No Jornal da Manhã, Mirla Miranda liga saída de jovens à falta de oportunidades

A jornalista, empresária e pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos, Mirla Miranda, afirmou nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a falta de emprego, qualificação profissional e assistência pública está afastando jovens do Acre e aumentando a vulnerabilidade ao crime. Ela também cobrou rapidez da Justiça e das forças policiais na investigação de ataques ocorridos durante o período eleitoral.

Mirla declarou que pretende manter presença constante no Vale do Juruá durante a campanha. Ela foi apresentada como pré-candidata, mas informou que seu nome já passou pela convenção partidária e que ainda depende dos procedimentos de registro da candidatura. Ao falar sobre Cruzeiro do Sul, defendeu investimentos no turismo e citou os rios, igarapés e áreas de banho como recursos econômicos ainda pouco aproveitados.

A parte central da entrevista tratou da saída de acreanos para outros estados. Mirla citou Santa Catarina e Rondônia como destinos procurados por pessoas que não encontram trabalho ou perspectiva de crescimento no Acre. Para ela, o deslocamento não ocorre apenas por causa dos salários, mas também pela falta de caminhos profissionais para quem termina os estudos e não consegue entrar no mercado de trabalho.

“Eu não vejo oportunidade para o meu desenvolvimento como jovem. Eu não tenho condição de arrumar um emprego”, afirmou, ao reproduzir a situação enfrentada por parte da juventude. Mirla declarou que o Acre perdeu duas gerações ao longo dos últimos 16 anos, expressão usada por ela para comparar crianças que cresceram sem assistência adequada e adolescentes que chegaram ao fim da educação básica sem perspectivas de trabalho.

A declaração surgiu após o programa abordar a morte de dois jovens, de 18 e 21 anos, durante uma tentativa de assalto a uma loja de celulares no centro de Cruzeiro do Sul. Mirla relacionou o episódio à falta de oportunidades e afirmou que parte dos jovens acaba cooptada pelo crime antes de encontrar espaço na escola, no trabalho, na cultura ou no esporte.

A pré-candidata não retirou a responsabilidade individual de quem participa de crimes, mas defendeu que o poder público precisa agir antes que esses jovens sejam recrutados por organizações criminosas. Para ela, prender depois do crime não resolve a falta de formação, acompanhamento familiar, acesso ao emprego e orientação profissional.

Mirla também levou para a entrevista a situação das famílias de pessoas com transtorno do espectro autista. Ela contou que tem um filho com grau leve de autismo e que conseguiu pagar os atendimentos necessários para o desenvolvimento dele. A preocupação, afirmou, está nas mães que não possuem renda para custear acompanhamento especializado.

“Uma criança autista vai se tornar um adulto autista. Quem é que cuida do adulto autista?”, questionou. A fala abriu uma cobrança por políticas que não terminem na infância e acompanhem a pessoa autista durante a adolescência, a vida adulta e a entrada no mercado de trabalho.

Outro ponto da entrevista foi a atuação das instituições diante do crime organizado e de possíveis episódios de violência política. Mirla declarou que a demora nas investigações favorece os criminosos e enfraquece a confiança da população.

“A Justiça, se não for mais rápida que o crime, desequilibra o jogo no Acre. O crime organizado está cada vez mais organizado, e a nossa Justiça tem que mostrar que também está organizada”, afirmou.

A cobrança ocorreu durante a discussão sobre o atentado contra o jornalista Chico Melo. O apresentador Rogério Venceslau informou que o gabinete de Alan Henrique havia protocolado um pedido para que a Polícia Federal participasse da investigação. Mirla defendeu a apuração federal e pediu proteção ao jornalista.

Ela associou o episódio ao ambiente eleitoral, mas não apresentou provas sobre a motivação do ataque. A hipótese política apareceu como uma avaliação da entrevistada e não como resultado de investigação policial. Mirla também reproduziu uma versão que teria ouvido em Cruzeiro do Sul sobre a intenção dos autores, sem identificar a fonte nem apresentar elementos que confirmassem a informação.

A entrevista ganhou tom mais duro quando Mirla falou sobre disputas internas da política acreana. Ela afirmou que o irmão, Alan Henrique, teria sido abandonado por aliados durante a eleição de 2022 por não aceitar acordos propostos dentro do grupo político. Também disse que sua própria campanha daquele ano enfrentou restrições e que recebeu quase 5 mil votos mesmo sem apoio da estrutura partidária.

Mirla atacou um candidato cujo nome não revelou, questionou a ligação dele com o Acre e afirmou que ele teria tentado impedir que Alan participasse de sua campanha. As acusações não vieram acompanhadas de documentos, nomes ou outros elementos que permitissem a identificação do alvo e a verificação das declarações.

A presença da mãe, Gorete, na parte final do programa levou a entrevista para a história familiar. Aos 70 anos, ela continua vendendo ovos caipiras de casa em casa. Mirla contou que a mãe trabalhou no antigo Banacre e vendia roupas depois do expediente para aumentar a renda da família.

A partir dessa experiência, Mirla definiu o tipo de atuação política que pretende defender. “O que faz um bom político é a presença. É um político que vai e faz”, declarou. Para ela, presença não significa apenas participar de reuniões ou visitar municípios durante a campanha, mas acompanhar os problemas e entregar resultados.

Mirla encerrou a entrevista afirmando que pretende intensificar as agendas após o início oficial da campanha. Também declarou que acredita na eleição de seu grupo político e que não pretende reduzir a atuação mesmo diante dos conflitos internos e das críticas recebidas.