Fumaça encobre Manaus e queimadas crescem 74% na Amazônia em setembro
Uma camada de fumaça provocada pelas queimadas encobriu Manaus, capital do Amazonas, e foi registrada por satélites da Nasa nos últimos dias. As imagens mostram a concentração de fumaça sobre a cidade e municípios próximos, em meio ao aumento dos incêndios na região. O problema vai além do território amazonense: em setembro de 2026, o bioma Amazônia registrou crescimento de 74% nos focos de calor em comparação com o mesmo mês de 2025, com altas também no Pará, Acre e Rondônia.
Na sexta-feira (9), Manaus chegou a registrar o pior índice de qualidade do ar entre as cidades brasileiras monitoradas pela plataforma IQAir. O indicador atingiu 366 pontos, classificação considerada perigosa, enquanto a concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 258,2 microgramas por metro cúbico. A poluição levou à suspensão de aulas presenciais em escolas e instituições de ensino superior, além de alterações no funcionamento de serviços públicos.
A situação foi registrada por equipamentos da agência espacial norte-americana. Uma imagem captada em 8 de outubro pelo satélite Terra, equipado com o sensor MODIS, mostra focos de incêndio e extensas camadas de fumaça nas proximidades de Manaus e Iranduba. Outro registro, consultado na plataforma Worldview na sexta-feira (9), mostra a fumaça espalhada por diferentes áreas do Amazonas.
O avanço das queimadas acompanha o período de estiagem na Amazônia, quando a redução das chuvas e a vegetação ressecada favorecem a propagação do fogo. A maior parte dos incêndios florestais na região tem origem em atividades humanas, como o uso do fogo para limpeza de terrenos, formação de pastagens e abertura de áreas desmatadas. Em condições de seca, essas queimadas podem escapar do controle e alcançar áreas de floresta.
Os números de setembro mostram o crescimento das ocorrências em diferentes estados. No Amazonas, foram contabilizados 3.726 focos de calor, contra 942 no mesmo mês de 2025, aumento de aproximadamente 296%. No Pará, os registros passaram de 2.967 para 5.224, crescimento de 76%. Em Rondônia, o total subiu de 388 para 515, uma alta de 33%.
No Acre, o número passou de 840 focos em setembro de 2025 para 877 no mesmo período deste ano, aumento de 4,4%. O estado também registrou crescimento de 80% em relação a agosto de 2026, quando foram identificados 487 focos. Entre janeiro e setembro, o território acreano acumulou 1.461 registros, com setembro concentrando o maior volume mensal do ano.
Considerando todo o bioma Amazônia, setembro terminou com 12.562 focos de calor, diante dos 7.211 contabilizados em setembro do ano passado. Apesar do crescimento, o resultado de 2026 ainda foi o segundo menor para o mês desde 2002, quando começou a série de comparação com o atual satélite de referência. A diferença mostra que a piora recente não significa necessariamente que as queimadas tenham atingido os níveis históricos mais elevados.
No Amazonas, o avanço continuou em outubro. Entre os dias 1º e 7, foram registrados 644 focos, contra 277 no mesmo intervalo de 2025, aumento de 132,5%. No acumulado de janeiro a 7 de outubro, o estado somou 6.901 focos de calor, quase o dobro dos 3.559 identificados no período correspondente do ano anterior.
Além dos incêndios, a fumaça representa um problema de saúde pública. As partículas liberadas pela queima da vegetação podem permanecer suspensas na atmosfera e ser transportadas pelo vento para municípios distantes das áreas atingidas pelo fogo. A exposição pode causar irritação nos olhos e na garganta, tosse, dificuldade para respirar e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis.
Diante da situação em Manaus, a Defesa Civil emitiu alertas recomendando que a população reduza a exposição à fumaça, evite atividades físicas ao ar livre e utilize máscaras de proteção, preferencialmente do tipo PFF2, quando precisar sair de casa.
O Ministério do Meio Ambiente informou, na sexta-feira (9), que o Ibama havia extinguido 229 incêndios no Amazonas desde o início da temporada e continuava atuando no combate a outros 20. O governo federal também anunciou o reforço das operações com seis aeronaves e 290 brigadistas.
O cenário mantém a preocupação com a continuidade da estiagem e o risco de novos incêndios. A expansão das queimadas compromete áreas de vegetação, afeta a fauna, libera gases de efeito estufa e amplia a exposição da população amazônica à poluição atmosférica. O monitoramento por satélite permite acompanhar a distribuição dos focos de calor, mas cada registro representa uma detecção térmica, não necessariamente um incêndio isolado ou uma medida da área destruída.