Cruzeiro do Sul acelera pavimentação após aplicar 180 toneladas de asfalto

Cruzeiro do Sul acelerou os serviços de pavimentação e recuperação viária nesta semana após aplicar mais de 180 toneladas de asfalto em ruas da cidade. A prefeitura ampliou as frentes de trabalho em áreas urbanas e rurais com o objetivo de melhorar a trafegabilidade, recuperar trechos danificados e manter o cronograma de obras de infraestrutura no município.

Entre os pontos atendidos, uma das frentes avançou no bairro Saboeiro, na Rua Coronel Cavalcante, onde as equipes executaram serviços de drenagem, retirada de material comprometido e aplicação de asfalto. A intervenção busca melhorar o acesso dos moradores e reduzir os problemas provocados pelo desgaste da via.

Além da pavimentação urbana, o município também concentrou esforços em ramais e sistemas de abastecimento. No Ramal do Estirão do Remanso, houve raspagem e melhorias nas condições de circulação. No Ramal da Onça, foi feita a troca do reservatório de água. Já no Ramal do Pentecostes, as equipes atuaram na recuperação da rede de abastecimento e em novas ligações domiciliares.

A estrutura para manter os trabalhos nos próximos dias também foi reforçada com a chegada de mais de 800 toneladas de Cimento Asfáltico de Petróleo, material usado na produção do asfalto. A carga deve garantir continuidade ao cronograma da prefeitura e ampliar a capacidade de atendimento das equipes nas próximas etapas das obras.

A ofensiva na infraestrutura ocorre em meio à demanda por melhoria das ruas e acessos em diferentes regiões da cidade. Com a ampliação do volume de material disponível e a abertura de novas frentes, a prefeitura aposta na continuidade das intervenções para avançar na recuperação viária e nos serviços urbanos.

PEC que amplia autonomia do Banco Central é alvo de críticas de economistas no Senado

A PEC 65/2023, em tramitação no Senado, passou a ser alvo de um manifesto assinado por economistas que veem na proposta de autonomia financeira e orçamentária do Banco Central um risco de enfraquecimento do controle público sobre a autoridade monetária, maior influência do sistema financeiro sobre a instituição e estímulo à manutenção de juros elevados no país. O texto ganhou força na semana em que a proposta voltou ao centro do debate na Comissão de Constituição e Justiça.

Os críticos afirmam que a mudança amplia a distância entre o Banco Central e os mecanismos de fiscalização do Estado, como Congresso, Tribunal de Contas da União e Poder Executivo, sem eliminar a influência do mercado sobre a instituição responsável por regular e supervisionar o sistema financeiro. No manifesto, o grupo sustenta que a proposta cria uma “independência seletiva”, ao reduzir freios institucionais e manter abertos os canais de pressão do setor privado sobre o BC.

Um dos pontos centrais da crítica é a possibilidade de o Banco Central passar a reter recursos da chamada senhoriagem, receita gerada pela emissão de moeda. Para os signatários, a mudança criaria conflito de interesses ao permitir que a própria autoridade monetária seja beneficiada por condições macroeconômicas que deveria administrar em nome do interesse público. Eles também afirmam que a transferência dessa receita para o BC deixaria de aliviar a dívida pública, hoje parcialmente abatida com recursos que entram no caixa da União.

O manifesto também contesta o argumento de que a proposta segue padrões internacionais. Segundo os economistas, nenhum dos principais bancos centrais do mundo combina autonomia financeira, isenção orçamentária e blindagem parlamentar nos termos previstos pela PEC. Entre os signatários estão Luiz Carlos Bresser-Pereira, Luiz Gonzaga Belluzzo, Pedro Paulo Bastos, Leda Paulani, Paulo Nogueira Batista Jr. e outros professores e especialistas ligados a universidades e centros de pesquisa.

Do outro lado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem defendido a aprovação da proposta sob o argumento de que a instituição opera no limite da capacidade, com falta de pessoal e de recursos para fiscalização, regulação e investimento em tecnologia. Em abril, ele pediu apoio do Senado para a PEC e afirmou que o BC precisa de mais autonomia técnica, orçamentária e financeira para cumprir suas funções. Em 20 de maio, a votação na CCJ foi adiada após pedido de vista coletivo, mas o tema continuou na pauta política e econômica nas semanas seguintes.

A discussão ocorre num momento em que a autonomia do Banco Central, aprovada em 2021 na esfera administrativa e operacional, volta ao centro da disputa sobre quem controla os instrumentos da política monetária e quais limites devem ser impostos a uma instituição que tem influência direta sobre inflação, crédito, supervisão bancária e dívida pública.

Líderes rurais cobram ramais e saúde na Transacreana, e Alysson promete ampliar presença da prefeitura

Melhorias em ramais, acesso à saúde, apoio à produção e mais presença do poder público nas comunidades mais distantes marcaram a reunião entre o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, e lideranças rurais da Transacreana neste sábado. Ao ouvir as reivindicações, o gestor afirmou que a prefeitura pretende ampliar a atuação na região e acompanhar de perto as necessidades apresentadas pelos moradores.

O encontro reuniu líderes comunitários, presidentes de ramais e produtores rurais, que relataram dificuldades antigas enfrentadas por famílias da zona rural. Entre os principais pontos levados ao prefeito estavam as condições de acesso, a necessidade de suporte à produção rural e a oferta de serviços básicos em áreas mais afastadas de Rio Branco.

Durante a agenda, Alysson afirmou que a escuta direta das comunidades é necessária para identificar os problemas mais urgentes e dar encaminhamento às demandas. O prefeito também destacou o peso da Transacreana para a economia do município e disse que a presença da administração precisa ir além de visitas pontuais, com ações voltadas ao desenvolvimento da zona rural.

As lideranças aproveitaram a reunião para reforçar cobranças sobre localidades que, segundo elas, seguem com atendimento insuficiente do poder público. Entre os relatos, apareceram dificuldades em trechos de ramais e queixas sobre o acesso a serviços de saúde, especialmente em pontos mais distantes.

Para os representantes das comunidades, a visita abre espaço para uma relação mais direta com a prefeitura e ajuda a transformar reclamações antigas em pautas concretas de trabalho. A avaliação é que a presença do prefeito no local aproxima a gestão da realidade de quem vive e produz na Transacreana.

Depois da reunião, Alysson participou de um café da manhã com moradores e acompanhou a 15ª Cavalgada da Transacreana, evento tradicional da região que reuniu produtores, famílias e representantes comunitários.

Governo não está isento de fiscalizar: um relato da verdade sobre a ponte que desabou

Por Daniel Sant’Ana*

Há uma questão na Nota Oficial do Estado sobre o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, ocorrido na noite desta sexta-feira (05/06), em Sena Madureira-AC, que não pode passar em branco.

De fato, no regime de contratação integrada, a responsabilidade da empresa contratada recai tanto sobre a execução da obra quanto sobre a elaboração dos projetos. Ainda assim, o Estado mantém sua responsabilidade de fiscalização sobre a qualidade, tanto do projeto quanto de sua execução, bem como também pelo recebimento da obra.

Também é certo que há circunstâncias excludentes de responsabilidade do Estado: (1) culpa exclusiva da vítima; (2) fato de terceiro; (3) caso fortuito ou força maior. Esses últimos se constituem de ações humanas cuja consequência não poderia ser evitada pelo Estado e de eventos imprevisíveis ou inevitáveis decorrentes de forças da natureza (ex: enchentes, terremotos, raios).

No presente caso, o Estado pode alegar exatamente isso: que o desabamento ocorreu em decorrência do movimento de terras resultante das sucessivas enchentes e secas do rio e, portanto, em razão de força maior; e que os ferimentos causados às pessoas decorreu de culpa exclusiva das vítimas, já que elas estavam em local de acesso proibido, pois já havia sido feita a interdição, o que excluiria a responsabilidade estatal.

Ocorre que as questões acima se referem à responsabilidade civil do Estado, para efeito de indenização por danos causados a terceiros em razão de ações ou omissões estatais. Só que aqui estamos falando também de responsabilidade política, por ações, omissões e escolhas equivocadas dos gestores da ocasião.

E, mesmo que o debate fosse apenas jurídico, a realidade não é bem essa das hipóteses acima descritas: o desabamento não teria ocorrido, em tese, como consequência direta e imediata de uma enchente (força maior), mas sim de suas consequências posteriores não imediatas, que demandam tempo para se concretizar. Ou seja: a enchente e o que acontece no momento de sua ocorrência pode até ser imprevisível, mas, suas consequências posteriores não imediatas, após reiteradas ocorrências, não são. Do contrário, todas as pontes da região do Iaco-Purus (e são muitas) já teriam desabado, pois todas sofrem com a ação da erosão decorrente dos movimentos de terra que resultam do fenômeno das cheias e secas dos rios ao longo dos anos.

O que ocorreu, no presente caso, foi a chamada culpa in vigilando. Trata-se da responsabilidade de uma pessoa ou entidade por danos causados por terceiros, decorrente de falha no dever de vigilância ou fiscalização. Não questiono os motivos do colapso estrutural da ponte, até porque ainda não está provado que ele tenha ocorrido, de fato, em razão dos movimentos de terra decorrentes das cheias e secas do rio, o que vai demandar perícia técnica. Mas, uma vez comprovada tal hipótese inicialmente alegada, monitorar os efeitos destes movimentos, assim como prevê-los quando da elaboração do projeto, execução da obra e após a sua entrega faz parte do “dever de vigiar” do Estado.

Fato é que a nota do Governo tenta “normalizar” algo evidente: uma obra mal projetada e mal executada, implantada em local impróprio, sobre a qual o Estado falhou no seu dever de fiscalização. Tentar transferir a responsabilidade integralmente à empresa apenas em razão do regime de contratação integrada é, no mínimo, uma desfaçatez. Ao assim agir, Governo e Estado deixam transparecer que buscam, de forma açodada, um duplo “salvo conduto”, tanto para o debate político, em razão das eleições vindouras, quanto para o debate jurídico, em função das possíveis ações indenizatórias que serão ajuizadas pelas vítimas em um futuro próximo.

*Doutor (UnB) em Direito e Mestre (UFSC) em Relações Internacionais. Professor do Curso de Direito da UFAC com atuação em Direito Administrativo, Direito Internacional e Sociologia do Direito. Ex-diretor-presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, ex-secretário Estadual de Educação e ex-deputado estadual pelo PT do Acre.

Foto: Gleison Junior / Orna Audiovisual

URGENTE – Jorge Viana anuncia ida com ministro a Sena Madureira após queda de ponte e cobra solução para travessia

Jorge Viana anunciou que estará em Sena Madureira no próximo dia 15 ao lado do ministro dos Transportes, Renan Filho, para discutir uma resposta à queda da ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco. Em vídeo divulgado após o desabamento da estrutura, ele prestou solidariedade às famílias atingidas, disse que procurou o Ministério dos Transportes e afirmou que a visita terá conversas com autoridades e moradores para definir uma saída para a cidade, que perdeu a principal ligação entre o Primeiro e o Segundo Distrito.

“A minha palavra é a primeira de conforto para os irmãos de Sena Madureira que viveram essa tragédia”, disse Jorge Viana. Na mesma fala, ele citou as famílias atingidas e afirmou que o momento exige apoio imediato. “Procurei o Ministério do Transporte porque o presidente Lula sempre é solidário com o Acre. Falei com o ministro dos Transportes e no próximo dia quinze nós vamos estar lá em Sena Madureira. Eu vou estar junto com o ministro Transporte, falando com as autoridades, falando com a comunidade de Sena, para ajudar na solução.”

A queda da ponte interrompeu uma estrutura inaugurada em dezembro de 2023 para encerrar um problema histórico de mobilidade em Sena Madureira. Antes da obra, moradores do Segundo Distrito dependiam de embarcações para atravessar o Rio Iaco ou precisavam fazer deslocamentos mais longos pela BR-364. A ponte passou a ser apresentada como uma ligação definitiva entre as duas partes da cidade, com impacto direto na circulação de moradores, estudantes, trabalhadores e serviços.

A entrada de Jorge Viana no caso ocorre num momento em que Sena Madureira enfrenta uma crise concreta de mobilidade, e não apenas uma disputa política sobre a obra que caiu. A cidade já convive com outra frente sensível na infraestrutura rodoviária: a ponte sobre o Rio Caeté, na BR-364, está em obras de reforço estrutural sob responsabilidade do DNIT, com operação provisória para manter a passagem. Com a ponte sobre o Rio Iaco fora de uso, o debate sobre acessos, travessias e segurança das estruturas passou a envolver ao mesmo tempo o governo do Estado, o Ministério dos Transportes e o DNIT no Acre.

No vídeo, Jorge Viana também fez uma distinção entre a busca por ajuda e a responsabilidade pela obra. “É ajudar, mesmo sabendo que essa obra é de cem por cento de responsabilidade do governo do Estado”, afirmou. A fala combina solidariedade às vítimas com a tentativa de encaminhar uma resposta institucional para a cidade, ao colocar a agenda federal como parte da solução para restabelecer a travessia e reduzir o impacto sobre a rotina de Sena Madureira.

Ao final, ele defendeu que o Acre volte a priorizar obras bem executadas e menos confronto político. “O povo acreano não está interessado em direita, esquerda, briga ideológica. Ele está interessado que as coisas no Acre voltem a ser feita e bem feitas”, disse.

MP do Acre abre investigação sobre desabamento da Ponte Frei Paolino, obra de R$ 36 milhões em Sena Madureira

O Ministério Público do Acre abriu investigação para apurar as causas do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, e verificar possíveis responsabilidades pela queda da estrutura, inaugurada em dezembro de 2023 com investimento de R$ 36 milhões durante o governo Gladson Cameli. O colapso ocorreu na noite de sexta-feira, 5 de junho, e deixou quatro feridos.

A apuração está sob responsabilidade da Promotoria de Justiça Cível e Criminal de Sena Madureira. Entre as primeiras medidas, foram determinadas perícia técnica, vistorias especializadas e a coleta de documentos e informações de órgãos públicos e empresas ligadas à obra. O trabalho também envolve as áreas criminal e de defesa do patrimônio público.

Entregue pelo governo do Acre em 19 de dezembro de 2023, a ponte passou a ligar o Primeiro e o Segundo Distrito de Sena Madureira, com 232 metros de extensão. A estrutura foi apresentada como uma obra estratégica para atender moradores da região e reduzir o isolamento da área durante o inverno amazônico.

Após o desabamento, o governo estadual informou que a ponte estava interditada preventivamente desde o dia anterior e que equipes técnicas acompanhavam a situação. Com a queda da estrutura, foi montada uma força-tarefa com bombeiros, Samu, Defesa Civil e equipes de saúde para atender as vítimas e investigar o que provocou o colapso.

O caso agora entra na esfera formal de investigação, com foco na execução da obra, nas condições estruturais da ponte e em possíveis falhas que possam ter contribuído para o desabamento. A apuração deve apontar se houve responsabilidade administrativa, civil ou criminal.

Foto: Figueroa Xavier https://www.instagram.com/figueroaxavier?igsh=MWtqdDM0MzI1N3RnMA==