Política

Zequinha vê jogo com Bittar e Gonzaga e manda recado ao PL em meio a racha na base de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, do Progressistas, transformou o jogo entre Brasil e Noruega, neste domingo, 5, em mais um capítulo da disputa pelo comando das alianças políticas no Acre. Ao lado do senador Márcio Bittar, do PL, e do deputado estadual Luiz Gonzaga, do MDB, Zequinha usou o clima de Copa do Mundo para defender a aproximação do PL com o grupo que passou a apoiar após deixar a base da governadora Mailza Assis.

Em vídeo gravado durante a partida, Zequinha disse que era “uma honra” receber Bittar e Gonzaga em Cruzeiro do Sul e afirmou que o encontro não ficaria restrito ao futebol. “Além do papo hoje ser futebol, não tinha como o papo também ser política. Eu estou torcendo para que, quem sabe, o PL possa estar do nosso lado, apoiando, o Alan”, disse o prefeito. Na sequência, Bittar entrou na conversa e respondeu: “Aqui estamos juntos, é 3 a 0 contra a Noruega, que queria meter o bedelho na Amazônia. Agora é hora de derrotá-la no futebol, depois derrotá-la na política”.

A fala ocorre menos de uma semana depois de Zequinha romper com a pré-candidatura de Mailza, sua correligionária no PP, e anunciar apoio ao senador Alan Rick, do Republicanos, na disputa pelo governo em 2026. O movimento teve peso político por partir do prefeito de Cruzeiro do Sul, principal cidade do Juruá, região considerada decisiva na montagem das chapas majoritárias e no desempenho eleitoral dos candidatos ao Palácio Rio Branco.

A presença de Bittar ao lado de Zequinha aumenta a pressão sobre a aliança entre PL e PP. Nos últimos dias, o senador tornou públicas as insatisfações com o governo estadual e afirmou que a relação ficou “arranhada” após a saída de Sula Ximenes do Deracre. Bittar disse que o PL tem demonstrado mais disposição para manter a aliança com o governo do que o Palácio Rio Branco em preservar o partido no grupo governista.

O senador também admitiu que há pressão nacional para que o PL caminhe com Alan Rick no Acre. A articulação envolve conversas entre a direção nacional do PL e o Republicanos, dentro de uma costura mais ampla para 2026. Bittar afirmou que não recebeu ordem formal, mas reconheceu que um pedido direto de Flávio Bolsonaro teria peso na decisão do partido no estado.

O recado de Zequinha, portanto, não foi isolado. Ao dizer que torce para o PL “estar do nosso lado”, o prefeito se colocou como peça ativa na tentativa de atrair Bittar para o palanque de Alan Rick. A cena também reduz o espaço para leitura de neutralidade: Zequinha apareceu ao lado do principal nome do PL no Acre justamente no momento em que o partido discute se permanece com Mailza ou se migra para o projeto do Republicanos.

Luiz Gonzaga completa o simbolismo político do encontro. Filiado ao MDB, o deputado criticou recentemente a demora do partido em definir a aliança com Mailza e disse que a indefinição prejudica o processo. O MDB é tratado como uma das legendas-chave da eleição de 2026, tanto pela estrutura partidária quanto pela possibilidade de indicar a vice na chapa governista.

A imagem de Gonzaga ao lado de Bittar e Zequinha, em Cruzeiro do Sul, ocorre em um momento sensível para o partido. Parte do MDB é vista como inclinada a permanecer com Mailza, mas a legenda ainda convive com disputas internas e pressões de grupos que avaliam outros caminhos. O próprio Gonzaga, ao reclamar da demora, expôs o desconforto de lideranças que precisam organizar chapas proporcionais e definir lado antes das convenções.

Do outro lado da cena política, Gladson Cameli e Mailza Assis também acompanharam o jogo juntos em Cruzeiro do Sul. A presença dos dois no mesmo município, enquanto Zequinha reunia Bittar e Gonzaga, mostra como a partida da Seleção acabou servindo de pano de fundo para a disputa real: a reorganização das forças de direita no Acre.

Mailza tem evitado confronto direto com Zequinha desde o anúncio de apoio a Alan Rick. A governadora afirmou que não pretende puni-lo no PP e disse que cada liderança tem o direito de fazer sua escolha. Em outra declaração, porém, cobrou confiança e gratidão na política, lembrando que apoiou o prefeito desde a primeira eleição, em 2020, e também na reeleição.

O gesto de Zequinha amplia o desgaste dentro do Progressistas e atinge a estratégia de Mailza no Juruá. Além de perder o apoio do prefeito de uma das cidades mais importantes do estado, a governadora vê adversários tentarem puxar para o mesmo campo duas peças que eram tratadas como estratégicas para sua chapa: o PL de Bittar e o MDB de Luiz Gonzaga.

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