O pré-candidato ao Governo do Acre Tião Bocalom usou a entrevista concedida nesta segunda-feira (29) ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, para defender um projeto econômico baseado na produção rural, na geração de emprego e no aumento da renda da população. Ex-prefeito de Acrelândia e de Rio Branco, ele afirmou que o Estado precisa voltar a produzir mais e depender menos de outros mercados. “Produzir para empregar, se não roubar o dinheiro dá”, disse.
Bocalom citou a experiência em Acrelândia como base do discurso político que pretende levar à disputa estadual. Ele afirmou que o município avançou na produção de café, leite e banana e passou a exportar esses produtos, o que, na avaliação dele, mudou a circulação de dinheiro na cidade. “Dinheiro vem melhor na vida das pessoas”, afirmou, ao defender que a produção seja tratada como eixo central para a economia acreana.
O pré-candidato também vinculou a passagem pela Prefeitura de Rio Branco à mesma lógica administrativa. Mesmo com os impactos da pandemia nos dois primeiros anos de gestão, Bocalom afirmou que manteve a ideia de unir produção, emprego e dinheiro no bolso da população. Para ele, o desenvolvimento precisa chegar primeiro ao cidadão. “Cidadão com dinheiro no bolso tem autoestima, cabeça levantada”, disse.
Durante a entrevista, Bocalom criticou a condução de políticas ambientais adotadas no Acre nas últimas décadas e voltou a atacar o conceito de “florestania”. “Esqueceram que tinha alguém mais importante que a árvore e o bicho — o ser humano que tá na Amazônia”, afirmou. Ele disse que a defesa do homem amazônico sempre fez parte de sua trajetória política. “Hoje vejo todo mundo falar, até a turma antiga da esquerda: temos que cuidar do ser humano. É o que eu falei a vida inteira.”
A dependência do Acre em relação a produtos vindos de Rondônia também entrou no centro da entrevista. Bocalom afirmou que o Estado compra de fora itens básicos da alimentação e da produção agropecuária, como arroz, feijão, milho e leite. “Só não compra carne, que somos autossuficientes”, disse. Em seguida, comparou o cenário atual com o passado. “Antigamente o Acre vendia pra Rondônia. Hoje compra tudo de lá.”
O ex-prefeito disse que tem percorrido municípios acreanos em uma espécie de “ouvidoria” para ouvir demandas da população e montar uma proposta de governo. A estratégia, afirmou, é conversar diretamente com moradores, produtores e lideranças locais para mapear problemas que se repetem nas cidades e transformar essas demandas em ações voltadas à produção, emprego e infraestrutura.
A entrevista também teve um tom pessoal quando Bocalom apresentou a esposa, Kelly, que estava no estúdio. “O amor está no ar”, disse, em clima descontraído. Ele também falou da relação familiar ao afirmar: “Deus me mandou uma metade espetacular.”
Ao longo da conversa, Bocalom associou sua pré-candidatura à ideia de retomada econômica pela produção. A mensagem repetida na entrevista foi a de que o Acre precisa produzir mais, gerar renda localmente e reduzir a saída de mão de obra. “Produzir para empregar” foi o eixo usado por ele para resumir a proposta que pretende apresentar na corrida pelo governo.