, definindo o modelo de gestão, as alianças federativas e os padrões de investimento público no Acre para a próxima década.

Bocalom defende produção, critica assistencialismo e cobra ação conjunta em infraestrutura e segurança no Acre

O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom afirmou, em entrevista ao podcast Bar do Vaz, que o Acre precisa trocar um modelo econômico baseado em dependência social por uma estratégia centrada na produção, na geração de emprego e na circulação de renda. Na conversa, ele também comentou problemas de infraestrutura urbana, segurança pública e a atuação política depois de deixar a prefeitura.

Ao tratar da economia do estado, Bocalom disse que o fortalecimento do setor produtivo é a principal saída para ampliar a renda e reduzir a dependência de programas sociais. Ele voltou a defender a proposta que resume como “produzir para empregar” e afirmou que o objetivo é criar condições para manter o trabalhador no campo com renda e atividade econômica.

No debate sobre o modelo de desenvolvimento do Acre, o ex-prefeito criticou políticas adotadas em gestões anteriores e disse que elas não conseguiram ampliar a autonomia financeira da população. Segundo ele, a prioridade deve ser criar ambiente para trabalho, produção e geração de riqueza local, em vez de manter a economia girando de forma limitada.

Bocalom também falou sobre os entraves da administração de Rio Branco e atribuiu parte das dificuldades da capital ao crescimento desordenado, com expansão de áreas ocupadas sem planejamento urbano. Ao responder a críticas sobre ruas e manutenção da cidade no fim da gestão, ele mencionou falhas estruturais em obras antigas de pavimentação e disse que a prefeitura investiu em maquinário próprio para tentar melhorar a capacidade de resposta.

Na área rural, afirmou que a manutenção de ramais e a solução de problemas de infraestrutura exigem cooperação entre governo do estado e prefeituras. Para ele, parte dos desafios do Acre não pode ser enfrentada de forma isolada por um único ente público.

Ao abordar segurança pública, Bocalom citou como exemplo o convênio entre a Prefeitura de Rio Branco e a Polícia Federal para uso de monitoramento por câmeras com identificação facial. Ele também comentou ações de assistência social e negou práticas de clientelismo político em períodos eleitorais, dizendo que sua atuação sempre foi baseada em compromisso de gestão.

No fim da entrevista, o ex-prefeito disse que pretende continuar participando do debate público no Acre e definiu sua trajetória política como uma missão de serviço. A fala reforça a tentativa de manter protagonismo no cenário estadual com discurso voltado para produção, gestão e segurança.

Fonte: AC24h

Alan Rick mira governo do Acre e defende produção rural, BR-364 e aliança ampla em 2026

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre, afirmou nesta sexta-feira, 29 de maio, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que sua pré-candidatura nasceu da pressão recebida nas viagens pelos municípios e que o próximo governo terá de enfrentar três prioridades imediatas: recuperar a economia, garantir trafegabilidade na BR-364 e fortalecer a produção rural.

Alan disse que tem tratado a liderança em pesquisas com responsabilidade e afirmou que o resultado real será conhecido apenas nas urnas. Ainda assim, citou a boa recepção nas agendas recentes em Feijó, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Para ele, o movimento nas ruas mostra que o eleitor acreano quer participar mais diretamente da construção do próximo governo.

O senador afirmou que a decisão de disputar o governo ganhou força depois das eleições municipais de 2024, quando percorreu o estado apoiando aliados. Segundo ele, a cobrança pelo lançamento de sua candidatura passou a aparecer com frequência nas conversas com moradores, prefeitos e lideranças comunitárias. “A política tem que ser uma missão”, disse. “Nunca foi meu interesse ter o poder pelo poder.”

Na área econômica, Alan Rick disse que o Acre vive um quadro preocupante. Ele citou o dado de que 44 mil acreanos deixaram o estado nos últimos seis anos, segundo o IBGE, e relacionou essa saída à falta de oportunidades. Para o senador, o êxodo de jovens e trabalhadores mostra que parte da população perdeu confiança na capacidade do estado de gerar emprego, renda e futuro.

A produção rural ocupou boa parte da entrevista. Alan defendeu mais assistência técnica, crédito e equipamentos para o produtor. Ele citou entregas de tratores, implementos, tobatas e fábricas de farinha automatizadas e móveis nos municípios do Juruá. Também afirmou que 600 famílias da região recebem assistência técnica rural por meio de emendas de seu mandato.

Para o senador, entregar máquinas não basta. Ele afirmou que o produtor precisa de orientação para plantar melhor, corrigir o solo, manejar o gado, usar adubo corretamente e acessar linhas de financiamento. Alan cobrou uma atuação mais forte dos bancos públicos, especialmente do Banco da Amazônia, para que o crédito chegue ao pequeno produtor.

A BR-364 também foi tratada como prioridade. Alan disse que a rodovia é de responsabilidade federal, mas não pode ser vista como um problema distante do governo estadual. Segundo ele, a estrada interfere diretamente no abastecimento, no escoamento da produção, no custo de vida e na integração entre o Vale do Acre e o Juruá.

O senador afirmou que a bancada federal, prefeitos e entidades comerciais já cobraram do Ministério dos Transportes a reconstrução da rodovia. Ele citou um investimento superior a R$ 1,8 bilhão e disse que o Acre não pode aceitar apenas reparos temporários. A previsão mencionada na entrevista é de início, em 15 de junho de 2026, de uma etapa de reconstrução com macadame hidráulico em 415 quilômetros.

Alan Rick também criticou o governo estadual ao comentar obras e repasses. Ao falar sobre o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, disse ter destinado R$ 17 milhões em emenda e afirmou que não precisa de convite para inauguração. “O que eu quero é obra bem feita, entregue logo e dinheiro público bem aplicado”, declarou.

Na relação com prefeitos, o senador defendeu tratamento institucional, independentemente de partido. Ele afirmou que recebe todos os gestores acreanos em Brasília e criticou possíveis retaliações políticas contra municípios comandados por adversários. Para Alan, o estado é pequeno e precisa de cooperação entre mandato federal, governo estadual e prefeituras.

Sobre alianças, Alan Rick disse que pretende construir uma frente ampla. Citou conversas com lideranças nacionais e estaduais, mencionou Mara Rocha como pré-candidata ao Senado e elogiou o senador Sérgio Petecão. Também afirmou que a escolha do vice ficará para a fase final, após pesquisas e avaliação de critérios como força política, votos, partidos, tempo de televisão e presença nos municípios.

Questionado sobre o governador Gladson Cameli, Alan afirmou que o caso é triste para o Acre e que cabe à defesa provar a inocência nas instâncias judiciais. O senador disse que o estado precisa superar o desgaste político e voltar a ser reconhecido nacionalmente por resultados positivos.

Na reta final da entrevista, Alan buscou marcar posição contra a polarização. Disse que quer receber votos de eleitores da direita, do centro e da esquerda, e afirmou que não pretende alimentar ódio contra adversários. “O Acre é pequeno demais para você ficar plantando ódio só porque o cara é de um partido ou de uma ideologia diferente da sua”, afirmou.

A entrevista mostrou o eixo inicial da pré-campanha de Alan Rick: apresentar o mandato no Senado como base de entrega, transformar a escuta nos municípios em argumento político e vincular a disputa de 2026 a temas concretos, como economia, estrada, produção rural, saúde e crédito. O desafio será transformar esse discurso em plano de governo e sustentar, até a eleição, a imagem de candidato capaz de reunir forças políticas diferentes em torno de uma agenda comum.

Bocalom reforça defesa do café como motor econômico do Acre

Tião Bocalom voltou a defender neste domingo, 24, o café como uma das principais apostas para ampliar a economia do Acre. Em vídeo gravado na zona rural, ele afirmou que “hoje celebramos o Dia do Café” e disse que o produto “se torna uma grande saída econômica para o Acre”. Na mesma fala, reforçou que essa bandeira acompanha sua trajetória ao declarar: “Eu disse isso a vida toda” e “ainda temos potencial para muito mais”.

A manifestação recoloca a cafeicultura no centro do debate sobre geração de renda, permanência do produtor no campo e diversificação da economia acreana. Ao associar o avanço do café ao futuro do estado, Bocalom voltou a apostar no setor como uma atividade capaz de ganhar escala e abrir mercado para pequenos e médios produtores. Em outro trecho do vídeo, ele resumiu a cena com uma frase curta: “Coisa boa é a roça”.

O discurso encontra respaldo em uma cadeia que vem crescendo no Acre. A expectativa para a safra de 2026 é de aproximadamente 6,9 mil toneladas de café canephora, com Acrelândia na liderança da produção estadual. Além da lavoura, o avanço do setor já alcança etapas como produção de mudas, assistência técnica, transporte, beneficiamento, torrefação e comercialização, o que amplia o peso econômico da atividade e ajuda a explicar por que o café passou a ser tratado como uma frente estratégica para o Acre.

O movimento também aparece nas políticas públicas voltadas ao setor. Em fevereiro, o governo do Acre sancionou a Lei nº 4.776, que criou um programa de compras governamentais para fortalecer a indústria local do café. Antes disso, o Valor Bruto da Produção do café no estado saltou de R$ 28,3 milhões em 2019 para R$ 139,1 milhões em 2025, alta de 391,5%.

Com esse cenário, a defesa feita por Bocalom neste domingo vai além da declaração em uma data simbólica. A fala se conecta a uma atividade que ganhou mais espaço no interior, agregou novas etapas de produção e passou a ocupar posição estratégica na economia acreana. Ao insistir no café como “grande saída econômica”, ele reforça um discurso que encontra hoje um setor mais estruturado e com números mais robustos do que nos anos anteriores.

Acre embarca primeira carga de carne bovina para Singapura e amplia presença no mercado externo

O Acre deu neste sábado mais um passo na expansão das exportações de carne bovina ao embarcar a primeira carga com destino a Singapura, mercado considerado um dos mais rigorosos do Sudeste Asiático. A remessa saiu da unidade do Nosso Frigorífico e reforça o avanço da indústria local, que ampliou investimentos, elevou a produção e abriu espaço em novos destinos internacionais.

A operação ocorre em meio à mudança de escala vivida pelo setor no estado. Em cinco anos, o número de países compradores da carne acreana passou de cinco para 17. A expectativa das empresas é fechar o ano com embarques para 25 mercados. A carga enviada a Singapura deixou a planta industrial em um rodotrem com cerca de 27 toneladas e seguirá até o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, antes do transporte para a Ásia.

O movimento acompanha a ampliação da estrutura frigorífica no Acre. O Nosso Frigorífico emprega cerca de 450 trabalhadores e concentra quase metade dos investimentos anunciados pelo setor nos últimos anos. Diretor da empresa, Murilo Leite afirmou que a abertura de novos mercados encerra uma longa espera da cadeia produtiva local. “O nosso frigorífico concentra praticamente metade dos investimentos realizados no setor nos últimos anos. Isso representa geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico para o Acre. Nós tentávamos há muitos anos avançar nesses mercados e hoje estamos vivendo um momento histórico”, disse.

Nos últimos três anos, os frigoríficos instalaram ou anunciaram cerca de R$ 120 milhões em investimentos no estado. Na unidade responsável pelo embarque deste sábado, a capacidade de abate subiu de 400 para 800 animais por dia, enquanto o processamento industrial passou de 100 para 500 animais diariamente. A expansão elevou o volume de produção e fortaleceu a cadeia da pecuária acreana.

Além de Singapura, a carne produzida no Acre já segue para compradores na América do Sul, na Ásia e no Oriente Médio. Para atender parte dessa demanda, as empresas adaptaram protocolos industriais e passaram a operar também com exigências específicas de mercados externos, como o abate halal, adotado para países muçulmanos, entre eles a Arábia Saudita.

Murilo Leite atribuiu a abertura comercial ao trabalho de articulação feito nos últimos anos entre empresários e representantes do governo brasileiro. “O Jorge enxergou o potencial que o Acre tinha, especialmente no setor de proteína. Ele fez um chamamento para que os empresários acreditassem. Levou os empresários do Acre para o mundo e colocou o estado na rota das exportações. Sem esse apoio, sem a diplomacia restabelecida e sem o trabalho do ministro Carlos Fávaro no Ministério da Agricultura, nós não estaríamos vivendo esse momento”, afirmou.

Ex-presidente da ApexBrasil, Jorge Viana afirmou que o avanço do setor revela uma nova fase da economia acreana. “Isso não acontecia no Acre e está acontecendo agora. E é só o começo. É emocionante ver jovens formados na Universidade Federal do Acre trabalhando aqui, mulheres liderando equipes, pequenos produtores participando desse crescimento e a carne acreana chegando ao mundo inteiro”, disse.

Ele também relacionou o crescimento das exportações à agenda de promoção comercial construída nos últimos anos. “Foram dezenas de encontros empresariais organizados para abrir mercados para o Brasil. E hoje vemos aqui o resultado: geração de empregos, crescimento econômico e o Acre entre os estados que mais ampliaram as exportações nos últimos anos. Onde eu vou, eu levo o Acre junto, porque minha vida é aqui”, afirmou.

A ampliação das vendas externas não ficou restrita a uma única empresa. Outras indústrias do segmento também reforçaram operações no estado, em um cenário de expansão da atividade pecuária e de diversificação dos mercados compradores. Para o setor, o embarque deste sábado inaugura uma nova etapa para a proteína animal produzida no Acre. “O empresariado acreditou, investiu e fez acontecer. Hoje é um momento de celebração para todo o setor frigorífico acreano”, declarou Murilo Leite.