Defesa Civil aciona Polícia Federal após alerta falso com mensagem “misantropia”

A Defesa Civil Nacional acionou a Polícia Federal neste sábado, 20 de junho, para investigar uma invasão ao sistema Defesa Civil Alerta, usado para enviar avisos de emergência à população. A plataforma disparou, durante a madrugada, uma notificação classificada como “Alerta Extremo” para celulares em diferentes regiões do país, incluindo o Acre, sem relação com chuvas, enchentes, deslizamentos ou qualquer outro desastre iminente.

A mensagem chamou atenção por trazer apenas a palavra “misantropia”, termo associado à aversão ou ódio à humanidade. Em alguns aparelhos, o alerta apareceu com variações na escrita, como “misantropi4”. O aviso foi acompanhado de som alto e sobreposição na tela do celular, mesmo em aparelhos configurados no modo silencioso, característica usada em situações de risco grave e imediato à vida.

A plataforma de envio foi retirada do ar à 1h30, de forma preventiva, após a identificação do disparo indevido. A suspeita inicial é de ataque hacker, já que o alerta teria sido ordenado remotamente por alguém sem vínculo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.

O governo identificou dez alertas falsos durante a madrugada. Nove foram enviados pelo sistema Cell Broadcast, tecnologia que permite o envio de mensagens emergenciais diretamente para celulares localizados em determinada área, e um foi encaminhado por SMS. Entre as localidades citadas como atingidas estão Paraná, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Acre e São Paulo.

O Defesa Civil Alerta é uma ferramenta criada para avisar a população sobre riscos naturais, como alagamentos, enxurradas, enchentes, deslizamentos, vendavais e outros eventos capazes de colocar vidas em risco. O alerta extremo é o nível mais alto da ferramenta e deve ser usado apenas quando há ameaça grave e iminente.

A retomada do sistema depende da correção das falhas de segurança e da conclusão das verificações técnicas. A Polícia Federal ficará responsável por apurar a autoria da invasão e as circunstâncias do disparo falso.

Zezinho Barbary é alvo de apuração da PF por ordem do STF em caso de emendas no Acre

O deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) entrou no radar da Polícia Federal por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em uma apuração sobre suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares no Acre. O caso envolve recursos ligados a Porto Walter, base política do parlamentar, e aparece dentro da discussão nacional sobre falta de transparência, rastreabilidade e controle na execução de emendas enviadas por deputados e senadores.

A suspeita que levou o caso à Polícia Federal envolve emendas associadas a estradas abertas em Porto Walter. A apuração citada por veículos nacionais aponta que recursos indicados por Barbary teriam sido usados para tentar regularizar trechos abertos de forma irregular, com desmatamento e possível invasão de terra indígena. Também há menção de que uma das estradas passaria por área ligada à família do deputado.

A decisão de Flávio Dino mandou o material à Diretoria-Geral da Polícia Federal para adoção das providências cabíveis. A PF poderá juntar as informações a inquéritos já existentes ou abrir novos procedimentos, caso encontre elementos para avançar na investigação. Até agora, não há registro de operação policial específica contra Zezinho Barbary, como busca e apreensão ou medida ostensiva. O fato confirmado é o envio do caso à PF por ordem do STF.

Zezinho Barbary negou irregularidades. À Folha de S.Paulo, na época, o deputado afirmou que não atuou em benefício próprio e que sua atuação buscava atender moradores de Porto Walter, município historicamente marcado por dificuldades de acesso. Ele também declarou que as medidas ligadas às estradas tinham relação com regularização e mitigação do empreendimento, não com favorecimento de familiares.

Porto Walter é o município onde Barbary construiu parte de sua trajetória pública e onde a discussão sobre estradas, isolamento e presença do poder público tem peso político constante. A investigação agora terá de separar o que pode ser obra pública de interesse coletivo, o que pode representar irregularidade ambiental e o que pode configurar benefício privado.

Relembrando o leitor acreano: Zezinho Barbary passou a ser investigado pela Polícia Federal por ordem do STF em um caso que envolve emendas parlamentares, estrada em Porto Walter, suspeita de dano ambiental e possível favorecimento familiar. A investigação ainda depende de análise da PF e não autoriza tratar o deputado como culpado.

PF aponta pai de Vorcaro como chefe de “A Turma” e caso Master chega ao STF no rastro do filme de Bolsonaro

A prisão de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, colocou uma nova peça no centro do caso Master e abriu mais uma frente de pressão sobre o entorno de Flávio Bolsonaro. Na sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira, 14, a Polícia Federal afirmou que Henrique exercia papel central no comando de “A Turma”, grupo descrito pelos investigadores como a milícia pessoal montada para monitorar, intimidar desafetos e levantar informações sigilosas de interesse do núcleo ligado ao antigo Banco Master.

Segundo a investigação, a estrutura operava com consultas ilegais, vazamento de dados, ataques digitais e uso de agentes para acompanhar apurações em curso. Na decisão que autorizou a prisão, o ministro André Mendonça registrou que Henrique não apenas se beneficiava das ações do grupo, mas também solicitava serviços, financiava a engrenagem e manteve contato com operadores mesmo após o avanço ostensivo das investigações.

A nova etapa da apuração avançou no mesmo momento em que o Supremo Tribunal Federal abriu outra frente sobre o mesmo universo de relações. Nesta sexta-feira, 15, o ministro Flávio Dino determinou a abertura de uma investigação preliminar sigilosa para apurar o direcionamento de emendas parlamentares a entidades e empresas ligadas à produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A apuração envolve pedidos de esclarecimento a deputados do PL e mira repasses vinculados a projetos culturais conectados ao grupo empresarial que aparece na produção da obra.

O avanço das duas frentes ampliou o desgaste sobre Flávio Bolsonaro depois da revelação de áudios e mensagens em que o senador pede recursos a Daniel Vorcaro para concluir o longa. Flávio admitiu que buscou patrocínio privado para o filme e nega qualquer irregularidade ou oferta de contrapartida. A produtora sustenta que não recebeu dinheiro de Vorcaro.

Com a prisão do pai de Vorcaro e a entrada do STF no caso das emendas, o episódio deixou de ser apenas um embaraço político e passou a reunir, ao mesmo tempo, investigação sobre a rede de intimidação atribuída ao entorno do banqueiro e apuração sobre o caminho de verbas públicas ligadas à produtora do filme. A crise atinge em cheio a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que tenta conter danos enquanto aliados já tratam o caso como um novo foco de desgaste nacional.