Bispo de Cruzeiro do Sul compartilha notícia sobre operação da PF contra contratos da Educação

O bispo de Cruzeiro do Sul, Dom Flávio Giovenale, compartilhou nesta quinta-feira, em seu status do WhatsApp, uma notícia sobre a operação da Polícia Federal que atingiu contratos da Secretaria de Educação do Acre e teve entre os principais alvos o ex-secretário Aberson Carvalho. A publicação foi feita por volta das 12h29, poucas horas depois do cumprimento de mandados em Rio Branco e outros municípios do estado.

Na mensagem, Dom Flávio reproduziu o título da reportagem que informava buscas na residência de Aberson Carvalho, na capital acreana, e disponibilizou o link para o conteúdo completo. O bispo não acrescentou comentário, acusação ou avaliação sobre o caso. Ainda assim, o compartilhamento levou a investigação para um espaço de grande alcance social no Vale do Juruá, onde a Igreja Católica mantém presença em comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas.

A operação apura contratos da Educação financiados com recursos públicos e superiores a R$ 51 milhões. A Polícia Federal cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. A Justiça também autorizou bloqueio de bens e valores e suspendeu temporariamente as atividades de empresas investigadas.

Aberson Carvalho entrou no centro da operação por ter comandado a Secretaria de Educação no período alcançado pela investigação. Policiais federais estiveram em sua residência para recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam ajudar a esclarecer a contratação de empresas e o destino do dinheiro público.

A apuração envolve suspeitas de fraude em licitação, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As medidas cumpridas nesta quinta-feira fazem parte da fase de coleta de provas. Não existe, até agora, condenação contra Aberson Carvalho ou contra os demais investigados.

A defesa do ex-secretário afirmou que ele recebeu os agentes com tranquilidade, colaborou com o cumprimento do mandado e confia no esclarecimento dos fatos. Também informou que o caso tramita sob segredo de justiça e que não há denúncia ou decisão de mérito contra Aberson.

O governo do Acre declarou que acompanhará a investigação e permanecerá à disposição das autoridades. O caso atinge uma das áreas mais sensíveis da administração estadual, porque envolve recursos destinados ao funcionamento da rede pública de ensino.

Ao compartilhar a notícia, Dom Flávio colocou a operação no debate público do Juruá. A mensagem chegou a moradores que vivem a centenas de quilômetros dos endereços onde os mandados foram cumpridos, mas que dependem diretamente das políticas de educação financiadas pelos contratos agora investigados.

PF deflagra operação contra desvio de recursos públicos na educação do Acre

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (16) a Operação Talha Real para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à educação no Acre. A ação cumpriu 21 mandados de busca e apreensão nos municípios de Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. As investigações apontam suspeitas de irregularidades na aplicação de mais de R$ 51 milhões em recursos federais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possíveis fraudes em contratos firmados com recursos federais destinados à área da educação, além de indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e direcionamento de licitações.

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está Aberson Carvalho, ex-secretário de Estado de Educação do Acre. Após deixar o comando da pasta, ele passou a atuar na articulação política e é apontado nos bastidores como um dos nomes cotados para coordenar a campanha da vice-governadora Mailza Assis ao Governo do Acre nas eleições deste ano. A Polícia Federal não detalhou a conduta atribuída individualmente aos investigados, e o cumprimento do mandado de busca não representa condenação.

Durante a operação, um dos investigados foi preso em flagrante por posse ilegal de munições de uso permitido e encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Acre. A corporação não informou se a prisão tem relação com algum dos principais investigados da operação.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens móveis, imóveis e valores dos investigados, além da suspensão das atividades de seis empresas. As medidas buscam impedir a dissipação do patrimônio e assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam confirmadas ao longo da investigação.

Os envolvidos poderão responder por peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As investigações continuam para identificar a participação de cada um dos alvos e o destino dos recursos públicos sob suspeita.