Serviço Geológico faz mapeamento de áreas de risco em Brasileia após enchentes e enxurradas

O Serviço Geológico do Brasil concluiu nesta semana uma etapa de mapeamento de áreas de risco em Brasileia, no interior do Acre, após a sequência de enchentes e enxurradas que atingiu o município nos últimos meses. As visitas técnicas começaram na segunda-feira, 12, e seguiram até quinta-feira, 15, com acompanhamento da Defesa Civil Municipal e da Secretaria de Planejamento.

As equipes percorreram pontos da zona urbana e rural considerados mais vulneráveis, com levantamentos sobre tipos de solo, processos erosivos, deslizamentos de terra e riscos nas margens do Rio Acre. Entre os locais vistoriados está uma propriedade no km 59, onde foram encontradas rachaduras no solo. Áreas urbanas com histórico de enxurradas e erosões também entraram no trabalho de campo.

Na quinta-feira, 15, os pesquisadores se reuniram com o prefeito Carlinhos do Pelado para apresentar um balanço preliminar das vistorias. “Esse mapeamento é fundamental para que possamos identificar as áreas mais vulneráveis e agir de forma preventiva, garantindo mais segurança para nossa população. Brasileia tem enfrentado eventos climáticos extremos e precisamos estar preparados para minimizar os impactos”, disse o prefeito.

A prefeitura trabalha com a expectativa de usar o levantamento no planejamento de medidas preventivas e na definição de prioridades para reduzir danos em períodos de chuva intensa. O coordenador da Defesa Civil Municipal, Sargento Lima, afirmou que o estudo deve reforçar as ações de prevenção, monitoramento e resposta em situações de emergência.

Brasileia enfrenta uma sucessão de eventos extremos nos últimos anos. Em abril deste ano, uma enxurrada atingiu o município após 242 milímetros de chuva em cinco horas. Em janeiro, outro temporal deixou mais de 500 famílias isoladas na zona rural, comprometeu cerca de 40 pontes e destruiu aproximadamente 20 linhas de bueiros.

O histórico recente também inclui a enchente de março de 2024, quando cerca de 80% da área urbana ficou submersa. Diante desse cenário, o município aparece entre os prioritários no país para ações de gestão de risco e resposta a desastres naturais, por causa da exposição a deslizamentos, enxurradas e inundações.

O mapeamento feito pelo Serviço Geológico do Brasil deve servir de base para novas medidas de prevenção e proteção da população, em uma cidade que passou a conviver com maior frequência com episódios de chuva extrema e avanço das águas.


Foto: Jayne Castro/Secom

Deracre monta novo acesso à balsa em Rodrigues Alves e prevê retomada da travessia nesta quinta

O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) trabalha para entregar nesta quinta-feira (14) um novo acesso à balsa em Rodrigues Alves, no Rio Juruá, e liberar novamente a travessia entre o município e Cruzeiro do Sul. A medida foi adotada depois que a erosão na margem comprometeu a rampa usada para embarque e desembarque e levou à suspensão do serviço por risco de deslizamento.

As equipes entraram em campo na terça-feira (12) para abrir e preparar um novo ponto de atracação, com limpeza da área, movimentação de terra e estabilização do terreno. O Deracre afirma que a balsa principal só volta a operar quando o local estiver pronto para receber veículos, motociclistas e pedestres com segurança.

O acesso antigo foi interditado após vistoria técnica e articulação com a Prefeitura de Rodrigues Alves, Polícia Militar, Defesa Civil Municipal, Detran e Energisa. Durante o período de paralisação, a orientação oficial foi para que motoristas utilizem a AC-407 como rota alternativa.

A interrupção atingiu diretamente quem cruza diariamente o Juruá para trabalhar, estudar e acessar serviços em Cruzeiro do Sul. Moradores relataram aumento no tempo de deslocamento e no gasto com combustível ao substituir o trajeto mais curto pela Estrada da Variante por uma viagem de cerca de 47 quilômetros pela rodovia. O acadêmico de enfermagem Jânio Pablo disse que chegou ao porto, viu Cruzeiro do Sul do outro lado, mas precisou retornar e seguir pelo caminho mais longo. “Infelizmente esse problema não é de agora, é um problema já antigo e sempre vai acontecer enquanto não fizerem a ponte”, afirmou.

Quem depende da travessia para manter a rotina de trabalho também relatou perdas. A manicure e pedicure Rosa Maria Pereira da Silva disse que, sem a balsa, desistiu de seguir viagem. “Não tem como eu encarar pela 407, é muito longe, então eu vou ter que voltar”, contou.

Com a balsa principal parada, embarcações menores passaram a operar por um acesso provisório montado pela prefeitura, com cobrança de tarifa. Moradores relataram que motos passaram a pagar R$ 10 e carros, R$ 20 para atravessar. O presidente do Deracre, Roberto Assaf, disse que as equipes seguem mobilizadas para restabelecer a ligação no menor prazo possível. “Estamos trabalhando continuamente para construir esse novo acesso provisório e restabelecer a travessia o mais rápido possível. Nossa prioridade é garantir segurança aos usuários e manter a ligação entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves”, declarou.

A instabilidade no barranco se agravou com a vazante do Rio Juruá e chegou a ameaçar estruturas de energia no entorno do porto. No fim de semana, a Energisa informou que enviou equipe técnica para manutenções e para eliminar risco elétrico na área, após um poste de alta tensão ficar inclinado com a erosão.

Interdição no acesso à balsa em Rodrigues Alves força desvio pela AC-407 e eleva tarifa para motos e carros nesta terça (12)

O acesso ao porto da balsa em Rodrigues Alves, na travessia com Cruzeiro do Sul, segue interditado nesta terça-feira (12) após erosão e desbarrancamento na margem do Rio Juruá. O bloqueio foi adotado de forma preventiva por órgãos do Estado por risco à circulação de veículos, motos e pedestres na área de embarque e desembarque.

Com a passagem fechada, o deslocamento entre os dois municípios tem sido feito pela rodovia AC-407, que amplia o percurso para cerca de 47 quilômetros. Equipes do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) trabalham na abertura de um novo acesso provisório ao porto em Rodrigues Alves. A previsão inicial é de até quatro dias para concluir o serviço e permitir a retomada da travessia em segurança.

No mesmo dia, a travessia ficou mais cara para quem utiliza o transporte fluvial. A nova tabela fixou em R$ 10 o valor para motocicletas e em R$ 20 para carros. Os catraieiros afirmam que o reajuste ocorreu porque a distância até o porto aumentou, elevando o consumo de gasolina e os custos das viagens.

Com informações de Juruá 24horas