O jornalista Chico Melo questionou o clima de vitória antecipada na campanha da governadora Mailza Assis e afirmou que a adesão de lideranças não garante a transferência de votos no segundo turno contra Alan Rick. Durante conversa com Rogério Wenceslau no Jornal da Manhã, da Integração FM, na manhã desta segunda-feira, 12, os dois discutiram as mudanças de apoio, o comportamento do eleitor e a relação da candidatura com o governo de Gladson Cameli.
“O já ganhou é prejudicial em todos os sentidos”, afirmou Chico. Para ele, a campanha precisa distinguir o crescimento de sua articulação política da decisão que será tomada nas urnas. “Quem decide um processo eleitoral é sua majestade, o eleitor.”
Chico reconheceu que a campanha de Mailza ganhava volume, mas advertiu sobre o risco de tratar a votação de aliados como patrimônio disponível para transferência. Na avaliação dele, o apoio de uma liderança não significa que seus eleitores acompanharão a mesma escolha no segundo turno.
A movimentação do ex-prefeito Ilderlei Cordeiro entrou na discussão como exemplo. Chico relatou que ele havia acompanhado Alan Rick em agendas em Cruzeiro do Sul e, posteriormente, apareceu ao lado de Mailza. Wenceslau questionou o efeito eleitoral dessa aproximação e disse que receberia a declaração de apoio com ressalvas.
O debate avançou para os interesses envolvidos nas mudanças de lado. Os comentaristas criticaram adesões motivadas pela expectativa de participação no poder e questionaram a consistência de alianças construídas durante a disputa.
Ao comparar a campanha a uma embarcação que recebe novos passageiros, Chico recomendou cuidado com o peso político de cada adesão. Para ele, a entrada de aliados pode ampliar a estrutura da candidatura, mas também trazer desgastes e compromissos que precisam ser considerados.
“O eleitor não é bobo”, afirmou Chico. Segundo sua avaliação, o público percebe movimentações por conveniência, e esse comportamento pode produzir consequências diferentes das esperadas pelos responsáveis pelas articulações.
Wenceslau acrescentou que a disputa continuava aberta. Seu argumento considerou os eleitores que não compareceram no primeiro turno, os votos anulados e aqueles destinados a candidaturas que ficaram fora da segunda etapa. Para ele, esse conjunto impede que a vantagem inicial seja tratada como garantia de vitória. “Não tem eleição decidida”, disse.
O comentarista também recorreu ao desempenho de lideranças políticas no primeiro turno para questionar previsões baseadas apenas na estrutura das campanhas. Ao abordar Gladson Cameli e a atuação de Mara Rocha, argumentou que o eleitor pode contrariar expectativas e alterar a correlação de forças entre os grupos.
Chico retomou a discussão sobre a autonomia do voto. Para ele, nem o resultado anterior nem a quantidade de apoios anunciados autorizam uma candidatura a considerar o segundo turno resolvido. Os eleitores que permanecem sem manifestação pública, afirmou, podem ter participação decisiva no resultado.
A conversa também abordou o uso da religião na campanha. Os comentaristas questionaram discursos que apresentam a vitória como uma decisão previamente tomada por Deus e criticaram a associação entre exposição pública, apoio religioso e garantia de votos.
Outro eixo da análise foi a relação entre Mailza e Gladson. Wenceslau apresentou a candidatura da governadora como continuidade do grupo político que já administra o estado. Chico, por sua vez, contestou a tentativa de separar os meses de Mailza à frente do Executivo do restante do mandato para o qual ela foi eleita vice-governadora.
“A senhora está terminando o mandato, o restinho do mandato do governador Gladson Cameli”, afirmou Chico. Na avaliação dele, um mandato próprio, caso Mailza seja eleita, começaria em janeiro, mas a gestão atual integra o governo iniciado pela chapa da qual ela participou.
Na parte final, Chico cobrou respostas para problemas na saúde, na educação e na administração dos recursos públicos. A cobrança foi associada à responsabilidade do eleitor de avaliar a gestão e às consequências da escolha nas urnas.
Ao encerrar a análise, ele comparou a euforia de um grupo ao silêncio observado em outro e evitou tratar qualquer dos comportamentos como prova de vitória. “Tudo demais é veneno”, afirmou.