MPAC investiga atendimento prestado a gestante após morte de bebê em Cruzeiro do Sul

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) abriu uma apuração para esclarecer as circunstâncias do atendimento prestado a uma gestante que perdeu o bebê após procurar o Hospital da Mulher e da Criança do Juruá, em Cruzeiro do Sul. A paciente estava com 40 semanas de gestação.

O caso passou a ser acompanhado pela 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cruzeiro do Sul, que instaurou uma notícia de fato para verificar se houve falha na assistência oferecida à gestante e se os procedimentos adotados pela unidade seguiram os protocolos médicos previstos.

A mulher procurou o hospital e, durante o primeiro atendimento, os batimentos cardíacos do bebê teriam sido verificados. Depois da avaliação, ela foi orientada a retornar à unidade posteriormente.

Ao voltar ao hospital para uma nova avaliação, entretanto, foi constatada a ausência dos batimentos cardíacos e a morte do bebê.

Para esclarecer o que ocorreu entre os dois atendimentos, o MPAC solicitou à direção do hospital a íntegra do prontuário da paciente e os registros relacionados ao caso. O Ministério Público também quer identificar os profissionais responsáveis pelo atendimento, os exames realizados e as condutas adotadas durante a assistência.

A Promotoria pediu ainda que o hospital informe quais protocolos são utilizados no acompanhamento de gestantes que chegam às 40 semanas de gravidez, além de esclarecer se foi aberta alguma apuração interna sobre o caso.

A promotora de Justiça substituta Taís Milhomem afirmou que o procedimento busca reunir elementos para verificar a regularidade do atendimento e definir quais medidas poderão ser adotadas pelo Ministério Público.

A investigação ainda está em fase inicial e não estabelece responsabilidade de profissionais ou da unidade hospitalar. A apuração deverá analisar os documentos e as informações requisitadas antes de qualquer conclusão sobre o atendimento prestado à gestante.

Família denuncia suposta negligência após morte de bebê em maternidade de Cruzeiro do Sul

Gestante de 26 anos teria sido orientada a voltar para casa ao completar 40 semanas de gravidez; bebê foi constatado sem vida uma semana depois

A família de Leia Santos Rufino, de 26 anos, denuncia uma suposta negligência no atendimento prestado à gestante em uma maternidade de Cruzeiro do Sul, após a morte da bebê ainda no útero. Segundo os familiares, Leia procurou a unidade ao completar 40 semanas de gravidez, mas foi orientada a voltar para casa e retornar uma semana depois, segundo reportagem divulgada hoje, 17, na TV Juruá. No novo atendimento, realizado na última terça-feira, a morte da criança foi constatada.

Leia fazia acompanhamento pré-natal na unidade de saúde do bairro do Alumínio. Ao chegar às 40 semanas de gestação, ela foi orientada pela enfermeira que acompanhava a gravidez a procurar a maternidade.

A irmã da gestante afirma que, no primeiro atendimento hospitalar, o médico plantonista verificou os batimentos cardíacos da bebê, mas não realizou toque vaginal nem ultrassonografia. De acordo com o relato, o profissional informou que Leia ainda não estava em trabalho de parto e recomendou que retornasse para casa.

“Não fez o toque e também não fez a ultrassom. Falou para ela que ainda não estava no ponto de ganhar o neném, que ela voltasse para casa e com uma semana ela voltasse aí”, relatou a irmã.

Leia seguiu a orientação e voltou à maternidade uma semana depois. Durante a nova avaliação, a família recebeu a informação de que a bebê estava sem vida.

Os familiares questionam a conduta adotada no primeiro atendimento e pedem que o caso seja investigado. A irmã afirma que, quando Leia procurou a maternidade pela primeira vez, a criança ainda apresentava batimentos cardíacos e se movimentava.

“Foi negligente do médico sim, eu tenho certeza. Porque se não fosse, ela estaria agora com a neném no braço”, declarou.

A família também cobra melhorias no atendimento às gestantes e mais atenção às pacientes que chegam à unidade na fase final da gravidez.

Após a constatação da morte, Leia permaneceu internada aguardando o procedimento necessário para a retirada da bebê.

A direção da maternidade foi procurada para esclarecer quais protocolos foram adotados nos atendimentos prestados à gestante e responder aos questionamentos apresentados pela família, mas não havia se manifestado até o fechamento da reportagem.