O deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) entrou no radar da Polícia Federal por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em uma apuração sobre suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares no Acre. O caso envolve recursos ligados a Porto Walter, base política do parlamentar, e aparece dentro da discussão nacional sobre falta de transparência, rastreabilidade e controle na execução de emendas enviadas por deputados e senadores.
A suspeita que levou o caso à Polícia Federal envolve emendas associadas a estradas abertas em Porto Walter. A apuração citada por veículos nacionais aponta que recursos indicados por Barbary teriam sido usados para tentar regularizar trechos abertos de forma irregular, com desmatamento e possível invasão de terra indígena. Também há menção de que uma das estradas passaria por área ligada à família do deputado.
A decisão de Flávio Dino mandou o material à Diretoria-Geral da Polícia Federal para adoção das providências cabíveis. A PF poderá juntar as informações a inquéritos já existentes ou abrir novos procedimentos, caso encontre elementos para avançar na investigação. Até agora, não há registro de operação policial específica contra Zezinho Barbary, como busca e apreensão ou medida ostensiva. O fato confirmado é o envio do caso à PF por ordem do STF.
Zezinho Barbary negou irregularidades. À Folha de S.Paulo, na época, o deputado afirmou que não atuou em benefício próprio e que sua atuação buscava atender moradores de Porto Walter, município historicamente marcado por dificuldades de acesso. Ele também declarou que as medidas ligadas às estradas tinham relação com regularização e mitigação do empreendimento, não com favorecimento de familiares.
Porto Walter é o município onde Barbary construiu parte de sua trajetória pública e onde a discussão sobre estradas, isolamento e presença do poder público tem peso político constante. A investigação agora terá de separar o que pode ser obra pública de interesse coletivo, o que pode representar irregularidade ambiental e o que pode configurar benefício privado.
Relembrando o leitor acreano: Zezinho Barbary passou a ser investigado pela Polícia Federal por ordem do STF em um caso que envolve emendas parlamentares, estrada em Porto Walter, suspeita de dano ambiental e possível favorecimento familiar. A investigação ainda depende de análise da PF e não autoriza tratar o deputado como culpado.