Wherles Rocha confronta Gladson Cameli com condenação no STJ

O ex-vice-governador do Acre Wherles Rocha transformou a disputa em torno da candidatura de Gladson Cameli ao Senado em um confronto direto entre discurso eleitoral e decisão judicial. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Rocha recupera declarações nas quais o ex-governador se apresenta como “candidatíssimo” e reclama da circulação de “fake news”, intercala as falas com trechos do julgamento no Superior Tribunal de Justiça e sustenta que a condenação criminal e os efeitos eleitorais enfrentados por Cameli não são invenção de adversários. A publicação aparece a poucos dias de 16 de agosto, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral das eleições de 2026, e leva para o centro da campanha uma pergunta que deverá acompanhar o ex-governador até a análise de seu registro: em que condições jurídicas Gladson chegará à urna de 4 de outubro?

A construção do vídeo é calculada para produzir contraste. Primeiro aparece Gladson falando aos apoiadores. “Eu só tô aguardando chegar o dia 16 pra mim ir pra rua pedir voto. Candidatíssimo, senhor. É candidatíssimo ao Senado”, afirma no trecho utilizado por Rocha. Em seguida, o ex-governador coloca a decisão nas mãos do eleitor: “Quem vai julgar, no julgamento meu, é 4 de outubro. O eleitor vai dizer se ele me quer como senador”. Rocha corta a fala e muda o ambiente da peça. Sai o palanque, entra o tribunal. Sai a promessa de campanha, entram trechos relacionados ao julgamento conduzido pela Corte Especial do STJ.

A data escolhida por Gladson para falar em ir às ruas não é casual. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral fixa 15 de agosto como prazo final para partidos, federações e coligações apresentarem os pedidos de registro de candidatura. A propaganda eleitoral começa no dia seguinte, 16. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. É justamente nesse intervalo, entre o registro e o início oficial da campanha, que a situação de Cameli se tornou um dos pontos mais delicados da eleição acreana.

Rocha interpreta a referência de Gladson às “fake news” como uma tentativa de empurrar para o terreno da desinformação aquilo que já passou pelo julgamento do STJ. “Vocês viram aí um sujeito chamar de fake news sua condenação e inelegibilidade”, diz, antes de reproduzir trechos ligados ao voto da ministra Nancy Andrighi. O vídeo assume, a partir daí, um tom de acusação política, mas a base jurídica central utilizada pelo ex-vice-governador existe: Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça em 6 de maio de 2026.

A pena foi fixada em 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. O STJ também determinou multa e indenização de R$ 11.785.020,31 ao Estado do Acre. A Corte decretou ainda a perda do cargo de governador, embora Cameli já tivesse deixado o Palácio Rio Branco para abrir caminho à tentativa de retornar ao Senado. O julgamento não foi unânime em todos os pontos, mas a maioria acompanhou a relatora Nancy Andrighi na condenação.

É nesse ponto que o vídeo de Rocha ganha peso para além da troca de ataques entre dois personagens da política acreana. Durante anos, Wherles Rocha e Gladson Cameli estiveram do mesmo lado. Em 2018, formaram a chapa que venceu a eleição para o Governo do Acre no primeiro turno: Gladson como governador e Rocha como vice. Ainda nos primeiros meses daquela administração, Rocha chegou a celebrar publicamente a parceria entre os dois. Agora, sete anos depois daquela chegada conjunta ao poder, o antigo vice usa uma condenação criminal do ex-aliado como matéria-prima de um dos ataques mais duros lançados contra o projeto de Gladson para 2026.

Os trechos judiciais reproduzidos no vídeo remetem ao núcleo da Ação Penal 1.076. A acusação sustentou que Gladson liderava uma organização criminosa formada por núcleos político, familiar e empresarial. No julgamento, Nancy Andrighi afirmou que servidores de alto escalão e integrantes do grupo familiar teriam participado de uma estrutura criada para permitir fraudes em contratos e desvio de dinheiro público. O STJ registrou que a investigação alcançou a contratação da Murano Construções e relações empresariais que, para a acusação, serviram à movimentação e ao desvio de recursos.

A ministra também tratou de pagamentos relacionados a um apartamento de alto padrão em São Paulo e a um veículo de luxo de propriedade do então governador. Na avaliação acolhida pela maioria da Corte Especial, movimentações financeiras reunidas no processo ligavam recursos desviados ao enriquecimento de Gladson e de integrantes de seu núcleo familiar. A defesa contestou essa versão, negou participação do então governador na condução dos contratos e sustentou a nulidade de provas obtidas durante as investigações. O próprio STJ registrou essas teses defensivas ao divulgar o resultado do julgamento.

A condenação de maio também não ficou congelada naquele dia. Em 5 de agosto, a Corte Especial rejeitou por unanimidade os embargos de declaração apresentados pela defesa. O resultado manteve a pena e deixou a discussão sobre uma eventual reversão ou suspensão dos efeitos da decisão para novas medidas judiciais.

É justamente aí que a palavra “inelegibilidade”, repetida por Rocha no vídeo, precisa ser compreendida fora da linguagem do confronto eleitoral. A legislação prevê inelegibilidade para condenados por determinados crimes quando a decisão já transitou em julgado ou foi tomada por órgão judicial colegiado. O Tribunal Superior Eleitoral reúne jurisprudência específica sobre a incidência da regra em condenações criminais desse tipo. Há, ao mesmo tempo, mecanismos judiciais que permitem buscar a suspensão cautelar da inelegibilidade enquanto recursos são examinados. A existência da condenação, portanto, não impede que o Progressistas apresente o pedido de registro de Gladson; abre, porém, uma disputa judicial sobre a possibilidade de ele efetivamente concorrer.

Essa diferença é importante porque o próprio Cameli procura deslocar a batalha para 4 de outubro. Quando diz que será julgado pelo eleitor, ele transforma a urna em argumento político. O problema é que existem dois julgamentos em planos diferentes. O eleitor pode escolher politicamente quem deseja representar o Acre, mas é a Justiça Eleitoral que examina se cada nome colocado pelos partidos reúne as condições legais para disputar o cargo. O calendário do TSE estabelece que os pedidos de registro, inclusive os impugnados, devem passar pelo julgamento das instâncias ordinárias antes do primeiro turno.

Rocha explora exatamente essa fratura. Sua peça não tenta discutir detalhes processuais durante vários minutos. Faz algo mais simples e mais eficiente politicamente: coloca lado a lado a imagem de Gladson dizendo que está pronto para pedir votos e a voz do Judiciário descrevendo os crimes pelos quais foi condenado. “Não é fake news, não é opinião, não é perseguição, é a Justiça falando”, afirma o ex-vice-governador. A frase é a síntese do vídeo e também a escolha narrativa de Rocha: impedir que a discussão sobre a candidatura seja reduzida a uma briga de versões entre adversários.

Ao final, o vídeo ainda incorpora uma antiga entrevista de conteúdo policial em que um homem fala, de forma irônica, sobre roubo, desemprego e a estrutura mobilizada pelo crime. O personagem não é identificado no material transcrito e não há elemento que permita relacioná-lo diretamente a Gladson Cameli ou ao processo da Operação Ptolomeu. Dentro da edição feita por Rocha, o trecho funciona como provocação e recurso de ironia, não como prova relacionada à ação penal.

A gravação chega ao eleitor num momento em que campanha e processo judicial passaram a correr quase na mesma velocidade. Em 15 de agosto termina o prazo para os registros. Em 16, começa a propaganda. Em 4 de outubro, o Acre escolherá dois senadores. Entre essas três datas está uma batalha jurídica que Gladson precisa enfrentar e uma batalha política que seus adversários já decidiram explorar.

Para Wherles Rocha, a estratégia é especialmente carregada de significado porque ele não fala de um personagem distante. Fala do homem com quem dividiu uma chapa, uma vitória eleitoral e o início de um governo. O vídeo transforma essa antiga proximidade em combustível político. O ex-vice não precisa reconstruir toda a Operação Ptolomeu para atacar. Deixa que as imagens de Gladson e os trechos do julgamento se choquem diante do eleitor.

A disputa de 2026 no Acre passa, assim, a ter também uma batalha pela definição das palavras. Gladson fala em “fake”, candidatura e julgamento popular. Rocha responde com condenação, inelegibilidade e STJ. Entre os dois discursos existe um fato que não depende da propaganda de nenhum dos lados: em 6 de maio, Gladson Cameli foi condenado por um colegiado do Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão. O que ainda será decidido é o alcance definitivo dessa condenação sobre sua presença na eleição.

Edvaldo e Perpétua endurecem críticas a Gladson e colocam emprego e investimentos no centro da pré-campanha

Na reta final da pré-campanha para as eleições de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães e a ex-deputada federal Perpétua Almeida usaram uma entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quarta-feira, 12, em Cruzeiro do Sul, para cobrar resultados do governo Gladson Cameli e delimitar o campo político que pretendem ocupar na disputa. Os dois confirmaram as pré-candidaturas — Edvaldo à Assembleia Legislativa e Perpétua à Câmara dos Deputados — e concentraram as críticas na baixa execução dos investimentos estaduais, na falta de empregos, nos ramais, na industrialização da produção do Juruá e na aplicação de recursos públicos destinados à ExpoAcre Juruá e à maternidade de Tarauacá.

Edvaldo levou para o centro da entrevista um problema que pretende transformar em tema eleitoral: a distância entre o dinheiro disponível no orçamento e aquilo que efetivamente chega à população em forma de obra, serviço ou atividade econômica. O deputado afirmou que, ao longo dos dois mandatos de Gladson Cameli, o Estado executou menos da metade dos recursos reservados para investimentos e responsabilizou a estrutura administrativa do governo por parte desse desempenho.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado, não é um dinheiro que vai existir, o dinheiro que existia no orçamento para investimento, e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

A crítica atingiu diretamente a composição da máquina estadual. Edvaldo acusou o governo de ocupar postos administrativos com pessoas de “baixa capacidade técnica” e relacionou essa escolha às dificuldades para preparar projetos, cumprir etapas burocráticas e executar recursos. A resposta apresentada pelo parlamentar passa pelo que ele chamou de um “novo pacto político por governança” e por investimentos, com prioridade para infraestrutura, agricultura, saúde e educação.

A discussão, para Edvaldo, não termina na contabilidade pública. O deputado relaciona a dificuldade de investimento à redução das oportunidades de trabalho e à saída de jovens do Acre. Sua proposta política parte da ideia de que a administração estadual precisa recuperar capacidade técnica para transformar recursos existentes em projetos capazes de movimentar empresas, produção rural, serviços e empregos.

Foi nesse ponto que ele também defendeu uma mudança na relação do Acre com o governo federal. Mesmo em um ambiente de forte divisão partidária, Edvaldo afirmou que Brasília precisa ser tratada como fonte de recursos para projetos estruturantes, independentemente das diferenças políticas entre governos.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

Perpétua levou o debate para a capacidade de o Acre produzir, beneficiar e comercializar aquilo que sai do campo. A ex-deputada afirmou que a falta de empregos empurra trabalhadores para outros estados e usou uma comparação para resumir o problema econômico que pretende explorar na campanha.

“Eu queria muito que o Acre fosse visto como o estado que mais exporta café, que mais exporta feijão, que mais exporta farinha, que mais exporta produtos beneficiados da madeira, mas nós estamos virando o estado que mais exporta gente. O pessoal sai daqui para ir procurar emprego”, afirmou.

A industrialização da produção rural aparece como uma das principais apostas de Perpétua. Ela citou a cadeia do café para defender um modelo em que o produtor deixe de vender apenas matéria-prima e tenha acesso a estruturas de beneficiamento. A ex-parlamentar afirmou que a indústria instalada em Mâncio Lima levou um ano e cinco meses entre a ordem de serviço e o início das operações e disse que outra unidade, em Cruzeiro do Sul, deverá ser entregue até o fim de setembro em parceria com a Coopercafé.

“Menos de um ano a indústria será entregue. O dinheiro foi colocado, foi bem empregado”, declarou.

Perpétua também citou projetos para Capixaba e Acrelândia e uma unidade de beneficiamento de açaí em Feijó. A proposta é levar o mesmo modelo para cadeias como mandioca, banana e feijão, aproveitando atividades que já fazem parte da economia rural acreana. No Juruá, ela defendeu ainda a mecanização como caminho para ampliar a produção sem manter as famílias dependentes de etapas inteiramente manuais.

A farinha, um dos produtos mais associados à economia de Cruzeiro do Sul, entrou no mesmo debate. Edvaldo afirmou que as casas de farinha financiadas em outros períodos ajudaram a modernizar a produção, mas já não resolvem sozinhas os problemas atuais da cadeia. Segundo o deputado, profissionais de Cruzeiro do Sul trabalham no desenvolvimento de equipamentos capazes de mecanizar novas etapas, e o poder público deveria criar mecanismos para colocar essas tecnologias à disposição das famílias produtoras.

“Se botar um bom dinheiro nisso, nós podemos espalhar essas casas de farinha modernizadas dentro da cadeia produtiva”, afirmou.

A defesa da mecanização vem acompanhada de outro problema conhecido pelas comunidades rurais do Juruá: sem ramal em condições de tráfego, aumentar a produção não basta. Perpétua criticou a falta de planejamento conjunto entre bancada federal, governo estadual e prefeituras e recuperou a experiência dos períodos em que, como deputada federal, participava de reuniões antes do verão para dividir responsabilidades e direcionar recursos às estradas rurais.

“Nem a bancada federal do Acre se mexe para ajudar o produtor rural com ramais, nem o governo do Estado tem feito um calendário desse e a maioria das prefeituras também não tem dado a atenção necessária”, criticou. “É preciso voltar uma união da bancada federal com o governo do Estado, com prefeituras, para trabalhar juntos em benefício de quem mora mais distante e que depende de ramais para trazer comida para quem mora na cidade.”

Edvaldo também recuperou investimentos anteriores no Polo Naval e no Polo Moveleiro de Cruzeiro do Sul para defender políticas que atravessem governos. No caso do Polo Naval, o deputado lembrou a reorganização dos trabalhadores que atuavam de forma dispersa depois das mudanças provocadas pela construção da ponte sobre o Rio Juruá. Sobre o Polo Moveleiro, afirmou que a área disponível está ocupada e cobrou infraestrutura para uma nova etapa de expansão das empresas.

A entrevista mudou de tom quando a discussão chegou à fiscalização do dinheiro público. Edvaldo voltou a questionar a movimentação de mais de R$ 15 milhões destinados a artistas, infraestrutura e serviços relacionados à ExpoAcre Juruá. O parlamentar criticou o uso de uma associação na operação financeira e defendeu que os pagamentos poderiam ter ocorrido diretamente aos fornecedores.

O deputado relacionou a situação à suspensão, pelo Tribunal de Contas, de um convênio semelhante ligado à ExpoAcre de Rio Branco e fez uma acusação direta sobre os chamados custos operacionais.

“O dinheiro chega grande, sai um pedaço, fica pelo meio do caminho nos chamados custos operacionais, que nada mais é do que desvio de recurso público”, acusou.

A declaração é de responsabilidade do parlamentar. Durante a entrevista, não houve manifestação do governo estadual nem da entidade citada sobre a acusação. A ausência de contraponto no programa mantém aberta uma questão central para qualquer apuração sobre o caso: quanto foi efetivamente repassado, quais serviços foram executados, quanto foi retido como custo operacional e qual foi a base legal utilizada para a movimentação dos recursos.

Perpétua abriu outra frente de cobrança ao tratar da maternidade de Tarauacá. Ela afirmou ter participado da articulação de R$ 24 milhões em emendas federais para a construção da unidade. Desse total, R$ 18 milhões teriam origem em emendas apresentadas por ela durante o mandato de deputada federal, enquanto o restante teria sido reunido com apoio de outros integrantes da bancada acreana.

Quatro anos depois, a ex-deputada afirmou que ainda busca esclarecimentos sobre o destino dos recursos e cobrou explicações da Secretaria de Estado de Saúde.

“Esses R$ 24 milhões não se sabe para onde eles foram até hoje. A Secretaria de Saúde do Acre não explicou o que o secretário anterior fez com R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá”, declarou.

Perpétua afirmou que já pediu formalmente informações ao governo e anunciou que poderá recorrer ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal caso não receba resposta.

“Se eles não responderem, nós vamos entrar no Tribunal de Contas da União, no Ministério Público Federal, denunciando que o dinheiro, R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá, sumiu”, afirmou.

Também nesse caso, não houve resposta do governo estadual durante o programa. A fala de Perpétua representa uma cobrança política que ainda depende do confronto com registros de empenho, pagamento, execução do convênio e eventuais mudanças na destinação dos recursos para que seja possível estabelecer o que ocorreu com o dinheiro.

Com a eleição cada vez mais próxima, a entrevista avançou da avaliação do governo para uma crítica ao comportamento dos próprios parlamentares. Edvaldo defendeu que integrar uma base governista não elimina a responsabilidade de divergir quando os interesses do Executivo entram em conflito com demandas da população.

“Você pode ser de base de governo, mas você pode ser também independente em questões que são fundamentais para o interesse do povo”, afirmou. “O parlamento que não é discordante nas questões sentidas da comunidade cai na desmoralização. A representação cai na desmoralização.”

Edvaldo também tratou o mandato como atividade que exige preparação permanente e definiu a representação política como “uma espécie de sacerdócio”. A fala serve para posicioná-lo diante de um debate que deverá ganhar peso na campanha de 2026: a diferença entre parlamentares que concentram atuação na distribuição de emendas e aqueles que buscam construir presença política por meio de fiscalização, debate legislativo e articulação institucional.

Perpétua foi mais direta ao atacar o grau de reconhecimento da atual bancada federal. Ela afirmou que 80% dos eleitores teriam dificuldade para citar quatro dos oito deputados federais do Acre e atribuiu essa situação à baixa presença política de parte dos mandatos.

“Nós temos hoje bancadas que se deixam esquecer, que não fazem uma atuação. E o Estado do Acre é muito pequeno, é um estado que depende muito de recursos públicos federais, então é preciso ter uma atuação muito firme para poder trazer recursos para esse estado”, afirmou.

A cobrança sobre os atuais representantes também funciona como apresentação das duas pré-candidaturas. Edvaldo confirmou que disputará novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa e que Perpétua pretende retornar à Câmara dos Deputados. O deputado evitou limitar a justificativa eleitoral ao histórico dos dois e disse que a campanha precisa discutir as necessidades dos próximos anos.

“Toda candidatura tem que olhar para o futuro, tem que se colocar olhando para aquilo que o Estado precisa”, afirmou.

Perpétua encerrou a participação atacando uma prática recorrente nas eleições locais: a avaliação de candidatos apenas pela ajuda individual prestada ao eleitor. Para ela, a capacidade de resolver uma demanda particular não substitui o desempenho político de quem ocupa uma cadeira no Legislativo.

“Nem sempre aquele que te dá o tijolo, que resolve a cobertura da tua casa, que resolve teus problemas financeiros, vai ser aquele que tu vai ver te defendendo no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa”, afirmou.

A entrevista deixou claro o caminho escolhido pelos dois para entrar na campanha de 2026. Edvaldo tenta transformar execução orçamentária, capacidade administrativa e fiscalização em instrumentos de confronto com o governo Gladson Cameli. Perpétua concentra a argumentação em emprego, produção, industrialização e força da representação federal. No Juruá, os dois ligam essas propostas a problemas concretos que atravessam diferentes governos: ramais precários, dificuldade para escoar produção, baixa industrialização e dependência de recursos públicos.

Ao mesmo tempo, as acusações sobre a ExpoAcre Juruá e os R$ 24 milhões destinados à maternidade de Tarauacá abrem uma frente que ultrapassa a disputa eleitoral. São cobranças que exigem respostas documentais do governo, dos responsáveis pela execução dos recursos e, caso os questionamentos avancem, dos órgãos de controle. Na pré-campanha, Edvaldo e Perpétua já escolheram onde pretendem pressionar. A campanha dirá quanto desse debate ficará na disputa política e quanto chegará à análise concreta das contas públicas.

R$ 12,7 milhões em shows e uma ambulância em manutenção; crônica das prioridades do Acre

Na noite de sexta-feira, 7 de agosto, enquanto a Expoacre movimentava Rio Branco com uma programação de shows nacionais financiados pelo governo estadual, Maria Conceição Lopes dos Santos, de 49 anos, estava presa sob a caçamba de um caminhão no Ramal do Icuriã, zona rural de Assis Brasil. Os dois braços ficaram comprimidos pela estrutura do veículo. Ela sobreviveria ao acidente, mas teria os dois membros amputados. Entre o local onde ficou presa, o hospital de Assis Brasil, a passagem por Brasiléia e a chegada a Rio Branco, surgiu uma informação que transforma o caso individual em questão política: a ambulância de suporte avançado que atendia Assis Brasil estava em manutenção.

A Secretaria de Estado de Saúde confirmou a indisponibilidade do veículo. Segundo a Sesacre, Maria Conceição permaneceu entre duas e três horas presa às ferragens e, depois de retirada, foi levada à unidade de saúde de Assis Brasil. A paciente precisou ser estabilizada por pouco mais de uma hora. Como a ambulância de suporte avançado da cidade estava em manutenção, uma unidade de Brasiléia foi acionada para fazer a transferência. A secretaria sustenta que, depois da estabilização, o veículo chegou a Assis Brasil em aproximadamente 15 minutos.

A família apresenta outra percepção sobre aquela sequência de horas. Arquilene Santos, irmã de Maria Conceição, relatou demora no resgate e na transferência. Disse que a irmã permaneceu cerca de três horas no local do acidente e que, já na unidade de saúde, houve nova espera por uma ambulância. “É por falta de uma ambulância que está acontecendo o que está acontecendo com a minha irmã agora”, afirmou.

Não há, até agora, comprovação médica de que uma ambulância disponível em Assis Brasil teria evitado as amputações. Seria irresponsável estabelecer essa relação como fato. Os braços de Maria Conceição sofreram esmagamento grave, com danos em tecidos e estruturas ósseas, depois de permanecerem comprimidos sob a caçamba. A própria Sesacre não estabeleceu relação entre o tempo de atendimento e a necessidade das amputações.

A ausência dessa comprovação, porém, não elimina a pergunta que cabe ao governo responder: por que uma cidade de fronteira, distante dos hospitais de maior complexidade, ficou sem sua unidade de suporte avançado disponível justamente quando uma moradora sofreu uma emergência dessa dimensão?

A pergunta ganha peso porque o Acre acaba de atravessar dois grandes eventos financiados com recursos públicos. Somente os cachês das atrações nacionais da Expoacre Juruá e da Expoacre de Rio Branco chegaram a R$ 12,7 milhões em 2026. Não se trata do custo completo das feiras. É apenas o dinheiro destinado aos principais artistas.

No Juruá, seis atrações tiveram R$ 6,25 milhões reservados no plano de trabalho da feira. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões, Natanzinho Lima com R$ 1,7 milhão, Ícaro e Gilmar com R$ 750 mil, Tierry e padre Fábio de Melo com R$ 650 mil cada e a Banda Morada com R$ 400 mil. A Expoacre Juruá foi executada por meio de parceria da Casa Civil com a Associação Transformar, que recebeu R$ 15,8 milhões para a realização do evento. Os R$ 6,25 milhões representam os valores previstos para os artistas dentro desse orçamento.

Em Rio Branco, os contratos das atrações nacionais chegaram a R$ 6,45 milhões e constavam como empenhados, liquidados e pagos. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima, R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo, R$ 500 mil. A Banda Som e Louvor, R$ 300 mil. Leonardo e Ana Castela foram contratados em conjunto por R$ 2,55 milhões. Esse valor não inclui palco, iluminação, montagem, reformas, diárias, segurança ou outros custos da feira.

É neste ponto que o acidente de Maria Conceição deixa de ser apenas uma ocorrência trágica em uma estrada rural.

O debate não precisa ser reduzido à falsa escolha entre fazer a Expoacre ou manter ambulâncias. O Estado pode promover atividade econômica, financiar cultura, organizar feiras e contratar artistas. A Expoacre reúne produtores, empresários, trabalhadores, pequenos comerciantes e movimenta negócios. Essa função econômica existe.

O problema começa quando o governo consegue organizar contratos milionários, definir atrações nacionais, reservar milhões de reais para cachês e executar grandes eventos, enquanto um serviço básico de emergência de uma cidade do interior depende de uma única unidade avançada e fica vulnerável quando esse veículo entra em manutenção.

Manutenção de ambulância é normal. O que precisa ser explicado é o plano para quando ela ocorre.

Assis Brasil não pode descobrir sua alternativa no momento em que alguém está entre a vida, a morte e uma cirurgia de amputação. Se uma ambulância precisa sair de operação, deve existir cobertura capaz de responder imediatamente. Especialmente em um estado onde centenas de quilômetros separam municípios pequenos dos centros hospitalares capazes de receber pacientes em estado grave.

A discussão sobre prioridades públicas não é feita apenas pela leitura do orçamento anual. Ela aparece nas escolhas concretas. Aparece na velocidade com que determinado gasto é contratado. Na quantidade de recursos mobilizada para cada finalidade. Na existência ou não de equipamentos de reserva. Na capacidade de o Estado funcionar quando o imprevisto acontece.

Em julho, o próprio Tribunal de Contas do Estado colocou sob questionamento um processo estimado em R$ 22 milhões para a estrutura da Expoacre de Rio Branco. A Corte apontou possíveis falhas de planejamento, ausência de estudos técnicos suficientes e dúvidas sobre a compatibilidade de custos, determinando a suspensão cautelar dos atos relacionados àquelas parcerias. O governo contestou a decisão e afirmou que nenhum recurso daqueles termos havia sido repassado naquele momento. A feira foi realizada.

Poucas semanas depois, o Acre encerra sua maior festa agropecuária com milhões de reais destinados a apresentações musicais e começa a semana tentando explicar por que uma mulher gravemente ferida em Assis Brasil precisou esperar a mobilização de uma ambulância de outra cidade porque a unidade local estava na oficina.

Os R$ 12,7 milhões não provam abandono da saúde. A ambulância em manutenção também não prova que o governo causou as amputações de Maria Conceição.

Juntos, porém, os dois fatos colocam diante do governo uma pergunta simples e difícil de evitar: na hora de decidir onde colocar dinheiro, planejamento e capacidade de resposta, o que está vindo primeiro?

Maria Conceição agora terá de reorganizar a própria vida sem os dois braços. O palco da Expoacre já começou a ser desmontado. Os contratos ficam registrados nos sistemas públicos. O caso de Assis Brasil também deveria deixar um registro menos passageiro: festa termina. A obrigação de manter uma rede de emergência funcionando não.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Gladson quer o Senado, mas a condenação continua no caminho; e está inelegível

Gladson Cameli pode repetir quantas vezes quiser que é candidato ao Senado. Pode reunir aliados, subir em palanque, aparecer ao lado de Mailza Assis, organizar chapa, mobilizar prefeitos e tratar a eleição como uma etapa natural depois de deixar o governo. Nada disso muda o ponto que está diante dele desde 6 de maio: Gladson continua condenado pelo Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão e continua alcançado pela Lei da Ficha Limpa.

A condenação não desapareceu com recurso. Não foi anulada. A pena não caiu. O julgamento mais recente dos embargos de declaração também não produziu a virada que a defesa precisava. A Corte Especial mexeu apenas em pontos de esclarecimento do acórdão, sem retirar a condenação, reduzir a pena ou suspender seus efeitos eleitorais. No essencial, Gladson entrou em agosto do mesmo jeito que saiu de maio: condenado por decisão colegiada e com um problema jurídico real para registrar sua candidatura.

É importante colocar os fatos nessa ordem porque a política costuma correr mais rápido que o processo. No Acre, Gladson continua sendo tratado por aliados como candidato ao Senado. Na Justiça, continua sendo o réu condenado na Ação Penal 1.076, resultado de uma das frentes mais pesadas da Operação Ptolomeu.

A Corte Especial do STJ o condenou por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. A soma chegou a 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado. Vieram ainda multa, indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre e a perda do cargo de governador, que já havia sido deixado por Gladson semanas antes para cumprir o calendário eleitoral e preparar o projeto de retorno ao Senado.

A pena não saiu de um único episódio.

O julgamento reuniu contratos públicos, empresas privadas, movimentações financeiras, pagamentos e operações que, para a maioria dos ministros, formavam uma estrutura organizada para retirar dinheiro dos cofres públicos e fazer parte desses recursos chegar ao patrimônio privado do grupo investigado.

Uma das empresas colocadas no centro desse caminho foi a Murano Construções. Ela recebeu cerca de R$ 18 milhões em contratos analisados durante a investigação. Técnicos da Controladoria-Geral da União calcularam prejuízo superior a R$ 16 milhões no conjunto examinado. A condenação também passou pela relação da Murano com empresas ligadas ao núcleo familiar de Gladson.

O STJ reconheceu 31 ocorrências de peculato-desvio em continuidade delitiva e considerou 46 operações na condenação por lavagem de dinheiro. Não é uma condenação construída sobre uma frase, uma reunião ou uma assinatura isolada. O tribunal enxergou repetição.

Esse ponto ajuda a entender o tamanho do problema jurídico que Gladson carrega para a eleição.

No processo, dinheiro apontado como produto dos crimes apareceu ligado a despesas particulares. Entre os bens examinados estavam parcelas de um apartamento de alto padrão em São Paulo e gastos relacionados a veículo de luxo. Foi nesse percurso, dos contratos públicos até o patrimônio privado, que a acusação montou parte do caso de lavagem de dinheiro aceito pelo STJ.

A defesa sempre negou os crimes e atacou a validade das provas. Um dos argumentos ganhou força quando o Supremo Tribunal Federal anulou elementos produzidos em uma fase da investigação por entender que houve problema de competência. Os advogados de Gladson tentaram ampliar o alcance dessa decisão para comprometer toda a ação penal.

Não conseguiram.

A maioria da Corte Especial entendeu que as provas anuladas pelo Supremo não sustentavam a condenação e que havia material obtido de forma independente. A discussão atravessou o processo, mas não impediu o julgamento nem derrubou os elementos usados pelos ministros para condená-lo.

Depois vieram os embargos de declaração.

E aqui está a atualização mais recente: eles não mudaram a realidade eleitoral de Gladson.

A defesa voltou ao STJ tentando corrigir e questionar pontos do acórdão. A Corte Especial acolheu parte dos embargos para esclarecimentos, sem alterar o resultado. Gladson continuou condenado a 25 anos e nove meses.

Essa sequência importa porque recurso e reversão são coisas diferentes.

Gladson pode recorrer. Pode tentar levar questões ao Supremo. Pode pedir medida cautelar. Pode buscar uma decisão capaz de suspender os efeitos da condenação. Tudo isso faz parte do jogo jurídico.

O que ele não pode é transformar a existência desses caminhos em uma absolvição que ainda não aconteceu.

Também é preciso separar prisão de inelegibilidade.

Gladson não começa agora a cumprir os 25 anos e nove meses porque ainda existem recursos e a condenação não chegou ao trânsito em julgado. Para a eleição, porém, a exigência é diferente. A Lei da Ficha Limpa alcança determinadas condenações impostas por órgãos colegiados antes mesmo da decisão definitiva.

É exatamente onde ele está.

Gladson foi condenado por uma corte colegiada em crimes que entram no alcance da legislação eleitoral. Por isso, enquanto não houver decisão suspendendo ou derrubando os efeitos dessa condenação, a inelegibilidade continua no caminho da candidatura.

Não é o partido que resolve isso.

O Progressistas pode escolher Gladson. Os aliados podem apresentá-lo como candidato. Ele próprio pode dizer que é “candidatíssimo”. O pedido de registro pode ser protocolado.

Nada disso substitui a decisão da Justiça Eleitoral.

É o Tribunal Regional Eleitoral do Acre que terá de examinar as condições jurídicas do registro de uma candidatura ao Senado. E, quando essa análise chegar, haverá sobre a mesa uma informação impossível de contornar: Gladson foi condenado pelo STJ.

Há ainda uma confusão recorrente sobre o tempo dessa inelegibilidade. Não é correto resumir o caso dizendo apenas que Gladson “ficou inelegível por oito anos”. A legislação atual dá tratamento específico a condenações por crimes contra a administração pública. Dependendo da manutenção da condenação e do cumprimento da pena, o período pode ir muito além de oito anos contados a partir de 2026.

É justamente por isso que uma reversão judicial é tão importante para o projeto político de Gladson.

Sem ela, não se trata apenas de administrar uma crise durante uma campanha. Trata-se de conseguir superar a barreira que pode impedir que essa campanha produza um mandato.

E o calendário já não oferece distância confortável.

O prazo para registro das candidaturas termina em 15 de agosto. A política acreana pode passar esses dias discutindo alianças, pesquisas, suplências, prefeitos, estrutura partidária e votos. O processo de Gladson continuará fazendo uma pergunta anterior a todas essas: ele poderá ser candidato com registro válido?

Até agora, a resposta jurídica permanece contra ele.

Há ainda outro processo no STJ. Gladson virou réu em uma segunda ação relacionada às obras da AC-405, em Cruzeiro do Sul. Nesse caso, aparecem acusações de peculato-desvio e fraude em licitação, com suspeitas sobre o direcionamento de contrato para empresa ligada à família Cameli e sobrepreço de aproximadamente R$ 3,6 milhões calculado pela CGU.

Mas esse segundo processo precisa ficar no lugar correto.

Nele, Gladson ainda não foi condenado.

A inelegibilidade que hoje ameaça sua candidatura ao Senado não nasce dessa nova ação. Nasce da condenação que já existe na Ação Penal 1.076.

É essa diferença que não pode ser escondida nem exagerada.

Gladson não está preso. Continua recorrendo. Pode conseguir uma decisão favorável daqui para frente. Se conseguir, o quadro muda e terá de ser contado como mudança.

Até lá, o que existe é o que foi decidido.

Um ex-governador que deixou o Palácio Rio Branco para tentar voltar ao Senado, mas chegou ao período eleitoral com uma condenação de 25 anos e nove meses.

Um político que continua competitivo dentro de seu grupo, mas que depende de uma vitória nos tribunais antes de transformar força eleitoral em mandato.

Um candidato declarado que, juridicamente, continua inelegível.

A política pode tentar correr na frente.

A condenação continua logo atrás.

Apoiador de Mailza, Ulysses diz que chapa tem competência “apesar de serem mulheres”

O apoio político montado em torno da governadora Mailza Assis produziu mais um desgaste nesta terça-feira, 4 de agosto. Durante a convenção que oficializou a chapa com Jéssica Sales como candidata a vice-governadora, o deputado federal Coronel Ulysses afirmou que as duas têm competência “apesar de serem mulheres”. A declaração foi dada ao jornal A Gazeta do Acre, no Sesc Bosque, em Rio Branco.

“Eu entendo que essa chapa, apesar de a governadora e a vice-governadora serem mulher, tem muita competência, tem muito trabalho, tem muita entrega”, declarou Ulysses. Depois, citou a passagem de Mailza pelo Senado e o mandato de Jéssica na Câmara dos Deputados para defender a candidatura.

A frase expôs a contradição dentro do próprio palanque. A campanha apresenta uma chapa formada por duas mulheres como demonstração de força política, enquanto um dos principais aliados trata a competência feminina como uma exceção que precisa ser reconhecida.

O episódio ocorre quando Mailza já enfrenta questionamentos pela presença do marido, Madson Cameli, no centro do governo. Nomeado chefe do Gabinete Pessoal da Governadora, ele ocupa uma função diretamente ligada às decisões e à rotina do Palácio Rio Branco.

Madson também foi investigado por lesão corporal grave e violência psicológica contra a ex-mulher. Em agosto de 2024, o Ministério Público do Acre informou que a vítima tinha medida protetiva e que o inquérito estava sob análise da promotoria de Cruzeiro do Sul. Não há, nessa informação, registro de condenação.

É esse o apoio reunido em torno de Mailza: enquanto a candidata tenta transformar uma chapa feminina em ativo eleitoral, um aliado sobe ao palanque e condiciona a capacidade das duas ao fato de serem mulheres. A fala de Ulysses não atingiu a oposição. Atingiu o principal discurso da própria campanha.

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Sargento Adônis confirma candidatura a vice de Bocalom e fala em “libertação” do Acre

Escolhido para compor a chapa de Tião Bocalom, o militar atribuiu sua entrada na disputa à providência divina, defendeu o modelo de gestão do candidato ao governo e citou Mahatma Gandhi ao projetar a vitória nas urnas.

A convenção da coligação “Produzir para Empregar”, realizada no ginásio do Sesi, em Rio Branco, nesta sexta-feira, 31, oficializou a chapa majoritária liderada por Tião Bocalom na disputa pelo Governo do Acre. Um dos principais discursos da noite foi feito pelo candidato a vice-governador, Sargento Adônis, que concentrou sua fala em referências religiosas, na defesa da trajetória administrativa de Bocalom e na promessa de mudança no comando do estado.

Adônis subiu ao palco e apresentou a candidatura como parte de um projeto coletivo. Logo no início, associou a campanha à democracia e ao enfrentamento dos problemas econômicos e sociais do Acre:

“Não é uma festa minha, não é uma festa do Bocalom, é uma festa nossa, é a festa da democracia, é a festa da libertação do estado do Acre deste subdesenvolvimento.”

A Lei da Semeadura e o pragmatismo na gestão

Ao defender Tião Bocalom e Eduardo Velloso, candidato ao Senado, Adônis recorreu ao princípio bíblico da semeadura. Para ele, a trajetória política dos dois sustenta a confiança no projeto apresentado pela coligação. “Certamente eles plantaram no passado com uma história íntegra, justa, honesta e vão colher bons frutos à frente deste novo projeto.”

O candidato a vice também direcionou o discurso para a experiência administrativa de Bocalom. Adônis afirmou que a campanha não dependerá apenas de promessas, mas do histórico do candidato nas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco.

“Eu não tenho dúvidas por que esse time vai sair vencedor. É porque o Tião Bocalom não vai apresentar propostas, não. Ele vai apresentar um projeto consolidado de gestão que já deu certo em Acrelândia por três vezes prefeito e que também deu certo aqui em Rio Branco.”

De Eclesiastes a Gandhi

No encerramento do discurso, Adônis deixou as referências bíblicas e citou o líder pacifista indiano Mahatma Gandhi. A frase foi usada para convocar os apoiadores a participar da campanha e reforçar a confiança na vitória eleitoral.

“Tem uma frase que eu gosto muito de Mahatma Gandhi que diz o seguinte: ‘Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é um desejo de vencer’. E é com esse desejo no coração, de mãos dadas com todos vocês aqui, que nós vamos juntos levantar a bandeira da vitória no dia 4 de outubro.”

Bocalom oficializa candidatura ao Governo do Acre com Adônis de vice e Velloso ao Senado

A convenção realizada na noite desta sexta-feira, 31 de julho, no Ginásio do Sesi, em Rio Branco, oficializou Tião Bocalom, do PSDB, como candidato ao Governo do Acre, Sargento Adônis como vice e o deputado federal Eduardo Velloso, do Solidariedade, na disputa pelo Senado. O ato reuniu PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD em torno da chapa que pretende levar para o governo estadual o programa “Produzir para Empregar”, usado por Bocalom em administrações anteriores.

Bocalom chegou ao ginásio acompanhado de Adônis, Velloso, da esposa Kelen Bocalom e do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene. A composição apresentada no palco definiu o núcleo político da campanha e confirmou a presença de Alysson ao lado do ex-prefeito, mesmo com o atual gestor da capital filiado ao Progressistas, partido da candidata ao governo Mailza Assis.

Na chegada ao evento, Bocalom comparou a estrutura política montada para a eleição deste ano com a primeira vez em que disputou o Governo do Acre, em 2006. “O Bocalom hoje é mais experiente, não tenho dúvida nenhuma. Em 2006, meu Deus do céu, não tinha ninguém na nossa convenção, era muito pouca gente. Mas hoje, graças a Deus, isso aqui é esperança. Isso é resultado do que a gente trabalhou em Acrelândia e Rio Branco. Mostramos que sabemos trabalhar e que o dinheiro na nossa mão rende”, afirmou.

O candidato colocou a produção rural, o comércio e a indústria no centro do discurso econômico. “O dinheiro precisa chegar aos mais necessitados, com políticas de geração de emprego e renda. Vamos apoiar desde os pequenos até os médios e grandes produtores, comerciantes e industriais. É a linha do ‘Produzir para Empregar’ que vai vencer desta vez”, declarou Bocalom.

Escolhido para ocupar a vaga de vice, Sargento Adônis levou para a chapa o discurso ligado à segurança pública e a representação política do Vale do Juruá. O militar afirmou que a proposta defendida por Bocalom já foi testada nas administrações de Acrelândia e Rio Branco. “É muito gratificante saber que o Bocalom, lá atrás, quando iniciou sua caminhada, tinha como proposta ‘Produzir para Empregar’. Hoje está mais do que evidente que ele estava certo. Ele tem um projeto de gestão consolidado para apresentar ao povo do estado do Acre”, disse.

Adônis também assumiu o compromisso de participar da campanha em todas as regiões acreanas. “Estamos aqui à disposição do povo do Acre para a gente construir um dos melhores projetos de desenvolvimento para o nosso estado, começando de Assis Brasil até Mâncio Lima”, afirmou. A escolha de um vice do Juruá busca ampliar a presença territorial da chapa e aproximar Bocalom dos municípios do interior.

Eduardo Velloso apresentou a chapa como uma divisão de responsabilidades entre segurança pública, produção e saúde. “Sinto-me muito honrado de fazer parte desse time. Nós temos um representante da segurança pública, que é um dos maiores problemas do estado; temos uma pessoa que já mostrou que sabe construir e tem olho na produção rural, juntando com a saúde, que é um dos calos do nosso estado”, declarou o candidato ao Senado.

Velloso encerrou a participação com um discurso voltado à mobilização dos apoiadores. “Esse time aqui vai sair vencedor. Hoje começa uma nova história, um novo desenvolvimento, um novo capítulo do Estado do Acre. Aqui tem força, tem fé e tem trabalho”, afirmou. A candidatura do deputado ao Senado foi incorporada à chapa de Bocalom após o parlamentar deixar o grupo político ligado à candidatura de Mailza Assis.

Alysson Bestene concentrou sua fala na continuidade do modelo administrativo iniciado por Bocalom na Prefeitura de Rio Branco. “É esse time que respeita as pessoas em primeiro lugar, que faz com que o dinheiro público chegue de fato e mude a vida das pessoas. O exemplo está aí, seja em Acrelândia e em Rio Branco. Eu tenho orgulho de dar continuidade a esse trabalho no município de Rio Branco”, declarou.

O prefeito também afirmou que sua relação política com Bocalom permanece acima da posição adotada pelo Progressistas na eleição estadual. “Nós não estamos na política para se beneficiar de recurso público, para ganhar dinheiro. Nós estamos na política para servir as pessoas em primeiro lugar e, principalmente, aqueles que mais precisam. Conheço você desde 2012, e essa sensibilidade nunca morreu: a de olhar para quem mais precisa”, disse Alysson.

Na disputa pelo Senado, Alysson confirmou apoio a Eduardo Velloso e ao ex-governador Gladson Cameli. “O Eduardo Velloso compôs aqui a chapa com a gente. É um prazer tê-lo junto, é meu amigo de infância”, afirmou. Ao defender a candidatura de Bocalom, Alysson afirmou que a chapa reúne nomes comprometidos com o desenvolvimento do estado. “Tenho certeza de que o Acre vai se desenvolver com pessoas sérias que querem fazer o melhor para a população de todo o estado do Acre”, declarou o prefeito.

A convenção fechou as três principais definições eleitorais do grupo: Bocalom para o Governo do Acre, Adônis como vice e Eduardo Velloso para o Senado. Também tornou pública a distância entre Alysson Bestene e a direção estadual do Progressistas. Embora permaneça no partido, o prefeito escolheu participar da campanha de Bocalom e defender a continuidade estadual do projeto administrativo que os dois implantaram juntos em Rio Branco.

Alysson reforça continuidade da gestão em Rio Branco e declara apoio a Bocalom

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, apresentou nesta quarta-feira, 29 de julho, em Cruzeiro do Sul, um balanço das ações executadas desde que assumiu o comando da capital e reafirmou o apoio à pré-candidatura de Tião Bocalom ao governo do Acre. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, Bestene colocou a continuidade administrativa, o cuidado com os recursos públicos e a lealdade política como bases da parceria construída entre os dois.

Alysson assumiu a Prefeitura de Rio Branco em 4 de abril de 2026, após a transmissão do cargo feita por Bocalom. Desde então, passou a conduzir uma estrutura administrativa que ajudou a construir como vice-prefeito e integrante direto da gestão municipal. A prefeitura mantém Bestene como atual prefeito da capital acreana.

A relação entre os dois atravessa mais de uma década. Alysson lembrou que a aproximação política começou em 2012, quando disputaram juntos a Prefeitura de Rio Branco, com Bocalom como candidato a prefeito e ele como candidato a vice. A parceria voltou a ser formada na eleição de 2024 e chegou ao comando da capital.

“Os nossos princípios sempre convergiram nesse sentido de fazer com que a coisa pública, de fato, chegasse às pessoas em primeiro lugar. Deus permitiu que, a partir de 2024, nós reeditássemos essa dupla e agora possibilitou que a gente assumisse a capital para dar sequência nesse trabalho inovador, moderno e com cara de capital”, afirmou Alysson.

Nos primeiros meses à frente da prefeitura, Bestene manteve obras que estavam em andamento e avançou em ações nas áreas de infraestrutura, transporte, produção rural e educação. Ele citou a preparação do Mercado Elias Mansour para entrega, as obras de unidades básicas de saúde, entre elas a da Vila Betel, e a recuperação de quadras e praças em diferentes bairros.

Segundo Alysson, dez espaços públicos foram revitalizados e entregues durante os primeiros cem dias de sua administração. Entre eles está a quadra com piso modular no bairro Doca Furtado, iniciada durante a gestão de Bocalom e concluída após a mudança no comando da prefeitura.

“Nesses cem dias, a gente vem dando sequência a obras importantes que ainda vamos entregar ao longo deste ano. São várias quadras e praças que estamos revitalizando e recuperando. Só ao longo desses cem dias foram dez que a gente já revitalizou e entregou”, disse.

A continuidade também alcançou o sistema de transporte coletivo. Alysson afirmou que a prefeitura iniciou um novo processo emergencial para ampliar e melhorar o atendimento aos passageiros, com a previsão de colocar 120 ônibus à disposição da população. A medida fazia parte das discussões mantidas com Bocalom ainda durante o período em que os dois administravam juntos a capital.

Bestene relacionou a capacidade de manter os investimentos ao equilíbrio financeiro construído pela gestão. Ele afirmou que recebeu a prefeitura com mais de R$ 150 milhões em caixa e que os recursos estão sendo aplicados em serviços e projetos voltados diretamente aos moradores.

“Isso é uma demonstração de um serviço sério e honesto, que só é possível diante da quantidade de recursos trabalhados com seriedade. Foram mais de R$ 150 milhões deixados em caixa, que a gente está aplicando bem para que esses benefícios voltem para a população”, declarou Alysson.

A estrutura municipal de obras recebeu atenção especial. O prefeito afirmou que a Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco conta atualmente com mais de 85 máquinas e equipamentos, incluindo caminhões destinados aos serviços de pavimentação, manutenção das ruas e recuperação dos corredores de ônibus. Parte desse maquinário foi adquirida durante a administração de Bocalom e permanece em operação na atual gestão.

Na área rural, Alysson informou que as equipes municipais recuperaram aproximadamente 330 quilômetros de ramais e estradas vicinais durante o início do período de verão. A prefeitura também manteve a entrega de calcário, fertilizantes e outros insumos usados pelos produtores.

Outro programa citado pelo prefeito prevê a distribuição de 150 mil mudas de café para propriedades localizadas no entorno do cinturão verde de Rio Branco. Para Alysson, o trabalho desenvolvido na capital comprova que o apoio ao pequeno produtor e à agricultura familiar pode ampliar a produção, gerar renda e fortalecer a economia.

“Estamos distribuindo 150 mil mudas de café no entorno do cinturão verde. É uma marca que tenho certeza de que será implementada ao longo do estado, porque já demonstrou que funciona na capital: o avanço da produção, apoiando o pequeno produtor e a agricultura familiar”, afirmou.

A educação também ocupa espaço central na gestão. Alysson lembrou que assumiu a Secretaria Municipal de Educação quando ainda era vice-prefeito e acompanhou investimentos em tablets, computadores, material escolar, fardamento e calçados para os estudantes. Ele também citou o projeto que levou alunos da rede municipal a uma experiência educacional nos Estados Unidos, com visitas à NASA e à Disney, iniciativa criada durante a administração de Bocalom e mantida pela atual prefeitura.

“A educação transforma. Quando ela é bem conduzida, prepara as crianças para o futuro. A gente evita a violência e cria condições para que essas crianças possam se tornar grandes profissionais, médicos, advogados, cientistas e, quem sabe, futuros prefeitos e governadores”, declarou Alysson.

Alysson apresentou os resultados da capital como consequência de uma gestão compartilhada, iniciada ao lado de Bocalom e mantida depois da transmissão do cargo. Para ele, a relação entre os dois permanece sustentada por princípios comuns, pela confiança e pelo compromisso de levar os serviços públicos até as famílias.

Bocalom afirmou que acompanhava o desempenho de Alysson com tranquilidade porque conhecia a capacidade administrativa do antigo vice. “Ele surpreendeu todo mundo, mas a mim não surpreendeu, porque eu sabia que ele ia fazer isso”, disse o ex-prefeito, ao comentar os primeiros meses da nova administração.

O reconhecimento foi acompanhado pela defesa de que o trabalho realizado em Rio Branco pode servir como referência para os demais municípios. Bocalom afirmou que deixou a prefeitura com segurança porque o projeto administrativo continuaria sob o comando de alguém em quem confia.

“Nós deixamos a nossa marca. Estou muito feliz de ter deixado a prefeitura para disputar o governo porque sei que podemos fazer no estado aquilo que fizemos em Acrelândia e em Rio Branco, em parceria com todos os prefeitos, para mudar a vida da população. Estou feliz de estar acompanhado do Alysson”, declarou Bocalom.

No campo político, Alysson reafirmou que apoiará Bocalom na disputa pelo governo estadual. O prefeito explicou que comunicou sua decisão ao Progressistas e se afastou temporariamente das atividades partidárias para evitar constrangimentos internos, mas permanece filiado à legenda.

Bestene afirmou que tomou a decisão com transparência e que pretende manter a palavra dada ao antigo parceiro de administração. “Desde que o meu amigo Tião Bocalom decidiu partir para esse desafio de governar o estado do Acre, pela experiência, pela história e pela gestão de resultados, eu me comprometi a apoiá-lo. Esse compromisso eu vou honrar sempre, até o final”, declarou.

Para Alysson, a experiência acumulada por Bocalom nas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco oferece uma base administrativa para a construção de um projeto estadual. O prefeito defendeu uma gestão voltada ao desenvolvimento econômico, à geração de oportunidades e ao atendimento das crianças, dos idosos e das famílias.

“Acredito nesse trabalho que vem sendo construído há muitos anos. Rio Branco tem mudado e avançado com uma gestão séria e competente. Espero que o estado do Acre seja conduzido com esses mesmos princípios, que também são os meus: servir as pessoas em primeiro lugar, com seriedade e honestidade”, afirmou.

Ao encerrar a entrevista, Bocalom tratou o apoio de Alysson como uma das principais forças políticas de sua caminhada. “Eu tenho o apoio do prefeito que administra a capital, que representa metade da população do estado. Tenho certeza de que nós vamos honrar cada voto e lutar para melhorar a vida das pessoas”, disse.

A presença dos dois em Cruzeiro do Sul levou ao Juruá a imagem de uma parceria que atravessou eleições, chegou à Prefeitura de Rio Branco e permaneceu unida depois da mudança de comando. Alysson voltou para a capital com a responsabilidade de manter obras, programas e serviços, enquanto Bocalom passou a apresentar ao estado uma experiência administrativa que continua em execução pelas mãos do antigo vice e atual prefeito.

Sargento Adonis diz que escolha de Bocalom fortalece o Juruá

O primeiro-sargento da Polícia Militar Adonis Souza afirmou nesta segunda-feira, 27 de julho, que aceitou o convite para ser pré-candidato a vice-governador na chapa de Tião Bocalom por acreditar que a composição abre espaço para o Vale do Juruá dentro de um projeto estadual. Em entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, ele prometeu uma campanha feita nas ruas, nos rios e nas comunidades, negou qualquer briga com o senador Alan Rick e defendeu a experiência administrativa do pré-candidato ao governo.

Ainda assimilando a mudança provocada pelo anúncio, Adonis falou sobre o momento político e pessoal que vive. “Eu estou feliz. Confesso que a ficha ainda está em processamento para definitivamente cair. Ainda estou vivenciando esse estado de emoção”, afirmou.

Antes de tratar da disputa eleitoral, o sargento prestou solidariedade ao jornalista Chico Melo, vítima de violência dentro da própria casa. Adonis lembrou que os dois são amigos há mais de 20 anos e estudaram Letras Vernáculas na Universidade Federal do Acre. Com quase 24 anos de serviço na Polícia Militar, ele condenou o ataque e defendeu o combate ao crime dentro dos limites da lei.

“A gente sempre combateu o crime de forma muito firme, porém respeitando a dignidade da pessoa humana. Eu repudio todo e qualquer tipo de violência e quero mandar um abraço para o nosso amigo Chico Melo”, declarou.

Ao explicar como pretende contribuir com a chapa, Adonis recorreu à imagem de uma campanha distante dos gabinetes e próxima das pessoas. Ele afirmou que pretende percorrer Cruzeiro do Sul, os demais municípios do Juruá e todas as regiões do Acre.

“Nós vamos continuar gastando solado de sapato. Vamos subir rios, descer rios, subir barrancos, descer barrancos, andar em trilhas dentro da mata e dentro de igarapés. Estaremos nesse projeto de corpo, alma e também com os pés no chão”, disse.

A escolha de um nome de Cruzeiro do Sul para a vaga de vice foi apresentada por Adonis como um gesto político em favor do interior. “Tião Bocalom faz um golaço quando escolhe um filho do Juruá para compor sua chapa como vice-governador. Ele dá um presente para a região do Vale do Juruá”, afirmou.

O sargento também chamou atenção para sua condição de servidor público e para a posição que ocupa dentro da Polícia Militar. Sem mandato e sem grande estrutura financeira, ele disse que sua escolha foge do perfil normalmente procurado para completar uma chapa majoritária.

“Como é que ele escolhe um servidor público que não ostenta nenhum poderio econômico? Ele escolhe uma pessoa que é militar, mas de uma graduação considerada baixa. Poderia ter escolhido um coronel”, declarou.

Adonis afirmou que recebeu o convite com responsabilidade e que pretende estudar as necessidades do Juruá, sem limitar sua atuação à região onde nasceu e construiu sua trajetória política. “Nós somos filhos daqui, mas precisamos andar por todo o estado do Acre e construir projetos que possam melhorar a vida das pessoas”, disse.

Durante a entrevista, ele defendeu a experiência de Bocalom como professor, vereador, prefeito de Acrelândia, secretário estadual de Agricultura, presidente da Emater e prefeito de Rio Branco. Para Adonis, essa trajetória permitirá que a chapa apresente ações já experimentadas na administração pública.

“Os nossos concorrentes vão apresentar propostas. Tião Bocalom vai apresentar um projeto consolidado de gestão que já deu certo”, afirmou.

A mudança de grupo político também esteve entre os principais pontos da conversa. Adonis manteve proximidade com Alan Rick e participou de disputas eleitorais ao lado do senador. Agora, os dois estarão em projetos diferentes na corrida pelo Governo do Acre. O sargento negou que a decisão tenha provocado rompimento pessoal.

“Foi uma decisão tomada com equilíbrio, pautada em princípios e coerência. Eu não estou em briga com o Alan de forma alguma”, declarou.

Adonis acrescentou que considera legítimo Alan Rick defender a própria candidatura e reivindicou o mesmo direito de escolha. “É normal ele seguir o caminho dele e defender aquilo em que acredita, como também é legítimo eu fazer minhas escolhas e seguir o projeto em que acredito. Não existe nenhuma animosidade entre mim e o senador”, afirmou.

A entrevista concentrou-se mais na formação da chapa, na representação do Juruá e no perfil de campanha do que em propostas detalhadas de governo. Adonis falou em melhorar a vida da população e impulsionar a economia do Acre, mas não apresentou metas, prazos ou programas específicos para áreas como saúde, educação, segurança, produção rural e infraestrutura.

A maneira como pretende exercer a política foi resumida em uma das declarações mais fortes da entrevista. “A política é para servir. Política é um sacerdócio, é a arte de servir bem as pessoas”, disse.