Mailza declara despesa de R$ 1 milhão com empresa de Minas Gerais

A campanha de Mailza Assis (PP) ao governo do Acre declarou à Justiça Eleitoral uma despesa de R$ 1 milhão com a Inteligência Digital e Produções Ltda., empresa sediada em Belo Horizonte, Minas Gerais. O valor representa 60,46% dos R$ 1,65 milhão registrados no ranking de fornecedores da candidatura no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Inteligência Digital e Produções está inscrita no CNPJ 23.978.663/0001-80 e foi aberta em janeiro de 2016. A atividade principal registrada é consultoria em publicidade. A empresa possui capital social de R$ 1,5 milhão e tem como sócios Paulo Augusto Rodrigues de Moura, que também exerce a função de administrador, e Felipe Lavareda Moura.

O contrato coloca a empresa na primeira posição entre os quatro fornecedores registrados pela campanha. Em segundo lugar aparece Cristopher Mariano Sociedade Individual de Advocacia, com R$ 500 mil, o equivalente a 30,23% do total.

Somadas, Inteligência Digital e Produções e Cristopher Mariano Sociedade Individual de Advocacia concentram R$ 1,5 milhão, ou 90,69% dos valores declarados no ranking.

Os outros fornecedores são Cipriani Importação e Exportação Ltda., com R$ 119.945, e Dlocal Brasil Instituição de Pagamento S.A., com R$ 34 mil. Os quatro registros totalizam R$ 1.653.945.

O ranking de fornecedores não detalha, isoladamente, os serviços relacionados a cada contratação nem permite concluir que todos os valores informados já foram efetivamente pagos, uma vez que a prestação de contas também pode reunir despesas contratadas ainda pendentes de quitação.

No campo das receitas, a candidatura registra R$ 3.557.000. Todo o valor informado até o momento tem origem na direção nacional do Progressistas. A despesa de R$ 1 milhão atribuída à Inteligência Digital e Produções corresponde a cerca de 28,1% do total recebido pela campanha.

Os dados refletem a prestação de contas disponível no sistema eleitoral no momento da consulta e podem sofrer alterações com a inclusão de novas receitas, despesas, pagamentos ou retificações durante a campanha.

Jorge Viana aparece no topo da pesquisa espontânea para o Senado no Acre

O ex-senador Jorge Viana (PT) aparece no topo da pesquisa espontânea para o Senado no Acre divulgada neste domingo (6) pelo Instituto Travessia. Ele tem 14% das citações, mesmo percentual do ex-governador Gladson Cameli. Marcio Bittar (PL) vem logo atrás, com 13%, em um cenário de disputa apertada pelas duas vagas em jogo nas eleições de outubro.

Na pesquisa espontânea, os entrevistados respondem em quem pretendem votar sem receber previamente uma lista com os nomes dos candidatos. O resultado mede a lembrança dos postulantes entre os eleitores e coloca Jorge Viana entre os nomes mais presentes na memória do eleitorado acreano.

Mara Rocha aparece na sequência, com 10%. Sérgio Petecão tem 4%, Eduardo Velloso registra 2% e outros nomes somam 1%. Os votos brancos e nulos chegam a 14%, enquanto 28% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar.

O levantamento também testou o cenário estimulado, no qual os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados. Nesse recorte, Gladson Cameli tem 38%, Jorge Viana aparece com 34% e Marcio Bittar registra 33%. Com margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, os três estão tecnicamente empatados.

Mara Rocha soma 24% na estimulada, seguida por Sérgio Petecão, com 15%, e Eduardo Velloso, com 11%. Júnior Feitosa e Inácio Moreira aparecem com 2% cada. Brancos e nulos representam 25%, enquanto 16% não souberam responder.

A pesquisa ouviu 800 eleitores por telefone entre os dias 3 e 5 de setembro. O levantamento tem nível de confiança de 95%, margem de erro de 3,5 pontos percentuais e foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número AC-07900/2026.

Zequinha Lima critica suposta pressão sobre servidores por voto e cobra apuração no Acre

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, criticou nesta quarta-feira (2) supostas pressões sobre servidores públicos para declarar apoio ou votar em determinados candidatos no Acre. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito afirmou que funcionários devem ter liberdade de escolha e defendeu a apuração de eventuais casos de constrangimento político.

“O que eu estou vendo nesse estado eu nunca vi”, afirmou Zequinha durante a gravação. O prefeito disse ter recebido informações de que setores da administração estadual estariam fazendo cadastros para identificar a preferência eleitoral de servidores.

“Tem secretarias do governo do Estado que estão fazendo modelo de cadastro para saber até onde a pessoa vota. Funcionário público tem que ter liberdade para votar em quem quer”, declarou.

Zequinha também criticou qualquer tentativa de chefias ou secretários de interferir na decisão eleitoral de servidores. “Não é secretário nesse setor que vai obrigar ninguém a votar. Ninguém. A gente tem que votar pelas nossas convicções”, disse.

Durante a fala, o prefeito afirmou conhecer pessoas nomeadas no governo estadual que apoiam candidaturas diferentes das defendidas por integrantes da própria administração. Ele citou, inclusive, servidores que, segundo ele, pretendem votar no número 10.

Zequinha pediu que aliados não adotem práticas de pressão em busca de apoio eleitoral. “Secretário, não faça. A gente precisa conquistar as pessoas pela amizade, pela convivência, não pela força”, afirmou.

Na publicação que acompanhou o vídeo, o prefeito voltou a tratar do assunto e cobrou investigação caso existam servidores sendo pressionados. “Se houver servidores públicos sendo pressionados, constrangidos ou obrigados a votar em determinado candidato, isso precisa ser apurado e denunciado”, escreveu.

A manifestação ocorreu em meio à movimentação política no Acre e ao posicionamento de Zequinha em apoio a Alan Rick. No vídeo, o prefeito defendeu que votos sejam conquistados pela relação política e pessoal com o eleitor, sem imposições dentro da administração pública.

“Meu voto é consequência”, afirmou Zequinha ao encerrar a fala.

Eduardo Velloso defende centros cirúrgicos nos 22 municípios e fim da escala 6×1

O candidato ao Senado Eduardo Velloso defendeu a implantação de centros cirúrgicos nos 22 municípios do Acre, a valorização dos profissionais de saúde e o fim da escala de trabalho 6×1 durante sabatina realizada na noite de segunda-feira (31), em Rio Branco. Na entrevista, ele também apresentou propostas para habitação, infraestrutura e atuação parlamentar.

Na área da saúde, Velloso afirmou que pretende ampliar a capacidade de atendimento no interior para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes até a capital. A proposta prevê centros cirúrgicos adaptados à estrutura e à demanda de cada município.

O candidato também defendeu a criação de um plano de cargos e carreira para médicos e outros profissionais da saúde como forma de estimular a permanência de trabalhadores no interior do estado. “A saúde como um todo merece um avanço, merece um plano de cargos e carreira, sim”, afirmou.

Na habitação, Velloso citou articulações feitas junto ao Ministério das Cidades para viabilizar projetos do Minha Casa, Minha Vida no Acre. Ele afirmou ter contribuído para o direcionamento de 150 unidades habitacionais a municípios do interior e disse que pretende manter diálogo com o governo federal, independentemente de quem estiver no comando do Executivo.

“Eu estou lá para representar você, para dialogar”, declarou ao defender uma relação institucional entre o mandato parlamentar e o governo federal.

A jornada de trabalho também entrou na sabatina. Velloso se posicionou contra a escala 6×1 e favorável ao modelo 5×2, com um período de transição para trabalhadores e empresas. Para o candidato, a mudança pode ampliar o tempo destinado ao descanso e à convivência familiar sem comprometer necessariamente a produtividade.

“Eu sou contra a escala 6×1”, afirmou.

Velloso também respondeu a perguntas sobre fundo partidário, emendas parlamentares e alianças políticas. Ao tratar da atuação no Congresso Nacional, disse que não pretende seguir automaticamente orientações partidárias e que as decisões do mandato devem considerar os interesses do Acre.

O candidato relacionou parte das propostas à experiência como médico e deputado federal. Segundo ele, a decisão de disputar uma vaga no Senado foi tomada após viagens pelos municípios acreanos e conversas com moradores, especialmente sobre dificuldades enfrentadas na saúde pública.

“Eu decidi escutar a população. Houve um chamado para que eu fizesse mais do que o mandato de deputado proporciona, as pessoas pediam por mais ações na saúde, que no Senado podem ser feitas”, afirmou.

Jorge Viana e Thor Dantas lançam campanhas em Xapuri e criticam gestão do Acre

Xapuri recebeu o lançamento das campanhas de Jorge Viana ao Senado e de Thor Dantas e Socorro Rodrigues ao Governo do Acre pela Frente Ampla pelo Acre, formada por PSB, PT, PCdoB, PV e Podemos. O ato reuniu candidatos, lideranças políticas e apoiadores no município ligado à história da Revolução Acreana e à trajetória do seringueiro e ambientalista Chico Mendes.

Durante o evento, Jorge Viana afirmou que decidiu voltar a disputar um mandato eletivo por considerar que o Acre perdeu avanços nos últimos oito anos. Ex-governador do estado, ele disse que pretende usar uma eventual passagem pelo Senado para defender projetos e investimentos destinados ao Acre.

“Estou nesse processo para ver se a gente começa a fazer o Acre dar certo de novo”, afirmou. Para Viana, o estado “andou para trás” nos últimos anos e precisa iniciar um novo ciclo de desenvolvimento.

O candidato também relacionou a disputa estadual à eleição nacional e citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viana afirmou que considera provável que esta seja a última campanha presidencial de Lula e defendeu a continuidade do atual grupo político no comando do país.

Durante o discurso, Viana disse estar percorrendo municípios acreanos e afirmou que a receptividade encontrada nas agendas aumentou sua disposição para a campanha.

“Estou andando pelos municípios, ouvindo muito, abraçando as pessoas todos os dias. Nunca estive tão animado para uma eleição, porque estou sentindo a confiança das pessoas. Estou vendo que as coisas estão acontecendo e estou me oferecendo para ajudar o Acre. Se vocês quiserem, vou estar no Senado para defender e ajudar o Acre”, declarou.

Ao falar sobre Xapuri, o ex-governador relembrou projetos implantados no município durante suas gestões, entre eles unidades voltadas à produção de preservativos, pisos de madeira, móveis e beneficiamento de castanha. Viana afirmou que parte dessas estruturas deixou de funcionar nos últimos anos e prometeu trabalhar pela retomada das atividades.

“Xapuri prosperou. Agora, tudo o que nós fizemos está fechado. Vamos reabrir essas fábricas”, disse.

Viana também citou o ex-prefeito de Xapuri Bira Vasconcelos, que integra sua chapa como primeiro suplente ao Senado. O encontro contou ainda com a participação de antigos militantes e lideranças políticas, entre eles Raimundão Mendes e Osmar Facundo.

Também participaram candidatos a deputado federal, como Neidinha, André Kamai, Virgílio Viana e Márcio Alécio, além de candidatos à Assembleia Legislativa, entre eles Padre Antônio, Edu, Cesário, Iwly e Joãozinho. Virgílio Viana, sobrinho de Jorge Viana e filho do ex-governador Tião Viana, discursou durante o ato.

Candidato ao Governo do Acre, o médico Thor Dantas afirmou ter ligação com Xapuri, onde já morou, e concentrou seu discurso em críticas à atual administração estadual. Ele defendeu uma mudança na condução do governo e citou as gestões anteriores de Jorge Viana como referência.

“No Acre temos hoje um governo incompetente. Temos que botar gente que sabe para governar. De cada dez pessoas no Acre, nove dizem que o Jorge foi o melhor governador. Quero ser pelo menos igual ao Jorge”, afirmou. A declaração sobre a avaliação do ex-governador foi apresentada por Thor durante o discurso, sem indicação de pesquisa que sustente o percentual mencionado.

No encerramento, Thor pediu que candidatos e apoiadores defendam publicamente a trajetória das forças de esquerda no Acre durante a campanha.

“Aqui no Acre, quem fala de competência e ética é o nosso campo. Temos que ter orgulho de ser de esquerda no Acre. Pedir votos sem medo de ser feliz e sem vergonha de dizer quem a gente defende e quem a gente representa”, declarou.

Fundo Eleitoral muda peso das alianças e coloca PL no topo da disputa por recursos em 2026

A divisão dos R$ 4,96 bilhões reservados ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha para as eleições de 2026 criou um novo cenário financeiro entre os partidos que participam da disputa pelo Governo do Acre. O PL ficou com a maior parcela nacional, de R$ 881,7 milhões, enquanto PT, União Brasil, PSD, PP, MDB e Republicanos também aparecem entre as legendas com maior acesso aos recursos públicos destinados às campanhas.

O dinheiro não será transferido automaticamente para os diretórios do Acre. Cada direção nacional precisa estabelecer os critérios de distribuição entre candidatos, estados e tipos de disputa. Ainda assim, o tamanho da cota nacional amplia a capacidade das siglas de financiar campanhas e coloca as alianças formadas no estado em condições diferentes de estrutura.

A maior mudança em relação à eleição de 2022 ocorreu no PL. O partido saiu de R$ 288,5 milhões há quatro anos para R$ 881,7 milhões em 2026, crescimento de 205,6%. A legenda passou da sétima posição para o primeiro lugar na distribuição do Fundo Eleitoral e ficou com 17,77% de todo o dinheiro disponível neste ano.

No Acre, o PL integra o grupo político que apoia a candidatura da governadora Mailza Assis, do PP. A mesma aliança reúne partidos que também estão entre os mais bem posicionados na divisão nacional, como União Brasil, MDB e o próprio PP. O União Brasil terá R$ 526,2 milhões, o PP receberá R$ 417,1 milhões e o MDB contará com R$ 400 milhões.

A segunda maior parcela pertence ao PT, que terá R$ 615,4 milhões. O partido integra a aliança em torno da candidatura de Thor Dantas, do PSB. A composição reúne ainda Podemos, PCdoB e PV. O PSB terá R$ 152,3 milhões, enquanto o Podemos receberá cerca de R$ 246 milhões.

O Republicanos, partido do senador Alan Rick, ficou com R$ 348,6 milhões. A legenda aumentou em 43,9% sua participação em relação a 2022, quando recebeu R$ 242,3 milhões. Na mesma aliança está o PSD, que terá R$ 421 milhões e aparece entre os cinco maiores beneficiários do fundo em 2026. Novo e Avante também fazem parte da composição.

Em situação diferente aparece o PSDB, legenda de Tião Bocalom. O partido terá R$ 147,9 milhões, menos da metade dos R$ 320 milhões recebidos em 2022. A redução foi de 53,8%, uma das maiores entre os partidos com representação nacional.

Outras legendas também perderam espaço na divisão. O PSB caiu de R$ 268,9 milhões para R$ 152,3 milhões, enquanto o PDT passou de R$ 253,4 milhões para R$ 169,3 milhões. O União Brasil, que liderava o ranking em 2022, teve redução de 32,8% e caiu para a terceira posição.

Na direção contrária, além do PL e do Republicanos, PT, PSD e PP ampliaram seus recursos. O PT avançou 22,3%, o PSD cresceu 20,3% e o PP teve aumento de 21% em comparação com a eleição anterior.

O Tribunal Superior Eleitoral fixou em R$ 4.961.519.777 o valor total do Fundo Eleitoral de 2026. A divisão segue critérios previstos na legislação e considera, entre outros pontos, a representação das legendas na Câmara dos Deputados e no Senado. Em agosto, o TSE encerrou uma ação em que o PT buscava rever parte do cálculo, mantendo a distribuição divulgada anteriormente.

O volume disponível nacionalmente não permite antecipar quanto cada candidatura receberá no Acre. Essa definição depende das regras internas aprovadas pelas executivas nacionais. Os números, porém, mostram o tamanho da estrutura financeira que cada partido terá à disposição para organizar suas prioridades na campanha eleitoral deste ano.

Gladson Cameli e o risco de uma eleição sub judice no Acre

“A briga é em Brasília.” A frase publicada por Crica resume a estratégia de Gladson Cameli para permanecer na disputa pelo Senado, mas deixa aberta uma pergunta que deveria interessar mais ao Acre do que a própria sobrevivência eleitoral do ex-governador: até onde é razoável levar uma candidatura quando o eleitor pode votar, ajudar a eleger e descobrir depois que aquele voto não valeu?

Gladson entrou oficialmente na campanha enquanto responde a uma ação de impugnação de registro no Tribunal Regional Eleitoral do Acre. A Procuradoria Regional Eleitoral pediu que sua candidatura seja indeferida por causa da condenação criminal imposta pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. Pela legislação eleitoral, ele pode se defender, recorrer e continuar fazendo campanha enquanto a situação estiver sub judice. Pode pedir voto, aparecer na propaganda eleitoral e, dependendo do estágio do processo, permanecer na urna. A própria Lei das Eleições permite isso. O problema começa justamente aí: a mesma lei estabelece que, em determinadas situações de registro indeferido sob recurso, a validade dos votos dependerá do resultado posterior da batalha judicial.

Não é uma discussão pequena, nem nasceu às vésperas da eleição. A Operação Ptolomeu entrou em sua fase ostensiva em dezembro de 2021. Gladson permaneceu governador. Em maio de 2024, a Corte Especial do STJ recebeu por unanimidade a denúncia criminal contra ele. Gladson permaneceu governador. Em 2025, o mesmo tribunal prorrogou medidas cautelares que incluíam proibição de contato com testemunhas e investigados, entrega de passaporte e indisponibilidade de valores. Gladson permaneceu governador. Só deixou o Palácio Rio Branco em abril deste ano, para abrir caminho à candidatura ao Senado.

Durante boa parte desse período, portanto, o Acre conviveu com uma situação extraordinária que acabou incorporada à rotina política. Havia uma investigação de enorme gravidade em curso contra o governador, depois uma denúncia criminal aceita pelo STJ, e o governo continuou funcionando com Gladson no comando. Isso era juridicamente possível. A existência de uma investigação ou mesmo de uma ação penal não produz automaticamente a perda de um mandato conquistado nas urnas.

O que mudou em maio de 2026 foi a natureza do problema. A acusação deixou de ser apenas acusação. A Corte Especial do STJ julgou a ação e condenou Gladson a 25 anos e nove meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Também determinou multa e indenização de R$ 11,785 milhões ao Estado. A maioria dos ministros acompanhou a relatora Nancy Andrighi, que atribuiu ao então governador posição de liderança no esquema criminoso julgado pelo tribunal. A defesa nega as acusações e continua recorrendo, e a condenação ainda não transitou em julgado.

Essa diferença é fundamental. Durante anos, Gladson podia responder politicamente que havia uma investigação e que caberia à Justiça dizer se a acusação procedia. Agora a Justiça já disse, embora ainda existam recursos. Não foi um juiz de primeira instância que tomou essa decisão sozinho. Foi a Corte Especial do STJ, em julgamento colegiado. Em agosto, o próprio tribunal rejeitou por unanimidade embargos apresentados pela defesa e manteve a condenação.

É exatamente nesse ponto que a eleição acreana passa a carregar um problema que ultrapassa Gladson.

A Lei da Ficha Limpa estabelece inelegibilidade a partir de condenação por órgão judicial colegiado para crimes que incluem delitos contra a administração pública, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. A legislação também permite que essa inelegibilidade seja suspensa por decisão judicial. Gladson tem direito de buscar essa suspensão e esgotar os recursos disponíveis. Isso faz parte das garantias de qualquer acusado.

O direito de recorrer, porém, não elimina o custo democrático de uma candidatura mantida nessas condições.

Gladson pode percorrer o Acre, montar palanque, reunir prefeitos, pedir votos e disputar uma das duas vagas de senador. Milhares de pessoas podem escolher seu número acreditando que estão elegendo alguém para representá-las em Brasília. E, se a situação jurídica não estiver resolvida até a votação e o registro acabar definitivamente negado nas condições previstas pela legislação, esses votos podem perder a validade. O próprio TSE estabelece que o candidato com registro sub judice pode continuar na campanha, mas a validade dos votos pode ficar condicionada ao deferimento posterior do registro.

É aí que aquilo que parece ser apenas uma batalha de advogados passa a atingir diretamente o eleitor.

Porque quem assume o risco não é somente Gladson. Não é somente seu partido. É também a pessoa que sai de casa, enfrenta fila, entra numa cabine e acredita estar fazendo uma escolha capaz de produzir um mandato. Uma eleição não deveria funcionar como uma aposta em que o eleitor descobre meses depois se o voto que depositou na urna juridicamente existia.

Há ainda um efeito político mais grave. Gladson é um candidato competitivo. Se alcançar uma votação suficiente para conquistar uma das vagas e depois tiver os votos invalidados, a composição final da disputa poderá não corresponder à fotografia que o eleitor viu na noite da eleição. O resultado político conhecido nas urnas ficará submetido ao resultado jurídico produzido nos tribunais. Não porque ministros estejam tomando para si o direito de escolher senador, mas porque uma candidatura juridicamente contestada foi levada até o voto antes que sua condição fosse definitivamente resolvida.

É uma espécie de tumulto eleitoral produzido dentro das próprias regras.

Isso precisa ser dito sem atalhos. Gladson não comete ilegalidade simplesmente por recorrer ou por continuar candidato enquanto a legislação permitir. O problema é outro: candidato e partido, ao sustentarem uma candidatura nessas condições, assumem conscientemente um risco que não termina neles. Uma parte desse risco é empurrada para o eleitor e para a própria legitimidade do resultado.

Durante anos, o tempo da Justiça favoreceu politicamente Gladson. A investigação começou, avançou, virou denúncia, a denúncia virou ação penal, medidas cautelares foram mantidas e ele continuou governando. Quando finalmente chegou a condenação, o mandato no Executivo estava no fim e o projeto político já havia mudado de endereço: saiu do Palácio Rio Branco e foi para a disputa pelo Senado.

Agora o relógio corre de outra maneira. De um lado, uma campanha curta, com data certa para terminar. Do outro, recursos que podem atravessar instâncias e consumir um tempo que a eleição não tem.

A democracia precisa garantir defesa até o último recurso cabível. Mas também precisa garantir ao eleitor algo elementar: saber, com a maior segurança possível, se a pessoa em quem está votando poderá receber o mandato caso seja escolhida.

No caso de Gladson, essa certeza não existe hoje.

Talvez por isso a frase de Crica seja tão precisa. A briga está em Brasília. Só que o voto será dado no Acre. E, se essa briga não terminar antes das urnas, quem poderá pagar a conta da incerteza não será apenas Gladson Cameli.

Será o eleitor.

Edvaldo Magalhães diz que não há fundamento jurídico para impedir candidatura

O deputado estadual Edvaldo Magalhães, candidato à reeleição, afirmou que está tranquilo após a divulgação de pedidos de impugnação de candidaturas encaminhados à Justiça Eleitoral no Acre. O parlamentar declarou que não há fundamento jurídico para impedir sua candidatura e disse confiar que a situação será esclarecida durante a análise do caso.

“Estou seguro e confiante de que tudo será esclarecido. Não há fundamento jurídico para impedir minha candidatura. A defesa demonstrará isso de forma clara à Justiça Eleitoral”, afirmou Edvaldo Magalhães.

O questionamento envolvendo o parlamentar está relacionado a decisões do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC). Ao encaminhar a relação de gestores ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), o próprio TCE informou que a inclusão de nomes na lista tem caráter informativo e não provoca inelegibilidade automática.

No caso de Edvaldo Magalhães, consta que não houve dano ao erário nem determinação para devolução de recursos públicos. Também não foi atribuída ao deputado a prática de conduta dolosa.

As ocorrências relacionadas ao parlamentar envolvem questões de natureza contábil e administrativa. Para que uma rejeição de contas resulte em inelegibilidade com base na Lei da Ficha Limpa, é necessária a análise dos requisitos previstos na legislação eleitoral.

A defesa de Edvaldo Magalhães será apresentada dentro do prazo legal e pretende demonstrar à Justiça Eleitoral que não estão presentes os pressupostos necessários para impedir o registro da candidatura.

Homenagem a Mailza em solenidade pública levanta debate eleitoral no Acre

A homenagem prestada à governadora Mailza Assis pela Defensoria Pública do Acre, nesta quinta-feira, em Rio Branco, abriu debate sobre a linha que separa o reconhecimento institucional da exposição política em plena campanha eleitoral. Governadora há quatro meses e candidata ao cargo nas urnas, Mailza recebeu um ato público de reconhecimento à gestão em uma solenidade que reuniu autoridades, defensores públicos e representantes do governo.

A cerimônia ocorreu no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Acre e foi organizada pela Defensoria Pública do Estado e pela Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Acre. O evento reconheceu contribuições do Governo do Estado para o fortalecimento da estrutura da instituição, incluindo investimentos e uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada por Mailza quando exercia mandato no Senado Federal para a aquisição de uma unidade móvel de atendimento.

O ponto levantado pelo artigo do Acre ao Vivo é o momento político da homenagem. A solenidade não ocorreu em um período comum da vida administrativa. Mailza está no exercício do governo, ocupa posição de candidata e disputa a permanência no Palácio Rio Branco. Nesse contexto, um ato público com reconhecimento à gestão deixa de ser apenas uma agenda institucional e passa a exigir análise sobre eventual benefício eleitoral.

A Defensoria Pública tem papel essencial no atendimento jurídico da população mais vulnerável e ampliou sua estrutura nos últimos anos. O número de defensores passou de pouco mais de 40 para 61, e a instituição registrou mais de 210 mil atendimentos em 2025, com previsão de ultrapassar 240 mil neste ano. Esses dados explicam a relevância institucional do reconhecimento, mas não encerram a discussão sobre o impacto político da solenidade.

O debate se concentra no uso da imagem pública de uma governadora candidata em um evento de exaltação administrativa. Mesmo sem pedido explícito de voto, a exposição em cerimônias oficiais pode produzir efeito político quando associa a candidata a entregas, parcerias e resultados de governo. É justamente essa fronteira que o questionamento coloca em evidência.

Instituições públicas podem reconhecer parcerias, agradecer apoios e prestar contas à sociedade. O problema surge quando a forma, o momento e a comunicação do ato se confundem com a disputa eleitoral. Em ano de eleição, a prudência institucional precisa ser maior para evitar que homenagens públicas sejam interpretadas como promoção de quem está na corrida pelo voto.

Leia o artigo completo no site Acre ao Vivo

Zequinha Lima questiona exemplo de candidata que “convive com suspeito de violentar mulheres”

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, elevou o tom ao explicar o afastamento do atual grupo governista e a decisão de apoiar a pré-candidatura do senador Alan Rick ao governo do Acre. Durante entrevista ao programa “Papo Informal”, apresentado pelo jornalista Luciano Tavares, o prefeito colocou o combate à violência contra a mulher no centro de sua justificativa política.

Questionado sobre os motivos que o levaram a escolher Alan Rick, Zequinha afirmou que o senador é um candidato em quem “as mulheres podem confiar”. Na sequência, sem citar nominalmente a governadora Mailza ou o marido dela, o prefeito dirigiu uma crítica à principal adversária de seu candidato na disputa estadual.

“Eu não sei se eu deveria falar isso aqui, mas as mulheres não merecem ser violentadas. O que é que a candidata do governo hoje pode dar de exemplo para as mulheres se convive com a pessoa que é suspeita de violentar mulheres? O que é que as mulheres podem esperar disso, principalmente aquelas que são violentadas?”, questionou.

Ao fazer a declaração, Zequinha não apresentou detalhes sobre o caso nem mencionou diretamente os nomes das pessoas às quais se referia. Ainda assim, deixou claro que o tema teve peso em sua decisão de romper com o grupo governista e seguir ao lado de Alan Rick.

Para o prefeito, a defesa dos direitos das mulheres precisa ultrapassar os discursos e orientar a postura de quem ocupa ou pretende ocupar cargos públicos.

“As mulheres são a maioria dos eleitores e precisam ter o respeito de todos nós, não só da classe política, mas têm uma importância na sociedade grande no sentido de desenvolvimento. Todo mundo tem que respeitar. Não é porque ela é mulher que eu tenho o direito de bater, de oprimir de maneira nenhuma”, declarou.

Ao concluir o raciocínio, Zequinha afirmou que o Acre precisa mudar a realidade relacionada ao respeito e à segurança das mulheres. Na avaliação dele, Alan Rick reúne as condições para conduzir esse processo e colocar o estado em um “outro patamar”.