Sem prazo para retirar escombros, ribeirinhos se arriscam no Rio Iaco após queda de ponte em Sena Madureira

Nove dias depois do desabamento de cerca de 60% da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, os escombros continuam no leito do Rio Iaco e mantêm a navegação bloqueada, enquanto moradores e ribeirinhos seguem se arriscando para atravessar o trecho. Neste domingo, 14, um vídeo mostrou um condutor com a embarcação presa entre ferragens e blocos de concreto submersos. Até agora, governo, Justiça e construtora avançaram em perícias, ações judiciais e medidas emergenciais de travessia, mas ainda não apresentaram uma data para a retirada do material do rio.

A pressão da população cresceu ao longo da semana. No dia 8, moradores foram flagrados conduzindo uma canoa por cima dos escombros, apesar da interdição da área. Neste domingo, outra publicação mostrou ribeirinhos tentando abrir passagem no rio por conta própria, usando ferramentas para cortar obstáculos e liberar a circulação. As cenas expõem o tamanho do impasse: sem desobstrução oficial, parte da população tenta criar rotas improvisadas em uma área que segue com risco de novos acidentes.

Os relatos de prejuízo se acumulam. Ribeirinhos dizem que embarcações seguem presas desde a sexta-feira do desabamento, que tentativas de travessia fracassaram por causa dos destroços e que a interrupção afeta transporte de cargas, compra e venda de gado, pesca e deslocamentos entre propriedades rurais e a cidade. Moradores afirmam que a retirada dos escombros poderia devolver ao menos parte da passagem pelo rio, hoje inviável para quem depende da navegação como único meio de acesso.

A resposta do Estado ficou concentrada, até aqui, em contenção de danos e apuração. Logo após o colapso, o Corpo de Bombeiros suspendeu totalmente a navegação no trecho do Rio Iaco e o governo informou que iniciaria estudos para definir a operação de retirada dos escombros. No dia 9, o Deracre contratou uma catraia para travessia emergencial entre o Segundo Distrito e o centro de Sena Madureira, com funcionamento das 6h às 21h. Neste domingo, porém, a presidente do órgão, Sula Ximenes, afirmou que os destroços ainda não podem ser removidos porque o local precisa passar por perícia técnica, sob o argumento de que mexer na estrutura agora comprometeria a investigação.

O caso também entrou de vez na esfera judicial. O Ministério Público do Acre abriu procedimento para apurar se houve falhas de projeto, execução, fiscalização ou uso de material inadequado. Na sexta-feira, 12, a Justiça do Acre determinou o arresto de bens da Construtora Cidade até o limite de R$ 36 milhões, mandou o Deracre apresentar em 15 dias um cronograma emergencial para a Estrada Mário Lobão e ordenou a disponibilização de uma balsa gratuita no mesmo prazo. Também deu 30 dias para que Estado e empresa apresentem um plano conjunto com cronograma de reparação, desobstrução e reconstrução da ponte.

A construtora sustenta que a queda foi provocada pelo fenômeno de terras caídas e afirma ter recomendado a interdição total da estrutura no dia 4, antes do desabamento. Um dos sócios da empresa disse ainda que o risco geológico na região era conhecido, embora, segundo ele, fosse impossível prever o ponto exato e o momento do colapso. A tese, porém, passou a enfrentar resistência também no processo: a decisão judicial destacou que estudos anteriores do Serviço Geológico do Brasil já apontavam risco elevado de erosão fluvial na área, o que enfraquece, em análise inicial, a versão de um evento natural imprevisível.

Sem acordo entre Estado e construtora em audiência de conciliação realizada em 11 de junho, o processo segue aberto e a solução prática continua distante. No mesmo dia, moradores do Segundo Distrito bloquearam a BR-364 para cobrar respostas concretas sobre travessia, reconstrução da ponte, melhorias no porto da catraia e recuperação da Estrada Mário Lobão. Enquanto isso, o rio segue obstruído, a travessia continua improvisada e quem depende da água para viver trabalha sob o risco de ficar preso ou de não conseguir passar.

MP do Acre abre investigação sobre desabamento da Ponte Frei Paolino, obra de R$ 36 milhões em Sena Madureira

O Ministério Público do Acre abriu investigação para apurar as causas do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, e verificar possíveis responsabilidades pela queda da estrutura, inaugurada em dezembro de 2023 com investimento de R$ 36 milhões durante o governo Gladson Cameli. O colapso ocorreu na noite de sexta-feira, 5 de junho, e deixou quatro feridos.

A apuração está sob responsabilidade da Promotoria de Justiça Cível e Criminal de Sena Madureira. Entre as primeiras medidas, foram determinadas perícia técnica, vistorias especializadas e a coleta de documentos e informações de órgãos públicos e empresas ligadas à obra. O trabalho também envolve as áreas criminal e de defesa do patrimônio público.

Entregue pelo governo do Acre em 19 de dezembro de 2023, a ponte passou a ligar o Primeiro e o Segundo Distrito de Sena Madureira, com 232 metros de extensão. A estrutura foi apresentada como uma obra estratégica para atender moradores da região e reduzir o isolamento da área durante o inverno amazônico.

Após o desabamento, o governo estadual informou que a ponte estava interditada preventivamente desde o dia anterior e que equipes técnicas acompanhavam a situação. Com a queda da estrutura, foi montada uma força-tarefa com bombeiros, Samu, Defesa Civil e equipes de saúde para atender as vítimas e investigar o que provocou o colapso.

O caso agora entra na esfera formal de investigação, com foco na execução da obra, nas condições estruturais da ponte e em possíveis falhas que possam ter contribuído para o desabamento. A apuração deve apontar se houve responsabilidade administrativa, civil ou criminal.

Foto: Figueroa Xavier https://www.instagram.com/figueroaxavier?igsh=MWtqdDM0MzI1N3RnMA==

Ponte Frei Paolino desaba em Sena Madureira e deixa quatro feridos; dois serão transferidos para Rio Branco

A Ponte Frei Paolino Baldassari, no Segundo Distrito de Sena Madureira, desabou no começo da noite desta sexta-feira (5) e deixou quatro pessoas feridas. A estrutura já estava interditada desde quinta-feira (4), após avaliação técnica apontar risco na área da travessia por causa do avanço das “terras caídas” nas margens do Rio Iaco.

Os feridos foram resgatados por equipes de saúde e do Corpo de Bombeiros e levados ao Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira. O boletim mais recente aponta dois pacientes em estado mais grave, com necessidade de transferência para Rio Branco.

Edinaldo Muniz, de 54 anos, está em estado grave, com traumatismo craniano, trauma interno abdominal e renal. Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, está em estado considerado gravíssimo, com fratura no fêmur, pupilas dilatadas e encaminhamento para sala vermelha. Os dois devem ser transferidos para a capital.

Ednei Muniz, de 51 anos, está estável, com fratura causada por trauma. Weverton Murieta, de 34 anos, também está estável, com escoriações e pequenos ferimentos.

Após o desabamento, o Estado enviou equipes da Secretaria de Assistência Social para apoiar os feridos e a comunidade. O Samu deslocou ambulâncias, médicos, enfermeiros e socorristas para o município. Equipes do Samu do Bujari e de Manoel Urbano também foram acionadas para reforçar o atendimento.

O Centro Integrado de Operações Aéreas colocou aeronaves à disposição para transporte de feridos que precisem de atendimento especializado. Uma ambulância de suporte avançado também saiu de Rio Branco para auxiliar na transferência dos pacientes graves.

A governadora Mailza Assis se deslocou para Sena Madureira para acompanhar a situação. O efetivo policial no município será reforçado, e técnicos do Deracre e da empresa responsável pela obra também foram enviados ao local. O Corpo de Bombeiros continua na área para prestar socorro e realizar buscas.

A primeira nota oficial após a queda confirmou o desabamento da ponte e o resgate de quatro pessoas que estavam nas proximidades da estrutura. O comunicado afirmou que a ponte havia sido interditada por precaução desde a quinta-feira para evitar uma emergência maior e que novas informações seriam divulgadas conforme a atualização dos órgãos responsáveis pelo atendimento.

A Ponte Frei Paolino Baldassari era a principal ligação entre o Centro de Sena Madureira e o Segundo Distrito. Inaugurada no fim de 2023, a estrutura tinha cerca de 232 metros de extensão e foi construída para reduzir a dependência da travessia por catraias e do deslocamento mais longo pela BR-364.