No Jornal da Manhã, Jorge Viana diz que quer ser “resolvedor de problemas” do Acre

O ex-governador Jorge Viana usou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta terça-feira, 23, no Juruá, para apresentar sua pré-candidatura ao Senado como uma disputa centrada na reconstrução da capacidade política do Acre em Brasília, na recuperação da BR-364 e na relação direta com prefeitos, governo estadual e governo federal. “Eu não estou desesperado para ganhar uma eleição. Eu quero muito ganhar essa eleição, eu quero muito ajudar o Acre. A causa é o Acre”, disse Jorge, ao defender que a política precisa sair da lógica de ataque pessoal e voltar a resolver problemas concretos da população.

A entrevista ocorreu em meio à agenda que Jorge Viana cumpre pelo Vale do Juruá. Ele citou passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa, dentro de uma estratégia de escuta antes da formalização da candidatura. O tom adotado foi de cobrança sobre o atual momento do estado. “Eu estou descontente com o caminho que o Acre pegou. As coisas não estão boas e eu posso ajudar. Eu estou me oferecendo para ajudar”, afirmou.

O ponto mais forte da conversa foi a BR-364. Jorge disse que percorreu a estrada “quilômetro a quilômetro” e levou ao Dnit um plano para enfrentar os trechos mais críticos da rodovia. Segundo ele, a proposta foi apresentada ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que esteve no Acre e aceitou o encaminhamento. “Hoje um ônibus demora dezoito horas daqui de Cruzeiro para Rio Branco. Uma carreta, dois dias. Uma caminhonete, doze a quinze horas. E, se Deus quiser, em setembro nós vamos ter uma estrada regular, com aquelas áreas intragáveis e péssimas resolvidas”, declarou.

A fala mira diretamente a vida de quem depende da estrada para trabalhar, vender, estudar, fazer tratamento de saúde ou viajar entre o Juruá e a capital. Ao tratar da BR-364, Jorge tentou amarrar sua experiência administrativa à promessa de articulação federal. “Eu fui governador, fui senador, fui prefeito. Juntaram uns técnicos, montaram um plano quilômetro a quilômetro, e o ministro dos Transportes veio e acatou o plano”, disse.

Jorge também falou sobre a ponte que caiu em Sena Madureira e comparou o caso com obras feitas em governos anteriores no Juruá, como a ponte de Cruzeiro do Sul, iniciada em seu governo, executada por Binho Marques e inaugurada por Tião Viana. “Essa ponte tem dezesseis anos. Ela foi preparada inclusive para algum tipo de terremoto. Caiu lá uma ponte em Sena, é lamentável, com dois anos de uso, mas eu não posso acusar ninguém. Eu quero que tenha uma apuração rigorosa, porque era dinheiro público”, afirmou.

Na leitura política de Jorge, o Acre perdeu planejamento e passou a depender de ações soltas. Ele criticou a substituição de políticas públicas estruturadas por emendas parlamentares usadas como vitrine eleitoral. “Acabar com essa onda de emenda para cá, emenda para lá. Tem que ter políticas públicas”, disse. Em seguida, citou obras de sua gestão no Juruá, como o Hospital do Juruá, o aeroporto, a avenida em Mâncio Lima, a chegada da universidade a Cruzeiro do Sul, a ponte e a própria estrada. “Não dá para a gente não ter mais governos que não têm um projeto”, completou.

Ao falar de Cruzeiro do Sul, Jorge foi direto na crítica ao ritmo de investimentos públicos na cidade nos últimos anos. “Eu não vejo obras aqui em Cruzeiro do Sul. Se tirar as coisas que o governo federal ainda está fazendo, não sobra nada”, disse. Para ele, a falta de obras afeta o comércio, o emprego e o ambiente social. “O comércio não vende, ninguém emprega. Há um ambiente de sofrimento na população”, afirmou.

A entrevista também abriu espaço para uma proposta voltada à economia digital. Jorge defendeu que Cruzeiro do Sul e o restante do Acre precisam de mais cabos de fibra óptica e internet de alta qualidade para permitir que jovens trabalhem de casa prestando serviços para empresas de outros países. “Eu quero três, quatro cabos de fibra óptica daqui para Rio Branco, e a cidade fibrada, com internet de altíssima qualidade”, disse. “Essa nova geração de garotos de 15, 16, 20 anos é talentosa. Nós estamos na era do serviço. Eles podem, de casa, prestar serviço para empresa na China, na Índia, na Europa, nos Estados Unidos.”

A relação com o presidente Lula ocupou outro bloco central da entrevista. Jorge criticou políticos acreanos que, segundo ele, evitam reconhecer investimentos federais por divergência ideológica. “O cara ganha um mandato para fazer guerra ideológica. Não conte comigo para isso”, declarou. Ele disse que, caso seja eleito, pretende atuar como ponte entre o governo federal, o governo estadual e as prefeituras. “Eu serei o interlocutor do presidente Lula aqui em Cruzeiro do Sul e nos municípios todos. Como é que eu só vou trabalhar quando o PT tiver? Eu não estou candidato para ser senador do PT. Eu estou candidato para ser senador do Acre e do Brasil.”

Jorge citou o cumprimento à governadora Gladson Cameli durante a agenda com o ministro dos Transportes e defendeu relação institucional com qualquer gestor. “Se eu quero ser senador da República, eu vou ter que trabalhar por dois anos com todos os prefeitos do Acre. É assim que funciona”, disse. A frase funciona como recado para um ambiente político estadual marcado por alinhamentos nacionais, disputas de grupo e dificuldade de convivência entre adversários.

A entrevista também teve resposta aos ataques contra jornalistas do Juruá. Sem citar nome, Jorge criticou um pré-candidato que, segundo ele, teria acusado profissionais da imprensa de serem comprados. “Eu queria ser solidário com vocês, porque teve um dos pré-candidatos que veio agredir o jornalismo dizendo que jornalista aqui se compra. Eu não combinei nunca nenhuma entrevista na minha vida”, afirmou. “Eu não estou usando microfone nem minhas redes sociais para agredir ninguém. Tomei uma decisão. Não tenho mais idade, não tenho tempo, e acho que a população cansou desse tipo de malandragem política.”

Jorge buscou se diferenciar de adversários que apostam no confronto permanente nas redes sociais. “Não contem comigo para ficar rebatendo coisa, agredindo ninguém. Não vai ter isso. Me esperem com a minha vivência para ser um resolvedor de problemas”, disse. A fala resume o eixo escolhido para sua pré-campanha: experiência administrativa, acesso a Brasília, crítica ao improviso e promessa de reconstruir pontes políticas em um estado que depende de obras federais para destravar transporte, produção, saúde e conectividade.

Jornal da Manhã em Coluna – 19 de junho de 2026

Ponte de Sena, PF no Juruá e pesquisa eleitoral movimentam o debate da Integração

Aleac reage à queda da ponte

A queda da ponte em Sena Madureira foi o principal tema político do Jornal da Manhã desta sexta-feira, 19. A bancada destacou que a Assembleia Legislativa saiu da posição de silêncio e passou a se movimentar após a proposta do deputado Edvaldo Magalhães para criar uma comissão externa de acompanhamento do caso.

De 9 para 18 assinaturas

Durante entrevista ao programa, Edvaldo Magalhães afirmou que o requerimento da comissão começou com nove assinaturas, passou para 14 e terminou a sessão com 18 deputados apoiando a apuração. Segundo ele, a instalação deve ocorrer na terça-feira, com definição dos membros, presidência e relatoria.

“Um passo de cada vez”

Edvaldo explicou que optou por uma comissão externa, e não por uma CPI, porque considera necessário avançar por etapas. Segundo o deputado, a comissão poderá acompanhar o trabalho do Ministério Público, Tribunal de Contas e Polícia Técnica, além de cobrar informações que ainda não apareceram de forma clara sobre a obra.

Valor da ponte virou ponto central

A bancada voltou a questionar o valor da ponte. O debate começou com os R$ 36 milhões do contrato inicial, mas Edvaldo afirmou que o custo total teria chegado a cerca de R$ 45 milhões, considerando aditivos e reajustes. Para o deputado, o problema é que parte dessas informações não estaria devidamente lançada nos sistemas de controle.

Garantia e execução sob suspeita

Outro ponto levantado por Edvaldo foi a garantia da obra. Ele disse que, até a véspera da entrevista, não havia sido identificado o documento de garantia da ponte. O deputado também afirmou que há diferença entre o que estava previsto no projeto básico e o que teria sido executado, especialmente em relação às estacas e à estrutura da ponte.

Governo perdeu controle da base

Rogério Wenceslay avaliou que a adesão de deputados governistas à comissão mostra mudança de clima dentro da Assembleia. Para ele, a proximidade da eleição faz parlamentares se distanciarem de temas que podem desgastar a própria imagem. Edvaldo também disse que o governo tentou manter sua maioria em silêncio, mas não conseguiu impedir a movimentação.

PF inaugura nova sede em Cruzeiro do Sul

O programa também destacou a inauguração da nova sede da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul. Segundo a bancada, o investimento foi de cerca de R$ 22 milhões e a estrutura chega em um momento de aumento das operações contra narcotráfico, crime organizado e crimes transfronteiriços na região do Juruá.

Andrei Rodrigues fala em PF sem lado

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, participou da agenda em Cruzeiro do Sul. Em fala reproduzida no programa, ele afirmou que a PF “não persegue e não protege”, mas cumpre sua missão institucional. A declaração foi comentada pela bancada no contexto de operações nacionais que atingem políticos de diferentes campos.

Troca de tiros entre viaturas ainda sem resposta

A troca de tiros entre duas guarnições da Polícia Militar em Cruzeiro do Sul voltou a ser cobrada no programa. Chico Melo e Rogério Wenceslay defenderam que o comando da PM e a Secretaria de Segurança deem uma explicação pública. Para Wenceslay, quando não há uma versão oficial convincente, a boataria ocupa o espaço da informação.

Pesquisa RealTime agita pré-campanha

A pesquisa RealTime Big Data também entrou no debate. O levantamento citado no programa mostra Alan Rick com 39%, Mailza Assis com 26%, Tião Bocalom com 18% e Thor Dantas com 5%. A bancada destacou que Bocalom foi o primeiro a reagir com força, chamando a pesquisa de mentirosa e dizendo que sua verdadeira pesquisa está nas ruas.

Bocalom desafia adversários

No áudio comentado pela bancada, Bocalom lembrou eleições anteriores em que aparecia atrás nas pesquisas e acabou tendo desempenho melhor nas urnas. Ele desafiou adversários a andarem com ele pelas ruas para medir quem recebe mais apoio popular. A bancada avaliou que, apesar dos 18%, Bocalom ainda tem capacidade de movimentar o cenário.

MDB perto de Alan Rick

O programa também trouxe informação de bastidores sobre uma conversa entre Jéssica Sales e Alan Rick. Segundo a apuração comentada na bancada, o MDB deve anunciar apoio à pré-candidatura de Alan ao governo do Acre. Não houve, no entanto, compromisso de que Jéssica será vice. A definição da chapa, segundo foi dito, ficará para mais adiante.

Marcos Alexandre fica com Mailza

Ainda sobre o MDB, o programa informou que Marcos Alexandre já teria decidido continuar apoiando Mailza Assis, mesmo com parte do partido caminhando para Alan Rick. A bancada avaliou que o MDB segue como uma incógnita, com posições internas diferentes no processo eleitoral.

Porto Walter tem mudança na Câmara

No bloco final, o Jornal da Manhã informou que Rosildo Cassiano Correia, do PSD, renunciou à presidência da Câmara de Porto Walter após decisão do TSE que cassou seu diploma por unanimidade. Com a saída, o vereador Robson Rodrigues foi eleito presidente da Casa. Os demais integrantes da mesa diretora permanecem nos cargos.

Vagner Sales e Ilderlei recuperam direitos políticos

Mazinho Rogério informou que os ex-prefeitos Vagner Sales e Ilderlei Cordeiro tiveram os direitos políticos restabelecidos por decisão da Justiça do Acre. A informação foi tratada como relevante para a política regional, especialmente no contexto das movimentações do MDB e das articulações para 2026.

PAA beneficia produtores em Cruzeiro do Sul

O programa também destacou o Programa de Aquisição de Alimentos, do governo federal, que deve beneficiar 45 produtores rurais e investir mais de R$ 307 mil em Cruzeiro do Sul. A bancada avaliou que o recurso é importante, mas poderia ser maior diante da importância da agricultura familiar para o abastecimento local.

Perpétua Almeida cobra investigação federal sobre ponte e diz que cadeia do café mudou renda no Juruá

A ex-deputada federal Perpétua Almeida cobrou, nesta segunda-feira, 8 de junho, a entrada imediata do Ministério Público Federal e da Polícia Federal na apuração do desabamento da ponte em Sena Madureira e afirmou que o caso exige resposta rápida diante das vítimas e do prejuízo aos cofres públicos. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, ela disse que “há uma sede de resposta hoje no Acre” e defendeu que a origem dos recursos da obra seja esclarecida.

Ao comentar o caso, Perpétua afirmou que “o Ministério Público Federal precisa entrar imediatamente, convocar a Polícia Federal e as coisas andarem o mais rápido possível”. Na avaliação dela, a investigação precisa avançar sobre os detalhes do financiamento e da execução da obra. “Virou mania no Acre, do governo do Estado e de algumas prefeituras, não dizer de onde vêm recursos que estão fazendo algumas obras”, disse.

Ela também sustentou que há suspeitas sobre a participação de verbas federais no empreendimento. “Há desconfiança de que tem emenda parlamentar do Orçamento da União envolvida nessa ponte, que nunca foi dito”, afirmou. Em seguida, reforçou a cobrança por transparência e responsabilização: “Se há desconfiança, o Ministério Público Federal precisa entrar imediatamente.”

Na mesma entrevista, Perpétua mudou o foco para a agenda econômica e afirmou que os investimentos na cadeia do café já produziram efeitos concretos no Vale do Juruá. Ao relatar visitas a propriedades rurais, ela disse ter encontrado aumento da contratação de diaristas e maior presença feminina no trabalho da colheita. “Eu era diarista, eu recebia 60 reais por diária, e hoje eu tô pagando entre 120 e 200 reais pras pessoas que estão fazendo diária aqui pra mim”, relatou, ao reproduzir a fala de um produtor.

Segundo ela, a transformação mais visível está em Mâncio Lima, onde a atividade passou a abrir espaço para mulheres e pequenos produtores. “Eu nunca vi tantas mulheres empregadas aqui na nossa região”, disse Perpétua, ao lembrar o que ouviu durante uma das visitas. De acordo com a ex-parlamentar, muitas trabalhadoras passaram a enxergar autonomia financeira na atividade. “Agora eu tenho meu negócio, agora eu tenho de onde tirar dinheiro para cuidar dos meus filhos, da minha casa”, contou, ao resumir o depoimento recebido no campo.

Perpétua afirmou que os resultados aparecem também nos indicadores levantados sobre a atividade cafeeira. “A renda dos cooperados começou em 2023 em R$ 1.300, depois subiu para R$ 2.530, e em 2025 a medição deu que a renda dos cooperados está hoje em R$ 4.554 por mês”, declarou. Ela acrescentou que a dependência do Bolsa Família caiu no mesmo período, de 40% para 30,6%, e usou os números para rebater críticas dirigidas aos beneficiários de programas sociais. “Esse discurso não é verdadeiro. As pessoas, quando melhoram de vida, não querem depender da ajuda de ninguém.”

A ex-deputada também defendeu uma articulação maior entre os investimentos industriais e as políticas públicas no campo. Para ela, o avanço da produção precisa vir acompanhado de melhoria em ramais, distribuição de mudas, oferta de adubo e apoio técnico. “A gente precisa que o governo do Estado, através da Secretaria de Produção, através de outras secretarias, o próprio Sebrae, a própria prefeitura e as prefeituras que estão recebendo esse investimento façam também investimento em ramais, em adubos, em mudas”, afirmou.

Ao falar de projetos futuros, Perpétua disse que deixou recursos assegurados para novas cadeias produtivas antes de deixar a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. “Lá em Feijó eu já deixei na ABDI o orçamento garantido pra gente construir a indústria de beneficiamento de açaí”, afirmou. Segundo ela, foram reservados R$ 9 milhões para a estrutura, dentro de uma cadeia que inclui barcos frigoríficos e caminhões para atender produtores do município.

Na parte final da entrevista, Perpétua confirmou a intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026 e vinculou uma eventual volta a Brasília à pauta da industrialização e do apoio à produção local. “Se Deus me der essa oportunidade de voltar a trabalhar pelo Acre, sim, eu vou continuar nessa mesma pegada”, declarou.

Petecão diz que assinatura não muda texto da Câmara e defende debate no Senado sobre jornada 6×1

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, na manhã desta segunda-feira, 1º de junho, o senador Sérgio Petecão afirmou que o apoio dele à abertura de discussão no Senado sobre a jornada de trabalho não significa adesão a uma mudança no texto já aprovado pela Câmara. Segundo o parlamentar, a intenção é permitir que a proposta seja debatida com mais profundidade antes de qualquer votação. “Não tem uma proposta fechada”, disse. “O que se fez foi nós apoiarmos esse pedido pra que a gente possa abrir um debate também no Senado. Não tem nada mais democrático que isso.”

Petecão reagiu à repercussão criada em torno da assinatura dele e disse que parte do noticiário tratou o tema como se o Senado já estivesse prestes a rever o conteúdo aprovado pelos deputados. Na versão do senador, não é isso que está posto agora. “Isso é fake news”, afirmou ao reforçar que “no Senado não mudamos nada” e que o objetivo é apenas abrir espaço para discussão. Na entrevista, ele repetiu que a proposta aprovada pela Câmara, com a mudança da escala 6×1 para 5×2, continua sendo a referência principal, mas sustentou que o Senado não pode abrir mão de ouvir outros setores antes de decidir.

Foi justamente nesse ponto que Petecão concentrou a explicação dele. Segundo o senador, a tramitação no Senado ainda depende de debate político e técnico, e a assinatura em apoio à discussão não representa voto antecipado nem texto alternativo sacramentado. “Lá no plenário é quem vota. Ou eu voto a favor ou eu voto contra. Todo mundo vai conhecer meu voto, o voto é aberto”, disse. Antes disso, afirmou, a ideia é ouvir trabalhadores, sindicatos, lideranças do movimento e empresários. “Nós vamos abrir agora para ouvir os sindicatos, ouvir as lideranças desse movimento e vamos ouvir também os empresários, tanto os pequenos, os médios e os grandes empresários.”

Na prática, a explicação de Petecão é a seguinte: a proposta que saiu da Câmara chega ao Senado e passa a ser discutida pelos senadores, que podem manter o texto, alterar pontos ou até ampliar o debate com outras sugestões. É nesse espaço que ele diz defender a abertura de conversa, sem fechar posição de saída. Por isso, o senador insiste que a assinatura dele não deve ser lida como recuo em relação ao texto da Câmara nem como apoio automático a uma flexibilização maior. “A proposta que foi apresentada na Câmara eu acho que é uma proposta interessante”, afirmou. “Sou a favor da proposta da Câmara, mas não impede que eu possa ouvir outros companheiros aqui no Senado.”

Ao longo da entrevista, Petecão tentou se colocar no meio do embate entre trabalhadores e empregadores. Disse que a preocupação principal dele é com a preservação dos direitos de quem trabalha, mas acrescentou que o impacto sobre as empresas, principalmente as menores, precisa entrar na conta. “Eu me preocupo com o empresário, não vou mentir pra você, como também me preocupo com o trabalhador”, afirmou. “Esse debate é muito complexo.” Em outro trecho, resumiu a posição dele com mais franqueza: “Eu tenho que ver o que é melhor para o país.”

Questionado sobre o temor de perda de direitos como férias, décimo terceiro e FGTS, o senador disse que não vê risco imediato nesse ponto, mas reconheceu que essa será uma das frentes mais sensíveis da discussão. “Eu não vejo isso. Eu acho que tudo tem que ter diálogo”, declarou. Para ele, o desafio do Senado será construir uma saída que preserve o trabalhador sem empurrar empresas para demissões. “O nosso grande desafio é que nós possamos estar cuidando do nosso trabalhador, criando condições melhores pra ele, mas também não podemos tratar o empresário achando que o empresário é bandido.”

Petecão levou essa preocupação para exemplos do dia a dia e citou o caso de pequenos negócios que funcionam com escala apertada. Na visão dele, uma mudança brusca na jornada pode exigir novas contratações e elevar custos num ritmo que parte do mercado talvez não consiga suportar. “Se vai diminuir os dias de trabalho, ele vai ter que contratar mais”, disse. “Vamos dizer um cara do restaurante, que trabalha a semana toda. Aí, quando for sábado e domingo, ele vai fechar? Se ele fechar sábado e domingo, ele vai quebrar.” A partir dessa leitura, ele passou a defender que o debate sobre a jornada venha acompanhado de alguma discussão sobre contrapartidas do governo para setores mais atingidos.

O senador também reclamou da politização da pauta e afirmou que a discussão corre o risco de ser contaminada pelo ambiente eleitoral. “Eu não posso só por conta dos votos politizar esse debate. Não pode ser politizado”, disse. “Hoje não tem um abençoado que não faça o movimento se não for pensando em voto.” Na avaliação dele, esse tipo de disputa esvazia a discussão central, que deveria estar voltada para a relação entre trabalhador, empregador e mercado de trabalho.

Ainda durante a entrevista, Petecão contou que foi cobrado por eleitores e por empresários depois que a assinatura dele se tornou pública. Disse ter ouvido dúvidas de quem teme aumento de custo para manter funcionários e também de quem receia perda de direitos. Esse choque de interesses, segundo ele, explica por que o Senado precisa tratar o tema com cuidado. “Só tem uma forma de saber: é sentar numa cadeira com muita responsabilidade”, afirmou. “Eu não posso defender uma proposta porque isso aqui me dá mais voto. Eu tenho que ver o que é melhor para o país.”

Ao fim, Petecão tentou resumir a mensagem que quis passar: o Senado ainda não deu a palavra final sobre a jornada 6×1, a proposta da Câmara segue no centro do debate e a assinatura dele teve o objetivo de abrir a discussão, não de substituir o texto por outra saída já acertada. “Vamos abrir um debate pra que, se Deus quiser, nós possamos sair com consciência”, afirmou. “Não tem nada disso de que nós já mudamos alguma coisa.”

Virgílio Viana entra no debate eleitoral com crítica à falta de oportunidades no Acre

Em uma edição especial, no Vale dos Buritis, o Jornal da Manhã, da Rádio Integração, recebeu o ex-governador Tião Viana e o advogado Virgílio Viana, de 23 anos, pré-candidato a deputado federal. A entrevista, conduzida por Chico Melo e Rogério Venceslau, colocou no centro da conversa a entrada de Virgílio na política, o peso do legado familiar, a saída de jovens do Acre, a falta de oportunidades e a disputa sobre o rumo do Estado nos últimos anos. A entrevista foi ao ar na manhã desta quinta-feira (28), em cadeia no Youtube e na 99,9 FM.

Logo na abertura, Chico Melo apresentou Tião como parte da história política do Acre e Virgílio como um jovem que tenta ocupar espaço em um momento de desgaste da política tradicional. Tião tratou a presença do filho como uma passagem entre gerações. Para ele, estar ao lado de Virgílio naquele cenário era “uma entrega do passado do Acre, dos últimos anos, do presente e entregando ao futuro uma oportunidade”. A frase resumiu o tom da entrevista: Virgílio não aparece apenas como filho de um ex-governador, mas como alguém que tenta transformar herança política em projeto próprio.

Virgílio negou que tenha sido empurrado para a disputa. Contou que a decisão nasceu de uma inquietação pessoal diante do que vê no Estado. “Eu tô muito incomodado com o cenário que eu vejo o Acre vivendo hoje”, disse. O pré-candidato afirmou que passou a sentir esse incômodo ao ver amigos, familiares e jovens de sua geração deixando o Acre em busca de oportunidade e qualidade de vida em outros lugares. Para ele, esse êxodo juvenil virou uma ferida aberta no Estado.

O ponto mais forte da fala de Virgílio foi a defesa de que o Acre precisa voltar a oferecer futuro para quem nasce, estuda e quer trabalhar aqui. Ele citou jovens que concluem o ensino médio, entram na universidade, formam-se e, depois, não encontram espaço no mercado. Disse que muitos acabam dependendo de algum arranjo em prefeitura, governo ou secretaria. Na avaliação dele, essa falta de caminho empurra parte da juventude para a frustração e, nos casos mais graves, para o crime. “Isso não pode ser o novo normal do Acre”, afirmou.

Tião Viana revelou que a decisão do filho não foi recebida de imediato com entusiasmo dentro de casa. Disse que, como pai, tentou convencê-lo a seguir outro caminho. Chamou o Congresso Nacional de ambiente contaminado por práticas ruins e afirmou que chegou a aconselhar Virgílio a atuar como advogado ou criar uma organização para ajudar pessoas fora da política. “Esse mundo tá podre”, disse Tião, ao lembrar a reação que teve quando ouviu do filho que ele queria disputar uma vaga de deputado federal.

Virgílio, porém, insistiu. O argumento que convenceu a família, segundo Tião, foi o de que o espaço público não pode ser abandonado. “Se não for pessoa boa pro parlamento, vão ficar só as ruins”, afirmou o ex-governador, ao reproduzir a fala do filho. A partir daí, disse que ele e a ex-primeira-dama Marlúcia Viana aceitaram acompanhar a caminhada. “Pai e mãe tão na chuva e no sol com filho que ama”, completou.

A entrevista também abriu espaço para Tião defender o legado de seus governos. Ele citou a integração da BR-364, investimentos em infraestrutura, saneamento, mecanização agrícola, saúde, educação e desenvolvimento regional. Disse que a estrada foi tratada como prioridade porque era a “espinha dorsal” do Acre. Na comparação com o cenário atual, afirmou que o Estado perdeu capacidade de investimento e passou a viver preso à folha de pagamento.

Na educação, Tião fez uma das críticas mais duras. Afirmou que o Acre chegou a ocupar a oitava posição no Brasil e a primeira na Amazônia durante sua gestão, mas hoje aparece em situação muito pior. Também citou a criação do curso de Medicina e a formação de jovens médicos no Estado. Ao falar da saúde, lembrou relatos de moradores de Feijó sobre a perda de estrutura hospitalar e a dificuldade de acesso a cirurgias e especialistas.

Virgílio tentou ligar essa memória administrativa ao presente. Disse que o Acre precisa recuperar prestígio em Brasília, buscar recursos federais, tratar emendas parlamentares com responsabilidade e priorizar áreas que cheguem à vida real das pessoas. Falou em agricultura familiar, cultura, esporte, programas sociais e políticas para a juventude. Para ele, cultura e esporte são “vacinas contra a criminalidade” e contra a falta de perspectiva.

A conversa também entrou no tema do desenvolvimento econômico. Tião defendeu industrialização, bioeconomia, produção de alimentos, uso inteligente da terra e valorização da floresta em pé. Virgílio reforçou a ideia com exemplos como granjas, suínos, açaí, cacau, café, cooperativas e produção rural em pequenas áreas. “O Acre pode se desenvolver, pode se industrializar de uma forma sustentável”, disse.

No campo político, Virgílio reconheceu que encontra uma juventude descrente e dividida pela polarização nacional. Defendeu o diálogo e citou programas federais como Pé-de-Meia, crédito para trabalhadores de aplicativo, Pronampe, Desenrola Brasil, reformas habitacionais e Vale Gás. Para ele, a política precisa sair da briga permanente e chegar ao cotidiano das famílias.

A imagem mais concreta usada por Virgílio foi a de uma criança de quatro anos, no bairro São Francisco, em Rio Branco, cozinhando em um fogão quebrado, com lenha, perto do igarapé. A lembrança serviu para amarrar o principal recado da entrevista: política não pode ser apenas disputa de poder, cargo ou sobrenome. Precisa chegar à casa de quem vive sem estrutura, ao jovem que quer ficar no Acre, ao produtor que precisa trabalhar e às famílias que não aguentam mais promessas distantes.

Jorge Viana diz que Acre vive crise de resultados e afirma que Gladson Cameli está inelegível após condenação no STJ

Jorge Viana afirmou, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta segunda-feira, 25 de maio, em Cruzeiro do Sul, que o Acre atravessa um momento de perda de capacidade política, concentração de poder sem entrega de resultados e abandono de prioridades estruturais, como a BR-364. Ao comentar a situação do ex-governador Gladson Cameli, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça, o ex-governador e pré-candidato ao Senado disse lamentar o caso, negou qualquer participação do PT na origem do processo e afirmou que, na sua avaliação, a condenação em órgão colegiado torna Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

A avaliação de Jorge sobre o Acre partiu de uma comparação entre o volume de poder acumulado pelo grupo que venceu as últimas eleições e a situação concreta enfrentada pela população. Para ele, o estado deu a um mesmo campo político o controle do governo, da bancada federal, das prefeituras mais importantes e da representação no Senado, mas não recebeu em troca obras, serviços e respostas proporcionais. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou.

Jorge disse que pesquisas qualitativas feitas em Cruzeiro do Sul mostram uma cobrança direta da população por realizações. Segundo ele, o sentimento ouvido nas conversas é de frustração com promessas não cumpridas e com a falta de obras estruturantes. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.

A BR-364 foi usada por Jorge como o exemplo mais visível da situação atual do Acre. Ele relatou ter chegado a Cruzeiro do Sul pela estrada, depois de passar por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano, e classificou a situação da rodovia como “uma verdadeira tragédia”. Para o ex-governador, o problema deveria unir governo, bancada federal e lideranças políticas, independentemente de partido. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou.

Mesmo aliado do presidente Lula, Jorge disse que também cobrará o governo federal pela situação da rodovia. Afirmou que os recursos voltaram a ser destinados à estrada, mas que a execução ainda não chegou ao resultado esperado pela população. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, disse. Para ele, a bancada federal deveria concentrar emendas e pressão política na recuperação da BR-364, em vez de pulverizar recursos em ações menores. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.

Ao falar sobre a crise política acreana, Jorge evitou reduzir o debate à disputa entre esquerda e direita. Disse que o eleitor quer entrega, presença do Estado e capacidade de resolver problemas concretos. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, afirmou. Em seguida, completou: “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”.

A fala mais sensível da entrevista veio quando Jorge foi questionado sobre Gladson Cameli. O ex-governador disse lamentar profundamente a condenação e afirmou que não celebra a queda de adversários políticos. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, disse. Em seguida, buscou afastar qualquer ligação entre o processo e o PT, lembrando que as investigações começaram em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou.

Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha ao tratar da origem política da denúncia contra Gladson. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, afirmou. Com essa fala, o pré-candidato tentou deslocar o caso do campo da disputa PT contra Gladson e situá-lo dentro das próprias rupturas internas do grupo político que governou o Acre nos últimos anos.

Sobre os efeitos eleitorais da condenação, Jorge foi direto ao afirmar que, em sua leitura, Gladson está inelegível. Ele citou a Lei da Ficha Limpa e disse que a decisão do STJ tem peso por ter sido tomada por um colegiado. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. Apesar disso, disse esperar que o ex-governador consiga recorrer.

Jorge negou que sua pré-candidatura dependa da retirada de Gladson da disputa. Segundo ele, estava preparado para enfrentar a eleição mesmo com o ex-governador no páreo, inclusive porque parte do eleitorado poderia votar nos dois para o Senado. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, afirmou.

Na avaliação de Jorge, o Acre precisa sair da paralisia política provocada por brigas, extremismos e disputas pessoais. Ele defendeu a recomposição de pontes, mas associou essa postura à cobrança por resultados. O ex-governador disse que não quer voltar ao Senado para atacar o estado ou alimentar conflitos, e sim para recuperar interlocução em Brasília, buscar investimentos e colocar a infraestrutura no centro da pauta. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.

Jorge Viana defende união pelo Acre na Rádio Integração e cobra recuperação da BR-364

A Rádio Integração abriu, nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul, uma nova etapa do Jornal da Manhã ao levar ao ar, também em vídeo pelo YouTube, Instagram e demais redes sociais, uma entrevista de mais de uma hora com Jorge Viana, ex-governador, ex-senador, ex-presidente da ApexBrasil e pré-candidato ao Senado. A conversa, conduzida por Chico Melo, Rogério Wenceslau, Gledson Albano e Mazinho Rogério, colocou no centro do debate a BR-364, a pré-candidatura de Jorge, a polarização política, o governo Lula, a situação jurídica e eleitoral de Gladson Cameli, a produção de café no Juruá, a exportação, a internet e a necessidade de recuperar o diálogo democrático no Acre. Logo na abertura, Chico Melo classificou o momento como “uma entrevista necessária” e reforçou o papel da emissora em receber lideranças políticas em diferentes ocasiões, dentro de uma linha editorial que busca ouvir todos os lados e oferecer ao público o mesmo espaço para que ideias, cobranças e projetos sejam confrontados diante da população.

A entrevista teve peso político também pelo contexto. O Juruá voltou a ser tratado como território decisivo para as eleições de 2026. Antes da entrada de Jorge Viana no estúdio, Rogério Wenceslau chamou atenção para a movimentação de lideranças na região e afirmou que Cruzeiro do Sul e os municípios vizinhos estão “muito cobiçados politicamente”. Ele citou agendas recentes de Alan Rick, Jorge Viana, Tião Viana e Virgílio Viana, além da disputa em torno do apoio do prefeito Zequinha Lima, hoje visto como peça importante no tabuleiro eleitoral.

Jorge Viana chegou ao estúdio depois de cruzar parte do Acre pela BR-364. Disse que passou por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano antes de chegar a Cruzeiro do Sul. A estrada, segundo ele, resume um dos maiores problemas do estado. “Eu estava numa viagem pela estrada e vocês sabem como é que está: é uma verdadeira tragédia essa situação da estrada”, afirmou. A frase abriu o tom da entrevista: Jorge procurou apresentar sua pré-candidatura como uma tentativa de recompor capacidade política em Brasília, sem poupar críticas à falta de articulação da bancada federal e sem aliviar a cobrança sobre o próprio governo Lula.

O ex-governador disse que voltou a percorrer o Acre porque já ajudou o estado em outro momento e quer “ajudar outra vez”. A fala buscou conectar sua trajetória administrativa ao momento atual, marcado por estradas precárias, baixa geração de oportunidades e forte disputa ideológica. “Eu estou na política, já estive para ajudar uma vez, estou para ajudar outra vez. Vim muito devagar, dormindo nos lugares, lá em Sena Madureira, lá em Feijó, fui lá no Gregório também, passei em Tarauacá, claro, em Manoel Urbano, e agora estou aqui em Cruzeiro para conversar com vocês”, disse.

A Rádio Integração, ao dar espaço para Jorge Viana, reforçou uma prática essencial em ano de pré-campanha: abrir o microfone para que lideranças de campos distintos sejam questionadas ao vivo, por jornalistas da região, diante de ouvintes e internautas. Não se tratou apenas de uma entrevista com um pré-candidato. O programa funcionou como uma arena pública em que temas concretos do Acre foram submetidos ao confronto direto: a estrada, o peso do Juruá, a relação com o governo federal, o legado dos governos petistas, os erros dos adversários, as mudanças no eleitorado, a produção regional e o futuro econômico do estado. Ao anunciar o novo formato com vídeo, Chico Melo situou a emissora em uma fase de expansão da audiência, mantendo o rádio como base e somando imagem, redes sociais e participação em tempo real. Ao longo desta semana a programação conta ainda com as entrevistas de Alan Rick, pré-candidato ao governo, e de Virgílio Viana, pré-candidato a deputado federal.

No ponto mais duro sobre infraestrutura, Jorge Viana cobrou unidade da bancada federal em torno da BR-364. Para ele, a estrada deixou de ser um problema administrativo e virou uma emergência política. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou. Em seguida, defendeu que os onze parlamentares acreanos concentrem emendas na rodovia e cobrem execução do DNIT. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.

Mesmo sendo aliado do presidente Lula, Jorge disse que pretende cobrar o governo federal. A fala buscou afastar a ideia de alinhamento automático. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, afirmou. A cobrança expõe um dos pontos mais sensíveis da disputa ao Senado: quem terá força política para transformar repasses, emendas e promessas em obra executada. Jorge tentou ocupar esse espaço ao dizer que mantém relação com diferentes campos em Brasília e que o Senado é o lugar onde o Acre pode ter o mesmo peso institucional de estados maiores.

A polarização política apareceu como outro eixo central. Chico Melo puxou o tema a partir do clima de divisão que tem atravessado famílias e relações pessoais no Brasil. Jorge concordou e disse que o país está cansado de um ambiente de guerra permanente. “O Brasil está cansado da polarização. Uma coisa é você fazer uma crítica como oposição, isso é bem-vindo, isso é legítimo e necessário. Outra coisa é se aproveitar disso e distorcer as coisas e tornar o Brasil um campo de guerra. Aí não”, disse. Ele comparou a disputa política com rivalidades do futebol, afirmando que divergência pode existir sem virar ódio. “Transformar a política, que é uma coisa muito importante, numa verdadeira guerra que divide as famílias no almoço de domingo, por ideologia, isso é terrível”, completou.

Na explicação sobre a demora para assumir a pré-candidatura, Jorge afirmou que aguardava uma definição do presidente Lula sobre sua saída da ApexBrasil. Disse que estava satisfeito com o trabalho no órgão, mas que aliados no Acre pediam sua volta à disputa. Segundo ele, Lula inicialmente demonstrou dúvida sobre liberá-lo, até chamá-lo ao gabinete e autorizar a caminhada. “Ele pegou no meu braço no gabinete e falou: Jorge, o povo do Acre está certo de te pedir para ir. Eu quero que você vá lá, ganhe esse mandato de senador, ajude o Acre, ajude o Brasil. O Acre e o Brasil estão precisando de um senador igual você lá”, contou. Depois da conversa, afirmou ter iniciado a pré-campanha com a missão de “unir os que estão desunidos”.

O tema do equilíbrio político no Acre foi provocado por Rogério Wenceslau, que apontou a concentração de poder em um mesmo campo político e a redução da fiscalização. Jorge respondeu afirmando que a oposição é importante para a democracia, mas disse que o grupo político que venceu as últimas eleições reuniu governo, prefeituras, Senado, Câmara Federal e Presidência da República, sem entregar os resultados esperados. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou. Segundo ele, pesquisas qualitativas em Cruzeiro do Sul mostram cobrança direta da população. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.

Quando Gledson Albano perguntou sobre a perda de força da esquerda no Acre, Jorge evitou reduzir sua trajetória a um rótulo ideológico. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, disse. Para ele, o eleitor acreano quer resultado mais do que identificação partidária. “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”, completou.

A entrevista também teve espaço para memória administrativa. Jorge citou obras realizadas em seus governos e nos governos de Binho Marques e Tião Viana, especialmente no Juruá. Mencionou a Avenida Mâncio Lima, o porto, o aeroporto de Cruzeiro do Sul, a Avenida São Paulo, a eletrificação rural, o Hospital do Juruá, escolas e a chegada da universidade. Ao tratar do passado, tentou apresentar um contraste com o presente: não como nostalgia, mas como argumento eleitoral. A mensagem foi clara: sua pré-candidatura pretende disputar a lembrança concreta de obras e serviços contra o desgaste de um ciclo político que, segundo ele, concentrou poder e não produziu entregas compatíveis.

A situação do ex-governador Gladson Cameli ocupou a parte mais sensível da entrevista. Jorge disse lamentar a condenação no Superior Tribunal de Justiça e afirmou que não deseja prisão nem sofrimento a adversários. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, afirmou. Em seguida, rebateu qualquer tentativa de atribuir o processo ao PT. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou. Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha como autor da denúncia inicial. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, disse.

Ao avaliar o impacto eleitoral, Jorge disse considerar Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa, embora tenha afirmado torcer para que o ex-governador consiga recorrer. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. O pré-candidato disse ainda que estava preparado para disputar a eleição mesmo com Gladson na corrida. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, disse.

O café, levado por Jorge ao estúdio e passado durante o programa, abriu uma frente econômica da entrevista. O ex-governador apresentou o Ikiri, produto cultivado em sua propriedade em Rio Branco, e usou o momento informal para falar da cadeia produtiva no Juruá. Disse que pretende ajudar produtores de Mâncio Lima a exportar café para mercados de alto valor. “Vou ajudar os amigos de Mâncio Lima a exportar o café. Já falei isso com Jonas, com o pessoal da Cobra Café. Estou abrindo mercado dos Estados Unidos, da China, da Europa e do Japão para o café de Mâncio Lima, para o café do Juruá”, afirmou. Em seguida, antecipou que a exportação pode começar ainda nesta safra. “Talvez esse ano agora a safra já comece a exportar café de Mâncio Lima para os Estados Unidos. Estou dando aqui em primeira mão a notícia”, disse.

O tema da conectividade apareceu nos minutos finais. Jorge afirmou que pretende trabalhar, caso eleito, para melhorar a internet no Acre. “Uma das coisas que eu quero fazer é transformar o Acre para ter a melhor internet da Amazônia. Ter três cabos de fibra ótica de Rio Branco para Cruzeiro do Sul”, declarou. A proposta foi vinculada à permanência da juventude no estado e à criação de oportunidades. “Trinta e quatro mil pessoas foram embora do Acre nos últimos oito anos. Isso é uma loucura. E por que essas pessoas foram embora? Atrás de oportunidade. As oportunidades têm que estar aqui”, afirmou.

Jorge também criticou os juros no Brasil, especialmente o consignado. Ao falar sobre programas federais de renegociação e crédito, afirmou que o Senado precisa enfrentar o peso das taxas cobradas de trabalhadores e aposentados. “Esse tal consignado às vezes ajuda a pessoa a pegar dinheiro, mas ninguém consegue se livrar do consignado pela taxa de juro que cobra. É garantido, o cara desconta do salário da pessoa e a pessoa ainda paga uma taxa de juro dessa. Se eu estiver no Senado, é para lutar contra esse tipo de barbaridade”, disse.

A entrevista terminou com Jorge Viana tentando fixar uma imagem de pré-candidato conciliador, mas combativo nos temas de infraestrutura, economia e representação política. Ele disse não querer voltar ao Senado para alimentar brigas, mas para recuperar investimentos, defender o Acre em Brasília e reconstruir pontes com setores hoje separados pela polarização. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.

Entenda o caso Gladson Cameli: advogado explica por que ex-governador está inelegível após condenação no STJ

O ex-governador Gladson Cameli, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão, está hoje inelegível e não poderia registrar candidatura se o prazo terminasse nesta quinta-feira, 21 de maio, conforme análise feita pelo advogado Emerson Soares no programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM. A explicação ocorreu em meio à confusão provocada por publicações que passaram a tratar a anulação de parte das provas pelo Supremo Tribunal Federal como se ela tivesse derrubado todo o processo. Para o advogado, a situação jurídica é outra: a condenação permanece válida, os recursos ainda são possíveis, mas a chance de uma liminar devolver a elegibilidade de Gladson foi classificada por ele como remota.

A dúvida central apresentada no programa foi direta: se o último dia para registro de candidatura fosse hoje, Gladson poderia registrar a candidatura ao Senado? Emerson Soares respondeu sem margem para dupla interpretação. “Não. Efetivamente, não”, afirmou. A base da resposta está na Lei Complementar 64/90, conhecida como Lei da Ficha Limpa, que torna inelegíveis os condenados por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado. Como a condenação de Gladson foi dada pela Corte Especial do STJ, um colegiado, o advogado sustentou que a inelegibilidade já produz efeitos, mesmo sem o trânsito em julgado.

A condenação citada no debate foi a imposta pelo STJ no caso ligado à Operação Ptolomeu. Gladson foi condenado pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A pena fixada chegou a 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado. O tribunal também determinou multa, indenização superior a R$ 11 milhões ao Estado do Acre e perda do cargo de governador, embora Gladson já tivesse renunciado anteriormente para tentar disputar o Senado.

Emerson Soares explicou que, por envolver crimes contra a administração pública, a inelegibilidade não se encerraria apenas com oito anos contados da condenação. Na leitura apresentada por ele, Gladson teria de cumprir a pena e, depois disso, ainda ficaria oito anos impedido de disputar eleições. “Fazendo uma matemática bem simples, ele está inelegível por 33 anos e nove meses”, disse o advogado. Ele acrescentou que esse cálculo considera apenas a condenação já proferida, sem contar possíveis efeitos de novas condenações em outros processos.

O advogado também tratou da nova ação penal recebida pelo STJ, ligada à duplicação da AC-405, em Cruzeiro do Sul. Para ele, essa segunda frente ainda está no início e não é, neste momento, o fator que impede a candidatura de Gladson. “Hoje, o que torna ele inelegível é tão somente essa condenação”, afirmou. A nova ação, segundo a explicação dada no programa, ainda terá defesa prévia, instrução e tramitação própria. A condenação já imposta pelo STJ é o ponto jurídico decisivo para o quadro eleitoral atual.

A principal confusão pública, na avaliação do advogado, está na decisão do STF sobre relatórios de inteligência financeira do Coaf. Emerson explicou que parte dessas provas foi considerada ilegal por problemas na forma como entrou no processo, sem respeito à cadeia de custódia. Isso, porém, não significaria a queda da condenação. “Essas provas que foram excluídas por serem consideradas ilegais não tiveram influência, não serviram de base probatória para formulação da denúncia, tampouco para imposição da condenação”, afirmou.

Para o advogado, a publicação recente do acórdão do STF não representa um fato novo capaz de reabrir automaticamente o caminho eleitoral de Gladson. Ele classificou a repercussão como uma leitura equivocada do andamento processual. “Foi só a materialização instrumental de uma decisão que já existia desde o ano passado. Então não é fato novo e muito menos é uma anulação do processo que foi julgado pelo STJ”, disse. Em outro momento, reforçou: “O que foi divulgado ontem, parecendo que o governador podia ser candidato sem nenhum problema, não é bem assim não”.

A possibilidade de recurso existe. Emerson Soares afirmou que a defesa pode levar o caso ao Supremo por meio de recurso extraordinário, mas explicou que esse caminho é estreito porque exige discussão constitucional, demonstração de repercussão geral e superação de barreiras de admissibilidade. “Possibilidade no direito sempre existe”, disse ele, antes de ponderar que a via recursal não permite rediscutir livremente provas e fatos. Na avaliação dele, o STF não costuma reexaminar o conjunto probatório nesse tipo de recurso.

A alternativa mais comentada no campo político seria uma liminar para suspender os efeitos da condenação e permitir o registro da candidatura. Emerson explicou que essa medida teria de demonstrar dois requisitos: a plausibilidade jurídica do pedido e o risco de dano pela demora, já que o prazo eleitoral se aproxima. Mesmo reconhecendo que o risco da demora seria mais fácil de demonstrar por causa do calendário eleitoral, o advogado avaliou que o ponto mais difícil seria convencer o Supremo de que há chance concreta de reversão da decisão do STJ. “As possibilidades desse recurso extraordinário ser admitido são remotas, mas não são impossíveis, e mais remota ainda é uma peça recursal conseguir desconstruir todo um voto, toda uma instrução do Superior Tribunal de Justiça”, afirmou.

Emerson também comentou o peso político de Gladson, que segue com forte capital eleitoral no Acre e nunca perdeu uma eleição. Ainda assim, afirmou que popularidade não basta para alterar uma decisão judicial. O advogado fez questão de registrar sua relação pessoal com o ex-governador e disse falar “com dor”, por gostar de Gladson e já ter atuado como advogado dele na primeira candidatura à Câmara Federal. “Eu tenho uma admiração por ele, inegavelmente, independentemente de qualquer coisa. É um grande líder político do nosso estado e da região Norte, nunca perdeu uma eleição”, disse. Logo depois, ponderou que, sem Gladson na disputa, “o cenário muda radicalmente” e “as peças se mexem no tabuleiro”.

Outro ponto explicado no programa foi o prazo para recursos. Emerson informou que a defesa já apresentou embargos de declaração, instrumento usado para questionar pontos de obscuridade, omissão ou contradição e também para preparar o caminho do recurso ao STF. Como os embargos interrompem o prazo, o período para o recurso extraordinário ainda não começou. Quando começar, segundo ele, o prazo será de 15 dias corridos, contados a partir da publicação da decisão correspondente, com prorrogação apenas se o vencimento cair em fim de semana ou dia sem expediente.

A análise feita no Jornal da Manhã também separou dois conceitos que têm sido misturados no debate político: o lícito e o justo. Para Emerson, a licitude está ligada ao respeito ao devido processo legal, com contraditório, ampla defesa e julgamento por autoridade competente. Já a justiça social pode variar conforme a percepção de cada pessoa. Ao tratar da condenação de Gladson, ele afirmou que, do ponto de vista judicial, o resultado deve ser compreendido a partir das regras do processo e dos recursos cabíveis. “A decisão do juiz não se questiona, se recorre”, disse.

O quadro, portanto, é este: Gladson Cameli foi condenado por órgão colegiado, está hoje inelegível pela Lei da Ficha Limpa, ainda pode recorrer ao STF e pode tentar uma liminar para suspender os efeitos da condenação. Mas, na avaliação jurídica apresentada por Emerson Soares, essa possibilidade existe mais no campo técnico do que no campo da probabilidade. A anulação de parte das provas pelo STF não derrubou a condenação, não anulou o processo e não devolveu automaticamente a condição de candidato ao ex-governador. Até uma decisão em sentido contrário, o impedimento eleitoral permanece.