PF faz 28 buscas e apreende R$ 1 milhão; apuração cita Gladson e nomes ligados ao governo do Acre entre alvos

Ptolomeu IV investiga contratos da sede do Imac, enquanto Operação Umbra apura estrutura criada para antecipar ações da Polícia Federal; nomes dos investigados não foram divulgados oficialmente

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 22, duas operações simultâneas que atingiram o Acre e outros estados, com 28 mandados de busca e apreensão, apreensão estimada em R$ 1 milhão em dinheiro e três prisões em flagrante por posse ilegal de armas. Uma das diligências ocorreu na residência do ex-governador Gladson Cameli (PP), em Rio Branco.

As ações foram divididas entre as operações Ptolomeu IV e Umbra. Os mandados, autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), foram cumpridos em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, além de Maringá, no Paraná, e Navegantes, em Santa Catarina. O STJ também determinou sequestro de bens e valores e outras medidas cautelares contra investigados.

A Polícia Federal não divulgou oficialmente a relação completa dos alvos. Apuração divulgada pelo jornalista Leonildo Rosas, porém, aponta nomes ligados direta ou indiretamente ao grupo do ex-governador e à estrutura administrativa do Estado nos últimos anos. Na relação apresentada por Rosas aparecem, além de Gladson, Jonathan Xavier Donadoni, Laura Jordão de Carvalho, Taiane Belarmino dos Santos, Lidiane Rodrigues dos Santos, Jairly Nascimento Maia, João Victor Casas Lopes, Tamires de Almeida Costa e Garisson Plínio Sarah Messias, entre outros. Rosas também cita a ex-primeira-dama Ana Paula Cameli.

A lista é resultado da apuração do jornalista e, até o momento, não foi confirmada nominalmente pela Polícia Federal. Também não está esclarecido publicamente a qual das duas operações cada pessoa citada estaria relacionada.

Um levantamento feito pelo Integração Net em registros públicos mostra, no entanto, que pelo menos oito dos nomes citados por Rosas, além de Gladson, ocuparam cargos no Executivo estadual nos últimos anos.

Jonathan Xavier Donadoni é um dos casos de maior proximidade com o núcleo político do governo. Ele assumiu a chefia da Casa Civil em abril de 2022, após já atuar como diretor da pasta desde julho de 2021, e permaneceu como secretário-chefe até 2026. Documento oficial de março deste ano ainda traz Donadoni assinando como titular da Casa Civil.

Laura Jordão de Carvalho também passou pela Casa Civil. Ela já aparecia como diretora da pasta e posteriormente foi nomeada diretora de Eventos Oficiais. Em 2022, participou de agendas oficiais identificada como diretora da Casa Civil.

Lidiane Rodrigues Antrobos dos Santos — nome que corresponde à “Lidiane Rodrigues dos Santos” citada na gravação — foi nomeada em janeiro de 2023 diretora de Administração e Finanças da Casa Civil. Ela permanecia na função em setembro deste ano, segundo atos publicados no Diário Oficial.

Taiane Belarmino dos Santos foi secretária-adjunta executiva da Secretaria de Estado de Saúde. Documentos de 2022 e 2023 mostram Taiane assinando atos administrativos na Sesacre. Neste ano, ela disputa uma vaga de deputada estadual pelo PDT.

Garisson Plínio Sarah Messias foi nomeado chefe de departamento da Sesacre em maio de 2021. Posteriormente, ocupou funções na Casa Civil e foi nomeado diretor técnico-administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Acre (Fapac). O nome de Garisson já havia aparecido entre os atingidos pela terceira fase da Operação Ptolomeu, em 2023.

Tamires de Almeida Costa e João Victor Casas Lopes também passaram pela administração estadual. Ambos foram nomeados para cargos comissionados na Secretaria de Obras Públicas em 2023. Tamires aparece posteriormente em função na Casa Civil, enquanto João Victor voltou a ocupar cargo CAS-8 em 2025 e foi exonerado em agosto deste ano.

Jairly Nascimento Maia, outro nome citado na apuração, aparece em documentos da Sesacre desde pelo menos 2022 e, em 2024, foi designada para função na Casa Civil. Também integrou comissão da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia.

Ptolomeu IV mira obra do Imac

A Operação Ptolomeu IV concentra uma de suas frentes nos contratos para construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).

Segundo as informações divulgadas pela Polícia Federal, auditoria da Controladoria-Geral da União identificou aproximadamente R$ 1,2 milhão em possível superfaturamento por inexecução parcial na primeira etapa da obra. São serviços que teriam sido medidos e pagos, mas não executados integralmente.

A investigação também encontrou indícios de que recursos provenientes dos contratos públicos teriam sido usados para custear despesas particulares e vantagens indevidas a agentes públicos. Saques elevados em espécie e outras movimentações financeiras consideradas atípicas também passaram a ser investigados.

Uma segunda empresa, contratada posteriormente para concluir a sede do Imac, também entrou na apuração. A PF investiga possíveis vínculos entre pessoas ligadas às duas contratadas e empresas que já haviam aparecido em fases anteriores da Ptolomeu.

Leonildo Rosas afirma, em sua apuração, que a investigação da obra e de seus pagamentos já aparecia em documentos das fases anteriores da operação e relaciona essa frente às novas diligências realizadas nesta terça-feira.

Umbra investiga vazamento de operações

A segunda ação, batizada de Operação Umbra, tem objeto diferente. A Polícia Federal investiga a existência de um núcleo de contrainteligência que teria sido criado para acompanhar a própria corporação e antecipar operações relacionadas aos investigados da Ptolomeu.

Segundo a PF, a estrutura buscaria informações sobre deslocamentos de equipes, movimentação de viaturas e outras ações policiais. A finalidade seria avisar investigados com antecedência e permitir providências capazes de reduzir a eficácia de buscas, apreensões e outras medidas judiciais.

A investigação também apura a possível participação de um ex-servidor terceirizado e de um agente da própria Polícia Federal no repasse indevido dessas informações.

Durante as diligências das duas operações, a PF apreendeu grande quantidade de dinheiro em espécie. A estimativa inicial é de aproximadamente R$ 1 milhão, valor que ainda estava sendo contabilizado. Três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de armas.

Gladson teve celular e veículos apreendidos

Na residência de Gladson Cameli, no condomínio Recanto Verde, em Rio Branco, policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão pela manhã. Segundo informações divulgadas após a diligência, foram apreendidos o celular do ex-governador e três veículos.

A defesa de Gladson classificou as medidas como “abusivas” e afirmou considerar a ação uma perseguição às vésperas da eleição. Também alegou que a diligência desrespeitaria decisão do Supremo Tribunal Federal relacionada à adoção de medidas cautelares contra candidatos no período eleitoral. A aplicação desse entendimento ao caso concreto ainda depende de análise judicial.

Os advogados disseram ainda que o ex-governador está à disposição da Justiça e sustentam sua inocência.

As investigações da Ptolomeu IV e da Umbra continuam. A PF informou que os investigados poderão responder, de acordo com a participação individual apurada, por crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de organização criminosa.

PF faz nova operação na casa de Gladson Cameli e apreende carros de luxo no Acre

A Polícia Federal cumpriu mandados na manhã desta terça-feira (22) em endereços ligados ao ex-governador do Acre Gladson Cameli, em Rio Branco, incluindo a residência do político. Durante as diligências, agentes apreenderam carros de luxo vinculados a Cameli e fizeram buscas em imóveis de pessoas próximas a ele. A nova ação ocorre meses depois de outra busca realizada pela PF na casa do ex-governador e pouco mais de quatro meses após a condenação de Gladson a 25 anos e nove meses de prisão pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Até as primeiras horas da manhã, não havia divulgação oficial com o nome da operação, o número total de mandados cumpridos ou todos os investigados alcançados pelas medidas desta terça-feira. A presença da PF novamente em endereços ligados ao ex-governador, porém, acrescenta um novo capítulo ao histórico de investigações que envolve Cameli desde a deflagração da Operação Ptolomeu, em dezembro de 2021.

Os carros recolhidos nesta terça também carregam um histórico ligado à Ptolomeu. Os veículos já haviam sido apreendidos no curso da investigação, foram posteriormente levados a leilão judicial e acabaram recomprados, retornando à posse de pessoas ligadas ao ex-governador. A nova apreensão faz com que bens alcançados anteriormente por medidas judiciais voltem a ficar sob custódia das autoridades.

Veículos de alto valor aparecem há anos entre os bens analisados nas investigações envolvendo Cameli. Em 2023, documentos do caso registraram pedidos de alienação antecipada de automóveis apreendidos, entre eles uma Land Rover Discovery, uma BMW X6, um Volkswagen Jetta, uma Amarok e um Chevrolet Cruze, além da aeronave Beech Aircraft de prefixo PT-WGK. A justificativa para a venda antecipada era evitar a desvalorização e os custos de manutenção enquanto o processo seguia em andamento.

Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026, Gladson informou patrimônio de R$ 5,99 milhões. Entre os veículos declarados estão uma BMW X6 avaliada em R$ 920 mil e uma Land Rover Discovery, ano 2019/2020, no valor de R$ 449 mil. A relação também inclui uma motocicleta Honda CBR 650R, um Fusca de 1977 e a aeronave Beech Aircraft BE58, declarada por R$ 1,5 milhão.

A Operação Ptolomeu começou em dezembro de 2021 e avançou nos anos seguintes sobre contratos públicos, movimentações financeiras, imóveis, veículos e outros bens ligados aos investigados. Em março de 2023, a terceira fase mobilizou mais de 300 policiais federais para o cumprimento de 89 mandados de busca e apreensão em diferentes estados e no Distrito Federal. Na ocasião, também foram determinadas medidas patrimoniais e cautelares contra Cameli, incluindo restrições de contato com investigados e a entrega do passaporte.

O caso chegou a julgamento neste ano. Em 6 de maio, a Corte Especial do STJ condenou Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, por peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A decisão também estabeleceu 600 dias-multa e indenização de R$ 11,78 milhões ao Estado do Acre. A defesa apresentou recursos e contesta pontos da investigação e da condenação.

A ação desta terça-feira não é a primeira vez que a Polícia Federal vai à residência de Cameli em 2026. Em 5 de fevereiro, quando ele ainda ocupava o governo do Acre, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no imóvel localizado no Condomínio Recanto Verde, em Rio Branco. Aquela investigação era independente da Ptolomeu e tratava de suspeitas relacionadas ao processo de avaliação para obtenção de registro de piloto em uma escola de aviação onde Gladson havia sido aluno. Celulares, um computador e dinheiro em espécie foram recolhidos durante a diligência.

As investigações da Ptolomeu também produziram outros desdobramentos. No mesmo período em que foi condenado na ação principal, Gladson tornou-se réu em outro processo no STJ relacionado ao chamado Caso Colorado, que apura suspeitas de fraude em licitação e desvio de recursos nas obras da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul.

A nova operação ocorre ainda em um momento decisivo para o futuro eleitoral do ex-governador. O Tribunal Regional Eleitoral do Acre indeferiu por unanimidade, em 11 de setembro, o registro da candidatura de Gladson ao Senado com base nos efeitos da condenação criminal previstos na Lei da Ficha Limpa. Ele permanece sub judice enquanto recorre. Para esta terça-feira, o TRE-AC incluiu na pauta o julgamento de embargos apresentados pela defesa no processo eleitoral, sem relação estabelecida com a operação policial realizada pela manhã.

PF faz operação no Acre nesta quinta; apuração aponta Aberson Carvalho e Jonathan Donadoni entre alvos

A Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou na manhã desta quinta-feira, 17 de setembro, a Operação Death Note para investigar suspeitas de desvio de recursos federais destinados à Educação do Acre. Ao todo, são cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em seis cidades. Apuração do jornalista Leonildo Rosas aponta o ex-secretário de Estado de Educação Aberson Carvalho e o ex-secretário-chefe da Casa Civil Jonathan Xavier Donadoni entre os principais alvos da ação.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região e são cumpridas em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre; Manaus, no Amazonas; e São Paulo, Barueri e Ribeirão Preto, no estado de São Paulo. A Justiça também determinou o sequestro de bens de investigados que teriam sido adquiridos com recursos desviados.

A investigação apura a aplicação de recursos públicos federais repassados à Secretaria de Estado de Educação por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). As suspeitas envolvem possível direcionamento de licitações, desvio de verbas públicas, pagamento de vantagens indevidas e movimentações financeiras usadas para ocultar a origem e os destinatários finais do dinheiro.

As investigações apontam possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros. De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, os indícios apurados até agora envolvem prejuízo superior a R$ 30 milhões aos cofres públicos.

Os crimes investigados incluem fraude em licitação, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A apuração segue em andamento e poderá alcançar outros delitos conforme a análise do material apreendido durante o cumprimento dos mandados.

O nome de Aberson Carvalho já havia aparecido em outra investigação da Polícia Federal envolvendo recursos destinados à Educação do Acre neste ano. Em 16 de julho, o ex-secretário foi alvo da Operação Talha Real, que investigava suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos federais repassados pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Na Operação Talha Real, a PF cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. Os contratos investigados ultrapassavam R$ 51 milhões. A Justiça também determinou o bloqueio de bens móveis, imóveis e valores dos envolvidos, além da suspensão temporária das atividades de seis empresas.

Na ocasião, as investigações abrangiam possíveis crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo de licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Um dos investigados foi preso em flagrante durante as diligências por posse ilegal de munições de uso permitido.

Após a operação de julho, a defesa de Aberson Carvalho informou que o ex-secretário colaborou com o cumprimento das buscas e afirmou que o procedimento estava em fase de investigação. A defesa também declarou, naquele momento, que não havia denúncia, ação penal ou decisão judicial de mérito contra o ex-gestor.

Jonathan Xavier Donadoni, também citado na apuração de Leonildo Rosas sobre a operação desta quinta-feira, comandou a Casa Civil do Acre durante a gestão de Gladson Cameli e permaneceu no cargo até junho deste ano. A extensão da participação atribuída a cada investigado na Operação Death Note deverá ser esclarecida com o avanço das investigações e a divulgação de novos detalhes pelas autoridades responsáveis pelo caso.

PF investiga fraude no Seguro-Defeso e cumpre mandados em Rio Branco e Cruzeiro do Sul

A Polícia Federal cumpriu seis mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (7) em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, durante uma investigação sobre possíveis fraudes na concessão do Seguro-Defeso. A Operação Maré de Apate apura a emissão e o uso irregular de registros de pescador artesanal por pessoas que supostamente não exerciam atividade pesqueira e teriam obtido o benefício de forma indevida.

A apuração envolve Registros Gerais da Atividade Pesqueira (RGP) que teriam sido emitidos para permitir o acesso ao Seguro-Defeso. Os investigadores também trabalham com a suspeita de participação de agentes públicos e particulares na emissão, distribuição e intermediação das carteiras.

Outra frente da investigação tenta esclarecer se estruturas administrativas foram utilizadas para entregar os documentos aos beneficiários. As buscas tiveram como objetivo recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam ajudar a reconstruir o funcionamento do esquema e identificar todos os envolvidos.

Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal do Acre. O material apreendido será analisado para determinar a participação de cada investigado e calcular possíveis prejuízos causados aos cofres públicos.

Os investigados poderão responder por estelionato previdenciário, associação criminosa, falsidade ideológica e corrupção eleitoral. Outros crimes também poderão ser apurados conforme o avanço das investigações.

O Seguro-Defeso é destinado a pescadores artesanais durante períodos em que a pesca fica temporariamente proibida. A investigação busca esclarecer se registros profissionais foram usados de maneira irregular para liberar pagamentos a pessoas que não cumpriam os requisitos para receber o benefício.

Bocalom propõe reconhecimento facial nos 22 municípios e parceria com a PF contra facções no Acre

O pré-candidato ao governo do Acre Tião Bocalom (PSDB) defendeu a ampliação do reconhecimento facial, a integração com a Polícia Federal e o reaparelhamento das forças de segurança durante sabatina ao ContilNet Notícias. A proposta busca conter o avanço das facções criminosas e do narcotráfico em um estado que faz fronteira com Peru e Bolívia.

Bocalom afirmou que o combate ao crime organizado precisa combinar monitoramento tecnológico, inteligência policial e ações integradas entre órgãos estaduais e federais. Para ele, a localização geográfica do Acre facilita a entrada de drogas e exige medidas que vão além do policiamento tradicional.

“Aqui o problema é que está na divisa com o Peru e com a Bolívia, então é muita droga que passa. Não fica tão difícil quando a gente começa a usar a inteligência e câmeras de reconhecimento facial para ajudar”, afirmou.

O pré-candidato citou o sistema instalado durante sua gestão na Prefeitura de Rio Branco como modelo para uma eventual administração estadual. Segundo Bocalom, mais de 400 câmeras foram implantadas na região central da capital, com capacidade para auxiliar na identificação de suspeitos e no acompanhamento de ocorrências.

“Rio Branco foi o primeiro município do Brasil a assinar um termo de parceria com a Polícia Federal para fazer segurança pública. Queremos continuar com esse trabalho no estado inteiro, em todos os municípios, com câmeras de reconhecimento facial para inibir o crime”, disse.

Bocalom também defendeu investimentos na estrutura das polícias Militar e Civil, com equipamentos, capacitação e insumos para treinamentos regulares. Ele criticou a falta de munição para exercícios de preparação dos agentes e afirmou que o problema compromete a atuação das corporações.

“Nós precisamos dar as condições para que a Polícia Militar possa trabalhar tranquila, que não deixe faltar, por exemplo, munição. Policial militar me reclamou que passa mais de ano sem treinar porque não tem munição para fazer o treinamento. Isso não pode acontecer. A gente precisa da nossa polícia toda treinada e preparada para enfrentar o problema”, afirmou.

Com informações da Contilnet

Roberto Duarte cobra entrada da PF e põe sob suspeita investigação da Polícia Civil no caso Chico Melo

O deputado federal Roberto Duarte (Republicanos-AC) pediu à Superintendência da Polícia Federal no Acre que entre na investigação do ataque ao jornalista Chico Melo, em Cruzeiro do Sul. Para o parlamentar, a Polícia Civil não reúne condições para conduzir o inquérito com exclusividade porque a própria corporação aparece nos relatos de intimidação feitos pelos jornalistas antes da agressão. O pedido foi protocolado por meio do Ofício nº 0040/2026.

A questão central levantada por Duarte não está apenas na violência sofrida por Chico Melo, mas no ambiente político que antecedeu o ataque. Em 17 de julho, cinco dias antes da invasão à casa do jornalista, Chico e Rogério Wenceslau relataram publicamente, no programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração, ameaças de prisão atribuídas a integrantes do alto escalão do Governo do Acre.

As ameaças teriam surgido depois que os dois jornalistas divulgaram suspeitas de desvios na aplicação de recursos públicos destinados à Expoacre. O caso provocou notas de repúdio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre e da Federação Nacional dos Jornalistas.

Roberto Duarte também levou à Polícia Federal o relato de que Madson Cameli, esposo da governadora Mailza Cameli, teria feito ameaças aos jornalistas e mencionado influência junto ao comando da Polícia Civil. A acusação depende de investigação e prova, mas, para o deputado, impede que a corporação estadual permaneça como única responsável pelo caso.

“A mesma instituição apontada como instrumento da intimidação é a que hoje conduz, com exclusividade, o inquérito instaurado para apurar o ataque”, afirmou Duarte no documento encaminhado à Polícia Federal.

O parlamentar sustenta que o problema ultrapassa a capacidade técnica dos delegados, agentes e peritos. A crise está na falta de distância institucional. A Polícia Civil é subordinada ao governo estadual, enquanto pessoas ligadas ao núcleo político do governo aparecem nos relatos apresentados pelos jornalistas.

Nesse cenário, Duarte considera que a investigação exclusiva da Polícia Civil nasce comprometida por suspeitas de interferência, limitação das apurações e eventual abafamento de linhas que possam alcançar integrantes do poder estadual. “A condução da apuração exclusivamente pela Polícia Civil do Acre compromete a isenção, a credibilidade e a eficácia da investigação”, escreveu.

O deputado também chama atenção para o fato de que a abertura do inquérito foi comunicada em nota oficial do próprio Governo do Estado. Para ele, a circunstância aumenta a necessidade de uma força externa, com autonomia administrativa e política, capaz de investigar tanto os executores do ataque quanto possíveis mandantes e interesses envolvidos.

A entrada da Polícia Federal, na avaliação de Duarte, permitiria separar a investigação da estrutura citada pelos jornalistas e afastaria a suspeita de que o caso possa ser controlado dentro do aparato estadual. Sem essa medida, qualquer resultado produzido pela Polícia Civil continuará sob questionamento público.

O parlamentar relaciona ainda o episódio ao processo eleitoral de 2026. Jornalistas ameaçados após fiscalizarem gastos públicos, em plena disputa política, não representam apenas um caso de violência individual. O ataque atinge o direito da população acreana de conhecer denúncias sobre dinheiro público e acompanha uma tentativa de impor medo a profissionais responsáveis pela fiscalização do governo.

Duarte argumenta que a Polícia Federal também possui atribuições de polícia judiciária eleitoral. Para ele, uma possível perseguição contra jornalistas durante o período eleitoral pode afetar a liberdade de informação e a normalidade do debate político no Acre.

O pedido não atribui culpa definitiva a qualquer pessoa. A cobrança do deputado é por uma investigação fora da estrutura estadual citada nas denúncias. O ponto levantado por Roberto Duarte é direto: uma instituição mencionada em relatos de intimidação não pode investigar sozinha um crime cometido contra quem fez as acusações.

PF deflagra operação contra desvio de recursos públicos na educação do Acre

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (16) a Operação Talha Real para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à educação no Acre. A ação cumpriu 21 mandados de busca e apreensão nos municípios de Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. As investigações apontam suspeitas de irregularidades na aplicação de mais de R$ 51 milhões em recursos federais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possíveis fraudes em contratos firmados com recursos federais destinados à área da educação, além de indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e direcionamento de licitações.

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está Aberson Carvalho, ex-secretário de Estado de Educação do Acre. Após deixar o comando da pasta, ele passou a atuar na articulação política e é apontado nos bastidores como um dos nomes cotados para coordenar a campanha da vice-governadora Mailza Assis ao Governo do Acre nas eleições deste ano. A Polícia Federal não detalhou a conduta atribuída individualmente aos investigados, e o cumprimento do mandado de busca não representa condenação.

Durante a operação, um dos investigados foi preso em flagrante por posse ilegal de munições de uso permitido e encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Acre. A corporação não informou se a prisão tem relação com algum dos principais investigados da operação.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens móveis, imóveis e valores dos investigados, além da suspensão das atividades de seis empresas. As medidas buscam impedir a dissipação do patrimônio e assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam confirmadas ao longo da investigação.

Os envolvidos poderão responder por peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As investigações continuam para identificar a participação de cada um dos alvos e o destino dos recursos públicos sob suspeita.

Defesa Civil aciona Polícia Federal após alerta falso com mensagem “misantropia”

A Defesa Civil Nacional acionou a Polícia Federal neste sábado, 20 de junho, para investigar uma invasão ao sistema Defesa Civil Alerta, usado para enviar avisos de emergência à população. A plataforma disparou, durante a madrugada, uma notificação classificada como “Alerta Extremo” para celulares em diferentes regiões do país, incluindo o Acre, sem relação com chuvas, enchentes, deslizamentos ou qualquer outro desastre iminente.

A mensagem chamou atenção por trazer apenas a palavra “misantropia”, termo associado à aversão ou ódio à humanidade. Em alguns aparelhos, o alerta apareceu com variações na escrita, como “misantropi4”. O aviso foi acompanhado de som alto e sobreposição na tela do celular, mesmo em aparelhos configurados no modo silencioso, característica usada em situações de risco grave e imediato à vida.

A plataforma de envio foi retirada do ar à 1h30, de forma preventiva, após a identificação do disparo indevido. A suspeita inicial é de ataque hacker, já que o alerta teria sido ordenado remotamente por alguém sem vínculo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.

O governo identificou dez alertas falsos durante a madrugada. Nove foram enviados pelo sistema Cell Broadcast, tecnologia que permite o envio de mensagens emergenciais diretamente para celulares localizados em determinada área, e um foi encaminhado por SMS. Entre as localidades citadas como atingidas estão Paraná, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Acre e São Paulo.

O Defesa Civil Alerta é uma ferramenta criada para avisar a população sobre riscos naturais, como alagamentos, enxurradas, enchentes, deslizamentos, vendavais e outros eventos capazes de colocar vidas em risco. O alerta extremo é o nível mais alto da ferramenta e deve ser usado apenas quando há ameaça grave e iminente.

A retomada do sistema depende da correção das falhas de segurança e da conclusão das verificações técnicas. A Polícia Federal ficará responsável por apurar a autoria da invasão e as circunstâncias do disparo falso.

Zezinho Barbary é alvo de apuração da PF por ordem do STF em caso de emendas no Acre

O deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) entrou no radar da Polícia Federal por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em uma apuração sobre suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares no Acre. O caso envolve recursos ligados a Porto Walter, base política do parlamentar, e aparece dentro da discussão nacional sobre falta de transparência, rastreabilidade e controle na execução de emendas enviadas por deputados e senadores.

A suspeita que levou o caso à Polícia Federal envolve emendas associadas a estradas abertas em Porto Walter. A apuração citada por veículos nacionais aponta que recursos indicados por Barbary teriam sido usados para tentar regularizar trechos abertos de forma irregular, com desmatamento e possível invasão de terra indígena. Também há menção de que uma das estradas passaria por área ligada à família do deputado.

A decisão de Flávio Dino mandou o material à Diretoria-Geral da Polícia Federal para adoção das providências cabíveis. A PF poderá juntar as informações a inquéritos já existentes ou abrir novos procedimentos, caso encontre elementos para avançar na investigação. Até agora, não há registro de operação policial específica contra Zezinho Barbary, como busca e apreensão ou medida ostensiva. O fato confirmado é o envio do caso à PF por ordem do STF.

Zezinho Barbary negou irregularidades. À Folha de S.Paulo, na época, o deputado afirmou que não atuou em benefício próprio e que sua atuação buscava atender moradores de Porto Walter, município historicamente marcado por dificuldades de acesso. Ele também declarou que as medidas ligadas às estradas tinham relação com regularização e mitigação do empreendimento, não com favorecimento de familiares.

Porto Walter é o município onde Barbary construiu parte de sua trajetória pública e onde a discussão sobre estradas, isolamento e presença do poder público tem peso político constante. A investigação agora terá de separar o que pode ser obra pública de interesse coletivo, o que pode representar irregularidade ambiental e o que pode configurar benefício privado.

Relembrando o leitor acreano: Zezinho Barbary passou a ser investigado pela Polícia Federal por ordem do STF em um caso que envolve emendas parlamentares, estrada em Porto Walter, suspeita de dano ambiental e possível favorecimento familiar. A investigação ainda depende de análise da PF e não autoriza tratar o deputado como culpado.

PF aponta pai de Vorcaro como chefe de “A Turma” e caso Master chega ao STF no rastro do filme de Bolsonaro

A prisão de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, colocou uma nova peça no centro do caso Master e abriu mais uma frente de pressão sobre o entorno de Flávio Bolsonaro. Na sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira, 14, a Polícia Federal afirmou que Henrique exercia papel central no comando de “A Turma”, grupo descrito pelos investigadores como a milícia pessoal montada para monitorar, intimidar desafetos e levantar informações sigilosas de interesse do núcleo ligado ao antigo Banco Master.

Segundo a investigação, a estrutura operava com consultas ilegais, vazamento de dados, ataques digitais e uso de agentes para acompanhar apurações em curso. Na decisão que autorizou a prisão, o ministro André Mendonça registrou que Henrique não apenas se beneficiava das ações do grupo, mas também solicitava serviços, financiava a engrenagem e manteve contato com operadores mesmo após o avanço ostensivo das investigações.

A nova etapa da apuração avançou no mesmo momento em que o Supremo Tribunal Federal abriu outra frente sobre o mesmo universo de relações. Nesta sexta-feira, 15, o ministro Flávio Dino determinou a abertura de uma investigação preliminar sigilosa para apurar o direcionamento de emendas parlamentares a entidades e empresas ligadas à produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A apuração envolve pedidos de esclarecimento a deputados do PL e mira repasses vinculados a projetos culturais conectados ao grupo empresarial que aparece na produção da obra.

O avanço das duas frentes ampliou o desgaste sobre Flávio Bolsonaro depois da revelação de áudios e mensagens em que o senador pede recursos a Daniel Vorcaro para concluir o longa. Flávio admitiu que buscou patrocínio privado para o filme e nega qualquer irregularidade ou oferta de contrapartida. A produtora sustenta que não recebeu dinheiro de Vorcaro.

Com a prisão do pai de Vorcaro e a entrada do STF no caso das emendas, o episódio deixou de ser apenas um embaraço político e passou a reunir, ao mesmo tempo, investigação sobre a rede de intimidação atribuída ao entorno do banqueiro e apuração sobre o caminho de verbas públicas ligadas à produtora do filme. A crise atinge em cheio a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que tenta conter danos enquanto aliados já tratam o caso como um novo foco de desgaste nacional.