Rio Branco fecha trecho da Boulevard Augusto Monteiro para retomada da Orla do 15

A Avenida Boulevard Augusto Monteiro, em Rio Branco, terá um trecho interditado a partir das 16h deste domingo, 17 de maio, com liberação prevista para as 9h de segunda-feira, 18. O bloqueio foi programado para a assinatura da ordem de serviço que marca a retomada das obras da Orla do 15, no bairro Quinze.

A interdição atinge o segmento entre as ruas Salim Fajat e Guilherme Bastos, nas proximidades da Escola Carlos Vasconcelos. O fechamento temporário ocorre em uma das áreas mais tradicionais do Segundo Distrito da capital, onde o governo do Acre concentra parte de um pacote de obras voltado à mobilidade urbana e à requalificação de espaços públicos.

A retomada da Orla do 15 integra um conjunto de intervenções em andamento durante o verão amazônico, período em que o governo estadual acelera frentes de infraestrutura em Rio Branco e em outras regiões do estado. Na capital, a obra foi planejada para conter o avanço da erosão nas margens do Rio Acre e preservar estruturas históricas como o Mercado do Quinze e a própria Boulevard Augusto Monteiro.

O projeto também prevê quiosques, praças, mirantes e áreas de convivência, com a proposta de ampliar o uso turístico e de lazer na região. Em agenda anterior sobre a intervenção, a governadora em exercício Mailza Assis afirmou que a obra era aguardada pelos moradores do bairro e disse que a entrega representa “segurança, emprego, valorização e beleza para o bairro”.

Gladson Cameli vira réu no Caso Colorado e amplia cerco judicial após condenação no STJ

O governador do Acre, Gladson Cameli, virou réu no Superior Tribunal de Justiça no Inquérito 1.674, conhecido como Caso Colorado, em decisão da Corte Especial tomada em 6 de maio de 2026. A nova ação penal apura fraude à licitação e peculato-desvio no Contrato 067/2021, firmado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre com o consórcio liderado pela Construtora Colorado para a duplicação da rodovia AC-405, em obra avaliada em mais de R$ 36 milhões. O avanço do processo abriu uma nova frente criminal contra o chefe do Executivo acreano no mesmo dia em que ele recebeu uma condenação de 25 anos e 9 meses de prisão em outro caso de corrupção.

No voto que embasou o recebimento da denúncia, a ministra Nancy Andrighi descreveu uma estrutura marcada pelo controle familiar e pela simulação de concorrência nas licitações. A investigação sustenta que a Construtora Colorado tinha como “proprietário de fato” Eládio Cameli, pai do governador, enquanto Linker Cameli, primo de Gladson, aparecia apenas como sócio formal. Para a relatora, o material reunido no inquérito aponta interferência direta no resultado do certame. “Há fundados indícios de que Gladson e Eládio direcionaram a concorrência para a vitória da Colorado, frustrando o caráter competitivo”, registrou.

A apuração também reuniu mensagens extraídas de celulares apreendidos na operação. Em um dos diálogos considerados centrais, Gladson cobra o primo sobre o aproveitamento das oportunidades abertas pelo governo e afirma: “Todo mês [eu] tô soltando pacotes de obras, depois não pode é vir dizer que eu não tô avisando”. Os investigadores tratam o conteúdo como peça importante para sustentar a suspeita de proximidade entre o núcleo político e a empresa beneficiada pelos contratos.

Embora o mérito da ação penal tramite no STJ, o Supremo Tribunal Federal já analisou desdobramentos do caso em diferentes momentos. Em 3 de outubro de 2024, o ministro Edson Fachin negou o habeas corpus 228.193, apresentado pela defesa para derrubar as medidas cautelares impostas ao governador. Na decisão, Fachin manteve as restrições ao apontar “fortes indícios de autoria” e afirmar que as provas indicavam a “posição de liderança da organização criminosa” por parte de Gladson Cameli. Em 14 de novembro de 2024, o ministro voltou a rejeitar outro pedido da defesa no HC 248.709/DF, também voltado às cautelares. Já em 14 de abril de 2026, o ministro André Mendonça analisou a Reclamação 93.197/DF e determinou o desentranhamento de alguns Relatórios de Inteligência Financeira, sem suspender o andamento do julgamento.

O novo revés judicial ocorreu no mesmo 6 de maio de 2026 em que Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do STJ, na Ação Penal 1.076, a 25 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado. Sob relatoria de Nancy Andrighi, o processo tratou do Caso Murano e resultou em condenação por dispensa indevida de licitação, peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa.

Nesse processo, a engrenagem descrita pela acusação girava em torno da contratação da Murano Construções por adesão a uma ata de registro de preços da Secretaria de Infraestrutura. Sem estrutura para atuar no Acre, a empresa teria funcionado como fachada para repassar obras e pagamentos à Construtora Rio Negro, ligada a Gledson Cameli, irmão do governador. O dinheiro desviado, segundo a condenação, percorreu empresas interpostas, entre elas a Seven, até ser usado na compra de uma Toyota Hilux e no pagamento de um apartamento de luxo no condomínio Alameda Jardins, em São Paulo.

Com a abertura de uma nova ação penal no Caso Colorado e a condenação já imposta no Caso Murano, Gladson Cameli passa a enfrentar um dos momentos mais graves de sua trajetória política e jurídica. A condenação colegiada no STJ também produz efeito eleitoral e torna o governador inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

Fotos: Secom/AC

Dia de campo em Acrelândia reforça avanço do café e aposta de Bocalom no agro

A cafeicultura voltou ao centro do debate sobre desenvolvimento rural no Acre neste sábado, 16 de maio, durante um dia de campo realizado na propriedade do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, em Acrelândia. O encontro reuniu produtores, técnicos, pesquisadores e autoridades para discutir produtividade, mercado e expansão do café robusta amazônico, hoje tratado por lideranças do setor como uma das principais alternativas de renda no estado.

A programação contou com a presença do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, do prefeito de Acrelândia, além de produtores do município e representantes de outras atividades do agronegócio. Ao longo do evento, a defesa do café apareceu associada à geração de emprego no campo, ao fortalecimento da agricultura familiar e à ampliação da economia local em municípios do Baixo e do Alto Acre.

Com área cultivada de pouco mais de 20 hectares, a lavoura de Bocalom foi apresentada aos participantes como exemplo de desempenho produtivo. Durante o encontro, ele afirmou que o robusta amazônico tem capacidade de elevar a renda do produtor e ampliar a presença do Acre no mercado regional. “O café robusta amazônico é altamente produtivo e oferece uma rentabilidade muito interessante para o produtor. É uma cultura que pode transformar a realidade econômica de muitas famílias”, disse. Mais adiante, reforçou: “O café é uma grande oportunidade para o Acre. O pequeno produtor consegue ter renda, melhorar sua qualidade de vida e ainda contribuir para o crescimento da economia local”.

Bocalom também resgatou o período em que administrou Acrelândia e associou a expansão da cafeicultura no município às políticas de incentivo implantadas naquela fase. Hoje, a cidade é tratada como principal polo produtor do grão no estado. “Quando fui prefeito, investimos fortemente no incentivo ao café. Hoje, Acrelândia é referência no Acre, mostrando que, com apoio e planejamento, é possível desenvolver uma cadeia produtiva forte e sustentável”, afirmou.

Entre os participantes estavam nomes ligados à produção cafeeira local, como Celso Timpurim, Wanderley Lara, Wagner Álvares e outros produtores de Acrelândia. O encontro também atraiu representantes de outras cadeias produtivas. O pecuarista Jorge Moura, que atua ainda com soja, classificou o agronegócio como uma saída econômica para o estado. Já o produtor Mário Maffi, com atuação no cultivo de milho e soja no Alto Acre, avaliou que o café já entrou em fase de consolidação no campo e amplia seu peso na economia rural acreana.

A programação técnica abriu com a palestra de Ronaldo Marciano, representante da UPL, que apresentou um panorama do mercado global do café, a alta dos preços, os custos de produção e a necessidade de gestão eficiente da propriedade. Em seguida, Hadamés Wilson expôs dados da produção no Acre, com foco nas regiões do Baixo e do Alto Acre, e tratou de estratégias de plantio entre abril e maio para reduzir perdas na colheita. Também foram citados resultados de produtividade em municípios como Capixaba, Rio Branco, Porto Acre e Acrelândia.

No encerramento, o professor Leonardo Tavela, da Universidade Federal do Acre, apresentou um panorama da cafeicultura no Vale do Juruá, com os entraves para ampliar a atividade e os avanços obtidos a partir do laboratório de qualidade do café da universidade. A exposição incluiu dados de produtividade e perspectivas de fortalecimento da cadeia no estado.

Após as palestras, produtores e convidados seguiram para visitas de campo. A projeção apresentada durante a atividade aponta safra acima de 880 sacas na área observada. Outra demonstração mostrou o desempenho de um plantio com um ano e três meses conduzido com cobertura vegetal para conter o mato ao redor da planta. O evento também recebeu representantes do governo da Bolívia e da área de agricultura de Boca do Acre, no Amazonas, num movimento que amplia o interesse regional pelo avanço da cafeicultura acreana.

Serviço Geológico faz mapeamento de áreas de risco em Brasileia após enchentes e enxurradas

O Serviço Geológico do Brasil concluiu nesta semana uma etapa de mapeamento de áreas de risco em Brasileia, no interior do Acre, após a sequência de enchentes e enxurradas que atingiu o município nos últimos meses. As visitas técnicas começaram na segunda-feira, 12, e seguiram até quinta-feira, 15, com acompanhamento da Defesa Civil Municipal e da Secretaria de Planejamento.

As equipes percorreram pontos da zona urbana e rural considerados mais vulneráveis, com levantamentos sobre tipos de solo, processos erosivos, deslizamentos de terra e riscos nas margens do Rio Acre. Entre os locais vistoriados está uma propriedade no km 59, onde foram encontradas rachaduras no solo. Áreas urbanas com histórico de enxurradas e erosões também entraram no trabalho de campo.

Na quinta-feira, 15, os pesquisadores se reuniram com o prefeito Carlinhos do Pelado para apresentar um balanço preliminar das vistorias. “Esse mapeamento é fundamental para que possamos identificar as áreas mais vulneráveis e agir de forma preventiva, garantindo mais segurança para nossa população. Brasileia tem enfrentado eventos climáticos extremos e precisamos estar preparados para minimizar os impactos”, disse o prefeito.

A prefeitura trabalha com a expectativa de usar o levantamento no planejamento de medidas preventivas e na definição de prioridades para reduzir danos em períodos de chuva intensa. O coordenador da Defesa Civil Municipal, Sargento Lima, afirmou que o estudo deve reforçar as ações de prevenção, monitoramento e resposta em situações de emergência.

Brasileia enfrenta uma sucessão de eventos extremos nos últimos anos. Em abril deste ano, uma enxurrada atingiu o município após 242 milímetros de chuva em cinco horas. Em janeiro, outro temporal deixou mais de 500 famílias isoladas na zona rural, comprometeu cerca de 40 pontes e destruiu aproximadamente 20 linhas de bueiros.

O histórico recente também inclui a enchente de março de 2024, quando cerca de 80% da área urbana ficou submersa. Diante desse cenário, o município aparece entre os prioritários no país para ações de gestão de risco e resposta a desastres naturais, por causa da exposição a deslizamentos, enxurradas e inundações.

O mapeamento feito pelo Serviço Geológico do Brasil deve servir de base para novas medidas de prevenção e proteção da população, em uma cidade que passou a conviver com maior frequência com episódios de chuva extrema e avanço das águas.


Foto: Jayne Castro/Secom