Três meses após queda, moradores usam escombros enquanto governo não define futuro de ponte em Sena Madureira
Três meses após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, moradores ainda aguardam uma definição sobre o futuro da estrutura e passaram a usar os próprios escombros para atravessar o Rio Iaco. Vídeos divulgados nesta quarta-feira (9) mostram pessoas caminhando sobre os restos da ponte para chegar ao Segundo Distrito, diante das dificuldades enfrentadas no transporte entre as duas margens.
A travessia improvisada ocorre enquanto não há uma solução definitiva anunciada para substituir a ponte, que desabou em 5 de junho. Moradores e estudantes enfrentam problemas para utilizar catraias e parte da população passou a caminhar sobre os destroços, mesmo com o risco de quedas e outros acidentes.
A situação se arrasta desde junho. A ponte havia sido interditada um dia antes do desabamento, depois que uma vistoria encontrou uma fenda na estrutura. Mesmo fechada ao tráfego, quatro pessoas estavam no local no momento da queda e ficaram feridas.
Entregue em dezembro de 2023, a Ponte Frei Paolino Baldassari tinha 232 metros de extensão e recebeu investimento de R$ 36 milhões em recursos públicos estaduais. A estrutura ligava diretamente o Primeiro ao Segundo Distrito de Sena Madureira e reduzia a dependência das catraias e de trajetos terrestres mais longos.
Após o desabamento, o governo do Acre adotou medidas judiciais para buscar a responsabilização da empresa responsável pela construção e mobilizou órgãos estaduais para atender as vítimas e restringir o acesso à área. Passados três meses, porém, a população ainda não recebeu uma definição sobre a construção de uma nova ponte ou sobre uma solução definitiva para restabelecer a ligação.
Outro problema permanece sem conclusão: a perícia que deve ajudar a esclarecer as causas do colapso. No início de setembro, a Polícia Civil informou que o Estado ainda aguardava a contratação de profissionais e equipamentos necessários para realizar os exames. Os destroços também permaneciam no Rio Iaco.
Enquanto os procedimentos administrativos, judiciais e periciais avançam sem uma solução definitiva para a travessia, a rotina pesa sobre quem precisa chegar ao outro lado da cidade para estudar, trabalhar, transportar mercadorias ou acessar serviços. Com a ponte fora de operação, moradores voltaram a depender das catraias ou de percursos mais demorados.
Agora, as imagens de pessoas caminhando sobre os escombros expõem uma nova consequência do impasse. Até a divulgação do vídeo nesta quarta-feira, não havia sido apresentada uma medida definitiva para impedir que moradores recorressem aos restos da ponte como passagem sobre o rio.
Com informações de Extra do Acre