Wherles Rocha confronta Gladson Cameli com condenação no STJ

O ex-vice-governador do Acre Wherles Rocha transformou a disputa em torno da candidatura de Gladson Cameli ao Senado em um confronto direto entre discurso eleitoral e decisão judicial. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Rocha recupera declarações nas quais o ex-governador se apresenta como “candidatíssimo” e reclama da circulação de “fake news”, intercala as falas com trechos do julgamento no Superior Tribunal de Justiça e sustenta que a condenação criminal e os efeitos eleitorais enfrentados por Cameli não são invenção de adversários. A publicação aparece a poucos dias de 16 de agosto, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral das eleições de 2026, e leva para o centro da campanha uma pergunta que deverá acompanhar o ex-governador até a análise de seu registro: em que condições jurídicas Gladson chegará à urna de 4 de outubro?

A construção do vídeo é calculada para produzir contraste. Primeiro aparece Gladson falando aos apoiadores. “Eu só tô aguardando chegar o dia 16 pra mim ir pra rua pedir voto. Candidatíssimo, senhor. É candidatíssimo ao Senado”, afirma no trecho utilizado por Rocha. Em seguida, o ex-governador coloca a decisão nas mãos do eleitor: “Quem vai julgar, no julgamento meu, é 4 de outubro. O eleitor vai dizer se ele me quer como senador”. Rocha corta a fala e muda o ambiente da peça. Sai o palanque, entra o tribunal. Sai a promessa de campanha, entram trechos relacionados ao julgamento conduzido pela Corte Especial do STJ.

A data escolhida por Gladson para falar em ir às ruas não é casual. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral fixa 15 de agosto como prazo final para partidos, federações e coligações apresentarem os pedidos de registro de candidatura. A propaganda eleitoral começa no dia seguinte, 16. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. É justamente nesse intervalo, entre o registro e o início oficial da campanha, que a situação de Cameli se tornou um dos pontos mais delicados da eleição acreana.

Rocha interpreta a referência de Gladson às “fake news” como uma tentativa de empurrar para o terreno da desinformação aquilo que já passou pelo julgamento do STJ. “Vocês viram aí um sujeito chamar de fake news sua condenação e inelegibilidade”, diz, antes de reproduzir trechos ligados ao voto da ministra Nancy Andrighi. O vídeo assume, a partir daí, um tom de acusação política, mas a base jurídica central utilizada pelo ex-vice-governador existe: Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça em 6 de maio de 2026.

A pena foi fixada em 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. O STJ também determinou multa e indenização de R$ 11.785.020,31 ao Estado do Acre. A Corte decretou ainda a perda do cargo de governador, embora Cameli já tivesse deixado o Palácio Rio Branco para abrir caminho à tentativa de retornar ao Senado. O julgamento não foi unânime em todos os pontos, mas a maioria acompanhou a relatora Nancy Andrighi na condenação.

É nesse ponto que o vídeo de Rocha ganha peso para além da troca de ataques entre dois personagens da política acreana. Durante anos, Wherles Rocha e Gladson Cameli estiveram do mesmo lado. Em 2018, formaram a chapa que venceu a eleição para o Governo do Acre no primeiro turno: Gladson como governador e Rocha como vice. Ainda nos primeiros meses daquela administração, Rocha chegou a celebrar publicamente a parceria entre os dois. Agora, sete anos depois daquela chegada conjunta ao poder, o antigo vice usa uma condenação criminal do ex-aliado como matéria-prima de um dos ataques mais duros lançados contra o projeto de Gladson para 2026.

Os trechos judiciais reproduzidos no vídeo remetem ao núcleo da Ação Penal 1.076. A acusação sustentou que Gladson liderava uma organização criminosa formada por núcleos político, familiar e empresarial. No julgamento, Nancy Andrighi afirmou que servidores de alto escalão e integrantes do grupo familiar teriam participado de uma estrutura criada para permitir fraudes em contratos e desvio de dinheiro público. O STJ registrou que a investigação alcançou a contratação da Murano Construções e relações empresariais que, para a acusação, serviram à movimentação e ao desvio de recursos.

A ministra também tratou de pagamentos relacionados a um apartamento de alto padrão em São Paulo e a um veículo de luxo de propriedade do então governador. Na avaliação acolhida pela maioria da Corte Especial, movimentações financeiras reunidas no processo ligavam recursos desviados ao enriquecimento de Gladson e de integrantes de seu núcleo familiar. A defesa contestou essa versão, negou participação do então governador na condução dos contratos e sustentou a nulidade de provas obtidas durante as investigações. O próprio STJ registrou essas teses defensivas ao divulgar o resultado do julgamento.

A condenação de maio também não ficou congelada naquele dia. Em 5 de agosto, a Corte Especial rejeitou por unanimidade os embargos de declaração apresentados pela defesa. O resultado manteve a pena e deixou a discussão sobre uma eventual reversão ou suspensão dos efeitos da decisão para novas medidas judiciais.

É justamente aí que a palavra “inelegibilidade”, repetida por Rocha no vídeo, precisa ser compreendida fora da linguagem do confronto eleitoral. A legislação prevê inelegibilidade para condenados por determinados crimes quando a decisão já transitou em julgado ou foi tomada por órgão judicial colegiado. O Tribunal Superior Eleitoral reúne jurisprudência específica sobre a incidência da regra em condenações criminais desse tipo. Há, ao mesmo tempo, mecanismos judiciais que permitem buscar a suspensão cautelar da inelegibilidade enquanto recursos são examinados. A existência da condenação, portanto, não impede que o Progressistas apresente o pedido de registro de Gladson; abre, porém, uma disputa judicial sobre a possibilidade de ele efetivamente concorrer.

Essa diferença é importante porque o próprio Cameli procura deslocar a batalha para 4 de outubro. Quando diz que será julgado pelo eleitor, ele transforma a urna em argumento político. O problema é que existem dois julgamentos em planos diferentes. O eleitor pode escolher politicamente quem deseja representar o Acre, mas é a Justiça Eleitoral que examina se cada nome colocado pelos partidos reúne as condições legais para disputar o cargo. O calendário do TSE estabelece que os pedidos de registro, inclusive os impugnados, devem passar pelo julgamento das instâncias ordinárias antes do primeiro turno.

Rocha explora exatamente essa fratura. Sua peça não tenta discutir detalhes processuais durante vários minutos. Faz algo mais simples e mais eficiente politicamente: coloca lado a lado a imagem de Gladson dizendo que está pronto para pedir votos e a voz do Judiciário descrevendo os crimes pelos quais foi condenado. “Não é fake news, não é opinião, não é perseguição, é a Justiça falando”, afirma o ex-vice-governador. A frase é a síntese do vídeo e também a escolha narrativa de Rocha: impedir que a discussão sobre a candidatura seja reduzida a uma briga de versões entre adversários.

Ao final, o vídeo ainda incorpora uma antiga entrevista de conteúdo policial em que um homem fala, de forma irônica, sobre roubo, desemprego e a estrutura mobilizada pelo crime. O personagem não é identificado no material transcrito e não há elemento que permita relacioná-lo diretamente a Gladson Cameli ou ao processo da Operação Ptolomeu. Dentro da edição feita por Rocha, o trecho funciona como provocação e recurso de ironia, não como prova relacionada à ação penal.

A gravação chega ao eleitor num momento em que campanha e processo judicial passaram a correr quase na mesma velocidade. Em 15 de agosto termina o prazo para os registros. Em 16, começa a propaganda. Em 4 de outubro, o Acre escolherá dois senadores. Entre essas três datas está uma batalha jurídica que Gladson precisa enfrentar e uma batalha política que seus adversários já decidiram explorar.

Para Wherles Rocha, a estratégia é especialmente carregada de significado porque ele não fala de um personagem distante. Fala do homem com quem dividiu uma chapa, uma vitória eleitoral e o início de um governo. O vídeo transforma essa antiga proximidade em combustível político. O ex-vice não precisa reconstruir toda a Operação Ptolomeu para atacar. Deixa que as imagens de Gladson e os trechos do julgamento se choquem diante do eleitor.

A disputa de 2026 no Acre passa, assim, a ter também uma batalha pela definição das palavras. Gladson fala em “fake”, candidatura e julgamento popular. Rocha responde com condenação, inelegibilidade e STJ. Entre os dois discursos existe um fato que não depende da propaganda de nenhum dos lados: em 6 de maio, Gladson Cameli foi condenado por um colegiado do Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão. O que ainda será decidido é o alcance definitivo dessa condenação sobre sua presença na eleição.

STJ mantém condenação de Gladson Cameli e candidatura ao Senado segue com risco de inelegibilidade

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça manteve nesta quarta-feira, 5 de agosto, a condenação de Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão. Por unanimidade, os ministros acolheram parcialmente os embargos de declaração apresentados pela defesa, mas sem alterar a pena ou o resultado do julgamento. A decisão mantém o ex-governador do Acre sob uma condenação colegiada por crimes que podem gerar inelegibilidade, a dez dias do encerramento do prazo para o registro das candidaturas nas eleições de 2026.

O resultado foi registrado às 15h24 na Ação Penal 1.076. A proclamação final informa que os embargos foram acolhidos parcialmente, sem efeitos modificativos, nos termos do voto da ministra relatora Nancy Andrighi. Na prática, os ministros aceitaram esclarecer pontos da decisão anterior, mas rejeitaram qualquer mudança capaz de afastar os crimes reconhecidos, reduzir a pena ou reverter a condenação.

Gladson Cameli foi condenado por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Além da pena de prisão em regime inicial fechado, o STJ determinou o pagamento de multa e de R$ 11.785.020,31 em indenização ao Estado do Acre. A defesa nega a participação do ex-governador no esquema e questiona provas usadas durante a investigação.

A manutenção da condenação afeta diretamente o projeto eleitoral de Gladson, escolhido pelo Progressistas para disputar uma das duas vagas do Acre no Senado. O partido poderá apresentar o pedido de registro da candidatura até as 19 horas de 15 de agosto. O processo será encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre, responsável por examinar se o candidato cumpre as exigências legais para concorrer.

O protocolo do pedido não significa que a candidatura estará autorizada. O Progressistas pode registrar o nome de Gladson mesmo com a condenação em vigor, mas caberá à Justiça Eleitoral decidir se a situação criminal impede a participação dele na disputa. A escolha partidária feita em convenção e o registro concedido pelo tribunal são etapas diferentes.

A Lei Complementar nº 64, que trata das hipóteses de inelegibilidade, alcança pessoas condenadas por órgão judicial colegiado por crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Nesses casos, não é necessário aguardar o fim de todos os recursos para que o impedimento eleitoral seja aplicado. A condenação proferida por um tribunal já pode servir de fundamento para o indeferimento do registro.

Gladson foi condenado pela Corte Especial do STJ, formada por ministros do próprio tribunal. Por esse motivo, o caso reúne os elementos jurídicos para uma discussão sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa. O TRE do Acre deverá analisar o conteúdo da condenação, os crimes reconhecidos e a situação dos recursos apresentados pela defesa.

Depois da publicação do pedido de registro, partidos, coligações, candidatos e o Ministério Público Eleitoral terão cinco dias para apresentar impugnação. A defesa de Gladson poderá responder, juntar documentos e sustentar que a condenação não deve produzir efeitos eleitorais. O processo também poderá chegar ao Tribunal Superior Eleitoral por meio de recurso.

A principal alternativa da defesa é obter uma decisão judicial que suspenda a inelegibilidade ou os efeitos da condenação. A legislação permite esse tipo de medida quando o tribunal responsável por examinar o recurso reconhece fundamento jurídico suficiente para suspender temporariamente o impedimento. Sem essa decisão, o pedido de registro será analisado com a condenação mantida pelo STJ.

Os embargos julgados nesta quarta-feira não produziram essa mudança. O STJ não afastou os crimes, não anulou o julgamento e não reduziu a pena. A defesa ainda poderá buscar outras medidas judiciais, mas precisará de uma decisão específica que retire ou suspenda o efeito eleitoral da condenação.

Enquanto o registro estiver em análise, Gladson poderá manter atividades de campanha na condição de candidato com situação pendente. A permanência do nome na urna e a validade dos votos dependerão do andamento dos recursos e das decisões tomadas pela Justiça Eleitoral. Uma candidatura nessa condição pode avançar durante a campanha sem garantia de diplomação.

O calendário reduz o tempo disponível para o Progressistas definir sua estratégia. O pedido precisa ser protocolado até 15 de agosto. Os processos de registro, inclusive os impugnados, devem avançar antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A legislação também fixa prazo para substituição de candidatos, o que obriga o partido a avaliar o risco de manter Gladson até as últimas etapas da disputa judicial.

Apoiador de Mailza, Ulysses diz que chapa tem competência “apesar de serem mulheres”

O apoio político montado em torno da governadora Mailza Assis produziu mais um desgaste nesta terça-feira, 4 de agosto. Durante a convenção que oficializou a chapa com Jéssica Sales como candidata a vice-governadora, o deputado federal Coronel Ulysses afirmou que as duas têm competência “apesar de serem mulheres”. A declaração foi dada ao jornal A Gazeta do Acre, no Sesc Bosque, em Rio Branco.

“Eu entendo que essa chapa, apesar de a governadora e a vice-governadora serem mulher, tem muita competência, tem muito trabalho, tem muita entrega”, declarou Ulysses. Depois, citou a passagem de Mailza pelo Senado e o mandato de Jéssica na Câmara dos Deputados para defender a candidatura.

A frase expôs a contradição dentro do próprio palanque. A campanha apresenta uma chapa formada por duas mulheres como demonstração de força política, enquanto um dos principais aliados trata a competência feminina como uma exceção que precisa ser reconhecida.

O episódio ocorre quando Mailza já enfrenta questionamentos pela presença do marido, Madson Cameli, no centro do governo. Nomeado chefe do Gabinete Pessoal da Governadora, ele ocupa uma função diretamente ligada às decisões e à rotina do Palácio Rio Branco.

Madson também foi investigado por lesão corporal grave e violência psicológica contra a ex-mulher. Em agosto de 2024, o Ministério Público do Acre informou que a vítima tinha medida protetiva e que o inquérito estava sob análise da promotoria de Cruzeiro do Sul. Não há, nessa informação, registro de condenação.

É esse o apoio reunido em torno de Mailza: enquanto a candidata tenta transformar uma chapa feminina em ativo eleitoral, um aliado sobe ao palanque e condiciona a capacidade das duas ao fato de serem mulheres. A fala de Ulysses não atingiu a oposição. Atingiu o principal discurso da própria campanha.

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Wenceslau vê Bocalom fortalecido após convenção e questiona pesquisa AtlasIntel no Acre

O jornalista Rogério Wenceslau afirmou, na manhã desta segunda-feira, 3 de agosto, que a convenção de Tião Bocalom mudou a percepção sobre a força do ex-prefeito de Rio Branco na disputa pelo Governo do Acre. Durante sua análise no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, o apresentador também questionou a diferença entre os números divulgados pela AtlasIntel e o cenário construído por pesquisas anteriores no estado.

A leitura de Wenceslau partiu das imagens do Ginásio do Sesi lotado na sexta-feira, 31 de julho, durante o ato que oficializou a candidatura de Bocalom ao governo. Para o jornalista, a mobilização retirou o candidato de uma posição secundária no debate eleitoral e obrigou adversários, aliados e observadores da política acreana a reverem suas avaliações.

“Uma multidão lotou o ginásio, muita gente realmente, acho que mais de cinco mil pessoas. Isso reposicionou a candidatura de Tião Bocalom”, declarou.

Wenceslau sustentou que o tamanho do público teve um peso político que ultrapassou a formalidade da convenção. Na avaliação apresentada no programa, o evento mostrou que Bocalom preserva capacidade de mobilização, estrutura partidária e presença entre eleitores que já o acompanharam em outras disputas.

“Muita gente que achava que ele não estava tão forte assim acabou revendo os conceitos e entendendo que é um candidato que está na disputa, que está forte e que o jogo está pareado”, afirmou.

A convenção confirmou o sargento Adônis Souza como candidato a vice-governador e o deputado federal Eduardo Velloso como candidato ao Senado. Ao comentar a formação da chapa, Wenceslau lembrou que Velloso se aproximou do grupo de Bocalom depois de não conquistar espaço para disputar o Senado na composição governista.

Mesmo diante da demonstração de força, o jornalista tratou o cenário como aberto. As convenções ainda estavam em andamento, as candidaturas passariam pelo registro na Justiça Eleitoral e a campanha não havia começado oficialmente. Para Wenceslau, novas alianças e movimentos partidários ainda poderiam alterar a disputa antes de o eleitor entrar em contato direto com a propaganda eleitoral.

Foi nesse ambiente que a pesquisa AtlasIntel, divulgada pelo AC24horas, entrou no centro da análise. No cenário estimulado para o Governo do Acre, Mailza Assis apareceu com 35,2%, Alan Rick com 33,1%, Tião Bocalom com 18,5% e Thor Dantas com 9,7%.

Wenceslau não tratou os números como uma oscilação comum entre levantamentos. Para ele, a pesquisa colocou diante do eleitor uma configuração muito diferente daquela apresentada até então por institutos que acompanharam a corrida estadual.

“Essa pesquisa muda completamente o panorama político. Coloca a situação completamente diferente do que até então a gente imaginava”, disse.

O principal ponto de estranhamento levantado pelo jornalista foi a ascensão de Mailza Assis. Wenceslau comparou o resultado da AtlasIntel com pesquisas divulgadas poucos dias antes, nas quais a governadora aparecia em posição inferior, e questionou quais fatos políticos teriam provocado uma mudança tão rápida na preferência do eleitorado.

“Na pesquisa do AC24horas, a governadora já ultrapassou o pré-candidato Alan. Ela sai da terceira colocação para a primeira colocação em menos de 15 dias”, observou.

A crítica apresentada no Jornal da Manhã não se limitou à posição de Mailza. Wenceslau colocou em dúvida a capacidade dos levantamentos disponíveis de oferecer uma fotografia coerente da disputa, diante das diferenças entre os resultados divulgados por institutos nacionais e locais.

“Ou eu não vi nada do que aconteceu nos últimos dias na política ou todos os institutos de pesquisa da região estão mentindo, e mentindo feio. Das duas, uma”, afirmou.

O jornalista reconheceu que pesquisas eleitorais podem apresentar resultados diferentes. Cada levantamento trabalha com amostras, métodos, períodos de coleta e formas de abordagem próprias. Ainda assim, considerou difícil explicar uma mudança tão ampla em tão pouco tempo sem que um acontecimento político de grande impacto tivesse sido percebido nas ruas, nos partidos ou no debate público.

“Ou a gente não acompanhou nada de política nos últimos dias, que não viu essa mudança toda, ou os institutos de pesquisa do Acre não estão mais servindo para aferir a intenção de voto do eleitor, porque isso coloca de cabeça para baixo tudo que vinha sendo mostrado”, declarou.

Ao recuperar o histórico eleitoral de Bocalom, Wenceslau também pediu cautela na transformação de pesquisas em resultados antecipados. O apresentador lembrou que o político já chegou desacreditado a outras eleições municipais e terminou vencedor.

“No Acre, nós já temos um especialista em desmentir pesquisa. Eu acabei de falar nele, que é o Tião Bocalom. Nas eleições majoritárias que disputou, era dado como derrotado e venceu pelo menos duas”, comentou.

A análise feita por Wenceslau no Jornal da Manhã colocou lado a lado dois elementos que passaram a movimentar a eleição acreana. A convenção mostrou Bocalom cercado por apoiadores e lideranças, enquanto a pesquisa AtlasIntel o manteve distante dos dois primeiros colocados. Para o jornalista, essa diferença precisa ser acompanhada com atenção, porque a força demonstrada em um ato partidário não pode ser confundida automaticamente com intenção de voto, mas também não deve ser ignorada na leitura da campanha.

Wenceslau encerrou a análise defendendo que as pesquisas sejam divulgadas e debatidas, sem que os percentuais sejam tratados como sentença definitiva. Na avaliação do apresentador, a disputa ainda passará pelas convenções, pela campanha nas ruas, pelo confronto de propostas e pelo julgamento direto do eleitor. A resposta final, como ocorre em qualquer eleição, não estará no ginásio nem nas planilhas dos institutos, mas nas urnas.

Sargento Adônis confirma candidatura a vice de Bocalom e fala em “libertação” do Acre

Escolhido para compor a chapa de Tião Bocalom, o militar atribuiu sua entrada na disputa à providência divina, defendeu o modelo de gestão do candidato ao governo e citou Mahatma Gandhi ao projetar a vitória nas urnas.

A convenção da coligação “Produzir para Empregar”, realizada no ginásio do Sesi, em Rio Branco, nesta sexta-feira, 31, oficializou a chapa majoritária liderada por Tião Bocalom na disputa pelo Governo do Acre. Um dos principais discursos da noite foi feito pelo candidato a vice-governador, Sargento Adônis, que concentrou sua fala em referências religiosas, na defesa da trajetória administrativa de Bocalom e na promessa de mudança no comando do estado.

Adônis subiu ao palco e apresentou a candidatura como parte de um projeto coletivo. Logo no início, associou a campanha à democracia e ao enfrentamento dos problemas econômicos e sociais do Acre:

“Não é uma festa minha, não é uma festa do Bocalom, é uma festa nossa, é a festa da democracia, é a festa da libertação do estado do Acre deste subdesenvolvimento.”

A Lei da Semeadura e o pragmatismo na gestão

Ao defender Tião Bocalom e Eduardo Velloso, candidato ao Senado, Adônis recorreu ao princípio bíblico da semeadura. Para ele, a trajetória política dos dois sustenta a confiança no projeto apresentado pela coligação. “Certamente eles plantaram no passado com uma história íntegra, justa, honesta e vão colher bons frutos à frente deste novo projeto.”

O candidato a vice também direcionou o discurso para a experiência administrativa de Bocalom. Adônis afirmou que a campanha não dependerá apenas de promessas, mas do histórico do candidato nas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco.

“Eu não tenho dúvidas por que esse time vai sair vencedor. É porque o Tião Bocalom não vai apresentar propostas, não. Ele vai apresentar um projeto consolidado de gestão que já deu certo em Acrelândia por três vezes prefeito e que também deu certo aqui em Rio Branco.”

De Eclesiastes a Gandhi

No encerramento do discurso, Adônis deixou as referências bíblicas e citou o líder pacifista indiano Mahatma Gandhi. A frase foi usada para convocar os apoiadores a participar da campanha e reforçar a confiança na vitória eleitoral.

“Tem uma frase que eu gosto muito de Mahatma Gandhi que diz o seguinte: ‘Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é um desejo de vencer’. E é com esse desejo no coração, de mãos dadas com todos vocês aqui, que nós vamos juntos levantar a bandeira da vitória no dia 4 de outubro.”

Bocalom oficializa candidatura ao Governo do Acre com Adônis de vice e Velloso ao Senado

A convenção realizada na noite desta sexta-feira, 31 de julho, no Ginásio do Sesi, em Rio Branco, oficializou Tião Bocalom, do PSDB, como candidato ao Governo do Acre, Sargento Adônis como vice e o deputado federal Eduardo Velloso, do Solidariedade, na disputa pelo Senado. O ato reuniu PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD em torno da chapa que pretende levar para o governo estadual o programa “Produzir para Empregar”, usado por Bocalom em administrações anteriores.

Bocalom chegou ao ginásio acompanhado de Adônis, Velloso, da esposa Kelen Bocalom e do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene. A composição apresentada no palco definiu o núcleo político da campanha e confirmou a presença de Alysson ao lado do ex-prefeito, mesmo com o atual gestor da capital filiado ao Progressistas, partido da candidata ao governo Mailza Assis.

Na chegada ao evento, Bocalom comparou a estrutura política montada para a eleição deste ano com a primeira vez em que disputou o Governo do Acre, em 2006. “O Bocalom hoje é mais experiente, não tenho dúvida nenhuma. Em 2006, meu Deus do céu, não tinha ninguém na nossa convenção, era muito pouca gente. Mas hoje, graças a Deus, isso aqui é esperança. Isso é resultado do que a gente trabalhou em Acrelândia e Rio Branco. Mostramos que sabemos trabalhar e que o dinheiro na nossa mão rende”, afirmou.

O candidato colocou a produção rural, o comércio e a indústria no centro do discurso econômico. “O dinheiro precisa chegar aos mais necessitados, com políticas de geração de emprego e renda. Vamos apoiar desde os pequenos até os médios e grandes produtores, comerciantes e industriais. É a linha do ‘Produzir para Empregar’ que vai vencer desta vez”, declarou Bocalom.

Escolhido para ocupar a vaga de vice, Sargento Adônis levou para a chapa o discurso ligado à segurança pública e a representação política do Vale do Juruá. O militar afirmou que a proposta defendida por Bocalom já foi testada nas administrações de Acrelândia e Rio Branco. “É muito gratificante saber que o Bocalom, lá atrás, quando iniciou sua caminhada, tinha como proposta ‘Produzir para Empregar’. Hoje está mais do que evidente que ele estava certo. Ele tem um projeto de gestão consolidado para apresentar ao povo do estado do Acre”, disse.

Adônis também assumiu o compromisso de participar da campanha em todas as regiões acreanas. “Estamos aqui à disposição do povo do Acre para a gente construir um dos melhores projetos de desenvolvimento para o nosso estado, começando de Assis Brasil até Mâncio Lima”, afirmou. A escolha de um vice do Juruá busca ampliar a presença territorial da chapa e aproximar Bocalom dos municípios do interior.

Eduardo Velloso apresentou a chapa como uma divisão de responsabilidades entre segurança pública, produção e saúde. “Sinto-me muito honrado de fazer parte desse time. Nós temos um representante da segurança pública, que é um dos maiores problemas do estado; temos uma pessoa que já mostrou que sabe construir e tem olho na produção rural, juntando com a saúde, que é um dos calos do nosso estado”, declarou o candidato ao Senado.

Velloso encerrou a participação com um discurso voltado à mobilização dos apoiadores. “Esse time aqui vai sair vencedor. Hoje começa uma nova história, um novo desenvolvimento, um novo capítulo do Estado do Acre. Aqui tem força, tem fé e tem trabalho”, afirmou. A candidatura do deputado ao Senado foi incorporada à chapa de Bocalom após o parlamentar deixar o grupo político ligado à candidatura de Mailza Assis.

Alysson Bestene concentrou sua fala na continuidade do modelo administrativo iniciado por Bocalom na Prefeitura de Rio Branco. “É esse time que respeita as pessoas em primeiro lugar, que faz com que o dinheiro público chegue de fato e mude a vida das pessoas. O exemplo está aí, seja em Acrelândia e em Rio Branco. Eu tenho orgulho de dar continuidade a esse trabalho no município de Rio Branco”, declarou.

O prefeito também afirmou que sua relação política com Bocalom permanece acima da posição adotada pelo Progressistas na eleição estadual. “Nós não estamos na política para se beneficiar de recurso público, para ganhar dinheiro. Nós estamos na política para servir as pessoas em primeiro lugar e, principalmente, aqueles que mais precisam. Conheço você desde 2012, e essa sensibilidade nunca morreu: a de olhar para quem mais precisa”, disse Alysson.

Na disputa pelo Senado, Alysson confirmou apoio a Eduardo Velloso e ao ex-governador Gladson Cameli. “O Eduardo Velloso compôs aqui a chapa com a gente. É um prazer tê-lo junto, é meu amigo de infância”, afirmou. Ao defender a candidatura de Bocalom, Alysson afirmou que a chapa reúne nomes comprometidos com o desenvolvimento do estado. “Tenho certeza de que o Acre vai se desenvolver com pessoas sérias que querem fazer o melhor para a população de todo o estado do Acre”, declarou o prefeito.

A convenção fechou as três principais definições eleitorais do grupo: Bocalom para o Governo do Acre, Adônis como vice e Eduardo Velloso para o Senado. Também tornou pública a distância entre Alysson Bestene e a direção estadual do Progressistas. Embora permaneça no partido, o prefeito escolheu participar da campanha de Bocalom e defender a continuidade estadual do projeto administrativo que os dois implantaram juntos em Rio Branco.

Roberto Duarte confirma candidatura à reeleição e cobra investigação de atentado contra Chico Melo

O deputado federal Roberto Duarte confirmou nesta sexta-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que disputará a reeleição pelo Republicanos. O parlamentar também defendeu a candidatura do senador Alan Rick ao governo do Acre, criticou a judicialização da disputa eleitoral e cobrou uma resposta rápida das autoridades sobre o atentado contra o jornalista Chico Melo.

Duarte afirmou que seu nome foi aprovado na convenção do Republicanos e que a aliança política foi construída ao longo dos últimos dois anos. A chapa majoritária reúne Alan Rick como candidato ao governo, Mara Rocha na disputa pelo Senado e o senador Sérgio Petecão entre os aliados.

“O nosso nome também já está oficializado como candidato à reeleição ao cargo de deputado federal. Isso foi uma construção que nós fizemos ao longo dos últimos dois anos, que dependeu de muito diálogo e muita conversa”, declarou.

O deputado disse que o grupo pretende concentrar a campanha em propostas para geração de emprego e renda, saneamento, educação e segurança pública. Segundo ele, Alan Rick não apresentará promessas de resolver todos os problemas do estado.

“O Alan não vai vir a público para dizer que vai resolver todos os problemas do Acre, porque isso é mentir para a população. Mas o Alan tem propostas que podem mudar a história do Acre”, afirmou.

Na área da segurança, Duarte defendeu a participação conjunta do governo estadual, Ministério Público, Poder Judiciário e Defensoria Pública. Ele também afirmou que o grupo pretende enfrentar a atuação das organizações criminosas. Sem citar nomes ou apresentar provas durante a entrevista, o parlamentar falou sobre uma possível relação entre integrantes de facções e agentes políticos.

“Nós não podemos mais aceitar. É inadmissível que hoje as facções comandem o estado do Acre. É inadmissível a interligação das facções com políticos. Isso tem que mudar”, disse.

Duarte também criticou o número de ações eleitorais apresentadas contra integrantes do grupo de Alan Rick. Segundo o deputado, foram protocoladas mais de 30 representações durante a pré-campanha. Ele afirmou que a judicialização prejudica o debate político e dificulta o contato dos candidatos com os eleitores.

“Isso deixa a gente muito triste, porque atrapalha a democracia e atrapalha o eleitor de escolher o seu candidato ou o candidato mais preparado. Eu acredito que nós recebemos mais de 30 representações”, declarou.

O parlamentar afirmou que o grupo procurou o Ministério Público Eleitoral, a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal para pedir equilíbrio na disputa. Duarte também citou a saída de moradores do Acre em busca de emprego em outros estados como um dos principais problemas que deverão ser discutidos durante a campanha.

“São mais de 30 mil acreanos que deixaram o Acre nos últimos anos, e nós não podemos mais aceitar isso calados. Precisamos fazer essa mudança para trazer de volta os acreanos que estão em outros estados atrás de oportunidades”, afirmou.

Outro tema da entrevista foi o atentado contra o jornalista Chico Melo. Duarte informou que seu gabinete protocolou um pedido para que a Polícia Federal acompanhe o caso. O deputado defendeu a liberdade de imprensa e afirmou que críticas devem ser respondidas pelos meios legais, nunca com violência.

“Repressão, jamais. Nós precisamos de liberdade, independentemente de ela ser crítica ou não. Se houver fake news, você combate dentro do poder correspondente, mas violência, jamais”, declarou.

Duarte cobrou rapidez nas investigações e disse que pretende solicitar uma nova audiência com a Superintendência da Polícia Federal no Acre. O parlamentar também afirmou que buscará informações no Ministério Público e na Polícia Civil.

“A polícia precisa dar uma resposta, a Justiça precisa dar uma resposta, e essa resposta tem que ser rápida. Não pode demorar e tem que ser exemplar para que isso não aconteça mais”, disse.

O deputado afirmou que as investigações devem alcançar todos os envolvidos, inclusive possíveis mandantes, caso essa participação seja comprovada. “Nós vamos buscar os responsáveis por isso, todos, sem exceção. Se houver comando, nós vamos buscar quem deu o comando”, declarou.

Ao encerrar a entrevista, Duarte afirmou que manterá as agendas no Vale do Juruá e nos demais municípios do Acre durante a campanha. Ele disse ter percorrido todas as regiões do estado durante o mandato e defendido o envio de recursos para as prefeituras.

“Eu procurei, neste mandato, andar em todos os municípios, dialogando com a população e trazendo recursos também para todos os municípios. Enquanto eu estiver na política, vou estar pronto para servir ao próximo”, afirmou.

No Jornal da Manhã, Mirla Miranda liga saída de jovens à falta de oportunidades

A jornalista, empresária e pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos, Mirla Miranda, afirmou nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a falta de emprego, qualificação profissional e assistência pública está afastando jovens do Acre e aumentando a vulnerabilidade ao crime. Ela também cobrou rapidez da Justiça e das forças policiais na investigação de ataques ocorridos durante o período eleitoral.

Mirla declarou que pretende manter presença constante no Vale do Juruá durante a campanha. Ela foi apresentada como pré-candidata, mas informou que seu nome já passou pela convenção partidária e que ainda depende dos procedimentos de registro da candidatura. Ao falar sobre Cruzeiro do Sul, defendeu investimentos no turismo e citou os rios, igarapés e áreas de banho como recursos econômicos ainda pouco aproveitados.

A parte central da entrevista tratou da saída de acreanos para outros estados. Mirla citou Santa Catarina e Rondônia como destinos procurados por pessoas que não encontram trabalho ou perspectiva de crescimento no Acre. Para ela, o deslocamento não ocorre apenas por causa dos salários, mas também pela falta de caminhos profissionais para quem termina os estudos e não consegue entrar no mercado de trabalho.

“Eu não vejo oportunidade para o meu desenvolvimento como jovem. Eu não tenho condição de arrumar um emprego”, afirmou, ao reproduzir a situação enfrentada por parte da juventude. Mirla declarou que o Acre perdeu duas gerações ao longo dos últimos 16 anos, expressão usada por ela para comparar crianças que cresceram sem assistência adequada e adolescentes que chegaram ao fim da educação básica sem perspectivas de trabalho.

A declaração surgiu após o programa abordar a morte de dois jovens, de 18 e 21 anos, durante uma tentativa de assalto a uma loja de celulares no centro de Cruzeiro do Sul. Mirla relacionou o episódio à falta de oportunidades e afirmou que parte dos jovens acaba cooptada pelo crime antes de encontrar espaço na escola, no trabalho, na cultura ou no esporte.

A pré-candidata não retirou a responsabilidade individual de quem participa de crimes, mas defendeu que o poder público precisa agir antes que esses jovens sejam recrutados por organizações criminosas. Para ela, prender depois do crime não resolve a falta de formação, acompanhamento familiar, acesso ao emprego e orientação profissional.

Mirla também levou para a entrevista a situação das famílias de pessoas com transtorno do espectro autista. Ela contou que tem um filho com grau leve de autismo e que conseguiu pagar os atendimentos necessários para o desenvolvimento dele. A preocupação, afirmou, está nas mães que não possuem renda para custear acompanhamento especializado.

“Uma criança autista vai se tornar um adulto autista. Quem é que cuida do adulto autista?”, questionou. A fala abriu uma cobrança por políticas que não terminem na infância e acompanhem a pessoa autista durante a adolescência, a vida adulta e a entrada no mercado de trabalho.

Outro ponto da entrevista foi a atuação das instituições diante do crime organizado e de possíveis episódios de violência política. Mirla declarou que a demora nas investigações favorece os criminosos e enfraquece a confiança da população.

“A Justiça, se não for mais rápida que o crime, desequilibra o jogo no Acre. O crime organizado está cada vez mais organizado, e a nossa Justiça tem que mostrar que também está organizada”, afirmou.

A cobrança ocorreu durante a discussão sobre o atentado contra o jornalista Chico Melo. O apresentador Rogério Venceslau informou que o gabinete de Alan Henrique havia protocolado um pedido para que a Polícia Federal participasse da investigação. Mirla defendeu a apuração federal e pediu proteção ao jornalista.

Ela associou o episódio ao ambiente eleitoral, mas não apresentou provas sobre a motivação do ataque. A hipótese política apareceu como uma avaliação da entrevistada e não como resultado de investigação policial. Mirla também reproduziu uma versão que teria ouvido em Cruzeiro do Sul sobre a intenção dos autores, sem identificar a fonte nem apresentar elementos que confirmassem a informação.

A entrevista ganhou tom mais duro quando Mirla falou sobre disputas internas da política acreana. Ela afirmou que o irmão, Alan Henrique, teria sido abandonado por aliados durante a eleição de 2022 por não aceitar acordos propostos dentro do grupo político. Também disse que sua própria campanha daquele ano enfrentou restrições e que recebeu quase 5 mil votos mesmo sem apoio da estrutura partidária.

Mirla atacou um candidato cujo nome não revelou, questionou a ligação dele com o Acre e afirmou que ele teria tentado impedir que Alan participasse de sua campanha. As acusações não vieram acompanhadas de documentos, nomes ou outros elementos que permitissem a identificação do alvo e a verificação das declarações.

A presença da mãe, Gorete, na parte final do programa levou a entrevista para a história familiar. Aos 70 anos, ela continua vendendo ovos caipiras de casa em casa. Mirla contou que a mãe trabalhou no antigo Banacre e vendia roupas depois do expediente para aumentar a renda da família.

A partir dessa experiência, Mirla definiu o tipo de atuação política que pretende defender. “O que faz um bom político é a presença. É um político que vai e faz”, declarou. Para ela, presença não significa apenas participar de reuniões ou visitar municípios durante a campanha, mas acompanhar os problemas e entregar resultados.

Mirla encerrou a entrevista afirmando que pretende intensificar as agendas após o início oficial da campanha. Também declarou que acredita na eleição de seu grupo político e que não pretende reduzir a atuação mesmo diante dos conflitos internos e das críticas recebidas.

Socorro Rodrigues aceita ser vice de Thor Dantas na disputa pelo Governo do Acre

A advogada Socorro Rodrigues, do Podemos, aceitou nesta quarta-feira, 29 de julho, o convite para ocupar a vaga de vice na chapa do médico Thor Dantas, pré-candidato do PSB ao Governo do Acre. A composição será oficializada nesta quinta-feira, 30, durante a convenção da Frente Ampla pelo Acre, marcada para as 17h, no Parque das Acácias, em Rio Branco.

Thor foi à casa de Socorro para formalizar o convite, que já havia sido discutido por telefone e em encontros anteriores. Ao confirmar a entrada na chapa, a advogada afirmou que recebe a decisão com responsabilidade e relacionou sua participação à presença das mulheres na política acreana.

“Recebo esse convite com muita alegria e confirmo minha total adesão. É motivo de muita honra”, declarou Socorro. Ela afirmou que pretende representar as mulheres do Acre e citou como características dessa representação a coragem, a força, a determinação e a sensibilidade.

A escolha de Socorro encerra a definição da chapa majoritária da aliança formada por PT, PCdoB, PV, PSB e Podemos. Thor afirmou que procurava uma candidata com experiência profissional, compromisso ético e atuação na defesa de direitos.

“Uma mulher forte, competente, experiente, que tem sólida atuação na advocacia e na luta pelos direitos fundamentais”, afirmou Thor ao justificar a escolha. O pré-candidato também relacionou a composição à união de experiências diferentes, com um médico e uma advogada na disputa pelo governo estadual.

Socorro atua nas áreas de Direito Tributário e Direito Eleitoral. Ela foi vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Acre e ocupa o cargo de conselheira federal da entidade. Também participa de ações de combate à violência contra as mulheres. A eleição de 2026 será sua primeira disputa por um cargo majoritário estadual.

A convenção desta quinta-feira também deverá oficializar a candidatura do ex-governador Jorge Viana ao Senado, além dos nomes da coligação para as disputas de deputado federal e deputado estadual. A Frente Ampla pelo Acre prevê apresentar cerca de 100 candidatos aos cargos proporcionais.

Alysson reforça continuidade da gestão em Rio Branco e declara apoio a Bocalom

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, apresentou nesta quarta-feira, 29 de julho, em Cruzeiro do Sul, um balanço das ações executadas desde que assumiu o comando da capital e reafirmou o apoio à pré-candidatura de Tião Bocalom ao governo do Acre. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, Bestene colocou a continuidade administrativa, o cuidado com os recursos públicos e a lealdade política como bases da parceria construída entre os dois.

Alysson assumiu a Prefeitura de Rio Branco em 4 de abril de 2026, após a transmissão do cargo feita por Bocalom. Desde então, passou a conduzir uma estrutura administrativa que ajudou a construir como vice-prefeito e integrante direto da gestão municipal. A prefeitura mantém Bestene como atual prefeito da capital acreana.

A relação entre os dois atravessa mais de uma década. Alysson lembrou que a aproximação política começou em 2012, quando disputaram juntos a Prefeitura de Rio Branco, com Bocalom como candidato a prefeito e ele como candidato a vice. A parceria voltou a ser formada na eleição de 2024 e chegou ao comando da capital.

“Os nossos princípios sempre convergiram nesse sentido de fazer com que a coisa pública, de fato, chegasse às pessoas em primeiro lugar. Deus permitiu que, a partir de 2024, nós reeditássemos essa dupla e agora possibilitou que a gente assumisse a capital para dar sequência nesse trabalho inovador, moderno e com cara de capital”, afirmou Alysson.

Nos primeiros meses à frente da prefeitura, Bestene manteve obras que estavam em andamento e avançou em ações nas áreas de infraestrutura, transporte, produção rural e educação. Ele citou a preparação do Mercado Elias Mansour para entrega, as obras de unidades básicas de saúde, entre elas a da Vila Betel, e a recuperação de quadras e praças em diferentes bairros.

Segundo Alysson, dez espaços públicos foram revitalizados e entregues durante os primeiros cem dias de sua administração. Entre eles está a quadra com piso modular no bairro Doca Furtado, iniciada durante a gestão de Bocalom e concluída após a mudança no comando da prefeitura.

“Nesses cem dias, a gente vem dando sequência a obras importantes que ainda vamos entregar ao longo deste ano. São várias quadras e praças que estamos revitalizando e recuperando. Só ao longo desses cem dias foram dez que a gente já revitalizou e entregou”, disse.

A continuidade também alcançou o sistema de transporte coletivo. Alysson afirmou que a prefeitura iniciou um novo processo emergencial para ampliar e melhorar o atendimento aos passageiros, com a previsão de colocar 120 ônibus à disposição da população. A medida fazia parte das discussões mantidas com Bocalom ainda durante o período em que os dois administravam juntos a capital.

Bestene relacionou a capacidade de manter os investimentos ao equilíbrio financeiro construído pela gestão. Ele afirmou que recebeu a prefeitura com mais de R$ 150 milhões em caixa e que os recursos estão sendo aplicados em serviços e projetos voltados diretamente aos moradores.

“Isso é uma demonstração de um serviço sério e honesto, que só é possível diante da quantidade de recursos trabalhados com seriedade. Foram mais de R$ 150 milhões deixados em caixa, que a gente está aplicando bem para que esses benefícios voltem para a população”, declarou Alysson.

A estrutura municipal de obras recebeu atenção especial. O prefeito afirmou que a Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco conta atualmente com mais de 85 máquinas e equipamentos, incluindo caminhões destinados aos serviços de pavimentação, manutenção das ruas e recuperação dos corredores de ônibus. Parte desse maquinário foi adquirida durante a administração de Bocalom e permanece em operação na atual gestão.

Na área rural, Alysson informou que as equipes municipais recuperaram aproximadamente 330 quilômetros de ramais e estradas vicinais durante o início do período de verão. A prefeitura também manteve a entrega de calcário, fertilizantes e outros insumos usados pelos produtores.

Outro programa citado pelo prefeito prevê a distribuição de 150 mil mudas de café para propriedades localizadas no entorno do cinturão verde de Rio Branco. Para Alysson, o trabalho desenvolvido na capital comprova que o apoio ao pequeno produtor e à agricultura familiar pode ampliar a produção, gerar renda e fortalecer a economia.

“Estamos distribuindo 150 mil mudas de café no entorno do cinturão verde. É uma marca que tenho certeza de que será implementada ao longo do estado, porque já demonstrou que funciona na capital: o avanço da produção, apoiando o pequeno produtor e a agricultura familiar”, afirmou.

A educação também ocupa espaço central na gestão. Alysson lembrou que assumiu a Secretaria Municipal de Educação quando ainda era vice-prefeito e acompanhou investimentos em tablets, computadores, material escolar, fardamento e calçados para os estudantes. Ele também citou o projeto que levou alunos da rede municipal a uma experiência educacional nos Estados Unidos, com visitas à NASA e à Disney, iniciativa criada durante a administração de Bocalom e mantida pela atual prefeitura.

“A educação transforma. Quando ela é bem conduzida, prepara as crianças para o futuro. A gente evita a violência e cria condições para que essas crianças possam se tornar grandes profissionais, médicos, advogados, cientistas e, quem sabe, futuros prefeitos e governadores”, declarou Alysson.

Alysson apresentou os resultados da capital como consequência de uma gestão compartilhada, iniciada ao lado de Bocalom e mantida depois da transmissão do cargo. Para ele, a relação entre os dois permanece sustentada por princípios comuns, pela confiança e pelo compromisso de levar os serviços públicos até as famílias.

Bocalom afirmou que acompanhava o desempenho de Alysson com tranquilidade porque conhecia a capacidade administrativa do antigo vice. “Ele surpreendeu todo mundo, mas a mim não surpreendeu, porque eu sabia que ele ia fazer isso”, disse o ex-prefeito, ao comentar os primeiros meses da nova administração.

O reconhecimento foi acompanhado pela defesa de que o trabalho realizado em Rio Branco pode servir como referência para os demais municípios. Bocalom afirmou que deixou a prefeitura com segurança porque o projeto administrativo continuaria sob o comando de alguém em quem confia.

“Nós deixamos a nossa marca. Estou muito feliz de ter deixado a prefeitura para disputar o governo porque sei que podemos fazer no estado aquilo que fizemos em Acrelândia e em Rio Branco, em parceria com todos os prefeitos, para mudar a vida da população. Estou feliz de estar acompanhado do Alysson”, declarou Bocalom.

No campo político, Alysson reafirmou que apoiará Bocalom na disputa pelo governo estadual. O prefeito explicou que comunicou sua decisão ao Progressistas e se afastou temporariamente das atividades partidárias para evitar constrangimentos internos, mas permanece filiado à legenda.

Bestene afirmou que tomou a decisão com transparência e que pretende manter a palavra dada ao antigo parceiro de administração. “Desde que o meu amigo Tião Bocalom decidiu partir para esse desafio de governar o estado do Acre, pela experiência, pela história e pela gestão de resultados, eu me comprometi a apoiá-lo. Esse compromisso eu vou honrar sempre, até o final”, declarou.

Para Alysson, a experiência acumulada por Bocalom nas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco oferece uma base administrativa para a construção de um projeto estadual. O prefeito defendeu uma gestão voltada ao desenvolvimento econômico, à geração de oportunidades e ao atendimento das crianças, dos idosos e das famílias.

“Acredito nesse trabalho que vem sendo construído há muitos anos. Rio Branco tem mudado e avançado com uma gestão séria e competente. Espero que o estado do Acre seja conduzido com esses mesmos princípios, que também são os meus: servir as pessoas em primeiro lugar, com seriedade e honestidade”, afirmou.

Ao encerrar a entrevista, Bocalom tratou o apoio de Alysson como uma das principais forças políticas de sua caminhada. “Eu tenho o apoio do prefeito que administra a capital, que representa metade da população do estado. Tenho certeza de que nós vamos honrar cada voto e lutar para melhorar a vida das pessoas”, disse.

A presença dos dois em Cruzeiro do Sul levou ao Juruá a imagem de uma parceria que atravessou eleições, chegou à Prefeitura de Rio Branco e permaneceu unida depois da mudança de comando. Alysson voltou para a capital com a responsabilidade de manter obras, programas e serviços, enquanto Bocalom passou a apresentar ao estado uma experiência administrativa que continua em execução pelas mãos do antigo vice e atual prefeito.