Valéria Lima cobra mais voz do Acre em Brasília e mira candidaturas sem vínculo com Cruzeiro do Sul

A vereadora Valéria Lima subiu o tom do debate político em Cruzeiro do Sul ao cobrar mais representação do Acre em Brasília e fazer um alerta direto ao eleitorado sobre as eleições de 2026. Em discurso voltado para problemas do interior, ela questionou a efetividade de parlamentares e pré-candidatos sem ligação com a realidade local e resumiu a cobrança em uma frase que atravessou toda a fala: “Muito cuidado com as suas escolhas. Muito cuidado com seus votos, porque votos errados é mais desemprego, voto errado é mais difícil ainda o ramal melhorar. Voto errado acaba com a cidade.”

A fala juntou crítica política e cobrança por resposta concreta para demandas antigas do município. Ao mencionar o deputado federal Nikolas Ferreira, Valéria afirmou que não tinha restrição pessoal ao parlamentar, reconheceu sua força eleitoral, mas contestou o que uma liderança de fora pode entregar para a região. “Nada contra o Nicolas. O cara deve ser uma máquina mesmo. O cara foi eleito. O deputado federal mais votado do Brasil entrou na história. O cara deve ser bom mesmo. Mas ele deve ser bom na cidade dele. Belo Horizonte, Minas Gerais. Não sei, eu não acompanho. Mas ele deve ter uma grande repercussão. Realmente muito grande. Ao público jovem, eu quero saber o que é que ele vai trazer pra cá.”

A partir daí, a vereadora transferiu o foco para os problemas que, segundo ela, seguem sem voz suficiente no Congresso. “Eu quero saber o que é que ele vai trazer pra cá. Porque até então eu votei em deputados federais. Esses deputados federais eles não falam lá não. Lá em Brasília, a situação dos nossos ramais, a situação que estamos vivendo na questão da fiscalização muito grande em relação à Amazônia, a falta de emprego que tem na nossa cidade, a falta de políticas públicas pros rios.” Em outro trecho, levou a crítica para a vida de comunidades ribeirinhas e áreas periféricas. “Os rios são navegáveis. É perigoso. Entra no Valparaíso. A população do Valparaíso mora no rio. O rio passa ali em frente, mas não tem água pra beber.”

O discurso avançou sobre a precariedade da infraestrutura em Cruzeiro do Sul, com menção direta a trapiches e pontes. “Nós estamos em 2026. As pessoas moram no trapiche caindo. É toda terça e quinta pedindo por trapiche. Agora que começaram a construir, as pontes são de madeira. Olha o que se gasta com pontes de madeira.” Ao associar esses problemas à ausência de representação efetiva, Valéria reforçou a crítica à bancada federal e ao distanciamento entre Brasília e o cotidiano de quem vive no interior.

A vereadora também mirou o cenário pré-eleitoral e disse que o Acre deve receber candidatos que não têm relação permanente com a cidade. “Vai vir muitos candidatos pra cá. Vai ver candidatos a deputados federais que nem daqui são. Aí você pergunta assim o que foi que a pessoa fez. Nada.” Na avaliação dela, o mandato precisa nascer de vínculo real com a população e não de uma passagem eleitoral. “Não tem condições de fazer política pública pensando que vai se candidatar. Chega aqui e se candidata. Ganha e some.”

No fim da fala, Valéria transformou o discurso em apelo político e emocional. “Sabe como é que se faz política pública? Com contato. Que é isso que nós fazemos. Se faz política pública com vínculo. Se faz política pública com amor, com empatia.” Em seguida, afirmou que o problema atinge diretamente as famílias da cidade. “Se eu não tenho vínculo, eu não tenho por que ter empatia com a população. E sabe quem sofre é a minha filha. São os filhos de vocês. É a nossa população.”

Assista:

André Kamai reage à intimação do TRE-AC e acusa Márcio Bittar de tentar calar críticas

O vereador de Rio Branco André Kamai reagiu nesta terça-feira, 19, à intimação expedida pela Justiça Eleitoral em uma ação movida pelo senador Márcio Bittar por causa de um vídeo publicado nas redes sociais. Após ser notificado, Kamai disse que vai apresentar defesa, afirmou que pode retirar o conteúdo dentro do prazo determinado e acusou o adversário de usar a via judicial para conter críticas políticas.

Na declaração feita após a intimação, Kamai disse que o material questionado é uma animação publicada em seu Instagram com críticas ao mandato e ao posicionamento político de Bittar. “Como a justiça determinou que eu tenho até amanhã para fazer, eu vou me defender e se tiver que tirar, vou tirar amanhã no horário que tá determinado pela justiça”, afirmou. Em seguida, elevou o tom do embate. “Mas a covardia é tão grande que essa turma que defende a liberdade de expressão não aguenta uma crítica que corre para fazer intimidação judicial.”

O vereador também ampliou a ofensiva política ao cobrar que Bittar enfrente o debate diretamente. “Eu tô fazendo um debate com ele e ele, sem coragem de vir para o debate comigo, manda o filho. Mas eu já disse eu não vou brigar com as crianças. Meu debate é com o Márcio. Se ele quiser, eu tô pronto”, disse.

A disputa começou depois da publicação de um vídeo em que Kamai atacou Bittar e o deputado federal Nikolas Ferreira, que cumpre agenda no Acre a convite do senador. Na gravação, o vereador cobra resultados concretos para o estado e cita problemas como a situação da BR-364, as enchentes e a falta de moradias populares, além de críticas à condução da pandemia e ao orçamento secreto.

A ação apresentada por Bittar sustenta que o conteúdo se enquadra como propaganda eleitoral irregular no ambiente da pré-campanha de 2026. A decisão judicial determinou a retirada do vídeo em prazo fixado pela corte e proibiu a republicação de conteúdo considerado equivalente, enquanto a defesa de Kamai deve ser apresentada dentro do período estabelecido no processo.

O caso amplia a tensão política no Acre em meio à movimentação de aliados de Bittar pelo interior do estado e ao avanço das articulações para a disputa de 2026. A passagem de Nikolas Ferreira pelo Acre, ao lado do senador, deu novo impulso ao confronto entre grupos ligados à direita e à esquerda e empurrou o embate para o centro da cena política local.