Cesário Braga assume PT no Acre e prioriza campanha de Lula no segundo turno

Cesário Braga assumiu a presidência do Partido dos Trabalhadores (PT) no Acre e terá como primeira tarefa no comando da legenda organizar a mobilização estadual para o segundo turno da eleição presidencial. A mudança ocorre após a renúncia do vereador André Kamai e faz parte de um acordo construído entre as forças internas do partido durante o Processo de Eleições Diretas (PED).

Candidato a deputado estadual no primeiro turno, Cesário não conseguiu uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Encerrada a disputa proporcional, ele passa a comandar a estratégia petista no estado na reta final da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Cesário afirmou que o partido não pretende abrir agora uma discussão sobre o desempenho obtido nas urnas. A avaliação das candidaturas, dos resultados e das estratégias utilizadas durante o primeiro turno deverá ficar para depois da disputa presidencial.

“O momento não é de fazer avaliações. Elas devem ser feitas na hora oportuna, com serenidade e responsabilidade. Agora, nossa meta é ajudar o presidente Lula nessa disputa”, afirmou Cesário.

A orientação da nova direção é concentrar os esforços na campanha presidencial e reunir dirigentes, candidatos, militantes e apoiadores para as atividades do segundo turno. A direção estadual deverá definir nos próximos dias uma agenda de mobilizações e ações de campanha no Acre.

“A eleição ainda não terminou. Temos uma nova etapa pela frente e precisamos estar concentrados nela. Vamos organizar o partido, dialogar com a sociedade e fazer a nossa parte nessa disputa”, disse o novo presidente estadual.

Cesário assume o partido depois da saída de André Kamai, que apresentou carta de renúncia à Presidência do Diretório Regional. Kamai explicou que a mudança cumpre um acordo firmado durante o PED, pelo qual caberia a ele conduzir o PT acreano durante a preparação e o primeiro turno das eleições de 2026.

“Considero, portanto, cumprida a missão que me foi confiada e, honrando a palavra e o acordo firmado entre as forças partidárias no PED, deixo a Presidência do Diretório Regional”, declarou Kamai.

Ao deixar o cargo, Kamai apresentou um balanço do desempenho eleitoral do partido. Lula recebeu 134.770 votos no Acre no primeiro turno, enquanto Jorge Viana alcançou 124.063 votos na disputa pelo Senado.

Nas eleições proporcionais, os candidatos petistas somaram 17.950 votos nominais para deputado estadual e 23.499 para deputado federal. Incluídos os votos de legenda, o PT chegou a 21.681 votos para estadual e 25.006 para federal. Segundo os números apresentados pelo ex-presidente, houve crescimento de 20,6% na votação estadual e de 22,1% na federal em comparação com 2022.

O PT também respondeu pela maior parte da votação da Federação Brasil da Esperança no Acre. Na disputa para a Assembleia Legislativa, foram 21.681 votos petistas de um total de 32.281 obtidos pela federação, equivalente a 67,2%. Para a Câmara dos Deputados, o PT teve 25.006 dos 46.510 votos da federação, ou 53,8%.

A Federação Brasil da Esperança elegeu Edvaldo Magalhães para mais um mandato de deputado estadual e Perpétua Almeida para a Câmara dos Deputados.

Kamai permanecerá no Diretório Regional do PT e na Executiva Municipal da legenda em Rio Branco. Vereador da capital, ele também continuará como líder da bancada petista na Câmara Municipal e informou que seguirá atuando na campanha de Lula durante o segundo turno.

“Deixo a Presidência, mas não a direção nem as tarefas do partido”, afirmou.

André Kamai rebate presidente da Acisa e contesta previsão de falências com Lula

O vereador André Kamai (PT), presidente estadual do partido e candidato a deputado federal, criticou a presidente da Acisa, Patrícia Dossa, após ela afirmar que uma eventual reeleição de Lula poderia provocar o fechamento de empresas. A declaração ocorreu no domingo, 6 de setembro, durante um encontro de empresários com a governadora Mailza Assis, em Rio Branco. Patrícia também pediu votos ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência.

“Um discurso irresponsável, envelhecido e que não cola mais. Lula foi presidente por três vezes e em todas elas a classe empresarial só cresceu no Brasil. Aqui no Acre, o governo corrupto e incompetente que ela apoia encheu o Acre de empresas de outros estados e fez muita empresa daqui falir”, escreveu Kamai nas redes sociais.

Os resultados nacionais dos últimos anos oferecem um contraponto à previsão da dirigente. O PIB brasileiro cresceu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, quando chegou a R$ 12,7 trilhões. No trimestre encerrado em junho de 2026, o desemprego ficou em 5,4%, contra 5,8% um ano antes. O rendimento real médio dos trabalhadores alcançou R$ 3.738. A inflação, que havia fechado 2024 em 4,83%, recuou para 4,26% em 2025.

No Acre, as exportações chegaram a US$ 98,9 milhões em 2025, crescimento de aproximadamente 13% sobre o ano anterior e maior valor anual da série histórica. Carne bovina, carne suína, soja, castanha-do-brasil e madeira estiveram entre os principais produtos vendidos ao exterior. Entre janeiro e julho de 2026, o estado exportou US$ 72,95 milhões, alta de 12,3% em relação ao mesmo período de 2025.

A expansão envolve investimentos privados, políticas estaduais, abertura de mercados e ações federais de promoção comercial. Durante a gestão de Jorge Viana na ApexBrasil, entre 2023 e abril de 2026, o Acre recebeu iniciativas voltadas à aproximação de produtores e compradores estrangeiros. Em setembro de 2025, o Exporta Mais Amazônia reuniu em Rio Branco 76 empresas da Região Norte, sendo 44 acreanas, e 25 compradores de 18 países. As 337 reuniões comerciais produziram R$ 101,5 milhões em expectativas de negócios. O valor corresponde a negociações projetadas, não a exportações já realizadas.

A atuação da ApexBrasil incluiu cooperativas, frigoríficos e empresas de produtos florestais e da agricultura regional. O apoio à comercialização internacional não explica sozinho o crescimento das exportações, mas integra o conjunto de medidas que ampliou o acesso de produtores acreanos a novos mercados.