Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Sargento Adonis leva trajetória militar e força eleitoral do Juruá à chapa de Bocalom

Escolhido para disputar o cargo de vice-governador do Acre na chapa de Tião Bocalom, do PSDB, Sargento Adonis chega à eleição de 2026 com uma trajetória ligada ao Vale do Juruá, à Polícia Militar e à política de Cruzeiro do Sul. A composição amplia a presença da região na disputa pelo Governo do Estado e leva para a campanha um nome que recebeu mais de 9 mil votos na primeira eleição que disputou.

Adonis Souza nasceu na comunidade Belo Jardim, no Alto Rio Juruá, em uma família que vivia do comércio pelos rios da região. O pai trabalhava como regatão, transportando e vendendo mercadorias em comunidades isoladas, enquanto a mãe era natural de Porto Walter. Nos primeiros anos de vida, a família morava em um batelão usado durante as viagens comerciais.

A mudança para a cidade ocorreu quando Adonis ainda era criança. A decisão dos pais teve como principal objetivo garantir acesso à escola para os filhos. Aos 12 anos, ele já conciliava os estudos com diferentes atividades para conseguir renda, entre elas a retirada e venda de areia, a comercialização de bolinhos de trigo e a revenda de produtos fornecidos por comerciantes de Cruzeiro do Sul.

A rotina de trabalho continuou durante a formação acadêmica. Adonis graduou-se em Letras Vernáculo pela Universidade Federal do Acre e também concluiu o curso de Direito em Rio Branco.

Posteriormente, ingressou na Polícia Militar do Acre, onde permanece na ativa. A carreira acrescentou à sua trajetória profissional a experiência na segurança pública e o contato direto com moradores, comerciantes e lideranças comunitárias do Vale do Juruá.

“Durante toda a minha vida, estive servindo as pessoas com aquela atividade simples. Depois, passei a prestar um serviço de segurança pública à sociedade”, afirmou Adonis ao falar sobre a passagem do trabalho no comércio para a atuação policial.

A entrada na política eleitoral ocorreu em 2020. Naquele ano, Sargento Adonis disputou pela primeira vez a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e recebeu 9.077 votos. Ele terminou a eleição em terceiro lugar, atrás de Zequinha Lima e Jéssica Sales.

A votação municipal deu projeção ao nome de Adonis no Juruá e passou a integrar seu principal capital político para a eleição estadual de 2026. Seis anos depois da primeira candidatura, ele deixa uma disputa concentrada em Cruzeiro do Sul para integrar uma chapa que busca votos nos 22 municípios acreanos.

Adonis afirma que decidiu participar da política após acompanhar problemas relacionados à administração pública e questionar a aplicação dos recursos destinados à população.

“Eu sempre tive dentro de mim esse desejo de devolver para a sociedade, de alguma forma, aquilo que é dela por direito”, declarou.

Na chapa de Bocalom, a escolha do policial militar também estabelece uma ligação direta com o segundo maior colégio eleitoral do Acre e com os municípios do Vale do Juruá. A campanha passa a reunir, na mesma composição, uma liderança política sediada em Rio Branco e um candidato a vice com trajetória profissional, familiar e eleitoral construída no interior do estado.

Assista a entrevista:

Bocalom celebra nota 6,8 de Rio Branco no Ideb e atribui avanço a investimentos na educação

O prefeito Tião Bocalom celebrou, nesta quarta-feira (5), a nota 6,8 alcançada pela rede municipal de Rio Branco no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. O resultado superou os 6,4 registrados em 2023 e colocou a capital acreana a um décimo do melhor desempenho entre as capitais brasileiras nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Bocalom comemorou os números durante visita à Escola Municipal Maria Lúcia Moura Marim, no bairro Morada do Sol. A unidade obteve nota 8,7 e ficou em primeiro lugar entre as escolas do Acre. Rio Branco também ocupou a segunda e a terceira posições do estado, com as escolas Luiz de Carvalho Fontenele, que alcançou 8,3, e Chico Mendes, com 8,1.

“Nossa escola Maria Lúcia Moura Marim é a campeã do estado do Acre no Ideb de 2025. Estou muito feliz porque esse resultado é fruto da dedicação dos nossos professores, das equipes gestoras e de todos aqueles que fazem a educação do município de Rio Branco”, afirmou o prefeito.

Ao comentar o desempenho geral da rede, Bocalom lembrou que Rio Branco já havia ficado perto da liderança nacional na avaliação anterior. Em 2023, a capital terminou um décimo atrás de Goiânia. Desta vez, alcançou 6,8, enquanto Curitiba registrou 6,9.

“Mais uma vez ficamos em segundo lugar por apenas um décimo, mas isso nos enche de orgulho”, declarou.

O prefeito atribuiu o crescimento no índice aos investimentos feitos pela administração municipal na valorização dos profissionais, na infraestrutura das escolas e na adoção de novas tecnologias e metodologias de ensino.

Entre as medidas citadas por Bocalom estão o aumento salarial dos trabalhadores da educação, a reforma e climatização das unidades, a instalação de internet nas escolas urbanas e rurais, a entrega de notebooks aos professores e de tablets aos alunos, além da implantação de atividades de robótica e do programa Mente Inovadora.

“Quando recebemos a prefeitura, a maioria das escolas não tinha ar-condicionado. Hoje todas têm climatização, internet e mais tecnologia dentro das salas de aula”, disse.

Professor de matemática, Bocalom afirmou que a melhoria da educação pública sempre esteve entre suas prioridades e agradeceu aos professores, gestores, servidores e familiares dos estudantes pelo resultado.

“Esse resultado mostra que estamos no caminho certo e que nossas crianças estão tendo mais oportunidades para construir um grande futuro”, afirmou o prefeito, ao anunciar a continuidade dos investimentos na rede municipal.

Bocalom propõe reconhecimento facial nos 22 municípios e parceria com a PF contra facções no Acre

O pré-candidato ao governo do Acre Tião Bocalom (PSDB) defendeu a ampliação do reconhecimento facial, a integração com a Polícia Federal e o reaparelhamento das forças de segurança durante sabatina ao ContilNet Notícias. A proposta busca conter o avanço das facções criminosas e do narcotráfico em um estado que faz fronteira com Peru e Bolívia.

Bocalom afirmou que o combate ao crime organizado precisa combinar monitoramento tecnológico, inteligência policial e ações integradas entre órgãos estaduais e federais. Para ele, a localização geográfica do Acre facilita a entrada de drogas e exige medidas que vão além do policiamento tradicional.

“Aqui o problema é que está na divisa com o Peru e com a Bolívia, então é muita droga que passa. Não fica tão difícil quando a gente começa a usar a inteligência e câmeras de reconhecimento facial para ajudar”, afirmou.

O pré-candidato citou o sistema instalado durante sua gestão na Prefeitura de Rio Branco como modelo para uma eventual administração estadual. Segundo Bocalom, mais de 400 câmeras foram implantadas na região central da capital, com capacidade para auxiliar na identificação de suspeitos e no acompanhamento de ocorrências.

“Rio Branco foi o primeiro município do Brasil a assinar um termo de parceria com a Polícia Federal para fazer segurança pública. Queremos continuar com esse trabalho no estado inteiro, em todos os municípios, com câmeras de reconhecimento facial para inibir o crime”, disse.

Bocalom também defendeu investimentos na estrutura das polícias Militar e Civil, com equipamentos, capacitação e insumos para treinamentos regulares. Ele criticou a falta de munição para exercícios de preparação dos agentes e afirmou que o problema compromete a atuação das corporações.

“Nós precisamos dar as condições para que a Polícia Militar possa trabalhar tranquila, que não deixe faltar, por exemplo, munição. Policial militar me reclamou que passa mais de ano sem treinar porque não tem munição para fazer o treinamento. Isso não pode acontecer. A gente precisa da nossa polícia toda treinada e preparada para enfrentar o problema”, afirmou.

Com informações da Contilnet

Wenceslau vê Bocalom fortalecido após convenção e questiona pesquisa AtlasIntel no Acre

O jornalista Rogério Wenceslau afirmou, na manhã desta segunda-feira, 3 de agosto, que a convenção de Tião Bocalom mudou a percepção sobre a força do ex-prefeito de Rio Branco na disputa pelo Governo do Acre. Durante sua análise no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, o apresentador também questionou a diferença entre os números divulgados pela AtlasIntel e o cenário construído por pesquisas anteriores no estado.

A leitura de Wenceslau partiu das imagens do Ginásio do Sesi lotado na sexta-feira, 31 de julho, durante o ato que oficializou a candidatura de Bocalom ao governo. Para o jornalista, a mobilização retirou o candidato de uma posição secundária no debate eleitoral e obrigou adversários, aliados e observadores da política acreana a reverem suas avaliações.

“Uma multidão lotou o ginásio, muita gente realmente, acho que mais de cinco mil pessoas. Isso reposicionou a candidatura de Tião Bocalom”, declarou.

Wenceslau sustentou que o tamanho do público teve um peso político que ultrapassou a formalidade da convenção. Na avaliação apresentada no programa, o evento mostrou que Bocalom preserva capacidade de mobilização, estrutura partidária e presença entre eleitores que já o acompanharam em outras disputas.

“Muita gente que achava que ele não estava tão forte assim acabou revendo os conceitos e entendendo que é um candidato que está na disputa, que está forte e que o jogo está pareado”, afirmou.

A convenção confirmou o sargento Adônis Souza como candidato a vice-governador e o deputado federal Eduardo Velloso como candidato ao Senado. Ao comentar a formação da chapa, Wenceslau lembrou que Velloso se aproximou do grupo de Bocalom depois de não conquistar espaço para disputar o Senado na composição governista.

Mesmo diante da demonstração de força, o jornalista tratou o cenário como aberto. As convenções ainda estavam em andamento, as candidaturas passariam pelo registro na Justiça Eleitoral e a campanha não havia começado oficialmente. Para Wenceslau, novas alianças e movimentos partidários ainda poderiam alterar a disputa antes de o eleitor entrar em contato direto com a propaganda eleitoral.

Foi nesse ambiente que a pesquisa AtlasIntel, divulgada pelo AC24horas, entrou no centro da análise. No cenário estimulado para o Governo do Acre, Mailza Assis apareceu com 35,2%, Alan Rick com 33,1%, Tião Bocalom com 18,5% e Thor Dantas com 9,7%.

Wenceslau não tratou os números como uma oscilação comum entre levantamentos. Para ele, a pesquisa colocou diante do eleitor uma configuração muito diferente daquela apresentada até então por institutos que acompanharam a corrida estadual.

“Essa pesquisa muda completamente o panorama político. Coloca a situação completamente diferente do que até então a gente imaginava”, disse.

O principal ponto de estranhamento levantado pelo jornalista foi a ascensão de Mailza Assis. Wenceslau comparou o resultado da AtlasIntel com pesquisas divulgadas poucos dias antes, nas quais a governadora aparecia em posição inferior, e questionou quais fatos políticos teriam provocado uma mudança tão rápida na preferência do eleitorado.

“Na pesquisa do AC24horas, a governadora já ultrapassou o pré-candidato Alan. Ela sai da terceira colocação para a primeira colocação em menos de 15 dias”, observou.

A crítica apresentada no Jornal da Manhã não se limitou à posição de Mailza. Wenceslau colocou em dúvida a capacidade dos levantamentos disponíveis de oferecer uma fotografia coerente da disputa, diante das diferenças entre os resultados divulgados por institutos nacionais e locais.

“Ou eu não vi nada do que aconteceu nos últimos dias na política ou todos os institutos de pesquisa da região estão mentindo, e mentindo feio. Das duas, uma”, afirmou.

O jornalista reconheceu que pesquisas eleitorais podem apresentar resultados diferentes. Cada levantamento trabalha com amostras, métodos, períodos de coleta e formas de abordagem próprias. Ainda assim, considerou difícil explicar uma mudança tão ampla em tão pouco tempo sem que um acontecimento político de grande impacto tivesse sido percebido nas ruas, nos partidos ou no debate público.

“Ou a gente não acompanhou nada de política nos últimos dias, que não viu essa mudança toda, ou os institutos de pesquisa do Acre não estão mais servindo para aferir a intenção de voto do eleitor, porque isso coloca de cabeça para baixo tudo que vinha sendo mostrado”, declarou.

Ao recuperar o histórico eleitoral de Bocalom, Wenceslau também pediu cautela na transformação de pesquisas em resultados antecipados. O apresentador lembrou que o político já chegou desacreditado a outras eleições municipais e terminou vencedor.

“No Acre, nós já temos um especialista em desmentir pesquisa. Eu acabei de falar nele, que é o Tião Bocalom. Nas eleições majoritárias que disputou, era dado como derrotado e venceu pelo menos duas”, comentou.

A análise feita por Wenceslau no Jornal da Manhã colocou lado a lado dois elementos que passaram a movimentar a eleição acreana. A convenção mostrou Bocalom cercado por apoiadores e lideranças, enquanto a pesquisa AtlasIntel o manteve distante dos dois primeiros colocados. Para o jornalista, essa diferença precisa ser acompanhada com atenção, porque a força demonstrada em um ato partidário não pode ser confundida automaticamente com intenção de voto, mas também não deve ser ignorada na leitura da campanha.

Wenceslau encerrou a análise defendendo que as pesquisas sejam divulgadas e debatidas, sem que os percentuais sejam tratados como sentença definitiva. Na avaliação do apresentador, a disputa ainda passará pelas convenções, pela campanha nas ruas, pelo confronto de propostas e pelo julgamento direto do eleitor. A resposta final, como ocorre em qualquer eleição, não estará no ginásio nem nas planilhas dos institutos, mas nas urnas.

Sargento Adônis confirma candidatura a vice de Bocalom e fala em “libertação” do Acre

Escolhido para compor a chapa de Tião Bocalom, o militar atribuiu sua entrada na disputa à providência divina, defendeu o modelo de gestão do candidato ao governo e citou Mahatma Gandhi ao projetar a vitória nas urnas.

A convenção da coligação “Produzir para Empregar”, realizada no ginásio do Sesi, em Rio Branco, nesta sexta-feira, 31, oficializou a chapa majoritária liderada por Tião Bocalom na disputa pelo Governo do Acre. Um dos principais discursos da noite foi feito pelo candidato a vice-governador, Sargento Adônis, que concentrou sua fala em referências religiosas, na defesa da trajetória administrativa de Bocalom e na promessa de mudança no comando do estado.

Adônis subiu ao palco e apresentou a candidatura como parte de um projeto coletivo. Logo no início, associou a campanha à democracia e ao enfrentamento dos problemas econômicos e sociais do Acre:

“Não é uma festa minha, não é uma festa do Bocalom, é uma festa nossa, é a festa da democracia, é a festa da libertação do estado do Acre deste subdesenvolvimento.”

A Lei da Semeadura e o pragmatismo na gestão

Ao defender Tião Bocalom e Eduardo Velloso, candidato ao Senado, Adônis recorreu ao princípio bíblico da semeadura. Para ele, a trajetória política dos dois sustenta a confiança no projeto apresentado pela coligação. “Certamente eles plantaram no passado com uma história íntegra, justa, honesta e vão colher bons frutos à frente deste novo projeto.”

O candidato a vice também direcionou o discurso para a experiência administrativa de Bocalom. Adônis afirmou que a campanha não dependerá apenas de promessas, mas do histórico do candidato nas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco.

“Eu não tenho dúvidas por que esse time vai sair vencedor. É porque o Tião Bocalom não vai apresentar propostas, não. Ele vai apresentar um projeto consolidado de gestão que já deu certo em Acrelândia por três vezes prefeito e que também deu certo aqui em Rio Branco.”

De Eclesiastes a Gandhi

No encerramento do discurso, Adônis deixou as referências bíblicas e citou o líder pacifista indiano Mahatma Gandhi. A frase foi usada para convocar os apoiadores a participar da campanha e reforçar a confiança na vitória eleitoral.

“Tem uma frase que eu gosto muito de Mahatma Gandhi que diz o seguinte: ‘Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é um desejo de vencer’. E é com esse desejo no coração, de mãos dadas com todos vocês aqui, que nós vamos juntos levantar a bandeira da vitória no dia 4 de outubro.”

Bocalom oficializa candidatura ao Governo do Acre com Adônis de vice e Velloso ao Senado

A convenção realizada na noite desta sexta-feira, 31 de julho, no Ginásio do Sesi, em Rio Branco, oficializou Tião Bocalom, do PSDB, como candidato ao Governo do Acre, Sargento Adônis como vice e o deputado federal Eduardo Velloso, do Solidariedade, na disputa pelo Senado. O ato reuniu PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD em torno da chapa que pretende levar para o governo estadual o programa “Produzir para Empregar”, usado por Bocalom em administrações anteriores.

Bocalom chegou ao ginásio acompanhado de Adônis, Velloso, da esposa Kelen Bocalom e do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene. A composição apresentada no palco definiu o núcleo político da campanha e confirmou a presença de Alysson ao lado do ex-prefeito, mesmo com o atual gestor da capital filiado ao Progressistas, partido da candidata ao governo Mailza Assis.

Na chegada ao evento, Bocalom comparou a estrutura política montada para a eleição deste ano com a primeira vez em que disputou o Governo do Acre, em 2006. “O Bocalom hoje é mais experiente, não tenho dúvida nenhuma. Em 2006, meu Deus do céu, não tinha ninguém na nossa convenção, era muito pouca gente. Mas hoje, graças a Deus, isso aqui é esperança. Isso é resultado do que a gente trabalhou em Acrelândia e Rio Branco. Mostramos que sabemos trabalhar e que o dinheiro na nossa mão rende”, afirmou.

O candidato colocou a produção rural, o comércio e a indústria no centro do discurso econômico. “O dinheiro precisa chegar aos mais necessitados, com políticas de geração de emprego e renda. Vamos apoiar desde os pequenos até os médios e grandes produtores, comerciantes e industriais. É a linha do ‘Produzir para Empregar’ que vai vencer desta vez”, declarou Bocalom.

Escolhido para ocupar a vaga de vice, Sargento Adônis levou para a chapa o discurso ligado à segurança pública e a representação política do Vale do Juruá. O militar afirmou que a proposta defendida por Bocalom já foi testada nas administrações de Acrelândia e Rio Branco. “É muito gratificante saber que o Bocalom, lá atrás, quando iniciou sua caminhada, tinha como proposta ‘Produzir para Empregar’. Hoje está mais do que evidente que ele estava certo. Ele tem um projeto de gestão consolidado para apresentar ao povo do estado do Acre”, disse.

Adônis também assumiu o compromisso de participar da campanha em todas as regiões acreanas. “Estamos aqui à disposição do povo do Acre para a gente construir um dos melhores projetos de desenvolvimento para o nosso estado, começando de Assis Brasil até Mâncio Lima”, afirmou. A escolha de um vice do Juruá busca ampliar a presença territorial da chapa e aproximar Bocalom dos municípios do interior.

Eduardo Velloso apresentou a chapa como uma divisão de responsabilidades entre segurança pública, produção e saúde. “Sinto-me muito honrado de fazer parte desse time. Nós temos um representante da segurança pública, que é um dos maiores problemas do estado; temos uma pessoa que já mostrou que sabe construir e tem olho na produção rural, juntando com a saúde, que é um dos calos do nosso estado”, declarou o candidato ao Senado.

Velloso encerrou a participação com um discurso voltado à mobilização dos apoiadores. “Esse time aqui vai sair vencedor. Hoje começa uma nova história, um novo desenvolvimento, um novo capítulo do Estado do Acre. Aqui tem força, tem fé e tem trabalho”, afirmou. A candidatura do deputado ao Senado foi incorporada à chapa de Bocalom após o parlamentar deixar o grupo político ligado à candidatura de Mailza Assis.

Alysson Bestene concentrou sua fala na continuidade do modelo administrativo iniciado por Bocalom na Prefeitura de Rio Branco. “É esse time que respeita as pessoas em primeiro lugar, que faz com que o dinheiro público chegue de fato e mude a vida das pessoas. O exemplo está aí, seja em Acrelândia e em Rio Branco. Eu tenho orgulho de dar continuidade a esse trabalho no município de Rio Branco”, declarou.

O prefeito também afirmou que sua relação política com Bocalom permanece acima da posição adotada pelo Progressistas na eleição estadual. “Nós não estamos na política para se beneficiar de recurso público, para ganhar dinheiro. Nós estamos na política para servir as pessoas em primeiro lugar e, principalmente, aqueles que mais precisam. Conheço você desde 2012, e essa sensibilidade nunca morreu: a de olhar para quem mais precisa”, disse Alysson.

Na disputa pelo Senado, Alysson confirmou apoio a Eduardo Velloso e ao ex-governador Gladson Cameli. “O Eduardo Velloso compôs aqui a chapa com a gente. É um prazer tê-lo junto, é meu amigo de infância”, afirmou. Ao defender a candidatura de Bocalom, Alysson afirmou que a chapa reúne nomes comprometidos com o desenvolvimento do estado. “Tenho certeza de que o Acre vai se desenvolver com pessoas sérias que querem fazer o melhor para a população de todo o estado do Acre”, declarou o prefeito.

A convenção fechou as três principais definições eleitorais do grupo: Bocalom para o Governo do Acre, Adônis como vice e Eduardo Velloso para o Senado. Também tornou pública a distância entre Alysson Bestene e a direção estadual do Progressistas. Embora permaneça no partido, o prefeito escolheu participar da campanha de Bocalom e defender a continuidade estadual do projeto administrativo que os dois implantaram juntos em Rio Branco.

Alysson reforça continuidade da gestão em Rio Branco e declara apoio a Bocalom

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, apresentou nesta quarta-feira, 29 de julho, em Cruzeiro do Sul, um balanço das ações executadas desde que assumiu o comando da capital e reafirmou o apoio à pré-candidatura de Tião Bocalom ao governo do Acre. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, Bestene colocou a continuidade administrativa, o cuidado com os recursos públicos e a lealdade política como bases da parceria construída entre os dois.

Alysson assumiu a Prefeitura de Rio Branco em 4 de abril de 2026, após a transmissão do cargo feita por Bocalom. Desde então, passou a conduzir uma estrutura administrativa que ajudou a construir como vice-prefeito e integrante direto da gestão municipal. A prefeitura mantém Bestene como atual prefeito da capital acreana.

A relação entre os dois atravessa mais de uma década. Alysson lembrou que a aproximação política começou em 2012, quando disputaram juntos a Prefeitura de Rio Branco, com Bocalom como candidato a prefeito e ele como candidato a vice. A parceria voltou a ser formada na eleição de 2024 e chegou ao comando da capital.

“Os nossos princípios sempre convergiram nesse sentido de fazer com que a coisa pública, de fato, chegasse às pessoas em primeiro lugar. Deus permitiu que, a partir de 2024, nós reeditássemos essa dupla e agora possibilitou que a gente assumisse a capital para dar sequência nesse trabalho inovador, moderno e com cara de capital”, afirmou Alysson.

Nos primeiros meses à frente da prefeitura, Bestene manteve obras que estavam em andamento e avançou em ações nas áreas de infraestrutura, transporte, produção rural e educação. Ele citou a preparação do Mercado Elias Mansour para entrega, as obras de unidades básicas de saúde, entre elas a da Vila Betel, e a recuperação de quadras e praças em diferentes bairros.

Segundo Alysson, dez espaços públicos foram revitalizados e entregues durante os primeiros cem dias de sua administração. Entre eles está a quadra com piso modular no bairro Doca Furtado, iniciada durante a gestão de Bocalom e concluída após a mudança no comando da prefeitura.

“Nesses cem dias, a gente vem dando sequência a obras importantes que ainda vamos entregar ao longo deste ano. São várias quadras e praças que estamos revitalizando e recuperando. Só ao longo desses cem dias foram dez que a gente já revitalizou e entregou”, disse.

A continuidade também alcançou o sistema de transporte coletivo. Alysson afirmou que a prefeitura iniciou um novo processo emergencial para ampliar e melhorar o atendimento aos passageiros, com a previsão de colocar 120 ônibus à disposição da população. A medida fazia parte das discussões mantidas com Bocalom ainda durante o período em que os dois administravam juntos a capital.

Bestene relacionou a capacidade de manter os investimentos ao equilíbrio financeiro construído pela gestão. Ele afirmou que recebeu a prefeitura com mais de R$ 150 milhões em caixa e que os recursos estão sendo aplicados em serviços e projetos voltados diretamente aos moradores.

“Isso é uma demonstração de um serviço sério e honesto, que só é possível diante da quantidade de recursos trabalhados com seriedade. Foram mais de R$ 150 milhões deixados em caixa, que a gente está aplicando bem para que esses benefícios voltem para a população”, declarou Alysson.

A estrutura municipal de obras recebeu atenção especial. O prefeito afirmou que a Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco conta atualmente com mais de 85 máquinas e equipamentos, incluindo caminhões destinados aos serviços de pavimentação, manutenção das ruas e recuperação dos corredores de ônibus. Parte desse maquinário foi adquirida durante a administração de Bocalom e permanece em operação na atual gestão.

Na área rural, Alysson informou que as equipes municipais recuperaram aproximadamente 330 quilômetros de ramais e estradas vicinais durante o início do período de verão. A prefeitura também manteve a entrega de calcário, fertilizantes e outros insumos usados pelos produtores.

Outro programa citado pelo prefeito prevê a distribuição de 150 mil mudas de café para propriedades localizadas no entorno do cinturão verde de Rio Branco. Para Alysson, o trabalho desenvolvido na capital comprova que o apoio ao pequeno produtor e à agricultura familiar pode ampliar a produção, gerar renda e fortalecer a economia.

“Estamos distribuindo 150 mil mudas de café no entorno do cinturão verde. É uma marca que tenho certeza de que será implementada ao longo do estado, porque já demonstrou que funciona na capital: o avanço da produção, apoiando o pequeno produtor e a agricultura familiar”, afirmou.

A educação também ocupa espaço central na gestão. Alysson lembrou que assumiu a Secretaria Municipal de Educação quando ainda era vice-prefeito e acompanhou investimentos em tablets, computadores, material escolar, fardamento e calçados para os estudantes. Ele também citou o projeto que levou alunos da rede municipal a uma experiência educacional nos Estados Unidos, com visitas à NASA e à Disney, iniciativa criada durante a administração de Bocalom e mantida pela atual prefeitura.

“A educação transforma. Quando ela é bem conduzida, prepara as crianças para o futuro. A gente evita a violência e cria condições para que essas crianças possam se tornar grandes profissionais, médicos, advogados, cientistas e, quem sabe, futuros prefeitos e governadores”, declarou Alysson.

Alysson apresentou os resultados da capital como consequência de uma gestão compartilhada, iniciada ao lado de Bocalom e mantida depois da transmissão do cargo. Para ele, a relação entre os dois permanece sustentada por princípios comuns, pela confiança e pelo compromisso de levar os serviços públicos até as famílias.

Bocalom afirmou que acompanhava o desempenho de Alysson com tranquilidade porque conhecia a capacidade administrativa do antigo vice. “Ele surpreendeu todo mundo, mas a mim não surpreendeu, porque eu sabia que ele ia fazer isso”, disse o ex-prefeito, ao comentar os primeiros meses da nova administração.

O reconhecimento foi acompanhado pela defesa de que o trabalho realizado em Rio Branco pode servir como referência para os demais municípios. Bocalom afirmou que deixou a prefeitura com segurança porque o projeto administrativo continuaria sob o comando de alguém em quem confia.

“Nós deixamos a nossa marca. Estou muito feliz de ter deixado a prefeitura para disputar o governo porque sei que podemos fazer no estado aquilo que fizemos em Acrelândia e em Rio Branco, em parceria com todos os prefeitos, para mudar a vida da população. Estou feliz de estar acompanhado do Alysson”, declarou Bocalom.

No campo político, Alysson reafirmou que apoiará Bocalom na disputa pelo governo estadual. O prefeito explicou que comunicou sua decisão ao Progressistas e se afastou temporariamente das atividades partidárias para evitar constrangimentos internos, mas permanece filiado à legenda.

Bestene afirmou que tomou a decisão com transparência e que pretende manter a palavra dada ao antigo parceiro de administração. “Desde que o meu amigo Tião Bocalom decidiu partir para esse desafio de governar o estado do Acre, pela experiência, pela história e pela gestão de resultados, eu me comprometi a apoiá-lo. Esse compromisso eu vou honrar sempre, até o final”, declarou.

Para Alysson, a experiência acumulada por Bocalom nas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco oferece uma base administrativa para a construção de um projeto estadual. O prefeito defendeu uma gestão voltada ao desenvolvimento econômico, à geração de oportunidades e ao atendimento das crianças, dos idosos e das famílias.

“Acredito nesse trabalho que vem sendo construído há muitos anos. Rio Branco tem mudado e avançado com uma gestão séria e competente. Espero que o estado do Acre seja conduzido com esses mesmos princípios, que também são os meus: servir as pessoas em primeiro lugar, com seriedade e honestidade”, afirmou.

Ao encerrar a entrevista, Bocalom tratou o apoio de Alysson como uma das principais forças políticas de sua caminhada. “Eu tenho o apoio do prefeito que administra a capital, que representa metade da população do estado. Tenho certeza de que nós vamos honrar cada voto e lutar para melhorar a vida das pessoas”, disse.

A presença dos dois em Cruzeiro do Sul levou ao Juruá a imagem de uma parceria que atravessou eleições, chegou à Prefeitura de Rio Branco e permaneceu unida depois da mudança de comando. Alysson voltou para a capital com a responsabilidade de manter obras, programas e serviços, enquanto Bocalom passou a apresentar ao estado uma experiência administrativa que continua em execução pelas mãos do antigo vice e atual prefeito.

Bocalom apresenta projeto para fortalecer produção e gerar emprego no Acre

O pré-candidato ao governo do Acre Tião Bocalom apresentou, na manhã desta quarta-feira, 29 de julho, em Cruzeiro do Sul, as bases do projeto político que pretende levar à disputa estadual ao lado do pré-candidato a vice-governador Sargento Adonis. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, Bocalom colocou a geração de emprego, o fortalecimento da agricultura e a aproximação entre o Vale do Juruá e as demais regiões do estado no centro de sua proposta.

A passagem por Cruzeiro do Sul ocorreu após a apresentação pública de Sargento Adonis como integrante da chapa. Bocalom afirmou que a escolha nasceu de uma sequência de conversas e da identificação de valores comuns entre os dois. Para ele, o militar reúne ligação com a população, disposição para percorrer o estado e conhecimento da realidade vivida pelas famílias do Juruá.

“Deus colocou no coração dele e colocou no meu coração que a gente tinha que andar juntos”, disse Bocalom. O pré-candidato contou que recebeu manifestações favoráveis ao nome de Adonis vindas de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e de outras cidades acreanas.

Bocalom também lembrou a participação de Adonis na eleição municipal de 2020, quando o militar disputou a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e conquistou uma votação expressiva por meio do contato direto com os moradores. A trajetória, segundo ele, demonstrou capacidade de mobilização e abriu caminho para a formação de uma chapa com presença política no Juruá.

“Eu tenho certeza absoluta de que o Adonis vai representar muito bem o nosso Vale do Juruá. Não é só Cruzeiro do Sul. A família dele tem raízes em Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Isso é muito importante”, afirmou Bocalom. Ele definiu o pré-candidato a vice como um homem simples, cristão, leal e comprometido com uma forma de fazer política voltada ao atendimento da população.

A produção rural ocupou a maior parte da entrevista. Bocalom defendeu uma política estadual que ofereça ramais em condições de tráfego, assistência técnica, mecanização, tratores, combustível, peças e acompanhamento permanente aos produtores. O objetivo, afirmou, é criar condições para que as famílias aumentem a produtividade, ampliem a renda e movimentem o comércio dentro dos próprios municípios.

O pré-candidato usou sua experiência com o cultivo de café para explicar o potencial da agricultura acreana. Ele relatou que mantém uma área de quatro hectares e que a produção passou de 140 sacas por hectare, no ano anterior, para 204 sacas por hectare na colheita mais recente. Para Bocalom, resultados como esse podem alcançar milhares de famílias quando o poder público garante estrutura, conhecimento técnico e apoio contínuo.

“Eu quero que o produtor ganhe dinheiro. Não tem outra saída para a agricultura familiar. É o café, é o cacau, é o leite, é o arroz, é o milho e é o feijão, produtos que são consumidos aqui”, declarou. Bocalom calcula que o aumento da produção local pode manter mais de R$ 2 bilhões por ano circulando no Acre, reduzir a compra de alimentos de outros estados e criar novas oportunidades de trabalho.

Na visão apresentada durante a entrevista, a riqueza produzida no campo chega às cidades por meio da compra de máquinas, veículos, materiais de construção, alimentos, serviços e outros produtos. Bocalom resumiu essa relação ao afirmar que “campo rico é cidade rica”, defendendo uma economia na qual o desenvolvimento rural fortaleça também os comerciantes e trabalhadores das áreas urbanas.

A agroindustrialização aparece como uma etapa desse processo. Bocalom explicou que fábricas de café, arroz, leite, óleo, carne suína e carne de frango precisam de matéria-prima em quantidade suficiente para operar durante todo o ano. Por isso, o primeiro passo de seu projeto será ampliar a produção e organizar as cadeias produtivas.

“Só existe indústria se tiver matéria-prima. Vamos fazer matéria-prima primeiro, que as indústrias vêm”, afirmou. A proposta prevê que o crescimento da agricultura abra espaço para novos empreendimentos, agregue valor aos produtos acreanos e mantenha uma parcela maior da riqueza dentro do estado.

Bocalom também apresentou o trabalho como instrumento de transformação social. Ele afirmou que deseja criar oportunidades para que as famílias possam aumentar a renda, comprar a casa própria, adquirir veículos, investir na propriedade e garantir melhores condições de estudo aos filhos.

“Eu quero dar oportunidade para o povo ganhar dinheiro, comprar seu caminhão, comprar seu carro, comprar sua casa e colocar o filho para estudar. É isso que eu quero”, declarou. O pré-candidato associou essa visão aos projetos de café desenvolvidos no Juruá e elogiou os produtores que vêm ampliando a atividade em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e municípios próximos.

Sargento Adonis afirmou que assumiu o projeto com responsabilidade e disposição para percorrer todas as regiões acreanas. “O que eu tenho para ofertar ao povo do Acre é a minha sinceridade e a minha lealdade. Nós vamos caminhar de Assis Brasil a Mâncio Lima, carregando nas costas o projeto do Tião Bocalom”, disse.

A entrevista marcou o início de uma agenda conjunta no Juruá e apresentou uma chapa baseada na experiência administrativa de Bocalom e na presença regional de Adonis. Com a produção rural como principal caminho para gerar emprego e renda, os dois defenderam um projeto de integração do Acre, apoio ao trabalhador e criação de oportunidades para as famílias nos municípios.

Sargento Adonis diz que escolha de Bocalom fortalece o Juruá

O primeiro-sargento da Polícia Militar Adonis Souza afirmou nesta segunda-feira, 27 de julho, que aceitou o convite para ser pré-candidato a vice-governador na chapa de Tião Bocalom por acreditar que a composição abre espaço para o Vale do Juruá dentro de um projeto estadual. Em entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, ele prometeu uma campanha feita nas ruas, nos rios e nas comunidades, negou qualquer briga com o senador Alan Rick e defendeu a experiência administrativa do pré-candidato ao governo.

Ainda assimilando a mudança provocada pelo anúncio, Adonis falou sobre o momento político e pessoal que vive. “Eu estou feliz. Confesso que a ficha ainda está em processamento para definitivamente cair. Ainda estou vivenciando esse estado de emoção”, afirmou.

Antes de tratar da disputa eleitoral, o sargento prestou solidariedade ao jornalista Chico Melo, vítima de violência dentro da própria casa. Adonis lembrou que os dois são amigos há mais de 20 anos e estudaram Letras Vernáculas na Universidade Federal do Acre. Com quase 24 anos de serviço na Polícia Militar, ele condenou o ataque e defendeu o combate ao crime dentro dos limites da lei.

“A gente sempre combateu o crime de forma muito firme, porém respeitando a dignidade da pessoa humana. Eu repudio todo e qualquer tipo de violência e quero mandar um abraço para o nosso amigo Chico Melo”, declarou.

Ao explicar como pretende contribuir com a chapa, Adonis recorreu à imagem de uma campanha distante dos gabinetes e próxima das pessoas. Ele afirmou que pretende percorrer Cruzeiro do Sul, os demais municípios do Juruá e todas as regiões do Acre.

“Nós vamos continuar gastando solado de sapato. Vamos subir rios, descer rios, subir barrancos, descer barrancos, andar em trilhas dentro da mata e dentro de igarapés. Estaremos nesse projeto de corpo, alma e também com os pés no chão”, disse.

A escolha de um nome de Cruzeiro do Sul para a vaga de vice foi apresentada por Adonis como um gesto político em favor do interior. “Tião Bocalom faz um golaço quando escolhe um filho do Juruá para compor sua chapa como vice-governador. Ele dá um presente para a região do Vale do Juruá”, afirmou.

O sargento também chamou atenção para sua condição de servidor público e para a posição que ocupa dentro da Polícia Militar. Sem mandato e sem grande estrutura financeira, ele disse que sua escolha foge do perfil normalmente procurado para completar uma chapa majoritária.

“Como é que ele escolhe um servidor público que não ostenta nenhum poderio econômico? Ele escolhe uma pessoa que é militar, mas de uma graduação considerada baixa. Poderia ter escolhido um coronel”, declarou.

Adonis afirmou que recebeu o convite com responsabilidade e que pretende estudar as necessidades do Juruá, sem limitar sua atuação à região onde nasceu e construiu sua trajetória política. “Nós somos filhos daqui, mas precisamos andar por todo o estado do Acre e construir projetos que possam melhorar a vida das pessoas”, disse.

Durante a entrevista, ele defendeu a experiência de Bocalom como professor, vereador, prefeito de Acrelândia, secretário estadual de Agricultura, presidente da Emater e prefeito de Rio Branco. Para Adonis, essa trajetória permitirá que a chapa apresente ações já experimentadas na administração pública.

“Os nossos concorrentes vão apresentar propostas. Tião Bocalom vai apresentar um projeto consolidado de gestão que já deu certo”, afirmou.

A mudança de grupo político também esteve entre os principais pontos da conversa. Adonis manteve proximidade com Alan Rick e participou de disputas eleitorais ao lado do senador. Agora, os dois estarão em projetos diferentes na corrida pelo Governo do Acre. O sargento negou que a decisão tenha provocado rompimento pessoal.

“Foi uma decisão tomada com equilíbrio, pautada em princípios e coerência. Eu não estou em briga com o Alan de forma alguma”, declarou.

Adonis acrescentou que considera legítimo Alan Rick defender a própria candidatura e reivindicou o mesmo direito de escolha. “É normal ele seguir o caminho dele e defender aquilo em que acredita, como também é legítimo eu fazer minhas escolhas e seguir o projeto em que acredito. Não existe nenhuma animosidade entre mim e o senador”, afirmou.

A entrevista concentrou-se mais na formação da chapa, na representação do Juruá e no perfil de campanha do que em propostas detalhadas de governo. Adonis falou em melhorar a vida da população e impulsionar a economia do Acre, mas não apresentou metas, prazos ou programas específicos para áreas como saúde, educação, segurança, produção rural e infraestrutura.

A maneira como pretende exercer a política foi resumida em uma das declarações mais fortes da entrevista. “A política é para servir. Política é um sacerdócio, é a arte de servir bem as pessoas”, disse.