Rio Branco lança programa de prevenção a enxurradas com limpeza de igarapés

A Prefeitura de Rio Branco lançou nesta terça-feira (15) o Programa Cuidar Rio Branco, voltado à prevenção de enxurradas e alagamentos durante o período chuvoso. A iniciativa começou às margens do Igarapé Batista, no bairro da Paz, e reúne limpeza de cursos d’água, manutenção da drenagem urbana, monitoramento de áreas de risco, recuperação ambiental e ações educativas junto às comunidades e escolas.

A primeira etapa prevê cerca de oito quilômetros de limpeza. Os serviços começaram pelo Igarapé Batista e devem avançar pelo Igarapé São Francisco até áreas próximas ao Rio Acre. A estimativa é retirar aproximadamente 30 toneladas de resíduos por dia.

Móveis, pneus e até carcaça de veículo já foram encontrados nos igarapés durante trabalhos anteriores. Além da retirada desse material, as equipes vão atuar contra o descarte irregular de lixo, a degradação das margens, as queimadas e a retirada de vegetação.

O programa foi criado diante do histórico de enxurradas registrado na capital acreana. Em março de 2023, o transbordamento de sete igarapés atingiu 36 bairros, cerca de 5,5 mil famílias e mais de 22 mil pessoas. Em 2024, ocorrências relacionadas a oito igarapés afetaram mais de 70 mil pessoas, direta ou indiretamente, e deixaram mais de 4 mil desabrigadas. Em dezembro de 2025, o Igarapé Batista atingiu aproximadamente 1,5 mil famílias em 15 bairros.

O levantamento da Defesa Civil Municipal abrange os igarapés São Francisco, Judia, Almoço, Batista, Dias Martins, ETA, Liberdade e Sobral. No São Francisco, foram identificados 695 imóveis e 2.780 pessoas potencialmente expostas. No Batista, são 613 imóveis e 2.452 moradores na mesma condição.

O prefeito Alysson Bestene afirmou que a estratégia é concentrar esforços antes dos períodos de maior risco. “Não podemos esperar que o problema aconteça para agir. A prevenção é fundamental para reduzir os impactos das enxurradas e garantir mais segurança para as famílias”, declarou.

Além dos serviços de limpeza e monitoramento, o Cuidar Rio Branco terá ações permanentes de educação ambiental. O trabalho será desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, por meio da Escola de Educação Ambiental do Horto Florestal, com atividades lúdicas e apresentações voltadas principalmente às crianças.

A primeira unidade a receber a programação será a Escola Municipal de Educação Infantil Francisca Aragão Silva, no bairro Geraldo Fleming. Nesta quarta-feira (16), às 8h e às 14h, será apresentado o teatro de bonecos “Memórias de um Igarapé Limpinho”, com orientações sobre preservação dos cursos d’água e descarte correto de resíduos.

A secretária municipal de Meio Ambiente, Flaviane Stedille, afirmou que as atividades continuarão ao longo do ano em escolas e comunidades. A proposta é aproximar as ações de prevenção do trabalho de conscientização dos moradores sobre os impactos do lixo lançado em ruas, igarapés e áreas de drenagem.

O programa reúne as secretarias municipais de Meio Ambiente, Saúde, Educação, Assistência Social e Direitos Humanos, Cuidados com a Cidade e Infraestrutura e Mobilidade Urbana, além da Defesa Civil Municipal, Secretaria Especial de Comunicação, escolas e comunidades.

Serviço Geológico faz mapeamento de áreas de risco em Brasileia após enchentes e enxurradas

O Serviço Geológico do Brasil concluiu nesta semana uma etapa de mapeamento de áreas de risco em Brasileia, no interior do Acre, após a sequência de enchentes e enxurradas que atingiu o município nos últimos meses. As visitas técnicas começaram na segunda-feira, 12, e seguiram até quinta-feira, 15, com acompanhamento da Defesa Civil Municipal e da Secretaria de Planejamento.

As equipes percorreram pontos da zona urbana e rural considerados mais vulneráveis, com levantamentos sobre tipos de solo, processos erosivos, deslizamentos de terra e riscos nas margens do Rio Acre. Entre os locais vistoriados está uma propriedade no km 59, onde foram encontradas rachaduras no solo. Áreas urbanas com histórico de enxurradas e erosões também entraram no trabalho de campo.

Na quinta-feira, 15, os pesquisadores se reuniram com o prefeito Carlinhos do Pelado para apresentar um balanço preliminar das vistorias. “Esse mapeamento é fundamental para que possamos identificar as áreas mais vulneráveis e agir de forma preventiva, garantindo mais segurança para nossa população. Brasileia tem enfrentado eventos climáticos extremos e precisamos estar preparados para minimizar os impactos”, disse o prefeito.

A prefeitura trabalha com a expectativa de usar o levantamento no planejamento de medidas preventivas e na definição de prioridades para reduzir danos em períodos de chuva intensa. O coordenador da Defesa Civil Municipal, Sargento Lima, afirmou que o estudo deve reforçar as ações de prevenção, monitoramento e resposta em situações de emergência.

Brasileia enfrenta uma sucessão de eventos extremos nos últimos anos. Em abril deste ano, uma enxurrada atingiu o município após 242 milímetros de chuva em cinco horas. Em janeiro, outro temporal deixou mais de 500 famílias isoladas na zona rural, comprometeu cerca de 40 pontes e destruiu aproximadamente 20 linhas de bueiros.

O histórico recente também inclui a enchente de março de 2024, quando cerca de 80% da área urbana ficou submersa. Diante desse cenário, o município aparece entre os prioritários no país para ações de gestão de risco e resposta a desastres naturais, por causa da exposição a deslizamentos, enxurradas e inundações.

O mapeamento feito pelo Serviço Geológico do Brasil deve servir de base para novas medidas de prevenção e proteção da população, em uma cidade que passou a conviver com maior frequência com episódios de chuva extrema e avanço das águas.


Foto: Jayne Castro/Secom