Roberto Vaz diz que governo Mailza insiste por divulgação de pesquisa e faz críticas à Data Control

O jornalista e empresário Roberto Vaz, fundador e diretor-geral do ac24horas, fez duras críticas ao Instituto Data Control e afirmou que pessoas ligadas ao governo de Mailza Assis (PP) estariam insistindo para que o veículo divulgasse uma pesquisa eleitoral favorável à governadora. A declaração ocorre na reta final da eleição, em meio a levantamentos que apresentam diferenças expressivas sobre a disputa pelo Governo do Acre.

Durante a fala, Vaz relatou uma conversa com um representante da Data Control e deixou claro que não considera obrigação de um veículo publicar determinada pesquisa apenas porque o instituto deseja espaço. Segundo ele, a decisão editorial cabe à imprensa e deve levar em consideração a credibilidade das informações apresentadas.

“Quem contrata a tua pesquisa, que te paga para fazer a pesquisa, essa pessoa vem e pede um espaço pra divulgar e a gente, do bom jornalismo, vai e divulga”, afirmou. Em seguida, Vaz endureceu o discurso ao tratar da responsabilidade dos institutos pelos números apresentados: “Se você recebe para fazer uma pesquisa e botar o número que você quer, o problema é teu. E é com a Justiça, não é comigo”.

Vaz também afirmou que não pretende publicar levantamentos nos quais não confie. “Eu não faço questão de divulgar pesquisa ruim, fuleira e furada. Se você estiver certo, palmas para você. Se você estiver errado, você vai se entender com o pessoal da lei”, declarou.

O ponto mais sensível da declaração veio quando o jornalista mencionou diretamente o Palácio Rio Branco. Segundo Vaz, havia uma pesquisa da Data Control circulando desde cedo e pessoas do governo pressionavam pela publicação do resultado. Ele afirmou ainda ter tratado do assunto diretamente com a governadora Mailza Assis.

“A Data Control está com uma pesquisa desde cedo que o pessoal do governo está insistindo […] pra divulgar”, disse Vaz. Na sequência, afirmou que cobrou da própria governadora uma retratação por declarações atribuídas a um integrante do instituto antes de avaliar jornalisticamente a publicação do levantamento.

A manifestação coloca no centro do debate não apenas os números das pesquisas, mas também a relação entre campanhas, governo, institutos e veículos de comunicação na reta final da eleição. A afirmação de que integrantes do governo estariam insistindo para que uma pesquisa favorável fosse divulgada é uma acusação de Vaz e, por si só, não comprova interferência do Executivo sobre veículos de imprensa. O governo de Mailza Assis e a Data Control devem ter espaço para apresentar suas versões sobre o episódio.

A Data Control divulgou levantamento em 1º de outubro no qual Mailza aparece com 40,5% das intenções de voto, contra 28,8% de Alan Rick (Republicanos), diferença de 11,7 pontos percentuais. A pesquisa ouviu mil eleitores entre 24 e 30 de setembro e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número AC-09068/2026.

No mesmo período, outros institutos apresentaram cenários bastante diferentes. A JC Continental apontou Alan com 43,3% e Mailza com 23,2%, enquanto levantamento do IP Sensus divulgado posteriormente registrou Alan com 40,9% e Mailza com 28%. As diferenças entre pesquisas, isoladamente, não demonstram irregularidade, já que levantamentos podem utilizar amostras, ponderações, períodos de campo e métodos distintos.

Com a votação marcada para este domingo, 4 de outubro, a sucessão de resultados conflitantes aumentou a disputa política em torno das pesquisas. Nesse ambiente, a declaração de Roberto Vaz acrescenta uma questão concreta ao debate: quem financia os levantamentos, quem procura os veículos para divulgá-los e até onde vai a tentativa de transformar números de pesquisas em instrumento de comunicação eleitoral.

Blog do Ray diz que vínculo de colaborador do Data Control com governo Mailza levanta dúvidas sobre pesquisa

O Blog do Ray publicou neste sábado (22) que a ligação de José Denis Moura dos Santos, fundador do Data Control e atualmente colaborador do instituto, com o governo da governadora Mailza Assis (PP) passou a ser questionada por grupos de oposição às vésperas da divulgação de uma nova pesquisa sobre a disputa pelo Governo do Acre. José Denis ocupa cargo de direção no Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).

A publicação afirma que adversários políticos de Mailza avaliam levar o caso à Justiça Eleitoral. O principal questionamento envolve o fato de José Denis exercer uma função comissionada na administração estadual ao mesmo tempo em que mantém relação profissional com o instituto responsável por levantamentos eleitorais que medem o desempenho da própria governadora e de seus adversários.

Atualmente, José Denis aparece na estrutura oficial do Imac como diretor de Gestão Administrativa e Financeira. O Blog do Ray afirma ainda que, na folha de pagamento de julho, ele recebeu remuneração bruta de R$ 18.242,48, com valor líquido de R$ 13.616,18.

A relação de José Denis com o Data Control vem de longa data. Ele participou da criação do instituto em 1997. Em entrevista publicada em 2023, porém, afirmou que deixou de ser proprietário da empresa e que, desde 2019, o instituto pertence à advogada Marina Belandi. Na ocasião, declarou que continuava prestando serviços ao Data Control como colaborador.

Esse ponto diferencia a condição atual de José Denis da posição de proprietário da empresa, mas não encerrou os questionamentos levantados por integrantes da oposição sobre sua atuação simultânea no governo estadual e junto ao instituto.

O Blog do Ray também afirma que partidos de oposição questionam a situação do Data Control perante o Conselho Regional de Estatística da 7ª Região (Conre-7), responsável pela jurisdição que inclui o Acre. Na página pública de profissionais e empresas em situação regular consultada neste sábado, uma busca pelo nome Data Control não apresenta resultado.

A discussão ocorre antes da divulgação de uma nova rodada do Data Control prevista para este domingo (23). De acordo com as informações publicadas, o levantamento ouviu 1.620 eleitores em 20 municípios do Acre e teve custo declarado de R$ 20 mil, pago pelo próprio instituto.

A publicação lembra ainda uma pesquisa divulgada em fevereiro, quando Mailza apareceu com 18,3% das intenções de voto e o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, com 18%. Com margem de erro de 3,5 pontos percentuais, os dois estavam tecnicamente empatados.

Integrantes da oposição ouvidos pelo Blog do Ray afirmam que escritórios de advocacia ligados a grupos políticos avaliam possíveis medidas na Justiça Eleitoral após a divulgação dos novos números. Até o momento, não há decisão judicial citada que suspenda ou invalide o levantamento.

A existência de vínculo profissional ou funcional de uma pessoa ligada a um instituto de pesquisa, por si só, não permite concluir que os resultados tenham sido manipulados. Os questionamentos apresentados pelos adversários de Mailza tratam da independência e da percepção de credibilidade do levantamento, pontos que poderão ser discutidos formalmente caso alguma representação seja apresentada à Justiça Eleitoral.