A governadora do Acre e candidata à reeleição, Mailza Assis (PP), cancelou a participação nos debates eleitorais da TV Norte e da TV Gazeta marcados para esta segunda-feira (21), em Rio Branco. A campanha comunicou a ausência neste domingo (20) e alegou compromissos eleitorais em Santa Rosa do Purus e Cruzeiro do Sul, onde a candidata terá agendas ao lado da candidata a vice-governadora, Jéssica Sales.
A decisão foi informada na véspera dos encontros. Em nota encaminhada às emissoras, a campanha afirmou que Mailza participará de reuniões com moradores dos dois municípios e que continuará apresentando suas propostas durante atividades de campanha. O comunicado não informou se ela participará de outros debates antes da eleição.
A ausência ocorre depois de uma sequência de entrevistas e sabatinas nas quais Mailza foi questionada sobre metas para um eventual novo mandato e sobre decisões da administração estadual que atualmente comanda. Em algumas dessas participações, respostas a perguntas objetivas ficaram sem definição de números, prazos ou medidas específicas.
Em sabatina realizada pelo ac24horas em agosto, Mailza foi questionada sobre a política habitacional e falou dos recursos disponíveis para a construção de 2,7 mil moradias, mas não apresentou uma meta de unidades que pretende entregar entre 2027 e 2030 caso seja reeleita.
A candidata também foi perguntada sobre a implantação da rastreabilidade individual do rebanho bovino. Ao ser provocada a apresentar um prazo para que o sistema estivesse efetivamente implantado no Acre, afirmou que o assunto ainda dependia de estudos, preparação e diálogo com o setor.
Outro questionamento envolveu a ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, que desabou em junho. Mailza responsabilizou a empresa responsável pela construção e citou a judicialização do caso. Quando perguntada sobre o prazo para uma resposta, afirmou não saber quanto tempo a empresa levaria. O episódio também passou a ser investigado pelo Ministério Público, inclusive em relação ao planejamento, fiscalização, monitoramento e manutenção da estrutura.
No dia seguinte, durante sabatina da TV Rio Branco, a candidata voltou a enfrentar perguntas relacionadas à administração estadual. Uma delas pedia que apontasse áreas nas quais os recursos públicos estariam sendo mal aplicados e quais despesas poderiam ser revistas. Mailza falou em planejamento e redução de gastos, mas não citou setores específicos.
Em outro momento, foi questionada sobre a possibilidade de recriar uma secretaria direcionada aos pequenos negócios. A resposta abordou desburocratização, empreendedorismo e ações realizadas pelo governo, mas não definiu se a estrutura administrativa seria recriada.
A entrevista também teve um episódio relacionado ao controle do tempo. Ao responder como pretendia entregar o Acre em 2030, Mailza tentou utilizar um direito de resposta antes da autorização do mediador e precisou interromper a fala. Posteriormente, ao tratar da Delegacia de Combate à Corrupção, afirmou que a unidade não havia sido extinta, mas transferida para outro departamento.
As cobranças durante as sabatinas têm uma característica diferente para Mailza em relação a candidatos que não ocupam atualmente o Executivo. A governadora assumiu definitivamente o comando do Estado em abril e disputa a permanência no Palácio Rio Branco. Por isso, parte das perguntas mistura propostas para os próximos quatro anos com medidas que podem ser adotadas ainda durante a atual administração.
Na reta final da campanha, esse ponto também apareceu em entrevistas sobre servidores públicos, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Ao falar sobre mudanças futuras, Mailza foi questionada sobre o que poderia começar a executar ainda no atual mandato.
O cancelamento dos debates acontece ainda em uma semana marcada por investigações policiais no Acre. Na quarta-feira (16), a Polícia Civil deflagrou a Operação Algoritmo Cidadão, que apura uma suposta estrutura de ataques digitais contra o candidato Alan Rick (Republicanos). Três investigados ocupam cargos comissionados no governo estadual, mas a polícia informou que nenhum candidato é alvo da operação. A defesa de Mailza afirmou que a governadora nunca autorizou ou teve conhecimento das ações investigadas.
Na quinta-feira (17), a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Death Note, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos federais destinados à Educação no Acre. As apurações tratam de suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos, pagamento de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro. A Secretaria de Estado de Educação informou que colaborou com o cumprimento das determinações.