O deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) entrou no radar da Polícia Federal por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em uma apuração sobre suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares no Acre. O caso envolve recursos ligados a Porto Walter, base política do parlamentar, e aparece dentro da discussão nacional sobre falta de transparência, rastreabilidade e controle na execução de emendas enviadas por deputados e senadores.
A suspeita que levou o caso à Polícia Federal envolve emendas associadas a estradas abertas em Porto Walter. A apuração citada por veículos nacionais aponta que recursos indicados por Barbary teriam sido usados para tentar regularizar trechos abertos de forma irregular, com desmatamento e possível invasão de terra indígena. Também há menção de que uma das estradas passaria por área ligada à família do deputado.
A decisão de Flávio Dino mandou o material à Diretoria-Geral da Polícia Federal para adoção das providências cabíveis. A PF poderá juntar as informações a inquéritos já existentes ou abrir novos procedimentos, caso encontre elementos para avançar na investigação. Até agora, não há registro de operação policial específica contra Zezinho Barbary, como busca e apreensão ou medida ostensiva. O fato confirmado é o envio do caso à PF por ordem do STF.
Zezinho Barbary negou irregularidades. À Folha de S.Paulo, na época, o deputado afirmou que não atuou em benefício próprio e que sua atuação buscava atender moradores de Porto Walter, município historicamente marcado por dificuldades de acesso. Ele também declarou que as medidas ligadas às estradas tinham relação com regularização e mitigação do empreendimento, não com favorecimento de familiares.
Porto Walter é o município onde Barbary construiu parte de sua trajetória pública e onde a discussão sobre estradas, isolamento e presença do poder público tem peso político constante. A investigação agora terá de separar o que pode ser obra pública de interesse coletivo, o que pode representar irregularidade ambiental e o que pode configurar benefício privado.
Relembrando o leitor acreano: Zezinho Barbary passou a ser investigado pela Polícia Federal por ordem do STF em um caso que envolve emendas parlamentares, estrada em Porto Walter, suspeita de dano ambiental e possível favorecimento familiar. A investigação ainda depende de análise da PF e não autoriza tratar o deputado como culpado.
O ex-governador Gladson Cameli sofreu nesta quarta-feira, 3 de junho, uma nova derrota no Superior Tribunal de Justiça. A Corte Especial rejeitou, por unanimidade, embargos de declaração apresentados no andamento da Ação Penal 1.232, processo que trata de suspeitas de fraude e desvio em obras públicas no Acre. A decisão foi tomada nos termos do voto da ministra Nancy Andrighi, relatora do caso.
A derrota não significa uma nova condenação, mas mantém de pé a decisão anterior que recebeu a denúncia e colocou Gladson na condição de réu nessa ação penal. Em termos simples, a defesa tentou abrir uma brecha dentro do próprio STJ para questionar pontos da decisão, mas os ministros não aceitaram o recurso.
Os embargos de declaração são usados quando a defesa aponta omissão, contradição, obscuridade ou erro material em uma decisão judicial. Quando esse recurso é rejeitado ou não conhecido, a decisão questionada permanece válida. No caso de Gladson, isso mantém o processo em andamento sem o recuo pretendido pela defesa.
A Ação Penal 1.232 é diferente da Ação Penal 1.076, na qual o ex-governador já foi condenado a 25 anos e 9 meses de prisão. Nesta nova frente, Gladson ainda não foi condenado. Ele responde como réu, e o mérito da acusação ainda será analisado. A denúncia envolve supostas irregularidades em obras da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul, com suspeitas de fraude à licitação e peculato-desvio.
Mesmo sem representar condenação, a decisão desta quarta-feira tem peso político. Gladson tenta manter viva a narrativa de que ainda pode disputar o Senado, mas cada movimentação no STJ aumenta a pressão sobre sua situação jurídica. Ele já carrega uma condenação colegiada em outro processo e agora vê avançar uma segunda ação penal.
A fotografia do momento é dura para o ex-governador. Em uma ação, ele já foi condenado. Em outra, virou réu. Agora, perdeu uma tentativa de reverter pontos da nova ação dentro da Corte Especial. A defesa ainda pode usar os instrumentos permitidos pela lei, mas a sequência de decisões mostra que o caminho jurídico de Gladson ficou mais estreito.
No Acre, onde o ex-governador ainda conserva força política e tenta sustentar expectativa eleitoral, a decisão reforça a distância entre o discurso político e a realidade processual. Gladson pode continuar afirmando que confia na Justiça e que pretende seguir na disputa. Mas, nesta quarta-feira, a resposta do STJ foi objetiva: na ação sobre as obras da AC-405, ele perdeu mais uma batalha.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta terça-feira, 2 de junho, o médico e pré-candidato a deputado federal Fábio Rueda disse que entrou na política por “propósito”, afirmou que o Acre precisa de articulação em Brasília e sustentou que a disputa eleitoral não pode virar “rivalidade de futebol” enquanto o estado segue dependente de recursos federais.
Ao explicar por que decidiu disputar espaço na política, Rueda puxou a própria trajetória na saúde. “Chico, é propósito”, disse, ao lembrar que chegou ao Acre em 2010 para atuar na implantação da linha de cuidado cardiovascular. Na entrevista, afirmou que, antes da estruturação do serviço, quem precisava de cirurgia cardíaca “precisava sair do estado”, mas que hoje “quem tem problema no coração trata dentro do Acre” e que esse atendimento “também já é entregue aqui em Cruzeiro do Sul”.
Rueda afirmou que a entrada na política não antecedeu o trabalho médico. “A política foi um convite”, disse, ao lembrar que a participação eleitoral veio depois de mais de uma década de atuação no estado. Em seguida, resumiu o que chama de motivação central da candidatura: “Como médico eu sempre servi e a política não é diferente. É uma outra forma de se servir.”
Na conversa com os apresentadores, o pré-candidato tentou afastar a ideia de que encara o mandato como projeto pessoal. Disse que a política precisa produzir resultado concreto e resumiu a visão do grupo do qual faz parte em uma frase direta: “A prática da boa política tem que ser exercida com responsabilidade, entendendo que ela tem que ser uma ferramenta de construção de soluções concretas com entrega à população, e não de projetos de poder individualistas.”
Rueda também falou longamente sobre o ambiente político e criticou a radicalização. Para ele, a polarização prejudica o estado e trava soluções. “O debate é sempre salutar, ninguém é dono da verdade absoluta”, afirmou. Na mesma resposta, reforçou que a política precisa ser encarada como dever público. “A gente não encara isso como oportunidade. A gente encara isso como obrigação.”
Ao tratar da relação com o governo federal, o médico defendeu pragmatismo e diálogo, mesmo entre adversários. “A gente tem que ser construtor de pontes”, disse. Na sequência, explicou o raciocínio: “O nosso estado, apesar das grandes potencialidades, ele é extremamente dependente de recursos federais.” Por isso, afirmou que, mesmo diante de divergências, quem ocupa função pública precisa dialogar com quem decide. “Se ele ocupa aquele espaço, eu preciso cobrar dele.”
O pré-candidato também usou a experiência no escritório de representação do Acre em Brasília para sustentar o discurso de articulação. Disse que a função da estrutura não é apenas burocrática, mas estratégica. “A vida não acontece lá em Brasília. A vida acontece no município”, afirmou, ao defender o acompanhamento de projetos e da tramitação de recursos até a chegada das ações na ponta. Segundo ele, esse trabalho ajudou a viabilizar investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Na área da saúde, Rueda disse que o Acre precisa reduzir a dependência de atendimento fora do estado com planejamento e formação de profissionais. “Isso é um projeto de vida. Isso não é apertando o botão e se fazer de um dia”, afirmou. Ao falar do SUS, adotou tom de defesa e cobrança ao mesmo tempo: “O sistema único de saúde, na teoria, ele é fantástico. Na prática, a grande dificuldade é fazer com que ele saia da teoria e vire realidade.”
No fim da entrevista, Rueda respondeu a críticas pelo fato de não ter nascido no Acre e afirmou que o vínculo com o estado foi construído na prática. “A gente não escolhe onde a gente nasce, a gente escolhe onde a gente vive”, disse. Em outra frase, tentou reforçar pertencimento: “Eu sou acreano de coração.” Para ele, a contestação sobre origem perde força diante do trabalho prestado e da decisão de seguir na política. “Entendo que é uma ferramenta de transformação social genuína”, afirmou.
Ao encerrar a participação, Rueda confirmou que está na disputa de 2026. “Realmente sou pré-candidato a deputado federal pelo nosso querido estado do Acre.”
Quando um acórdão do Superior Tribunal de Justiça é publicado, não cabe chamar a notícia de boato. Quando uma condenação de 25 anos e 9 meses de prisão passa a constar em decisão formal de um tribunal superior, não cabe tratar a cobertura jornalística como tentativa de desestabilizar governo. O ex-governador Gladson Cameli tem todo o direito de recorrer, de se defender, de buscar no Supremo Tribunal Federal uma decisão que suspenda os efeitos da condenação e de sustentar publicamente sua versão. Mas o direito de defesa não transforma em fake news aquilo que está escrito em decisão judicial. Inclusive, a defesa deve agir em tempo hábil com os recursos.
A fala de Gladson, ao associar notícias sobre sua situação jurídica a tentativas de desestabilização, tenta empurrar para a imprensa e para supostos adversários um problema que nasceu dentro de um processo penal. Não foi um blog, uma rádio, um portal ou um comentarista que condenou o ex-governador. Foi a Corte Especial do STJ, formada por ministros que analisaram autos, provas, teses da defesa, argumentos do Ministério Público Federal e questões preliminares levantadas ao longo de anos. A imprensa apenas cumpre o papel de traduzir esse fato para a população.
Dias atrás, no 21 de maio, antes da publicação do acórdão, o Grupo Integração abriu espaço no Jornal da Manhã da Rádio Integração FM para explicar o caso com calma. O advogado Emerson Soares foi chamado exatamente porque havia confusão no debate público. De um lado, circulavam versões de que tudo teria sido anulado. De outro, havia a decisão do STJ condenando Gladson e criando efeitos imediatos sobre sua situação eleitoral. Emerson foi direto: se o prazo de registro de candidatura fosse naquele momento, Gladson não poderia registrar candidatura, porque há condenação por órgão colegiado, situação prevista na Lei da Ficha Limpa.
Essa explicação não nasceu de torcida política. Nasceu da lei. Hoje, Gladson pode recorrer, mas recorrer não é o mesmo que estar liberado para disputar eleição. Ele pode tentar uma liminar no STF, mas tentativa não é garantia. Ele pode sustentar que será candidato, mas, sem uma decisão que suspenda os efeitos da condenação, essa afirmação permanece no campo da narrativa política, não da condição jurídica atual.
O ponto que precisa ser dito com clareza é simples: o governo não se desestabiliza porque a imprensa noticia uma decisão judicial. O governo se desestabiliza quando a própria liderança política que o conduziu passa a responder a condenações, recursos, dúvidas eleitorais e novas ações penais. A instabilidade não foi fabricada pela notícia. A instabilidade veio dos fatos que chegaram aos tribunais e agora cobram seu preço no cenário político do Acre.
Também não se pode confundir crítica jornalística com perseguição. A Integração não inventou a Operação Ptolomeu, não redigiu o acórdão do STJ, não fixou pena, não calculou inelegibilidade e não recebeu nova denúncia contra o ex-governador. O que a Integração fez foi o que o jornalismo deve fazer: ouvir, perguntar, explicar e separar fato de versão. Quando há decisão judicial, o público tem o direito de saber o que ela significa. Quando há prazo recursal, o público tem o direito de saber quais caminhos ainda existem. Quando há impacto eleitoral, o eleitor tem o direito de entender se um nome que se apresenta como candidato pode ou não chegar às urnas.
Gladson ainda conserva força política, tem apoiadores, tem história eleitoral e segue tentando manter viva a expectativa de candidatura ao Senado. Isso é fato. Mas também é fato que ele foi condenado pelo STJ, que o acórdão foi publicado, que a defesa precisa buscar medidas judiciais para tentar suspender os efeitos dessa condenação e que, neste momento, sua situação eleitoral está comprometida. Dizer isso não é fake news. Esconder isso é que seria enganar a população.
A tentativa de transformar toda notícia incômoda em ataque político empobrece o debate público. O Acre não precisa de cortina de fumaça. Precisa de informação limpa, direta e verificável. Quem deseja governar, disputar eleição ou influenciar o futuro do estado deve responder aos fatos com fatos, não com slogans. A pergunta que fica não é quem tenta desestabilizar o governo. A pergunta real é como um projeto político que se dizia sólido chegou a depender de recurso, liminar e interpretação judicial para continuar de pé.
A Integração continuará tratando o caso pelo que ele é: um assunto de interesse público, com impacto jurídico, político e eleitoral. Sem torcida. Sem perseguição. Sem medo de dizer que decisão judicial não é fake news.
A publicação nesta quarta-feira (27) do acórdão da Ação Penal 1.076, que condenou o ex-governador Gladson Cameli a 25 anos e 9 meses de prisão, em regime inicial fechado, abriu uma nova etapa no caso Ptolomeu e colocou em contagem os próximos prazos da defesa. A decisão da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça envolve os crimes de organização criminosa, fraude à licitação, peculato-desvio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de multa, indenização de R$ 11.785.020,31 ao Estado do Acre e perda do cargo de governador, embora Gladson já tivesse renunciado ao mandato no início de abril para tentar disputar o Senado.
O acórdão é a peça formal que reúne a decisão dos ministros, os fundamentos da condenação, as teses acolhidas e recusadas, a dosimetria da pena e os efeitos jurídicos. Na prática, ele transforma o resultado do julgamento em documento oficial completo e abre espaço para os recursos cabíveis. O primeiro caminho da defesa são os embargos de declaração, usados para apontar eventual omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Em processo penal, esse prazo é de 2 dias corridos, contado a partir da intimação formal. Depois disso, ou após o julgamento dos embargos, pode ser aberto o prazo para recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, de 15 dias corridos, quando houver discussão constitucional.
A dúvida sobre esses prazos, sobre a possibilidade de candidatura e sobre o alcance das decisões do STJ e do STF já havia sido tratada na semana passada pelo Grupo Integração. No Jornal da Manhã da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, o advogado Emerson Soares, com 30 anos de atuação, foi entrevistado por Chico Melo, Mazinho Rogério e Rogério Venceslau justamente para separar o que era fato jurídico, o que era possibilidade recursal e o que vinha sendo confundido no debate político. A pergunta central foi direta: se o prazo de registro de candidatura fosse naquele dia, Gladson poderia registrar a candidatura? Emerson respondeu: “não, efetivamente não”.
A explicação dada por Emerson partiu da Lei Complementar 64/90, a Lei da Ficha Limpa. Para ele, a condenação por órgão colegiado já cria impedimento eleitoral, mesmo sem trânsito em julgado. Como a decisão saiu da Corte Especial do STJ, um colegiado judicial, a situação de Gladson entra no campo da inelegibilidade, ainda que a defesa possa recorrer. Emerson também calculou que, em crimes contra a administração pública, a inelegibilidade pode alcançar o período da pena mais 8 anos após o cumprimento, o que, pela condenação atual, chegaria a 33 anos e 9 meses.
O ponto mais sensível da entrevista foi a confusão criada em torno da decisão do STF sobre relatórios de inteligência financeira do Coaf. Emerson explicou que parte das provas foi afastada por problema na forma de obtenção, mas que isso não significou anulação do processo nem derrubada da condenação. Ele lembrou que a ministra Nancy Andrighi retirou dos autos os elementos atingidos pela decisão do Supremo e que, mesmo assim, a condenação foi sustentada em provas autônomas. “Não é fato novo e muito menos uma anulação do processo que foi julgado pelo STJ”, afirmou.
Essa distinção ganhou ainda mais peso com a publicação do acórdão. A defesa poderá insistir em teses sobre nulidade, competência, cadeia de custódia e validade das provas, mas o STJ já enfrentou essas questões no julgamento. A Corte Especial manteve a condenação com base no entendimento de que os elementos invalidados pelo STF não serviram como fundamento para condenar Gladson. A notícia oficial do STJ registrou que as investigações seguiram com provas autônomas e que a Corte entendeu haver participação direta do ex-governador no esquema.
Na semana passada, Emerson também tratou do recurso extraordinário ao STF. Ele explicou que esse caminho é estreito porque o Supremo não reabre o processo para reavaliar todo o conjunto de provas. O recurso precisa discutir matéria constitucional e demonstrar repercussão geral. Para o advogado, uma liminar para suspender os efeitos da condenação é possível em tese, mas as chances são remotas diante da densidade do julgamento do STJ.
O calendário agora pesa contra a defesa porque o processo judicial corre ao lado do calendário eleitoral. Emerson lembrou que o prazo de registro de candidaturas vai até 15 de agosto e que eventual tentativa de candidatura depende de uma decisão capaz de suspender os efeitos da condenação colegiada. Na avaliação dele, os embargos de declaração podem até ser necessários para preparar o recurso ao STF, especialmente por causa do chamado prequestionamento, mas também fazem o relógio avançar. “O prazo do recurso é quinze dias”, explicou, ao tratar do recurso extraordinário, com contagem corrida.
O acórdão também reforça o peso político da condenação. Gladson foi um dos nomes mais fortes da política acreana nas últimas duas décadas, eleito deputado federal, senador e governador, além de reeleito ao governo.
A publicação do acórdão, portanto, não encerra o caso, mas reduz o espaço das incertezas. A condenação está formalizada. Os recursos ainda podem ser apresentados. A defesa pode buscar esclarecimentos no próprio STJ e depois tentar levar matéria constitucional ao STF. A candidatura, se houver tentativa de registro, dependerá da Justiça Eleitoral e de eventual decisão que suspenda os efeitos da condenação. O que muda agora é que o debate deixa de girar em torno de versões soltas e passa a caminhar sobre prazos, peças processuais e decisões formais.
No ar da Integração, Emerson resumiu a lógica do processo com uma frase que ajuda a entender o momento: “a decisão do juiz não se questiona, se recorre”. É exatamente essa a fase aberta agora. Gladson foi condenado por um órgão colegiado, a defesa ainda pode recorrer, mas o acórdão publicado coloca o caso em uma etapa mais dura, com menos espaço para narrativa e mais peso para o calendário.
O vereador de Rio Branco André Kamai reagiu nesta terça-feira, 19, à intimação expedida pela Justiça Eleitoral em uma ação movida pelo senador Márcio Bittar por causa de um vídeo publicado nas redes sociais. Após ser notificado, Kamai disse que vai apresentar defesa, afirmou que pode retirar o conteúdo dentro do prazo determinado e acusou o adversário de usar a via judicial para conter críticas políticas.
Na declaração feita após a intimação, Kamai disse que o material questionado é uma animação publicada em seu Instagram com críticas ao mandato e ao posicionamento político de Bittar. “Como a justiça determinou que eu tenho até amanhã para fazer, eu vou me defender e se tiver que tirar, vou tirar amanhã no horário que tá determinado pela justiça”, afirmou. Em seguida, elevou o tom do embate. “Mas a covardia é tão grande que essa turma que defende a liberdade de expressão não aguenta uma crítica que corre para fazer intimidação judicial.”
O vereador também ampliou a ofensiva política ao cobrar que Bittar enfrente o debate diretamente. “Eu tô fazendo um debate com ele e ele, sem coragem de vir para o debate comigo, manda o filho. Mas eu já disse eu não vou brigar com as crianças. Meu debate é com o Márcio. Se ele quiser, eu tô pronto”, disse.
A disputa começou depois da publicação de um vídeo em que Kamai atacou Bittar e o deputado federal Nikolas Ferreira, que cumpre agenda no Acre a convite do senador. Na gravação, o vereador cobra resultados concretos para o estado e cita problemas como a situação da BR-364, as enchentes e a falta de moradias populares, além de críticas à condução da pandemia e ao orçamento secreto.
A ação apresentada por Bittar sustenta que o conteúdo se enquadra como propaganda eleitoral irregular no ambiente da pré-campanha de 2026. A decisão judicial determinou a retirada do vídeo em prazo fixado pela corte e proibiu a republicação de conteúdo considerado equivalente, enquanto a defesa de Kamai deve ser apresentada dentro do período estabelecido no processo.
O caso amplia a tensão política no Acre em meio à movimentação de aliados de Bittar pelo interior do estado e ao avanço das articulações para a disputa de 2026. A passagem de Nikolas Ferreira pelo Acre, ao lado do senador, deu novo impulso ao confronto entre grupos ligados à direita e à esquerda e empurrou o embate para o centro da cena política local.
A governadora do Acre, Mailza Assis, e o ex-governador Gladson Cameli se reuniram nesta terça-feira (19), em Rio Branco, para tratar de agendas conjuntas, projetos e dos desafios do estado. O encontro ocorreu em meio às articulações políticas do grupo que comandou o Executivo acreano nos últimos anos e foi apresentado pelos dois como uma conversa voltada ao futuro do Acre e à continuidade de ações de interesse da população.
Após a reunião, Mailza afirmou que teve uma “ótima conversa e alinhamento” ao lado de Gladson, a quem chamou de amigo, ex-governador e pré-candidato ao Senado. Segundo ela, os dois trataram de “agendas conjuntas, projetos importantes e sobre o futuro do nosso Acre, sempre com diálogo, parceria e muito compromisso com a nossa população”.
Gladson também comentou o encontro e disse ter tido uma conversa “muito importante” com a governadora sobre “os caminhos e os desafios do Acre”. Na mensagem publicada depois da reunião, ele afirmou que vê o estado “seguindo firme, com diálogo, responsabilidade e compromisso com as pessoas” e declarou que continuará acompanhando de perto o trabalho do governo.
A reunião reforça a proximidade política entre os dois nomes centrais da atual configuração do poder no Acre. Mailza está no comando do governo estadual, enquanto Gladson, após deixar o cargo, mantém presença ativa no cenário político acreano. O encontro desta terça recoloca os dois lado a lado em um momento de reorganização das alianças e de definição das próximas agendas administrativas e eleitorais no estado.
Ao escolherem o discurso do diálogo, da parceria e da responsabilidade, Mailza e Gladson sinalizam que pretendem manter interlocução direta em torno de pautas do governo e de temas ligados ao desenvolvimento do Acre. Nas manifestações públicas divulgadas após a reunião, ambos associaram a conversa a compromisso com a população e à defesa de projetos considerados estratégicos para o estado.
A decisão de não levar adiante a candidatura da esposa a deputada federal abriu o trecho mais pessoal da entrevista concedida pelo deputado estadual Clodoaldo Rodrigues ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul. Ao sair do discurso sobre eleição, alianças e mandato, ele falou da rotina longe de casa, da criação dos filhos, da responsabilidade da mulher com os pais e do limite que decidiu impor à própria vida política. “Tenho uma família e preciso priorizar minha família”, afirmou.
Clodoaldo disse que a política não pode ser tratada como projeto familiar e explicou que a escolha de não avançar com o nome da esposa passou menos por cálculo eleitoral e mais pela necessidade de preservar a estrutura da casa. Contou que a família não se mudou para Rio Branco, apesar das exigências do mandato, e que a distância virou parte da rotina. “Vivo nessa ida e vinda pela BR, chegando de noite, às vezes correndo risco nessas viagens”, disse. Na mesma resposta, resumiu o motivo que pesou na decisão: “Se minha família não foi para Rio Branco, imagine se ela estivesse em Brasília e eu em Rio Branco. Como ficariam nossos filhos?”
O deputado também falou do peso que as perdas familiares têm sobre a forma como enxerga a própria trajetória. Ao lembrar que perdeu pai e mãe cedo, puxou a conversa para um terreno mais íntimo e menos comum no vocabulário político. “Há coisas na vida em que o tempo não volta. Perdi meus pais muito cedo, pai e mãe, e sei a falta que fazem. Chega um momento em que quero curtir meus filhos, minha família e cuidar deles”, afirmou.
Foi a partir daí que Clodoaldo tentou mostrar onde, segundo ele, ainda encontra sentido na vida pública. Em vez de falar em cargo ou projeção, preferiu descrever a satisfação que sente quando é reconhecido por alguém atendido ao longo do mandato. “Eu amo a política. Gosto de fazer política porque gosto de ajudar as pessoas”, disse. Em seguida, completou com a lembrança que, segundo ele, resume o melhor da atividade política: “O melhor momento da política é quando chego ao aeroporto, estou na BR ou chego ao município, e uma pessoa vem me agradecer porque ajudei em um tratamento de saúde.”
Na mesma linha, Clodoaldo procurou afastar a imagem da política ligada a privilégio e enriquecimento. Disse que não foi para Rio Branco em busca de poder ou patrimônio e afirmou encarar a trajetória até aqui como uma etapa de serviço público. “A política, para mim, é isso. Não é dizer que o Clodoaldo está andando de SW4, tem mansão ou fez negócio. Eu não fiz negócio na política”, afirmou. “Sempre disse que fui para Rio Branco para trabalhar, não em busca de poder nem de riqueza.”
Quando voltou a falar do contato com a população, o deputado repetiu uma ideia que atravessa boa parte da entrevista: a de que o mandato só faz sentido se continuar perto de quem procura ajuda. Ao lembrar a passagem de quatro meses pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, disse que aquele período o aproximou ainda mais das demandas do dia a dia. “Quando estive na prefeitura, pude olhar para as pessoas”, afirmou. Logo depois, reforçou a visão que tenta associar ao próprio estilo político: “Eu gosto de estar no gabinete atendendo as pessoas. Quem não gosta do povo tem que sair da política e dar espaço para quem gosta.”
A família voltou ao centro da fala quando Clodoaldo disse que costuma lembrar à esposa, hoje vice-prefeita, que mandato não é posse definitiva. “Nunca esqueça quem colocou você na cadeira, porque o povo coloca e o povo tira”, afirmou. Na sequência, resumiu a regra que diz seguir dentro e fora da política: “Nosso foco tem que ser estar perto do povo e ouvir.”
No fim, o que ficou dessa parte da entrevista foi menos o deputado em pré-campanha e mais o homem que tentou explicar por que decidiu frear um projeto político dentro da própria casa. Ao falar dos filhos, dos pais que perdeu cedo e da alegria que encontra quando alguém o procura apenas para agradecer, Clodoaldo procurou dar à política um tamanho mais próximo da vida comum, onde mandato passa, eleição passa, mas o tempo longe da família não volta.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta segunda-feira (18), o deputado estadual Clodoaldo Rodrigues colocou no centro do debate a situação dos ramais do Juruá, a falta de resposta para a BR-364 e a articulação do grupo governista para 2026. Aliado de Mailza Assis, ele disse que seguirá com a governadora, mas deixou claro que apoio político não elimina cobrança pública por obras, planejamento e presença mais efetiva do Estado no interior.
Clodoaldo abriu a conversa falando da própria pré-campanha e da rotina de viagens pelo Acre. Disse que montou gabinete em Cruzeiro do Sul, ampliou a atuação do mandato e hoje mantém base política nos 22 municípios. Ao resumir a correria da agenda, soltou uma frase que acabou definindo o tom da entrevista: “Eu prefiro não ter tempo, mas ter agenda”.
A parte mais incisiva da fala veio quando o assunto chegou aos produtores rurais. Clodoaldo disse que o problema dos ramais se arrasta há anos, voltou a relatar comunidades isoladas no inverno e afirmou que quem está no campo não pede favor, pede estrada para trabalhar e escoar a produção. “Tenho que cobrar. Sou deputado. Não é porque sou da base que não vou cobrar”, afirmou. Em seguida, apontou onde vê o principal erro: “O que está faltando é planejamento e priorização”.
Na avaliação do deputado, o debate sobre de quem é a obrigação de recuperar ramal já passou do limite. Ele disse que prefeitura, governo, bancada estadual e bancada federal precisam entrar no mesmo esforço e defendeu o uso de emendas parlamentares para garantir obras todos os anos na região. “Ramal é responsabilidade de todos nós”, afirmou, ao cobrar que a disputa política dê lugar a uma solução permanente para o Juruá.
Ao falar do governo Mailza Assis, Clodoaldo evitou romper o discurso de lealdade, mas reconheceu dificuldade na transição e ruído dentro do próprio grupo. Disse que assumir um governo em andamento impõe limites e tempo de adaptação, mas avisou que a governadora precisa estar cercada de gente disposta a mostrar problema e caminho. “A pior coisa para um político é ter do lado alguém que só diz que está tudo certo”, disse.
A entrevista também entrou nos bastidores da sucessão estadual. Clodoaldo afirmou que a tendência é de que a vaga de vice na chapa governista fique com o MDB, embora o nome ainda não esteja fechado. No mesmo bloco, tratou de esfriar a ideia de dependência eleitoral do Palácio Rio Branco e afirmou que a própria campanha será construída com base no mandato e na presença política que diz ter consolidado no interior.
No trecho sobre deslocamentos do governo, o deputado diferenciou o debate sobre o fretamento de aeronaves da polêmica envolvendo contrato de jatinho e disse que o Acre precisa discutir logística sem perder de vista o problema real da região. Foi quando puxou a conversa para a BR-364 e resumiu a situação da estrada com a frase mais forte da entrevista: “Nosso jatinho é essa BR cheia de buraco”.
Para ele, a recuperação da rodovia não será resolvida com discurso local nem com promessa repetida a cada inverno e verão. Clodoaldo disse que a pressão precisa sair do Acre e chegar ao governo federal. “Acho que o caminho é Brasília. Para resolver a BR, é lá em Brasília”, afirmou. Em outra passagem, reforçou o peso da estrada para a região ao dizer que “a BR é o Juruá”.
Na prestação de contas do mandato, o deputado citou ações voltadas para saúde, agricultura familiar e apoio social, falou em defesa de um hospital do câncer no Juruá e disse que pretende fazer a disputa de 2026 mostrando entregas, presença e resultado. Também comentou a relação com o prefeito Zequinha Lima, hoje sem proximidade política. “Cada um está cuidando da sua vida”, resumiu.
Já sobre 2028, Clodoaldo não fechou a porta para uma candidatura à Prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas disse que esse debate ficará para depois da eleição estadual. Antes disso, quer consolidar a mudança para o PP, manter o alinhamento com Mailza Assis e tentar renovar o mandato com um discurso que mistura fidelidade ao governo e cobrança direta por obras que seguem pendentes no Juruá.
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