Roberto Duarte confirma candidatura à reeleição e cobra investigação de atentado contra Chico Melo

O deputado federal Roberto Duarte confirmou nesta sexta-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que disputará a reeleição pelo Republicanos. O parlamentar também defendeu a candidatura do senador Alan Rick ao governo do Acre, criticou a judicialização da disputa eleitoral e cobrou uma resposta rápida das autoridades sobre o atentado contra o jornalista Chico Melo.

Duarte afirmou que seu nome foi aprovado na convenção do Republicanos e que a aliança política foi construída ao longo dos últimos dois anos. A chapa majoritária reúne Alan Rick como candidato ao governo, Mara Rocha na disputa pelo Senado e o senador Sérgio Petecão entre os aliados.

“O nosso nome também já está oficializado como candidato à reeleição ao cargo de deputado federal. Isso foi uma construção que nós fizemos ao longo dos últimos dois anos, que dependeu de muito diálogo e muita conversa”, declarou.

O deputado disse que o grupo pretende concentrar a campanha em propostas para geração de emprego e renda, saneamento, educação e segurança pública. Segundo ele, Alan Rick não apresentará promessas de resolver todos os problemas do estado.

“O Alan não vai vir a público para dizer que vai resolver todos os problemas do Acre, porque isso é mentir para a população. Mas o Alan tem propostas que podem mudar a história do Acre”, afirmou.

Na área da segurança, Duarte defendeu a participação conjunta do governo estadual, Ministério Público, Poder Judiciário e Defensoria Pública. Ele também afirmou que o grupo pretende enfrentar a atuação das organizações criminosas. Sem citar nomes ou apresentar provas durante a entrevista, o parlamentar falou sobre uma possível relação entre integrantes de facções e agentes políticos.

“Nós não podemos mais aceitar. É inadmissível que hoje as facções comandem o estado do Acre. É inadmissível a interligação das facções com políticos. Isso tem que mudar”, disse.

Duarte também criticou o número de ações eleitorais apresentadas contra integrantes do grupo de Alan Rick. Segundo o deputado, foram protocoladas mais de 30 representações durante a pré-campanha. Ele afirmou que a judicialização prejudica o debate político e dificulta o contato dos candidatos com os eleitores.

“Isso deixa a gente muito triste, porque atrapalha a democracia e atrapalha o eleitor de escolher o seu candidato ou o candidato mais preparado. Eu acredito que nós recebemos mais de 30 representações”, declarou.

O parlamentar afirmou que o grupo procurou o Ministério Público Eleitoral, a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal para pedir equilíbrio na disputa. Duarte também citou a saída de moradores do Acre em busca de emprego em outros estados como um dos principais problemas que deverão ser discutidos durante a campanha.

“São mais de 30 mil acreanos que deixaram o Acre nos últimos anos, e nós não podemos mais aceitar isso calados. Precisamos fazer essa mudança para trazer de volta os acreanos que estão em outros estados atrás de oportunidades”, afirmou.

Outro tema da entrevista foi o atentado contra o jornalista Chico Melo. Duarte informou que seu gabinete protocolou um pedido para que a Polícia Federal acompanhe o caso. O deputado defendeu a liberdade de imprensa e afirmou que críticas devem ser respondidas pelos meios legais, nunca com violência.

“Repressão, jamais. Nós precisamos de liberdade, independentemente de ela ser crítica ou não. Se houver fake news, você combate dentro do poder correspondente, mas violência, jamais”, declarou.

Duarte cobrou rapidez nas investigações e disse que pretende solicitar uma nova audiência com a Superintendência da Polícia Federal no Acre. O parlamentar também afirmou que buscará informações no Ministério Público e na Polícia Civil.

“A polícia precisa dar uma resposta, a Justiça precisa dar uma resposta, e essa resposta tem que ser rápida. Não pode demorar e tem que ser exemplar para que isso não aconteça mais”, disse.

O deputado afirmou que as investigações devem alcançar todos os envolvidos, inclusive possíveis mandantes, caso essa participação seja comprovada. “Nós vamos buscar os responsáveis por isso, todos, sem exceção. Se houver comando, nós vamos buscar quem deu o comando”, declarou.

Ao encerrar a entrevista, Duarte afirmou que manterá as agendas no Vale do Juruá e nos demais municípios do Acre durante a campanha. Ele disse ter percorrido todas as regiões do estado durante o mandato e defendido o envio de recursos para as prefeituras.

“Eu procurei, neste mandato, andar em todos os municípios, dialogando com a população e trazendo recursos também para todos os municípios. Enquanto eu estiver na política, vou estar pronto para servir ao próximo”, afirmou.

No Jornal da Manhã, Mirla Miranda liga saída de jovens à falta de oportunidades

A jornalista, empresária e pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos, Mirla Miranda, afirmou nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a falta de emprego, qualificação profissional e assistência pública está afastando jovens do Acre e aumentando a vulnerabilidade ao crime. Ela também cobrou rapidez da Justiça e das forças policiais na investigação de ataques ocorridos durante o período eleitoral.

Mirla declarou que pretende manter presença constante no Vale do Juruá durante a campanha. Ela foi apresentada como pré-candidata, mas informou que seu nome já passou pela convenção partidária e que ainda depende dos procedimentos de registro da candidatura. Ao falar sobre Cruzeiro do Sul, defendeu investimentos no turismo e citou os rios, igarapés e áreas de banho como recursos econômicos ainda pouco aproveitados.

A parte central da entrevista tratou da saída de acreanos para outros estados. Mirla citou Santa Catarina e Rondônia como destinos procurados por pessoas que não encontram trabalho ou perspectiva de crescimento no Acre. Para ela, o deslocamento não ocorre apenas por causa dos salários, mas também pela falta de caminhos profissionais para quem termina os estudos e não consegue entrar no mercado de trabalho.

“Eu não vejo oportunidade para o meu desenvolvimento como jovem. Eu não tenho condição de arrumar um emprego”, afirmou, ao reproduzir a situação enfrentada por parte da juventude. Mirla declarou que o Acre perdeu duas gerações ao longo dos últimos 16 anos, expressão usada por ela para comparar crianças que cresceram sem assistência adequada e adolescentes que chegaram ao fim da educação básica sem perspectivas de trabalho.

A declaração surgiu após o programa abordar a morte de dois jovens, de 18 e 21 anos, durante uma tentativa de assalto a uma loja de celulares no centro de Cruzeiro do Sul. Mirla relacionou o episódio à falta de oportunidades e afirmou que parte dos jovens acaba cooptada pelo crime antes de encontrar espaço na escola, no trabalho, na cultura ou no esporte.

A pré-candidata não retirou a responsabilidade individual de quem participa de crimes, mas defendeu que o poder público precisa agir antes que esses jovens sejam recrutados por organizações criminosas. Para ela, prender depois do crime não resolve a falta de formação, acompanhamento familiar, acesso ao emprego e orientação profissional.

Mirla também levou para a entrevista a situação das famílias de pessoas com transtorno do espectro autista. Ela contou que tem um filho com grau leve de autismo e que conseguiu pagar os atendimentos necessários para o desenvolvimento dele. A preocupação, afirmou, está nas mães que não possuem renda para custear acompanhamento especializado.

“Uma criança autista vai se tornar um adulto autista. Quem é que cuida do adulto autista?”, questionou. A fala abriu uma cobrança por políticas que não terminem na infância e acompanhem a pessoa autista durante a adolescência, a vida adulta e a entrada no mercado de trabalho.

Outro ponto da entrevista foi a atuação das instituições diante do crime organizado e de possíveis episódios de violência política. Mirla declarou que a demora nas investigações favorece os criminosos e enfraquece a confiança da população.

“A Justiça, se não for mais rápida que o crime, desequilibra o jogo no Acre. O crime organizado está cada vez mais organizado, e a nossa Justiça tem que mostrar que também está organizada”, afirmou.

A cobrança ocorreu durante a discussão sobre o atentado contra o jornalista Chico Melo. O apresentador Rogério Venceslau informou que o gabinete de Alan Henrique havia protocolado um pedido para que a Polícia Federal participasse da investigação. Mirla defendeu a apuração federal e pediu proteção ao jornalista.

Ela associou o episódio ao ambiente eleitoral, mas não apresentou provas sobre a motivação do ataque. A hipótese política apareceu como uma avaliação da entrevistada e não como resultado de investigação policial. Mirla também reproduziu uma versão que teria ouvido em Cruzeiro do Sul sobre a intenção dos autores, sem identificar a fonte nem apresentar elementos que confirmassem a informação.

A entrevista ganhou tom mais duro quando Mirla falou sobre disputas internas da política acreana. Ela afirmou que o irmão, Alan Henrique, teria sido abandonado por aliados durante a eleição de 2022 por não aceitar acordos propostos dentro do grupo político. Também disse que sua própria campanha daquele ano enfrentou restrições e que recebeu quase 5 mil votos mesmo sem apoio da estrutura partidária.

Mirla atacou um candidato cujo nome não revelou, questionou a ligação dele com o Acre e afirmou que ele teria tentado impedir que Alan participasse de sua campanha. As acusações não vieram acompanhadas de documentos, nomes ou outros elementos que permitissem a identificação do alvo e a verificação das declarações.

A presença da mãe, Gorete, na parte final do programa levou a entrevista para a história familiar. Aos 70 anos, ela continua vendendo ovos caipiras de casa em casa. Mirla contou que a mãe trabalhou no antigo Banacre e vendia roupas depois do expediente para aumentar a renda da família.

A partir dessa experiência, Mirla definiu o tipo de atuação política que pretende defender. “O que faz um bom político é a presença. É um político que vai e faz”, declarou. Para ela, presença não significa apenas participar de reuniões ou visitar municípios durante a campanha, mas acompanhar os problemas e entregar resultados.

Mirla encerrou a entrevista afirmando que pretende intensificar as agendas após o início oficial da campanha. Também declarou que acredita na eleição de seu grupo político e que não pretende reduzir a atuação mesmo diante dos conflitos internos e das críticas recebidas.

Alan Rick oficializa candidatura ao governo do Acre e coloca combate à corrupção no centro da campanha

Sob chuva e diante de apoiadores reunidos no ginásio do Sesc, em Rio Branco, o senador Alan Rick, do Republicanos, oficializou a candidatura ao governo do Acre com um discurso voltado ao combate à corrupção, à recuperação da confiança no poder público e à permanência dos acreanos no estado. Ao lado do empresário Ricardo Leite, anunciado como candidato a vice-governador, Rick atacou a atual administração e apresentou o enfrentamento aos desvios de recursos públicos como uma das principais bandeiras da campanha pelo Palácio Rio Branco.

O senador usou a expressão “corrupção endêmica” para definir o cenário que pretende enfrentar. A acusação atravessou a entrevista coletiva concedida antes da convenção e voltou ao centro do discurso no palco, quando ele associou suspeitas de desvio, obras públicas com problemas e investigações recentes à perda de serviços essenciais para a população.

“Nós precisamos nos livrar dessa corrupção endêmica. Não é possível nos acostumar com isso, achar que é normal a roubalheira que assola o nosso estado”, declarou o senador para uma multidão de apoiadores.

Rick citou episódios que chegaram ao noticiário político e policial do Acre e usou os casos para sustentar a crítica ao funcionamento da máquina estadual. Entre eles, mencionou a queda de uma ponte construída havia menos de três anos e uma investigação envolvendo recursos destinados à educação, à merenda escolar e ao transporte de estudantes.

“Não é normal uma ponte construída há menos de três anos cair e nada ser feito. Não é normal roubarem R$ 51 milhões da educação, da merenda escolar e do transporte dos alunos”, disparou o candidato, sendo ovacionado pelo público presente.

Ao levar a discussão para além das denúncias e dos valores citados, Alan Rick relacionou a corrupção e a falta de oportunidades à saída de moradores do Acre. A migração de famílias, jovens e trabalhadores em busca de emprego e melhores condições de vida em outros estados apareceu como uma das consequências de um poder público que, na avaliação do senador, deixou de oferecer perspectivas à população.

Ao ser questionado sobre sua principal missão, ele foi taxativo: “Trazer de volta a esperança para o povo do Acre, que perdeu tanta gente que foi embora do estado por falta de esperança, por essa corrupção endêmica que hoje nos envergonha. Não podemos aceitar mais tanta corrupção, tanta crueldade com o erário público e com o nosso povo”.

A declaração transformou o êxodo de acreanos em um dos eixos políticos da candidatura. Rick apresentou a recuperação da confiança no estado como condição para gerar empregos, atrair investimentos e impedir que parte da população continue enxergando a mudança para outras regiões como única possibilidade de crescimento profissional e segurança econômica.

O senador também mencionou suspeitas de caixa dois, lavagem de dinheiro e uso de institutos para movimentar recursos com finalidade eleitoral. As acusações foram atribuídas por ele a investigações e denúncias já divulgadas publicamente.

“Não é normal tentarem desviar dinheiro através de institutos para guardar recurso para a campanha deles. E aí, todos os órgãos de controle… não sou eu que estou dizendo, são as denúncias estampadas nos jornais”, pontuou.

A candidatura nasce diante de uma disputa em que o grupo governista dispõe da estrutura administrativa do estado e de alianças construídas ao longo dos últimos anos. Alan Rick reconheceu esse desequilíbrio ao falar sobre o uso da máquina pública durante o processo eleitoral. A resposta, segundo ele, dependerá da mobilização dos eleitores e da capacidade da oposição de transformar insatisfação em voto.

“Dizem que vão nos atropelar com a máquina, que vão usar o dinheiro para nos vencer, que eles vão fazer o que puder ser feito e o que tiver que ser feito para nos derrotar. Só que eles não combinaram com o povo do Acre”, desafiou.

Para reforçar a mensagem, Rick recorreu à memória da Revolução Acreana e à luta liderada por Plácido de Castro e pelos seringueiros. A comparação colocou a eleição como uma disputa pela condução política do estado e pela recuperação do que chamou de dignidade da população. O senador, no entanto, afastou qualquer referência à violência e apresentou o voto como instrumento dessa mudança.

“Estamos com a melhor arma, que é uma arma que não precisa ser preenchida com chumbo nem com pólvora. É a arma do voto, é a arma da democracia”, concluiu.

Com o lema “O Trabalho da Esperança”, a convenção marcou o início público da campanha de Alan Rick ao governo e apresentou Ricardo Leite como o nome escolhido para compor a chapa. O discurso deixou clara a estratégia eleitoral: confrontar o grupo que administra o estado, associar denúncias de corrupção à precariedade dos serviços públicos e defender uma mudança de comando como caminho para recuperar empregos, investimentos e confiança no futuro do Acre.

Foto: Sérgio Vale/AC24h