Escolas Diocesanas do Juruá reforçam segurança e criam barreiras de acesso após ataque em Rio Branco
As Escolas Diocesanas do Juruá começaram a adotar novos protocolos de segurança em Cruzeiro do Sul após o ataque a tiros registrado no Instituto São José, em Rio Branco, que matou duas funcionárias e deixou dois feridos. A medida atinge cinco instituições da rede diocesana no Vale do Juruá, com foco inicial em três unidades em Cruzeiro do Sul, e prevê mudanças no controle de entrada, orientação a equipes de portaria e reuniões com famílias para apresentar as novas regras.
Em Cruzeiro do Sul, a coordenação das escolas diocesanas informou que o plano inclui treinamento de diretores e agentes de portaria e a instalação de obstáculos físicos para dificultar acessos não autorizados. “Nós estamos participando de todo o processo que a Secretaria está propondo, mas também fechamos, na semana passada, um protocolo de segurança próprio da Diocese”, disse o coordenador-geral da rede na região, Joaquim Neto. A apresentação formal das medidas à comunidade escolar deve ocorrer na próxima semana, em encontros com pais e responsáveis. “Quanto mais obstáculos nós colocarmos, melhor. Não dá para simplesmente não fazer nada”, afirmou.
A mobilização no Juruá ocorre em paralelo às ações da Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE), que suspendeu aulas em escolas estaduais de Cruzeiro do Sul no início da semana para alinhar rotinas de prevenção e orientar servidores, estudantes e familiares sobre os procedimentos de retorno. Entre as medidas em discussão está o reforço no controle de entrada, com vistoria e acompanhamento mais rigoroso de quem acessa os prédios. A formação de agentes de portaria contou com participação da Polícia Militar, incluindo equipe da Rotam, e a SEE já levantou a necessidade de ampliar o número de servidores nas portarias, com demandas encaminhadas à pasta na capital.
No eixo pedagógico e de acolhimento, a SEE lançou o guia “Estratégias Pedagógicas de Retorno à Escola”, com orientações de apoio emocional e protocolos para situações de ameaça, incluindo registro formal de ocorrências, acionamento da rede de proteção e articulação com órgãos como Conselho Tutelar, Ministério Público, Cras, Creas e forças de segurança. “A escola precisa continuar sendo um espaço de acolhimento, proteção e construção da cultura de paz. Este guia foi elaborado para apoiar nossas equipes gestoras, professores, estudantes e famílias neste momento delicado”, disse o secretário Reginaldo Prates. O documento prevê retorno em etapas, com um primeiro dia voltado às equipes escolares, o segundo às famílias e o terceiro aos estudantes, com atividades de convivência e prevenção de violência.
Na capital, a prefeitura anunciou a criação de um grupo de trabalho para elaborar um protocolo de segurança que será implantado na rede municipal por meio do programa Escola Mais Segura, com medidas a partir do retorno das aulas. Em reunião com gestores e agentes de portaria antes da retomada, a Secretaria Municipal de Educação alinhou ações com apoio da Polícia Militar e orientação psicológica para acolhimento. “Essa foi uma ação que faz parte do protocolo de retorno às aulas da rede municipal”, afirmou a secretária Kelce Nayra Paes.
O endurecimento de rotinas de acesso e a ampliação de treinamentos foram acelerados após o ataque no Instituto São José, em 5 de maio, quando um estudante de 13 anos entrou armado e atirou contra funcionários e uma aluna. Duas supervisoras de corredor, Alzenir e Raquel, morreram no local; um adulto e uma criança ficaram feridos. O governo informou que o adolescente se entregou e que o responsável legal, proprietário da arma, foi detido, enquanto a Polícia Civil apura a motivação e a dinâmica do crime.