Denovo! MP Eleitoral pede rejeição de embargos de Gladson e manutenção do indeferimento ao Senado

A Procuradoria Regional Eleitoral no Acre se manifestou contra a tentativa de Gladson Cameli de reverter, por meio de embargos de declaração, a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Acre que indeferiu seu registro de candidatura ao Senado nas eleições de 2026. O órgão pediu que praticamente todas as teses apresentadas pela defesa sejam rejeitadas e que permaneça intacto o resultado do julgamento que reconheceu a inelegibilidade do candidato.

A manifestação foi assinada pelo procurador regional eleitoral Vitor Hugo Caldeira Teodoro na quarta-feira, 16 de setembro. Para o Ministério Público Eleitoral, os embargos devem ser acolhidos apenas em um ponto: a correção de um erro material na numeração de um habeas corpus citado no acórdão. A alteração, segundo o parecer, não produz qualquer efeito sobre a decisão que barrou o registro.

O MP Eleitoral pediu que, onde o Acórdão nº 7.445/2026 mencionou o HC nº 276.968, passe a constar o HC nº 273.968/DF. Fora dessa correção, a Procuradoria defendeu a rejeição dos demais argumentos apresentados por Gladson, sem os chamados efeitos infringentes, que poderiam modificar o resultado do julgamento.

Os embargos foram apresentados depois que o TRE-AC julgou procedente a ação de impugnação proposta pela própria Procuradoria Regional Eleitoral e indeferiu o registro de Gladson para disputar uma vaga no Senado. O julgamento ocorreu em 11 de setembro e terminou por unanimidade.

A inelegibilidade foi reconhecida com base na Lei Complementar nº 64/1990, a Lei da Ficha Limpa, em razão da condenação criminal imposta pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça na Ação Penal nº 1.076/DF. A condenação envolve os crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Na tentativa de modificar o acórdão, a defesa apresentou uma série de questionamentos. Entre eles estão a distribuição do processo, a existência de dissidência partidária, os efeitos de decisões do Supremo Tribunal Federal sobre elementos utilizados na investigação, a garantia do duplo grau de jurisdição, o controle de convencionalidade, a aplicação da Lei de Inelegibilidades e o pedido de suspensão do processo.

A Procuradoria rebateu os argumentos e sustentou que os embargos tentam rediscutir questões que já foram analisadas pelo TRE-AC. Sobre a condenação do STJ, o órgão afirmou que o título judicial permanece válido e eficaz enquanto não houver decisão da instância competente que suspenda, modifique ou desconstitua seus efeitos.

O parecer também afastou a tese de que pronunciamentos do Supremo poderiam, por si só, retirar a eficácia eleitoral da condenação. Para o MP Eleitoral, caberia ao órgão judicial competente para revisar a condenação do STJ definir eventual repercussão dessas decisões, e não à Justiça Eleitoral antecipar esse resultado durante o processo de registro.

Outro argumento rejeitado foi o de que a condenação criminal não poderia produzir inelegibilidade sem a possibilidade de recurso ordinário com ampla revisão da decisão. A Procuradoria sustentou que a legislação prevê a inelegibilidade após condenação por órgão judicial colegiado e não estabelece como requisito uma revisão prévia por recurso ordinário.

Também não prosperou, na manifestação do MP, a tentativa de suspender o processo enquanto outros pedidos e ações relacionados à condenação tramitam em tribunais superiores. O órgão considerou que a possibilidade de uma decisão futura favorável à defesa não retira, neste momento, os efeitos jurídicos da condenação utilizada pelo TRE-AC para indeferir o registro.

Com a apresentação das contrarrazões da Procuradoria Regional Eleitoral, os embargos foram encaminhados ao relator, juiz Thalles Vinícius de Souza Sales. O parecer do Ministério Público não representa uma nova decisão do TRE-AC: caberá ao Tribunal julgar o recurso apresentado pela defesa. Até lá, permanece vigente o acórdão que indeferiu o registro da candidatura.

Cruzeiro do Sul destina cerca de R$ 2,7 milhões a cinco entidades sociais

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul destinou cerca de R$ 2,7 milhões nesta semana para cinco organizações da sociedade civil que atuam no atendimento a idosos, crianças, adolescentes e famílias no município. O pacote reúne aproximadamente R$ 1,9 milhão para custeio, manutenção e serviços de acolhimento, além de R$ 836 mil para a aquisição de duas vans. Os recursos são provenientes de emendas parlamentares e foram formalizados entre segunda-feira, 14, e quarta-feira, 16.

Na segunda-feira, a administração municipal formalizou R$ 650 mil para o Lar dos Vicentinos e o Educandário. O Lar dos Vicentinos ficou com R$ 450 mil, dos quais R$ 200 mil foram destinados pelo senador Sérgio Petecão, R$ 150 mil pela deputada federal Socorro Neri e R$ 100 mil pelo senador Alan Rick. O Educandário recebeu R$ 200 mil de emenda do deputado federal Eduardo Veloso. O Lar dos Vicentinos acolhe atualmente 34 idosos, enquanto o Educandário atende crianças e jovens.

Na terça-feira, 15, o Centro Educacional Adiles Nogueira Maciel (Ceanon) recebeu uma van de 15 lugares avaliada em R$ 386 mil e teve formalizado um convênio de R$ 200 mil para custeio e manutenção. O veículo foi adquirido com emenda do senador Márcio Bittar, destinada em 2025, enquanto o recurso para manutenção veio de emenda do senador Sérgio Petecão. A entidade atende mais de 400 crianças e adolescentes no contraturno escolar.

Ainda na terça-feira, a Prefeitura assinou termo de colaboração de R$ 400 mil com o Centro dos Direitos da Criança, Adolescente e Família, responsável pelo Missão Família. O valor foi dividido entre emendas do deputado federal Eduardo Veloso e do senador Sérgio Petecão, com R$ 200 mil de cada parlamentar. A instituição desenvolve atividades de proteção social básica e atende 416 famílias em situação de vulnerabilidade.

Na quarta-feira, 16, a Fundação Assistencial e Educacional Betel, mantenedora do Lar Ester Cameli, teve anunciado um repasse de R$ 659 mil para fortalecer o serviço de acolhimento institucional de crianças e adolescentes. A composição divulgada, porém, detalha R$ 150 mil de emenda da deputada federal Socorro Neri e R$ 500 mil do senador Alan Rick, totalizando R$ 650 mil. O material divulgado não esclarece a diferença de R$ 9 mil entre o valor global anunciado e as emendas discriminadas.

A Fundação Betel também será beneficiada com uma van de R$ 450 mil, adquirida com recursos de emenda do deputado federal Coronel Ulysses. O veículo já foi comprado e ainda será entregue à instituição, responsável pelo atendimento integral de aproximadamente 40 crianças e adolescentes no Lar Ester Cameli.

Considerando os valores globais anunciados pela Prefeitura, os repasses para custeio, manutenção e fortalecimento das cinco entidades somam aproximadamente R$ 1,9 milhão. Com as duas vans, avaliadas conjuntamente em R$ 836 mil, o volume de recursos chega a cerca de R$ 2,7 milhões.

O prefeito Zequinha Lima afirmou que a articulação com parlamentares permite ampliar o suporte às entidades que integram a rede de atendimento social do município. “Quando conseguimos unir a Prefeitura, os parlamentares e as instituições, o recurso chega na ponta e se transforma em atendimento, cuidado, transporte e melhores condições para quem precisa”, declarou.

Em Santa Luzia, ato com Alan Rick reúne milhares de pessoas e confirma força da mudança no Juruá

Mobilização ocorreu ao lado da quadra da Vila Santa Luzia, em Cruzeiro do Sul, e contou com a presença de lideranças políticas e comunitárias

Milhares de pessoas participaram do ato político com o candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) e o candidato a vice-governador Rico Leite (Republicanos), organizado pelo prefeito Zequinha Lima, ao lado da quadra da Vila Santa Luzia, em Cruzeiro do Sul.

Moradores da comunidade e de outras localidades da região acompanharam o comício, que reuniu apoiadores, candidatos e lideranças políticas do Juruá. Durante o encontro, Alan assumiu o compromisso de asfaltar pelo menos 120 quilômetros de ramais por ano para garantir acesso às comunidades, melhorar o transporte escolar e facilitar o escoamento da produção rural.

“Vamos fazer, pelo menos, 120 quilômetros de asfalto em ramais todos os anos do nosso governo. Está no nosso plano de governo e nós vamos fazer”, afirmou.

Alan destacou que o compromisso com Cruzeiro do Sul está demonstrado no trabalho realizado durante seus mandatos de deputado federal e senador. Nesse período, foram cerca de R$ 92 milhões em recursos destinados ao município.

Os investimentos contribuíram para realizações como a ampliação da Unidade Mista de Saúde de Santa Luzia, a construção de passarelas no bairro Remanso, o fortalecimento da assistência social, a revitalização do Mercado do Agricultor e a aquisição de máquinas para apoiar os produtores rurais.

O candidato também chamou a atenção para os problemas enfrentados pelos estudantes da rede pública. Ele mencionou relatos de sardinha e ovos servidos repetidamente na merenda escolar e o caso de alunos que precisaram estudar no pátio porque a sala de aula estava sem climatização.

“Dói o coração da gente ver as nossas crianças passando por isso”, declarou.

Para o interior, Alan propõe recuperar e pavimentar ramais, construir pontes e bueiros, melhorar o transporte escolar e fortalecer o apoio aos produtores. O plano de governo também prevê a regionalização da saúde, levando exames, consultas e cirurgias para mais perto de quem vive distante da capital, além da recuperação das escolas e da oferta de alimentação adequada aos estudantes.

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima (PP), reafirmou apoio ao projeto de mudança encabeçado por Alan e Rico e destacou os avanços alcançados na unidade de saúde de Santa Luzia, onde os moradores passaram a contar com 55 tipos de exames laboratoriais e mais de 50 atendimentos por dia.

“A gente já sofreu demais. Está na hora de o Acre sorrir, e vai ser com Alan e Rico”, afirmou Zequinha.

Também participaram do ato o deputado estadual Luiz Gonzaga (MDB); o senador e candidato a reeleição Sérgio Petecão (PSD); o subprefeito da Vila Santa Luzia, Elis do Peixe; candidatos proporcionais e lideranças políticas do Juruá.

Diante dos milhares de apoiadores, Alan afirmou estar preparado para colocar sua experiência e trajetória política a serviço do estado.

“O Acre sonha com um governo que trabalhe, que não roube e que ame e respeite o seu povo. Eu quero dedicar a minha vida a vocês. Eu amo meu estado, nasci aqui, amo esta terra e vou dar a minha vida por ela”, concluiu.

Mailza, a votada: entre a herança eleitoral de Gladson e o peso de seu governo

Há uma frase que parece simples, quase protocolar, mas que carrega muito mais peso do que talvez pretendesse a governadora Mailza Cameli: “Eu estava lá compondo a chapa, eu fazia parte da chapa, então considero que fui votada”. Ao reivindicar para si os votos dados à chapa de Gladson Cameli em 2022, Mailza não reivindica apenas a legitimidade das urnas. A fala da governadora, feita durante sabatina nesta quinta-feira (17) no Jornal do Acre 1ª Edição, reivindica também um lugar dentro daquela construção política, daquele projeto e daquele governo.

E é justamente aí que a frase ganha outra dimensão.

Mailza tem razão quando lembra que estava na chapa. Estava mesmo. Foi eleita vice-governadora ao lado de Gladson e depois ocupou espaço efetivo na administração, inclusive comandando a área de Assistência Social. Em abril deste ano, quando recebeu o governo, foi ainda mais clara: “Esse não é um novo governo, é a continuidade de um governo que vem dando certo”. Não era uma fala lateral. Era a própria governadora definindo o lugar que pretendia ocupar diante da administração que herdava.

O problema político aparece quando essa continuidade passa a ser apresentada em parcelas.

Há menos de uma semana, durante debate eleitoral, Mailza foi questionada sobre a condenação de Gladson Cameli e respondeu por outro caminho. Disse que, como vice, tinha limites e que não poderia responder pelos problemas jurídicos decorrentes de decisões pessoais do então governador. “Eu era vice, eu tinha limite”, afirmou. Na mesma resposta, porém, reconheceu: “Participei sim do governo trabalhando, fazendo entregas, cuidando da assistência social, cuidando da saúde, visitando os municípios e planejando dentro do meu limite”.

É nessa fronteira que a campanha de Mailza terá de caminhar. Quando o assunto são obras, entregas, políticas sociais ou votos, ela se apresenta como parte da chapa, integrante do governo e herdeira de uma administração que considera bem-sucedida. Quando a discussão chega à crise jurídica que atingiu Gladson, procura demarcar onde terminavam as atribuições da vice e começavam as decisões do governador.

Uma coisa precisa ficar clara: fazer parte daquele governo não torna Mailza responsável pelos crimes pelos quais Gladson foi condenado. Responsabilidade penal é individual, depende de provas e de decisão judicial. Não há base, nos fatos aqui tratados, para atribuir a ela participação nesses crimes.

Mas política não funciona apenas com a régua do Código Penal. Existe também a responsabilidade pela história que um grupo decide reivindicar.

Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, em 6 de maio, a 25 anos e nove meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A decisão também determinou multa e indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre. Em agosto, o STJ rejeitou os embargos apresentados pela defesa sem mudar o resultado da condenação.

É impossível apagar esse capítulo quando se reivindica a continuidade daquele mesmo ciclo político.

A frase de Mailza talvez seja importante justamente porque resolve uma discussão que sua própria campanha vinha tentando administrar. Ela não era uma espectadora no canto da fotografia. Não chegou ao Palácio Rio Branco por acidente institucional. Estava na chapa, participou da administração e agora diz que também se considera votada naquele processo.

Se o voto de 2022 também era dela, como sustenta agora, a herança política daquela chapa também passa por suas mãos. Isso inclui as entregas que pretende apresentar ao eleitor, mas inclui igualmente o desgaste, as escolhas administrativas e a condenação que atingiu o homem com quem dividiu a chapa.

Não se trata de transferir a Mailza os crimes de Gladson. Trata-se de uma pergunta bem mais simples e essencialmente política: até onde vai uma continuidade que reivindica para si os votos e os acertos, mas procura estabelecer distância quando chegam as cobranças?

Mailza agora pede ao eleitor um mandato em seu próprio nome. Talvez por isso tenha chegado a hora de definir, com a mesma clareza daquela frase, qual parte da história de Gladson ela pretende continuar — e qual parte considera que nunca lhe pertenceu.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

No Jornal da Globo, Tião Viana volta ao debate sobre emendas e ‘parlamentarismo orçamentário’

O ex-governador do Acre Tião Viana voltou ao debate nacional sobre o avanço das emendas parlamentares no Orçamento da União ao participar de uma reportagem recente do Jornal da Globo. Ex-senador, ele comparou o modelo brasileiro ao adotado na Alemanha e criticou a destinação de recursos orientada, em sua avaliação, por interesses eleitorais dos parlamentares.

“Na Alemanha, o Parlamento pode apresentar emendas, mas elas são estruturantes, baseadas no planejamento do governo”, afirmou Tião Viana. Na sequência, fez uma crítica ao funcionamento brasileiro: “Aqui não”. Para ele, parte da lógica das emendas está ligada à tentativa de garantir a eleição do parlamentar para o mandato seguinte.

A declaração foi exibida em uma reportagem que abordou a mudança ocorrida no Orçamento federal a partir de 2015. Naquele ano, a Emenda Constitucional 86 tornou obrigatória a execução das programações oriundas das emendas individuais apresentadas por deputados e senadores, dentro dos limites estabelecidos pela Constituição.

O modelo foi ampliado posteriormente. Em 2019, a Emenda Constitucional 100 estendeu a execução obrigatória às programações apresentadas por bancadas estaduais, aumentando a participação do Congresso na definição de recursos que precisam ser executados pelo governo federal.

A participação retoma uma discussão que Tião Viana já havia levado ao debate público. Em fevereiro de 2024, ele e o jornalista Giba Braga Mello publicaram um artigo intitulado “A República rasa do parlamentarismo orçamentário”. No texto, os autores criticaram a concentração da atuação do Legislativo na liberação de emendas e defenderam que esse processo reduz espaço dos Executivos na definição de prioridades orçamentárias. A expressão “parlamentarismo orçamentário” foi usada pelos autores para descrever essa mudança na relação entre os Poderes.

A discussão também atravessa a trajetória política de Tião Viana. Ele foi eleito senador pelo Acre em 1998, exerceu mandato no Senado a partir de 1999 e foi reeleito. Em dezembro de 2010, renunciou ao mandato parlamentar para assumir o governo do Acre em 1º de janeiro de 2011. Depois, foi reeleito governador e permaneceu no cargo até o fim de 2018.

A experiência nos dois Poderes coloca Tião Viana em uma posição particular dentro da discussão. Como senador, participou diretamente das decisões legislativas e orçamentárias do Congresso. Como governador, passou a comandar um Executivo estadual dependente de planejamento, execução de despesas e transferências de recursos federais.

Família denuncia suposta negligência após morte de bebê em maternidade de Cruzeiro do Sul

Gestante de 26 anos teria sido orientada a voltar para casa ao completar 40 semanas de gravidez; bebê foi constatado sem vida uma semana depois

A família de Leia Santos Rufino, de 26 anos, denuncia uma suposta negligência no atendimento prestado à gestante em uma maternidade de Cruzeiro do Sul, após a morte da bebê ainda no útero. Segundo os familiares, Leia procurou a unidade ao completar 40 semanas de gravidez, mas foi orientada a voltar para casa e retornar uma semana depois, segundo reportagem divulgada hoje, 17, na TV Juruá. No novo atendimento, realizado na última terça-feira, a morte da criança foi constatada.

Leia fazia acompanhamento pré-natal na unidade de saúde do bairro do Alumínio. Ao chegar às 40 semanas de gestação, ela foi orientada pela enfermeira que acompanhava a gravidez a procurar a maternidade.

A irmã da gestante afirma que, no primeiro atendimento hospitalar, o médico plantonista verificou os batimentos cardíacos da bebê, mas não realizou toque vaginal nem ultrassonografia. De acordo com o relato, o profissional informou que Leia ainda não estava em trabalho de parto e recomendou que retornasse para casa.

“Não fez o toque e também não fez a ultrassom. Falou para ela que ainda não estava no ponto de ganhar o neném, que ela voltasse para casa e com uma semana ela voltasse aí”, relatou a irmã.

Leia seguiu a orientação e voltou à maternidade uma semana depois. Durante a nova avaliação, a família recebeu a informação de que a bebê estava sem vida.

Os familiares questionam a conduta adotada no primeiro atendimento e pedem que o caso seja investigado. A irmã afirma que, quando Leia procurou a maternidade pela primeira vez, a criança ainda apresentava batimentos cardíacos e se movimentava.

“Foi negligente do médico sim, eu tenho certeza. Porque se não fosse, ela estaria agora com a neném no braço”, declarou.

A família também cobra melhorias no atendimento às gestantes e mais atenção às pacientes que chegam à unidade na fase final da gravidez.

Após a constatação da morte, Leia permaneceu internada aguardando o procedimento necessário para a retirada da bebê.

A direção da maternidade foi procurada para esclarecer quais protocolos foram adotados nos atendimentos prestados à gestante e responder aos questionamentos apresentados pela família, mas não havia se manifestado até o fechamento da reportagem.

TCE-AC adota trabalho remoto nesta sexta-feira após desligamento programado de energia

O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) vai funcionar em regime de trabalho remoto nesta sexta-feira, 18 de setembro, devido ao desligamento programado da rede geral de energia elétrica da instituição. A interrupção começa às 7h e será necessária para a substituição do sistema de alimentação de energia do Tribunal.

A mudança temporária no expediente foi estabelecida pela Portaria Normativa nº 118, de 16 de setembro de 2026. A medida vale apenas para esta sexta-feira e não suspende as atividades do TCE-AC.

Membros, servidores, estagiários e demais colaboradores vão permanecer disponíveis remotamente durante o horário de expediente para garantir a continuidade dos serviços institucionais.

Os prazos processuais em andamento também permanecem inalterados. A única exceção ocorrerá caso haja indisponibilidade dos sistemas eletrônicos do Tribunal. Nessa situação, o problema deverá ser formalmente certificado pela unidade técnica competente.

O funcionamento presencial será afetado exclusivamente pelo serviço programado na rede elétrica. Após a conclusão dos trabalhos, a rotina da instituição volta ao regime normal.

PF faz operação no Acre nesta quinta; apuração aponta Aberson Carvalho e Jonathan Donadoni entre alvos

A Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou na manhã desta quinta-feira, 17 de setembro, a Operação Death Note para investigar suspeitas de desvio de recursos federais destinados à Educação do Acre. Ao todo, são cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em seis cidades. Apuração do jornalista Leonildo Rosas aponta o ex-secretário de Estado de Educação Aberson Carvalho e o ex-secretário-chefe da Casa Civil Jonathan Xavier Donadoni entre os principais alvos da ação.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região e são cumpridas em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre; Manaus, no Amazonas; e São Paulo, Barueri e Ribeirão Preto, no estado de São Paulo. A Justiça também determinou o sequestro de bens de investigados que teriam sido adquiridos com recursos desviados.

A investigação apura a aplicação de recursos públicos federais repassados à Secretaria de Estado de Educação por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). As suspeitas envolvem possível direcionamento de licitações, desvio de verbas públicas, pagamento de vantagens indevidas e movimentações financeiras usadas para ocultar a origem e os destinatários finais do dinheiro.

As investigações apontam possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros. De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, os indícios apurados até agora envolvem prejuízo superior a R$ 30 milhões aos cofres públicos.

Os crimes investigados incluem fraude em licitação, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A apuração segue em andamento e poderá alcançar outros delitos conforme a análise do material apreendido durante o cumprimento dos mandados.

O nome de Aberson Carvalho já havia aparecido em outra investigação da Polícia Federal envolvendo recursos destinados à Educação do Acre neste ano. Em 16 de julho, o ex-secretário foi alvo da Operação Talha Real, que investigava suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos federais repassados pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Na Operação Talha Real, a PF cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. Os contratos investigados ultrapassavam R$ 51 milhões. A Justiça também determinou o bloqueio de bens móveis, imóveis e valores dos envolvidos, além da suspensão temporária das atividades de seis empresas.

Na ocasião, as investigações abrangiam possíveis crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo de licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Um dos investigados foi preso em flagrante durante as diligências por posse ilegal de munições de uso permitido.

Após a operação de julho, a defesa de Aberson Carvalho informou que o ex-secretário colaborou com o cumprimento das buscas e afirmou que o procedimento estava em fase de investigação. A defesa também declarou, naquele momento, que não havia denúncia, ação penal ou decisão judicial de mérito contra o ex-gestor.

Jonathan Xavier Donadoni, também citado na apuração de Leonildo Rosas sobre a operação desta quinta-feira, comandou a Casa Civil do Acre durante a gestão de Gladson Cameli e permaneceu no cargo até junho deste ano. A extensão da participação atribuída a cada investigado na Operação Death Note deverá ser esclarecida com o avanço das investigações e a divulgação de novos detalhes pelas autoridades responsáveis pelo caso.

Naluh diz que TCE apura repasses a ONGs e levanta suspeitas sobre contratos de shows milionários

A conselheira Naluh Gouveia afirmou que o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) apura denúncias envolvendo entidades que recebem recursos públicos e declarou que contratações milionárias de shows também precisam de fiscalização rigorosa. As manifestações foram feitas durante entrevista ao podcast Em Cena, na segunda-feira (14), em Rio Branco.

Ao falar sobre organizações beneficiadas com dinheiro público, Naluh disse que existem vários processos em andamento no TCE, distribuídos entre seu gabinete e outros conselheiros. As denúncias envolvem entidades cuja atuação e aplicação dos valores repassados estão sendo questionadas.

A conselheira afirmou ainda que algumas informações recebidas pelo Tribunal mencionam possíveis negociações envolvendo recursos destinados às entidades e parlamentares. Ela não revelou quais organizações, políticos ou repasses aparecem nos procedimentos. Os casos, portanto, permanecem sob apuração, sem conclusão pública sobre a existência de irregularidades ou responsabilização de pessoas específicas.

Naluh também citou entidades voltadas à realização de exames que teriam recebido valores superiores a R$ 1 milhão e questionou se os serviços entregues correspondem ao montante transferido. De acordo com a conselheira, parte dos processos poderá ser submetida ao plenário do TCE para análise.

Na mesma entrevista, a conselheira voltou suas críticas para a contratação de apresentações artísticas de alto valor pelo poder público. Naluh declarou que órgãos como Tribunais de Contas e Ministérios Públicos precisam acompanhar a movimentação desses recursos e afirmou acreditar que parte dos contratos realizados no país pode estar associada a esquemas de lavagem de dinheiro. Ela não apresentou, no trecho divulgado, contratos, artistas, empresas ou gestores específicos ligados à acusação.

“Hoje tem parte desses shows que são literalmente lavagem de dinheiro no Brasil”, afirmou Naluh. A conselheira também declarou que recursos movimentados nessas contratações poderiam acabar destinados a interesses políticos. As declarações representam a avaliação apresentada por ela durante a entrevista e não uma conclusão de investigação sobre um contrato determinado.

Outro ponto levantado foi a prioridade dos gastos públicos. Naluh questionou pagamentos superiores a R$ 1 milhão por uma única apresentação enquanto comunidades acreanas ainda enfrentam dificuldades relacionadas à infraestrutura e ao acesso à água de qualidade. Ela citou escolas onde estudantes ainda utilizariam água de cacimba e relacionou o problema às condições sanitárias enfrentadas no estado.

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