Festival da Farinha reúne 40 mil pessoas e amplia peso político e econômico da gestão de Zequinha Lima

O Festival da Farinha 2026 encerrou a programação com cerca de 40 mil pessoas no Complexo Esportivo do Aeroporto Velho, em Cruzeiro do Sul, e transformou um evento criado para valorizar a produção rural em uma das principais vitrines econômicas, culturais e políticas do Vale do Juruá. Realizada e executada pela Prefeitura, a festa ganhou dimensão ainda maior neste ano ao mobilizar milhares de pessoas, mais de 200 expositores e diferentes setores da economia local.

O resultado também fortalece politicamente a gestão do prefeito Zequinha Lima. A Prefeitura assumiu o protagonismo da organização e concentrou os principais investimentos para colocar a estrutura de pé. Um dos instrumentos para realização do festival destinou R$ 1,339 milhão à parceria com a Associação Comercial e Empresarial de Cruzeiro do Sul para estruturação e logística. Outro projeto, desenvolvido com o Sebrae, teve orçamento de R$ 250,3 mil para ações de estímulo à economia local, com participação financeira da Prefeitura e da entidade.

Nos principais instrumentos financeiros da realização do festival não aparece aporte direto do Governo do Estado. A participação estadual ocorreu por meio de serviços públicos, com presença de instituições como Polícia Militar e Corpo de Bombeiros na estrutura de segurança e apoio ao evento. Na prática, a condução administrativa, econômica e política da festa permaneceu concentrada no município e nos parceiros mobilizados pela Prefeitura.

Esse cenário amplia o peso político do Festival da Farinha. Diferentemente de uma programação sustentada pela estrutura financeira do governo estadual, Cruzeiro do Sul mostrou capacidade própria de organizar um evento de grande porte, contratar atrações nacionais, reunir produtores, comerciantes e empreendedores e levar dezenas de milhares de pessoas ao complexo em uma única noite.

A dimensão do público permite ainda uma comparação com a Expoacre 2026, em Rio Branco. Nas primeiras sete noites da feira estadual, a movimentação diária variou entre aproximadamente 34 mil e 51 mil visitantes. Os 40 mil registrados apenas no encerramento do Festival da Farinha colocam a festa de Cruzeiro do Sul dentro da mesma faixa de público diário alcançada pela maior feira organizada pelo Governo do Estado.

A comparação, porém, precisa considerar as proporções. A Expoacre teve programação mais longa e reuniu centenas de milhares de visitantes no acumulado das noites, número superior ao Festival da Farinha. O dado relevante para Cruzeiro do Sul está na capacidade de uma festa municipal realizada no interior alcançar, em uma única noite, movimento semelhante ao registrado em diferentes dias do principal evento estadual.

O impacto também vai além da quantidade de pessoas diante do palco. O Festival da Farinha foi estruturado para colocar produtores rurais, agricultores familiares, restaurantes, vendedores, artesãos, cooperativas e pequenos empresários no centro da programação. Hotéis, transporte, alimentação e comércio também recebem o fluxo gerado durante os dias de festa.

Na edição anterior, o festival movimentou quase R$ 3 milhões. O balanço financeiro de 2026 ainda não foi divulgado, mas o crescimento da estrutura, a participação de mais de 200 expositores e o público registrado reforçam a expectativa de nova movimentação expressiva na economia de Cruzeiro do Sul.

O componente social e cultural também ganhou espaço. A farinha, um dos produtos mais associados à identidade econômica do município, deixou de ser apenas elemento de exposição para funcionar como eixo de uma programação que conecta agricultores e consumidores. Durante a edição deste ano, o modo de fazer farinha também passou a integrar o patrimônio histórico e cultural de Cruzeiro do Sul.

A última noite teve como principal atração a cantora Klessinha, conhecida pelo repertório de romantismo e sofrência. Em sua primeira apresentação no município, ela levou ao palco músicas como “Quando Você Some”, “Sem Explicação” e “O Que É Amor Pra Você”.

“Estou muito feliz de estar aqui pela primeira vez. Espero que seja a primeira de muitas”, afirmou a cantora.

Klessinha também apresentou músicas do projeto “Sem Tirar de Dentro”, que reúne sucessos conhecidos pelo público e composições autorais. “Eu escolhi músicas a dedo, músicas que marcaram gerações e também músicas autorais. Reuni todas essas músicas de grande sucesso e coloquei no projeto. Isso fez com que a galera realmente cantasse do começo ao fim”, disse.

Para Zequinha Lima, o encerramento consolidou a dimensão alcançada pela edição de 2026. “Klessinha fecha o Festival da Farinha 2026 com chave de ouro”, afirmou o prefeito.

Com 40 mil pessoas apenas na última noite, o Festival da Farinha encerrou a edição deixando um resultado que ultrapassa o entretenimento. A festa reforçou a capacidade de mobilização da Prefeitura, abriu espaço para a produção rural e os pequenos negócios e colocou Cruzeiro do Sul em um patamar de público que, em escala diária, se aproxima dos números registrados pela Expoacre na capital. No cenário político, econômico e social do Acre, o evento amplia o protagonismo do município e da gestão responsável por sua realização.