Jorge Viana e Thor Dantas lançam campanha em Porto Walter e levam propostas a moradores e lideranças do município

O candidato ao Governo do Acre Thor Dantas (PSB) e o candidato ao Senado Jorge Viana (PT) lançaram nesta sexta-feira (4) suas campanhas em Porto Walter, durante um encontro que reuniu moradores, comerciantes, lideranças rurais, religiosas, políticas e apoiadores.

O encontro contou ainda com a presença de candidatos que integram a aliança, entre eles o candidato a deputado federal Márcio Alécio e os candidatos a deputado estadual Isaac Piyãko e Cesário Braga, além de lideranças locais. A atividade foi marcada pela apresentação de propostas e pelo diálogo com a população sobre os principais desafios enfrentados por quem vive e trabalha no interior do Acre.

Thor Dantas destacou a receptividade encontrada durante a passagem pelo município e afirmou que a população demonstra desejo por mudanças na condução do Estado.

“Foi incrível lá a receptividade em Porto Walter e, na verdade, onde a gente chega encontra pessoas buscando um voto de mudança, um voto de esperança na mudança e um público muito animado e muito atento a tudo”, disse Thor.

O candidato também ressaltou que Porto Walter, por ser um dos municípios de difícil acesso do Acre, precisa de atenção especial do poder público e de políticas que considerem as características da região.

“Município que merece atenção especial, um município que não teve nenhum investimento de obra pública nos últimos oito anos. Então há uma insatisfação muito grande das pessoas”, explicou o candidato.

Por um Acre que volte a ter crescimento econômico

Durante a passagem pelo município, Jorge Viana destacou a relação construída com Porto Walter ao longo de sua trajetória política e relembrou obras realizadas durante seu período como governador do Acre.

“Essa pista aqui, a gente fez quando era governador. Essa cidade é muito querida e, com as lideranças daqui, a nossa campanha não é feita por mim, é feita por nós”, relembrou.

Jorge Viana também destacou a necessidade de retomar o crescimento econômico do Acre e ampliar a capacidade de investimentos no Estado por meio da atuação no Senado.

“Eu fico tão feliz, porque é isso que gera um compromisso. Eu, no Senado, fazer um trabalho que possa de fato retomar o crescimento econômico do Acre, trazer recursos que dá para fazer e olhar pra esse povo”, destacou o candidato.

O candidato ao Senado também citou investimentos realizados em diferentes áreas durante sua gestão, como infraestrutura, educação e eletrificação.

“Nós fizemos uma pista aqui, fizemos universidade, fizemos educação, quadra, eletrificação e as ruas também que foram feitas aqui na época já do governo do Tião”, afirmou.

Raízes de Porto Walter

A história do município de Porto Walter está diretamente ligada ao processo de ocupação do Vale do Juruá e ao ciclo da borracha no final do século XIX. A região começou a ser povoada a partir da instalação de seringais, entre eles Tavares de Lira, Humaitá e Cruzeiro do Vale, que atraíram trabalhadores e famílias para a exploração da borracha e contribuíram para a formação da comunidade que deu origem ao município.

Porto Walter foi emancipado politicamente em 1963 e, desde então, construiu sua trajetória marcada pela vida ribeirinha, pela produção rural e pela ligação com as comunidades do interior. Atualmente, o município possui 10.735 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, e continua tendo o rio Juruá como uma das principais vias de acesso à cidade.

A agenda em Porto Walter faz parte de uma série de compromissos de Jorge Viana e Thor Dantas pelos municípios acreanos durante a campanha, com o objetivo de ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade.

Prefeitura avança com revitalização de espaço público no Santa Cruz, em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco intensificou os trabalhos de revitalização de um espaço público no loteamento Santa Cruz, na região do bairro Apolônio Sales. As equipes atuam na Rua Aroeira, onde a quadra esportiva, a praça e áreas do entorno passam por melhorias antes da entrega à comunidade.

O prefeito Alysson Bestene acompanhou o andamento dos serviços nesta sexta-feira (4), ao lado de secretários municipais e representantes dos moradores. A intervenção recebeu recursos de emenda parlamentar destinada pela ex-deputada federal Mara Rocha, além de contrapartida do município.

A obra inclui recuperação da quadra, pintura, limpeza, caiação, melhorias urbanísticas e reforço da iluminação pública. Também são executados serviços de pavimentação e manutenção das ruas próximas ao espaço.

As ações na comunidade começaram há mais de dois meses e mobilizam diferentes setores da administração municipal. O trabalho integra o programa Prefeitura nas Ruas, que concentra serviços de infraestrutura e manutenção em bairros da capital.

Durante a vistoria, Alysson Bestene afirmou que a gestão pretende ampliar os serviços nas comunidades e recuperar áreas destinadas ao lazer e à convivência. “Estamos revitalizando espaços e melhorando as ruas para atender quem mais precisa”, disse.

O secretário municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Cid Ferreira, afirmou que a área passou por mudanças para receber atividades esportivas, de lazer e de convivência. Além da recuperação da quadra, o entorno recebeu intervenções para melhorar as condições de uso pelas famílias.

Presidente da Associação de Moradores do Santa Cruz e residente na região há cerca de 20 anos, Hélio Caruta afirmou que a comunidade ainda possui outras demandas, mas avaliou que os serviços realizados trouxeram mudanças para o espaço utilizado pelos moradores.

A Prefeitura de Rio Branco ainda trabalha na conclusão dos últimos serviços antes da entrega da área revitalizada. A data da inauguração não foi informada.

Mais uma derrota! TRE-AC rejeita recurso de Gladson e mantém registro de candidatura sob julgamento do Plenário

O juiz Thalles Vinicius de Souza Sales, do Tribunal Regional Eleitoral do Acre, rejeitou os embargos de declaração apresentados por Gladson de Lima Cameli no processo que discute o registro de sua candidatura nas eleições de 2026. A decisão mantém integralmente o despacho que encerrou a fase de instrução e deixou para o Plenário do TRE-AC a análise das questões levantadas no processo, inclusive a controvérsia sobre competência e o julgamento do registro, que foi impugnado pela Procuradoria Regional Eleitoral. O magistrado, ao mesmo tempo, recusou o pedido do Ministério Público Eleitoral para multar Gladson sob a acusação de ter apresentado um recurso com finalidade de atrasar o processo.

A decisão atinge uma tentativa da defesa de obter esclarecimentos antes de o processo avançar para o julgamento colegiado. Os advogados de Gladson apontaram omissão e obscuridade em quatro pontos da decisão anterior. Entre eles estavam a discussão sobre quem deveria resolver uma dúvida relacionada à distribuição do processo, os efeitos de uma eventual mudança de competência, a possibilidade de apresentação de novos documentos depois do encerramento da instrução e a razão pela qual o registro deve ser submetido ao Plenário.

Um dos principais argumentos da defesa envolvia o artigo 50, parágrafo 5º, do Regimento Interno do TRE-AC. O dispositivo estabelece que dúvidas na distribuição e classificação dos processos serão resolvidas pela Presidência do Tribunal. Os advogados sustentaram que a controvérsia sobre prevenção e distribuição deveria passar imediatamente pela Presidência.

Thalles Vinicius rejeitou essa interpretação. Para o relator, a regra citada pela defesa trata de questões administrativas ligadas à autuação e à distribuição inicial dos processos e não transfere à Presidência do TRE-AC o poder de decidir, isoladamente, uma controvérsia jurisdicional sobre competência depois que o processo já está distribuído e em andamento. O juiz manteve o entendimento de que pode analisar a questão e submetê-la posteriormente ao Plenário.

A defesa também queria saber o que aconteceria com os atos já praticados no processo caso o Plenário entendesse que o atual relator não é o competente para conduzir o caso. Os advogados questionaram se o julgamento seria interrompido e quais decisões anteriores poderiam ser aproveitadas.

O relator recusou antecipar esse cenário. Thalles afirmou que não cabe decidir previamente os efeitos de um julgamento que ainda não ocorreu. Em um trecho mais duro da decisão, classificou a pretensão como um “certo futurismo processual”. Segundo ele, se houver mudança relacionada à competência, caberá ao julgador responsável avaliar, no momento adequado, quais atos serão mantidos ou ratificados.

Outro ponto com efeito direto sobre a estratégia jurídica de Gladson envolve a apresentação de decisões futuras capazes de modificar sua situação eleitoral. A defesa questionou se poderia juntar novos documentos depois de encerrada a fase de instrução e tratou especificamente da atualização da certidão de objeto e pé da Ação Penal nº 1.076, no Distrito Federal.

Nesse ponto, embora tenha rejeitado os embargos, o relator deixou definido que o encerramento da instrução não impede Gladson de apresentar fatos ou decisões posteriores que possam beneficiá-lo. A legislação eleitoral permite que acontecimentos supervenientes capazes de afastar uma causa de inelegibilidade sejam considerados pela Justiça Eleitoral. A possibilidade, conforme registrado na decisão, alcança o período até a diplomação em razão das mudanças introduzidas pela Lei Complementar nº 219/2025.

Na prática, Gladson não precisa pedir autorização prévia ao relator para apresentar uma nova decisão judicial que altere sua condição jurídica. Se houver uma mudança favorável em instância superior, caberá à defesa obter a decisão e levá-la ao processo eleitoral.

A mesma responsabilidade vale para uma nova certidão da Ação Penal nº 1.076. Thalles atribuiu ao próprio candidato o dever de providenciar o documento atualizado. O magistrado afirmou que, caso surjam novas decisões em tribunais superiores capazes de mudar a situação de Gladson, a defesa poderá juntá-las aos autos sem autorização judicial anterior.

A decisão também mantém um ponto central para o andamento do processo: o pedido de registro não será decidido individualmente pelo relator. Thalles usou o artigo 62 da Resolução nº 23.609/2019 do Tribunal Superior Eleitoral para diferenciar os registros sem controvérsia daqueles submetidos a impugnação ou acompanhados de notícia de inelegibilidade.

Como o registro de Gladson foi impugnado pela Procuradoria Regional Eleitoral e há discussão sobre eventual inelegibilidade, o relator entendeu que o caso precisa passar pelo órgão colegiado. Com isso, a decisão sobre o registro ficará nas mãos do Plenário do TRE-AC.

A Procuradoria Regional Eleitoral havia defendido a rejeição dos embargos e sustentado que a defesa buscava rediscutir questões já decididas e obter respostas antecipadas para situações que ainda poderiam ocorrer. O órgão foi além e pediu a aplicação da multa prevista no Código de Processo Civil para embargos considerados manifestamente protelatórios.

Nesse ponto, Gladson obteve uma decisão favorável. Thalles recusou aplicar a penalidade. Para o juiz, embora os argumentos apresentados pela defesa não fossem suficientes para mudar a decisão anterior, o recurso estava dentro do exercício regular do direito de defesa e do contraditório. Ele afirmou não ter identificado intenção manifesta de atrasar o processo ou abuso do direito de recorrer.

O resultado, portanto, é dividido. Gladson não conseguiu modificar nem obter os esclarecimentos pretendidos sobre a decisão que encerrou a instrução. A estrutura processual definida pelo relator permanece de pé, inclusive com a remessa das questões controvertidas ao Plenário. Por outro lado, a defesa preservou o direito de apresentar fatos e decisões judiciais posteriores que possam mudar a situação do candidato e escapou da multa solicitada pela Procuradoria.

O processo é o Registro de Candidatura nº 0600481-67.2026.6.01.0000. Com a rejeição dos embargos, permanece válida a decisão saneadora e o ponto decisivo passa a ser o julgamento pelo colegiado do TRE-AC.

Jornlista Andrade Filho chama decisão do TRE de “primeira vitória” contra Vagner Sales, entenda

O jornalista Andrade Filho classificou nesta sexta-feira, 4 de setembro, como a “primeira vitória contra Vagner Sales” a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) que negou um pedido de urgência para retirar do Instagram uma publicação com críticas à trajetória política do ex-prefeito de Cruzeiro do Sul e candidato a deputado federal pelo MDB.

O pedido foi apresentado pelo MDB e por Vagner José Sales, presidente estadual do partido. Na ação, eles alegaram que a publicação feita no perfil de Andrade Filho configurava propaganda eleitoral negativa irregular e apresentava de forma descontextualizada referências a fatos judiciais, administrativos e patrimoniais envolvendo o candidato.

O juiz Leandro Leri Gross, auxiliar da Propaganda Eleitoral e relator da representação, entendeu que, nesta fase inicial do processo, não havia elementos suficientes para determinar a retirada imediata do conteúdo. A decisão considera que críticas políticas, mesmo severas ou desfavoráveis, estão inseridas no debate eleitoral e que uma eventual descontextualização dos fatos exige análise mais aprofundada.

Após a decisão, Andrade Filho afirmou que a manutenção da publicação ultrapassa a disputa pessoal com Vagner Sales e envolve, em sua avaliação, o direito à informação. “Tentaram tirar do ar uma publicação minha. A Justiça decidiu que não, e essa decisão representa mais do que uma questão pessoal: representa a defesa do direito de informar e de a população conhecer os fatos e a história política da nossa região”, declarou.

O jornalista também afirmou que considera o resultado apenas o início da disputa. “Essa é apenas a primeira vitória. Muitas outras ainda virão”, disse.

Na manifestação, Andrade Filho ampliou o discurso para o cenário político do Vale do Juruá. Para ele, a região passa por um processo de mudança política e precisa de representantes comprometidos com a população. “A mudança começou. E nós vamos seguir firmes, com coragem, respeito e verdade”, afirmou.

A decisão do TRE-AC é de caráter inicial e não encerra o processo. Apesar de rejeitar a retirada da publicação, o magistrado determinou que a Meta Platforms Brasil preserve as provas digitais relacionadas ao conteúdo, incluindo o arquivo da postagem e informações técnicas. Andrade Filho também deverá apresentar defesa, e o Ministério Público Eleitoral será chamado a se manifestar antes da continuidade do julgamento.

Edvaldo Magalhães critica retirada de 10% da tabela salarial da Educação e cobra correção

O deputado estadual Edvaldo Magalhães criticou a retirada de 10% da tabela salarial dos servidores da Educação e responsabilizou o governo de Gladson Cameli e sua base na Assembleia pela decisão. Em manifestação divulgada nesta sexta-feira (4), o parlamentar afirmou que a medida atingiu uma conquista histórica da categoria e defendeu que havia recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para preservar o benefício.

Magalhães classificou a decisão como uma “covardia” contra professoras, professores e demais servidores da Educação. O deputado afirmou que, durante a discussão da mudança, apresentou argumentos de que os recursos do Fundeb permitiriam manter o direito.

“Resolveram tirar um direito das professoras, dos professores e dos servidores da educação”, afirmou. O parlamentar acrescentou que a manutenção da conquista foi defendida durante o debate na Assembleia e que a medida não representava uma vantagem criada recentemente.

Edvaldo lembrou que o direito havia sido conquistado há cerca de 30 anos, após uma mobilização que, segundo ele, incluiu 70 dias de greve. Para o deputado, a alteração na tabela salarial provocou perdas acumuladas aos profissionais da rede estadual de ensino.

Nas redes sociais, Magalhães voltou a cobrar a revisão da medida. “A injustiça feita com a tabela da Educação já soma perdas incalculáveis”, escreveu. Ele também afirmou que continuará defendendo os trabalhadores da categoria no Legislativo estadual.

O deputado sustenta que a retirada dos 10% poderia ter sido evitada com recursos disponíveis no Fundeb e cobra uma correção da decisão. “Essa covardia precisa ser corrigida”, afirmou.

Justiça nega pedido de Mailza para suspender programa de Alan Rick sobre contratos de R$ 51 milhões

A Justiça Eleitoral negou o pedido da candidata à reeleição ao governo do Acre, Mailza Assis, para suspender a reapresentação de um programa eleitoral de Alan Rick que aborda contratos de mais de R$ 51 milhões investigados na área da Educação. A desembargadora Denise Bonfim rejeitou a liminar e manteve, neste momento, a possibilidade de veiculação da peça e de recortes com o mesmo conteúdo.

A disputa chegou à Justiça depois que a campanha de Mailza questionou a forma como o programa tratou as suspeitas investigadas pela Polícia Federal. A alegação é de que a propaganda teria apresentado o desvio de recursos como um fato já comprovado, apesar de a investigação ainda estar em andamento.

Ao analisar o pedido de urgência, Denise Bonfim considerou que a propaganda tem como base uma investigação policial existente, que resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão. A magistrada afirmou que, nesta fase do processo, não é possível “concluir de plano pela fabricação de fato inexistente”.

A investigação mencionada no programa é a Operação Talha Real, deflagrada pela Polícia Federal em 16 de julho para apurar possíveis irregularidades na aplicação de recursos federais destinados à Educação do Acre por meio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o Fundeb.

A operação cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. A Justiça também determinou o bloqueio de bens móveis, imóveis e valores dos investigados, além da suspensão temporária das atividades de seis empresas. Os contratos investigados ultrapassam R$ 51 milhões.

As apurações envolvem suspeitas de peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo de licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O valor de R$ 51 milhões corresponde ao total dos contratos sob investigação e não a um montante de desvio já comprovado.

Na decisão eleitoral, Denise Bonfim considerou que a discussão sobre eventual extrapolação dos limites da propaganda deverá ser aprofundada no julgamento do mérito. A desembargadora avaliou ainda que a linguagem utilizada pode estar dentro da “margem de síntese e ênfase generalizadamente tolerada” no debate político-eleitoral.

Outro ponto considerado foi o fato de a peça não citar Mailza nominalmente ao abordar o episódio. A crítica é direcionada ao “atual governo do Acre”, circunstância que, para a magistrada, amplia o espaço de tolerância reservado a manifestações sobre a administração pública durante uma campanha eleitoral.

A decisão também reforçou o entendimento de que a interferência da Justiça Eleitoral sobre manifestações políticas deve ocorrer de forma restrita, de maneira a preservar a liberdade de expressão e o debate entre candidatos.

A negativa da liminar não representa julgamento definitivo sobre a regularidade do conteúdo. O processo ainda terá o mérito analisado pela Justiça Eleitoral. Até nova decisão, porém, o programa questionado pela campanha de Mailza não está suspenso.

Rômulo Grandidier entra no núcleo de Mailza e áudios sobre acesso a prédio do governo abrem nova frente na Ptolomeu

Um controle remoto de portão colocou o contador e ex-secretário da Fazenda Rômulo Grandidier no centro de uma nova controvérsia política no Acre. Integrante da campanha da governadora Mailza Assis ao Palácio Rio Branco, Grandidier confirmou que atua na coordenação eleitoral e passou a ser questionado nesta sexta-feira, 4 de setembro, depois da divulgação de áudios que tratam da liberação de acesso a um imóvel utilizado pela Casa Civil, no bairro Jardim de Alah, em Rio Branco. O episódio ganha peso porque ele figura nas investigações derivadas da Operação Ptolomeu e já esteve submetido a medidas cautelares impostas durante a apuração conduzida no Superior Tribunal de Justiça. O que ainda precisa ser demonstrado, para que se possa falar em descumprimento de ordem judicial, é se a restrição específica de acesso a repartições públicas permanece vigente contra ele em setembro de 2026.

A presença de Grandidier na campanha de Mailza não começou agora. No início de julho, seu nome já circulava como reforço para a equipe responsável por organizar a disputa pelo governo. Semanas depois, em 23 de julho, ele participou de uma reunião com lideranças comunitárias de Rio Branco ao lado de integrantes da coordenação política da candidatura, num momento em que o grupo governista ampliava sua mobilização nos bairros da capital. A entrada, portanto, deixou de ser um movimento de bastidor para ganhar exposição pública.

Essa trajetória chama atenção porque, dois meses antes, quando Mailza apresentou a primeira estrutura de sua campanha, em maio, Grandidier não aparecia entre os nomes anunciados para as principais funções. Naquele desenho, Aberson Carvalho e Madson Cameli eram referências da coordenação geral; Jonathan Donadoni aparecia na área financeira; Ítalo Medeiros, na logística; e Mayara Lima integrava a coordenação jurídica. A presença posterior do ex-secretário mostra que a engrenagem política foi sendo reorganizada conforme a eleição avançou.

Grandidier conhece essa engrenagem por dentro. Antes de chegar à Secretaria da Fazenda, passou pela Casa Civil e construiu relação política próxima ao grupo de Gladson Cameli. Sua participação no governo também aparece no material reunido nas investigações da Ptolomeu. Em decisão tornada pública em 2026, seu nome surge entre os denunciados pelo Ministério Público Federal em apuração relacionada ao contrato nº 67/2021, firmado pelo Deracre com consórcio liderado pela Construtora Colorado para serviços na rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul. A acusação atribuída a ele envolve, em tese, peculato e organização criminosa. Isso não representa condenação, e as responsabilidades individuais precisam ser julgadas dentro do devido processo legal.

A Operação Ptolomeu alcançou o primeiro escalão do governo acreano em março de 2023. Naquele momento, Grandidier ocupava a Fazenda. Há uma diferença importante entre o que ocorreu com ele e o afastamento judicial de outros gestores. Registros publicados à época mostram que Cirleudo Alencar, Petrônio Antunes, Ricardo França e Carlos Augusto Negreiros foram afastados por decisão judicial, enquanto Grandidier foi substituído no comando da Sefaz por decisão do próprio governo, embora também fosse alvo da investigação. José Amarísio Freitas de Souza assumiu a secretaria interinamente. Em junho daquele ano, Grandidier acabou definitivamente fora do primeiro escalão.

Essa diferença torna imprecisa a versão de que ele teria sido simplesmente “afastado do cargo pelo STJ”. O próprio Grandidier usa esse ponto em sua defesa. Ao ser questionado sobre uma possível violação de cautelares, respondeu que não houve quebra de ordem judicial e afirmou ter sido o único secretário que não foi afastado pela Operação Ptolomeu. A primeira parte da afirmação depende da leitura atualizada das cautelares que recaem sobre ele; a segunda encontra respaldo nos registros de março de 2023, que diferenciaram a substituição de Grandidier dos afastamentos determinados diretamente pela Justiça.

O problema que surge agora está em outro endereço. Áudios divulgados nesta sexta-feira tratam de um imóvel no Jardim de Alah utilizado pela Casa Civil. Em uma das gravações atribuídas a Letícia Campos, assessora lotada no Gabinete da Governadora, aparece a orientação para providenciar um controle do portão para Grandidier e alterar a configuração de acesso ao local. Letícia foi nomeada para cargo em comissão no Gabinete da Governadora em abril deste ano.

A gravação não prova, sozinha, que Grandidier entrou no imóvel, quantas vezes teria ido ao local ou que tenha exercido qualquer função pública ali. Também não comprova, isoladamente, crime ou descumprimento de decisão judicial. Ela cria, porém, uma pergunta objetiva: por que um coordenador de campanha teria acesso individualizado a um imóvel custeado e utilizado pela estrutura administrativa do Estado?

É essa pergunta que aproxima o caso do terreno eleitoral. Mailza assumiu o governo em 2 de abril, depois que Gladson Cameli deixou o cargo para disputar o Senado. Desde então, passou a acumular duas condições que exigem separação rigorosa: chefe do Poder Executivo e candidata à permanência no Palácio Rio Branco. A legislação permite que uma governadora dispute a reeleição no exercício do cargo, mas recursos, servidores e imóveis públicos não podem ser convertidos em estrutura de campanha. A discussão provocada pelos áudios, portanto, ultrapassa a situação judicial de Grandidier e alcança a própria delimitação entre governo e eleição.

Madson Cameli, marido de Mailza e chefe do Gabinete da Governadora, confirmou que Grandidier participa da campanha. Ao falar sobre o aliado, classificou-o como um dos maiores colaboradores políticos do grupo e atribuiu a ele experiência em campanhas e capacidade de articulação. Quando as perguntas avançaram para a eventual presença do ex-secretário no imóvel da Casa Civil e para o controle do portão, não houve resposta adicional publicada.

A confirmação de Madson elimina qualquer dúvida sobre a participação política de Grandidier. Ele não é apenas um apoiador distante. Está inserido na organização da campanha, aparece em reuniões, participa do contato com lideranças e reconhece a condição de coordenador. O que continua em aberto é onde termina essa atuação partidária e onde começa a estrutura administrativa do governo.

Há ainda outro cuidado necessário. Chamar Grandidier de “indiciado pelo STJ” mistura etapas distintas do processo penal. O STJ não realiza indiciamento policial. Nos autos que chegaram ao tribunal, ele aparece nas investigações e em denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal relacionada a fatos apurados na Ptolomeu. A distinção parece técnica, mas é essencial em uma investigação que envolve acusações graves, diferentes inquéritos, desmembramentos processuais e pessoas em situações jurídicas distintas.

As cautelares também precisam ser tratadas com a mesma precisão. Documentos judiciais registram que medidas pessoais e patrimoniais foram aplicadas contra investigados da Ptolomeu e que, em junho de 2024, restrições relacionadas aos inquéritos derivados do caso foram prorrogadas por 180 dias. Já o julgamento de maio de 2026 localizado nos registros públicos menciona expressamente a prorrogação por um ano das cautelares contra Gladson Cameli. Esse trecho não permite afirmar automaticamente que uma proibição dirigida a Grandidier em 2023 continua válida hoje nas mesmas condições.

Isso muda a maneira de contar o episódio. Há elementos suficientes para questionar a presença de um coordenador da campanha em uma estrutura vinculada ao Estado. Há material suficiente para mostrar que Grandidier permanece ligado aos desdobramentos judiciais da Operação Ptolomeu. Há uma gravação que trata da entrega de um controle de acesso. Há a confirmação de que ele trabalha politicamente para Mailza. O que não está comprovado, até aqui, é que tenha descumprido uma cautelar ainda vigente em setembro de 2026.

A apuração agora depende de documentos que podem retirar o caso do terreno das versões. O primeiro é a íntegra da decisão judicial atualmente válida para Grandidier, com suas restrições e prazo. O segundo é o contrato e a finalidade administrativa do imóvel no Jardim de Alah. O terceiro é a informação oficial sobre quem utiliza o espaço, quem custeia suas despesas e quais atividades são realizadas ali. Se o local serve exclusivamente ao funcionamento do governo, o acesso de dirigentes de campanha exige explicação. Se existe utilização partidária ou eleitoral, a origem dos recursos e a separação entre as duas estruturas tornam-se pontos centrais.

Rômulo Grandidier chegou à campanha de Mailza carregando aquilo que o grupo governista buscava nele: experiência, conhecimento da máquina política e trânsito entre lideranças. Dois meses depois, são justamente essas três características que ampliam o tamanho do problema. O homem chamado para ajudar a organizar a campanha tornou-se personagem de uma discussão que toca a fronteira mais delicada de uma eleição disputada por quem já ocupa o poder: saber onde termina o Estado e onde começa o projeto eleitoral.

No Juruá, Velloso acompanha Bocalom e Adonis em agendas com comerciantes e lideranças

Assessoria

O candidato ao Senado, Dr. Eduardo Velloso, cumpre nesta sexta-feira (4) uma série de agendas no Vale do Juruá ao lado do candidato ao Governo do Acre, Tião Bocalom, e do candidato a vice-governador, Sargento Adonis. A programação inclui visitas ao comércio e encontros com lideranças políticas e comunitárias em Mâncio Lima.

Velloso chegou a Cruzeiro do Sul ainda na quinta-feira (3), após viajar de carro para o Juruá. Na manhã desta sexta, antes do início das agendas, foi ao Aeroporto de Cruzeiro do Sul para receber Bocalom e Adonis, que retornavam de compromissos de campanha em Marechal Thaumaturgo.

De Cruzeiro do Sul, os três seguiram para Mâncio Lima. A primeira atividade da programação foi uma visita ao comércio do município, com conversa direta com comerciantes, trabalhadores e moradores. Ao meio-dia e meia, a agenda segue com almoço com lideranças políticas.

No período da tarde, às 14h30, Velloso, Bocalom e Adonis participam de reuniões com lideranças comunitárias. A passagem pela região demonstra o compromisso da chapa com os municípios do Juruá, e tem o propósito de ouvir as demandas locais e apresentar propostas para áreas como saúde, produção, geração de emprego e infraestrutura.

“Eu conheço bem o Juruá e sei o quanto a distância pesa na vida de quem precisa de saúde, de quem produz e de quem trabalha. Quero chegar ao Senado para ajudar a trazer mais estrutura e mais recursos para essa região, fazendo o investimento chegar mais perto das pessoas”, disse o candidato ao Senado.

Velloso tem dedicado atenção especial ao Juruá durante a campanha e defende ampliar a estrutura de saúde fora da capital, com mais atendimento especializado e capacidade cirúrgica nos municípios e regionais. O candidato também tem apresentado propostas voltadas à produção rural e à melhoria das condições para quem empreende e gera empregos no interior.

Acre cai para 26º lugar em eficiência da máquina pública no Ranking de Competitividade 2026

O Acre aparece na 26ª posição nacional no pilar de Eficiência da Máquina Pública do Ranking de Competitividade dos Estados 2026. O levantamento avalia as 27 unidades da Federação e coloca o estado entre os últimos do país nesse recorte, que mede aspectos relacionados à capacidade administrativa, ao controle de gastos e à gestão do setor público.

O resultado representa uma piora em relação à edição de 2025. No levantamento anterior, o Acre ocupava a 22ª colocação nacional em Eficiência da Máquina Pública e era o quarto colocado entre os sete estados da Região Norte. Com a nova posição, o estado perdeu quatro colocações.

O pilar tem peso de 10% na composição do Ranking de Competitividade e reúne indicadores relacionados aos custos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, eficiência e produtividade do Judiciário, qualidade das informações contábeis e fiscais, transparência, oferta de serviços públicos digitais, relação salarial entre os setores público e privado e critérios ligados à gestão de pessoal.

A posição na eficiência administrativa acompanha o desempenho do Acre na classificação geral do Ranking de Competitividade dos Estados. Na edição de 2026, o estado ocupa o 26º lugar entre as 27 unidades da Federação, com 24,73 pontos, à frente apenas do Amapá. Santa Catarina assumiu a liderança nacional, seguida por São Paulo e Paraná.

O levantamento utiliza 100 indicadores distribuídos em dez pilares: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação.

Apesar da permanência entre os últimos colocados no resultado geral, o Acre avançou em algumas áreas em 2026. O maior crescimento ocorreu em Inovação, com salto da 22ª para a 16ª posição. O estado também passou do 23º para o 21º lugar em Solidez Fiscal e ganhou uma posição nos pilares de Sustentabilidade Ambiental, Educação e Infraestrutura.