Fórum Mundial da Ayahuasca reúne 1,7 mil pessoas e lideranças indígenas na Espanha

A cidade de Girona, na Catalunha, recebe entre os dias 11 e 13 de setembro de 2026 o Fórum Mundial da Ayahuasca, encontro internacional que reúne cerca de 1,7 mil participantes para discutir conhecimentos tradicionais indígenas, saúde, ética, direitos humanos e os impactos da expansão mundial do uso da bebida de origem amazônica. Lideranças de aproximadamente 20 povos indígenas participam da programação ao lado de pesquisadores, profissionais de saúde, juristas, artistas e representantes da sociedade civil.

Realizado no Palau de Congressos de Girona, o fórum coloca no centro do debate as comunidades que preservam há gerações o conhecimento sobre a ayahuasca. A bebida, preparada a partir de plantas amazônicas e capaz de provocar intensas alterações de consciência, integra práticas tradicionais de diferentes povos da região, sobretudo em rituais espirituais e processos ligados à cura e à organização cultural das comunidades.

O primeiro dia do encontro reuniu povos, territórios, histórias e diferentes formas de compreender a vida. A programação aproximou vozes ancestrais, conhecimentos indígenas, ciência, práticas de cuidado, direitos e discussões sobre os caminhos percorridos pela ayahuasca em diferentes partes do mundo. A proposta é ampliar o diálogo sobre os efeitos da internacionalização dessas práticas e sobre as responsabilidades envolvidas nesse processo.

A realização do fórum também é tratada como um momento de mudança de paradigma na discussão internacional sobre a ayahuasca. O encontro busca criar espaço para escuta, reconhecimento das diferenças e construção de diálogo entre comunidades que mantêm práticas tradicionais e setores científicos, jurídicos e sociais interessados no tema.

Participantes chegaram a Girona de diferentes países com a proposta de construir pontes entre formas distintas de conhecimento. A diversidade de experiências marca uma programação voltada não apenas ao presente da ayahuasca, mas também à construção coletiva de caminhos para o futuro da bebida e de outras bioculturas associadas a povos e territórios tradicionais.

Mesmo com o encerramento da primeira jornada, os debates seguem ao longo dos três dias de programação. A expectativa é que as discussões realizadas em Girona ultrapassem o período do encontro e influenciem futuras decisões sobre pesquisa, direitos indígenas, preservação cultural, saúde, regulação e uso da ayahuasca fora de seus contextos de origem.

A discussão ganhou dimensão internacional com a disseminação da ayahuasca fora da Amazônia. O interesse pelo efeito psicoativo abriu espaço para retiros, terapias alternativas e iniciativas comerciais em diferentes países, enquanto lideranças indígenas cobram respeito às formas tradicionais de uso e aos territórios onde esse conhecimento foi desenvolvido.

Um dos principais pontos discutidos em Girona é o risco de separar a ayahuasca de seu contexto cultural. Representantes indígenas contestam a apropriação comercial e farmacêutica de conhecimentos tradicionais sem participação das comunidades responsáveis por sua preservação. Também há preocupação com tentativas de transformar saberes coletivos sobre plantas medicinais em produtos ou propriedades privadas.

A artista indígena Daiara Tukano, do povo Yepá Mahsã, afirmou durante o encontro que o conhecimento relacionado à ayahuasca não pode ser dissociado do território. Para ela, a expansão internacional da bebida ocorre muitas vezes sem considerar a relação entre as comunidades, a natureza e os sistemas tradicionais de conhecimento.

Líder política e espiritual, a acreana Edina Shanenawa também defendeu o reconhecimento dos povos indígenas como responsáveis pela preservação dessas práticas. Ela rejeitou iniciativas de patenteamento de usos medicinais de plantas sem a participação das comunidades e descreveu os territórios indígenas como espaços onde permanece um amplo conhecimento sobre espécies utilizadas tradicionalmente.

O fórum também busca aproximar saberes indígenas e conhecimento científico. A programação inclui discussões sobre segurança, integração de experiências, saúde mental, legislação, sustentabilidade biocultural e direitos dos povos originários. A proposta dos organizadores é criar um espaço de diálogo em que as comunidades indígenas tenham participação direta nas decisões sobre a expansão global da ayahuasca.

O encontro conta com envolvimento do Instituto Yorenka Tasorentsi, do Instituto Nixiwaka e da organização ICEERS, sediada em Barcelona. A Prefeitura de Girona também apoia a realização do evento. Os ingressos foram comercializados em diferentes categorias, com valores que chegaram a cerca de mil euros, e a organização informou que aproximadamente 95% das entradas haviam sido vendidas.

A realização do fórum na Europa ocorre em meio ao crescimento mundial do interesse por substâncias psicodélicas e por práticas terapêuticas envolvendo plantas tradicionais. Para as lideranças reunidas em Girona, porém, o debate sobre a ayahuasca passa também pela proteção da Amazônia, pela autonomia dos povos indígenas e pelo reconhecimento de que o conhecimento sobre essas plantas está ligado a culturas e territórios, e não apenas aos efeitos provocados por seu consumo.

Fontes: ARA, Fórum Mundial da Ayahuasca, ICEERS

Fachin marca para 23 de setembro análise de pedido de investigação contra André Mendonça

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, marcou para 23 de setembro a sessão que vai analisar o pedido de investigação contra o ministro André Mendonça. A decisão foi tomada neste sábado (12), ao rejeitar a solicitação de Alexandre de Moraes para que o caso envolvendo Mendonça fosse julgado junto com o processo relacionado às mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes.

Com a decisão, o STF manterá para terça-feira (15) uma sessão extraordinária dedicada ao processo que envolve Alexandre de Moraes. O julgamento está previsto para começar às 10h e terá como foco um relatório da Polícia Federal sobre mais de 50 mensagens enviadas por Vorcaro a um número de telefone que seria utilizado pelo ministro.

Fachin decidiu separar os processos porque eles tratam de questões diferentes e estão em fases distintas. O procedimento relacionado a Mendonça ainda depende de informações e manifestações solicitadas pela Presidência do Supremo antes de ser submetido ao plenário.

A Petição 16.662 reúne o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens de Vorcaro e já havia sido liberada para julgamento por Mendonça em 6 de setembro. Já a Petição 16.704 concentra questionamentos apresentados por Moraes sobre a atuação de Mendonça em investigações envolvendo o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entre os pontos levados ao Supremo estão suspeitas relacionadas à condução das investigações, às tratativas para uma possível delação premiada, a um suposto direcionamento de apurações contra Moraes e à possibilidade de atuação seletiva nos procedimentos.

Parte das informações solicitadas ainda não chegou ao STF. Alguns prazos terminam na segunda-feira (14), enquanto outros avançam para depois da sessão marcada para terça. Fachin considerou que antecipar a análise do caso de Mendonça levaria ao plenário um procedimento cuja fase preliminar ainda não terminou.

Alexandre de Moraes havia defendido o julgamento conjunto sob o argumento de que a separação dos processos poderia provocar decisões contraditórias e dificuldades na tramitação. Fachin manteve as sessões separadas e afirmou que a análise exclusiva da Petição 16.662 permite delimitar com precisão o tema que será discutido pelos ministros.

O relatório que será analisado na terça-feira foi produzido durante as investigações relacionadas ao Banco Master. A divulgação do material ampliou as divergências entre Moraes e Mendonça dentro do Supremo. Moraes questionou a forma como documentos chegaram ao conhecimento público e afirmou que parte do material teria sido divulgada de maneira seletiva.

Moraes também pediu a retirada de todos os sigilos dos procedimentos relacionados ao caso e solicitou que magistrados mencionados nas investigações fossem chamados a prestar informações. O levantamento de sigilos já havia sido solicitado pelo ministro Cristiano Zanin e recebeu providências da Presidência do STF. O pedido para ouvir os magistrados ainda será analisado.

As investigações envolvendo o Banco Master apuram suspeitas de fraudes financeiras e possíveis desdobramentos políticos. Uma das frentes também alcança o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com a decisão de Fachin, o Supremo terá duas datas distintas para examinar os episódios: na terça-feira (15), o plenário trata do processo envolvendo Alexandre de Moraes; em 23 de setembro, será a vez das questões relacionadas a André Mendonça.

Fonte: Agência Brasil

Prefeitura leva atendimentos de saúde à comunidade Rio Croa em Cruzeiro do Sul

Moradores da comunidade Rio Croa, em Cruzeiro do Sul, receberam nesta sexta-feira (11) uma ação com consultas, vacinação, exames e outros serviços de saúde. O atendimento foi realizado pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, dentro do programa Missão Cuidar – Saúde em Todo Lugar, voltado à ampliação da assistência em regiões onde moradores enfrentam dificuldades para chegar às unidades da área urbana.

A equipe ofereceu atendimento médico e de enfermagem, acompanhamento pré-natal, coleta de exame preventivo do câncer do colo do útero (PCCU), atendimento odontológico e vacinação. Também foram disponibilizados medicamentos e testes rápidos.

Entre os exames realizados estavam testes para malária e para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, sífilis e hepatites virais.

A moradora Maria José afirmou que a presença dos profissionais na própria comunidade reduz as dificuldades enfrentadas por famílias que vivem em pontos mais distantes. “É muito importante esse atendimento aqui, porque tem gente que mora mais longe e tem dificuldade para ir até a cidade. A gente fica muito agradecido quando a saúde vem até a comunidade”, afirmou.

A unidade de referência para os moradores do Rio Croa é a Unidade Básica de Saúde Geovana Maria Freitas do Vale, localizada na Vila Lagoinha.

A coordenadora da unidade, Tauane Bezerra, afirmou que a ação permite aproximar os serviços públicos de saúde dos moradores com maior dificuldade de deslocamento. “Esse atendimento é muito importante para a comunidade, principalmente para quem tem dificuldade de deslocamento. É uma ação a pedido do prefeito Zequinha Lima, e agradecemos à gestão por possibilitar que esses serviços cheguem até os moradores do Rio Croa”, disse.

O Missão Cuidar – Saúde em Todo Lugar leva equipes e diferentes serviços de saúde a comunidades de Cruzeiro do Sul, com atendimento descentralizado para moradores de regiões afastadas.

Norte terá temporais no fim de semana; ciclone aumenta risco de chuva forte no Centro-Sul

Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima devem registrar pancadas de chuva acompanhadas de trovoadas neste sábado (12) e domingo (13), enquanto um ciclone extratropical associado a uma frente fria aumenta o risco de temporais no Centro-Sul do Brasil. O sistema favorece chuva intensa, ventos fortes e possibilidade de granizo em diferentes áreas do país.

Na Região Norte, a instabilidade se concentra principalmente em áreas do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. O calor e a elevada umidade favorecem a formação de nuvens carregadas, com pancadas de moderada a forte intensidade e possibilidade de temporais isolados durante o fim de semana.

No Nordeste, a chuva deve atingir Salvador e pontos da faixa litorânea entre o Rio Grande do Norte e Alagoas. As precipitações tendem a variar entre fracas e moderadas, enquanto áreas do interior permanecem sob influência do tempo seco e de temperaturas elevadas.

As condições mais severas são esperadas no Sul. Santa Catarina e Paraná podem registrar chuva de moderada a forte intensidade, acompanhada de queda nas temperaturas. Rajadas de vento podem chegar a 70 km/h em áreas do litoral.

O Paraná concentra parte do maior risco de chuva volumosa e temporais, principalmente nas regiões norte, nordeste e noroeste. Santa Catarina também pode enfrentar tempestades, enquanto, no Rio Grande do Sul, a chuva tende a ocorrer de forma mais isolada no nordeste e no litoral.

Há possibilidade de formação de tornados entre o centro-sul e o oeste do Paraná, o oeste de Santa Catarina e o noroeste do Rio Grande do Sul. Também existe risco de granizo no noroeste gaúcho, em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

No Sudeste, a frente fria mantém o tempo instável em São Paulo, Rio de Janeiro, no sul, Triângulo e leste de Minas Gerais e no sul do Espírito Santo. Essas áreas podem registrar chuva de moderada a forte intensidade, trovoadas e temporais isolados.

O centro-sul de São Paulo e o extremo sul de Minas Gerais têm risco de acumulados elevados de chuva. A frente fria também avança lentamente em direção ao sul de Mato Grosso do Sul, com queda de temperatura e aumento das condições para chuva forte no estado e em áreas de Mato Grosso.

O ciclone extratropical se formou na sexta-feira (11), entre o nordeste do Rio Grande do Sul e o Oceano Atlântico, e deve atingir sua maior intensidade neste sábado enquanto avança em direção ao oceano.

Jorge Viana recebe carinho de moradores durante caminhada no bairro Montanhês

Assessoria

O candidato ao Senado Jorge Viana recebeu manifestações de carinho e apoio de moradores durante uma caminhada na sexta-feira (11), pelo bairro Montanhês, em Rio Branco. Ao longo do percurso, ele conversou com moradores, ouviu demandas da comunidade e relembrou ações realizadas durante sua trajetória política no Acre.

Durante a caminhada, Jorge Viana afirmou que o contato direto com os moradores é uma das principais características de sua campanha e destacou a receptividade que tem encontrado durante as agendas nos bairros.

“Eu sempre gostei desse contato direto com as pessoas. E olha, eu nunca fui tão abraçado, tão incentivado a ganhar um mandato como está sendo dessa vez nessa minha eleição para o Senado”, declarou.

O candidato também afirmou estar motivado para disputar uma vaga no Senado e defendeu que o Acre retome um ciclo de desenvolvimento, após o que classificou como oito anos de abandono.

“Não paro de ver as coisas que a gente fez, mas também não paro de lamentar o esquecimento que essa população vive há anos. Nesses oito anos de abandono, o Acre precisa voltar a andar para frente. É por isso que eu estou motivado a ser senador”, afirmou.

Moradores e lideranças comunitárias relembram atuação de Jorge Viana

Entre os moradores que presenciaram a caminhada estava Neide Lima, que vive no Montanhês há cerca de dez anos. Ao comentar sobre Jorge Viana, ela avaliou positivamente a atuação do candidato e afirmou que ele merece uma nova oportunidade para continuar contribuindo com o estado.

“É uma pessoa maravilhosa, que lutou muito pelo Acre. Ele e o Tião Viana, e eu gosto muito dele. Foi muito bom e merece uma nova oportunidade”, afirmou.

A agenda também contou com a participação de lideranças comunitárias. Presidente do bairro Apolônio Sales, Elisaudo Luna destacou a expectativa de um novo mandato de Jorge Viana.

“É uma expectativa grande pra nós, principalmente as comunidades. A esperança voltando novamente através do nosso senador Jorge Viana. Se Deus quiser, ele vai estar novamente sendo nosso senador pra ajudar todos, toda a nossa comunidade e ajudar o nosso estado”, afirmou.

O presidente do bairro Defesa Civil, Júnior Angelim, também declarou apoio ao candidato e destacou obras realizadas durante as gestões anteriores de Jorge Viana.

“É gratificante a gente ajudar o Jorge, porque o Jorge foi o melhor governador. Todas as obras que tem no Acre hoje, se tirar as obras que o Jorge fez no Acre, não fica nada”, disse.

Caminhada reforça esperança por dias melhores

O candidato a deputado estadual Tiago Mourão acompanhou a caminhada e destacou a receptividade encontrada pela campanha nos bairros. “De todo lugar que a gente chega as pessoas recebem a gente bem, com esperança de que dias melhores virão, então a gente sempre se anima por conta disso, saber que a gente pode melhorar a vida das pessoas”, afirmou.

Mourão também lembrou de ações realizadas no Montanhês durante gestões anteriores e citou investimentos em infraestrutura e saneamento.
“Aqui a gente conseguiu transformar o bairro com políticas públicas de saneamento, de asfalto, então é sempre um prazer voltar aqui e trazer esperança pras pessoas”, afirmou.

A caminhada pelo Montanhês encerrou com novas manifestações de apoio à candidatura de Jorge Viana. Ao conversar com moradores e lideranças comunitárias, o candidato reforçou a disposição de voltar a representar o Acre no Senado e destacou a importância de manter o diálogo direto com a população durante a campanha.

A Herança Rejeitada e a Gestão das Pequenas Entregas: As Contradições de Mailza no Horário Nobre

O primeiro grande embate televisivo das Eleições de 2026, promovido pelo ac24horas, não serviu apenas para testar os nervos dos candidatos ao Palácio Rio Branco. Ele funcionou como um espelho de aumento, revelando as fraturas no discurso da atual governadora, Mailza Cameli. Pressionada pela estratégia conjunta de seus três adversários, a candidata à reeleição adotou uma narrativa de sobrevivência que, sob escrutínio, esbarra na sua própria certidão de nascimento político e na matemática de suas entregas.

O debate expôs duas fragilidades crônicas na campanha governista: a tentativa desesperada de amputar o passado recente e a exaltação de realizações minúsculas que, ironicamente, dependem de seus adversários ideológicos.

O Paradoxo da Vice que (Não) Estava Lá

A manobra mais arriscada de Mailza na noite foi a sua tentativa de desvincular-se do ex-governador Gladson Cameli, seu principal fiador político. Com Cameli encurralado por denúncias de corrupção, condenação no STJ e vendo sua candidatura ao Senado barrada pelo TRE-AC no mesmo dia do debate, a governadora tentou criar um cordão sanitário temporal ao redor de si mesma.

Sua defesa baseou-se em uma premissa no mínimo curiosa: “Eu só me responsabilizo pelo que eu faço a partir de abril”.

A frase é uma acrobacia retórica que ignora a história. Mailza não caiu de paraquedas no Palácio Rio Branco em abril de 2026. Ela é a essência da continuidade. Foi alçada ao Senado Federal justamente por ser a suplente de Gladson quando este assumiu o governo. Posteriormente, foi escolhida a dedo para compor a chapa como sua vice-governadora. Ela estava na sala de comando. Negar a continuidade de um governo do qual ela foi a “copilota” por anos não é apenas uma contradição; é subestimar a memória do eleitor. Como bem observaram os analistas logo após o embate: “Como é que a governadora não fazia parte da gestão, sendo que ela era vice?”.

Ao tentar se livrar do peso de Gladson para blindar sua imagem, Mailza nega suas próprias raízes, entregando aos adversários o flanco da incoerência.

A Cereja do Bolo: A Pequenez Habitacional e o Fator Lula

Se no campo político o discurso de Mailza patinou na própria trajetória, no campo administrativo a tentativa de demonstrar força revelou uma fraqueza ainda maior. A “cereja do bolo” da dissonância ocorreu quando a governadora puxou para si os holofotes ao falar de obras e infraestrutura, orgulhando-se da entrega de pouco mais de 200 casas populares.

Em um estado com um déficit habitacional histórico e crescente, ostentar a entrega de pouco mais de duas centenas de moradias não é um atestado de eficiência, mas uma admissão de letargia. É a celebração da pequenez.

Porém, a ironia que desmancha o discurso governista vai além do número irrisório. O fato inegável que a campanha de Mailza tenta omitir é que essas parcas 200 casas só saíram do papel ou ganharam tração depois de 2023. O motivo? O retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência e a retomada de programas federais de habitação.

Durante os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro — o “grande presidente da direita” que o grupo político de Mailza e Gladson abraçou fervorosamente —, o Acre foi deixado à míngua no quesito de novas habitações populares. O governo estadual, alinhado à gestão federal anterior, foi incapaz de entregar telhados por conta própria.

Agora, a candidata tenta capitalizar politicamente em cima de um número ínfimo de obras que só existem porque o governo federal, liderado pelo espectro político oposto, abriu os cofres.

O Saldo do Embate

O debate deixou claro que Mailza Cameli tenta caminhar sobre uma corda bamba narrativa. De um lado, quer os bônus de ser a máquina do governo, mas sem carregar o ônus da corrupção da gestão da qual foi vice. Do outro, acena para o eleitorado conservador enquanto sua vitrine de obras — por menor que seja — depende do oxigênio financeiro do governo Lula.

Na política, a sinceridade costuma ser a melhor vacina. Ao tentar reescrever sua ligação umbilical com Gladson Cameli e maquiar o DNA das poucas obras que tem para mostrar, Mailza não resolveu seus problemas no debate; ela apenas desenhou um alvo maior nas próprias costas para as próximas semanas de campanha.