Mãe cobra resposta após 54 dias de espera por TFD em Cruzeiro do Sul

A espera por Tratamento Fora de Domicílio interestadual chegou a 54 dias para uma jovem de 18 anos internada no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. O caso, que já havia exposto a demora na transferência de pacientes graves para fora do Acre, ganhou novo elemento: um laudo da equipe de neurocirurgia confirma a complexidade do quadro, aponta a necessidade de atendimento fora da rede local e alerta para riscos em caso de demora na avaliação especializada.

A paciente tem hidrocefalia congênita e passou pela primeira cirurgia ainda recém-nascida, com apenas 11 dias de vida. Segundo a mãe, Antônia de S. Cruz, desde então a família enfrenta uma rotina de internações, cirurgias e tentativas de controle do quadro. Em 2022, a válvula de derivação ventriculoperitoneal, conhecida como DVP, começou a apresentar problemas.

“Minha filha tem hidrocefalia congênita, fez a primeira cirurgia com 11 dias. Desde então é uma luta. Hoje tem 18 anos e, no ano de 2022, a DVP começou a dar problema. Desde então vem fazendo vários procedimentos cirúrgicos sem êxito. Está à base de Tramal, que só alivia. Ou seja, é como ela suporta a dor”, afirmou Antônia.

O laudo da neurocirurgia descreve a paciente como portadora de hidrocefalia complexa, já submetida a múltiplas intervenções neurocirúrgicas e com evolução marcada por complicações relacionadas ao sistema de derivação. O histórico médico aponta implante de DVP de média pressão em novembro de 2022, troca para DVP de alta pressão em novembro de 2023 por quadro de hiperdrenagem e novo procedimento em setembro de 2025 para avaliação da hiperdrenagem e possível dependência valvular.

Apesar de, no momento da avaliação, a paciente estar consciente, orientada, com escala de coma de Glasgow 15 e sem déficits neurológicos focais ao exame, o documento é direto ao afirmar que ela precisa de reavaliação especializada. A equipe médica também registra que a manutenção do quadro sem avaliação adequada pode evoluir com piora neurológica, disfunção valvular, hipertensão intracraniana, rebaixamento do nível de consciência, déficits neurológicos permanentes e risco de óbito.

Diante da complexidade do caso e da necessidade de recursos terapêuticos não disponíveis na rede local, o laudo indica TFD interestadual para avaliação e possível realização de terceiroventriculostomia endoscópica ou implante de válvula programável ou autorregulável. O documento afirma ainda que o encaminhamento é necessário por se tratar de procedimento e acompanhamento de alta complexidade, exigindo equipe especializada e centro de referência com experiência em hidrocefalia complexa.

Para a família, a demora deixou de ser apenas uma espera por vaga. São 54 dias de internação, dor controlada com medicação e incerteza sobre quando a transferência será autorizada.

“Será que em 54 dias não teve nenhum estado disponível para receber os pacientes? 54 dias procurando leito, é vergonhoso isso!”, cobrou Antônia.

O caso não é isolado, segundo relato encaminhado ao Grupo Integração. A mãe também informou a situação de outro paciente, identificado como Manoel, que estaria internado desde 23 de abril deste ano no Hospital Regional do Juruá, também à espera de TFD interestadual.

De acordo com o relato, Manoel sofreu um acidente com disparo de arma de fogo em 20 de fevereiro de 2025 e, desde então, passou por cinco procedimentos cirúrgicos. Em 2026, voltou ao hospital com fortes dores e infecção no local da cirurgia. A situação exigiu a retirada de uma placa craniana. A equipe médica teria solicitado avaliação de um cirurgião plástico, já que a pele na região do crânio não estaria mais se regenerando adequadamente.

Manoel Oliveira da Conceição

Ainda segundo a família, Manoel enfrenta fortes dores de cabeça e já apresentou acúmulo de líquido cefalorraquidiano, o que exigiu nova drenagem. O quadro, conforme o relato, vem se agravando enquanto o paciente segue sem transferência para tratamento fora do estado.

Apesar da cobrança pela demora no TFD, os familiares destacam que os pacientes têm recebido acolhimento dos profissionais do Hospital Regional do Juruá. No caso de Manoel, o relato aponta acompanhamento psicológico durante a internação. A crítica se concentra na falta de resposta sobre a transferência, na ausência de prazo e na dificuldade de acesso a serviços de alta complexidade fora do Acre.

A espera de 54 dias escancara um problema que vai além de um caso individual. Em Cruzeiro do Sul, pacientes graves dependem de regulação, vaga, autorização e transporte para conseguir atendimento especializado em outros estados. Quando esse fluxo não acontece, a dor permanece dentro do hospital, sob cuidado das equipes locais, mas sem a solução que só pode vir com o tratamento fora da rede disponível no Juruá.

Enquanto isso, famílias seguem contando os dias. Para Antônia, a pergunta continua sem resposta: por que, em quase dois meses, o Estado ainda não conseguiu garantir um leito para quem precisa sair do Acre para tratar uma condição grave?

Prefeitura de Rio Branco reforça vacinação e mobiliza rede de saúde contra síndromes respiratórias

A Prefeitura de Rio Branco reuniu na terça-feira, 9 de junho, mais de 60 coordenadores das unidades de Atenção Primária para alinhar ações de prevenção, monitoramento e atendimento diante do aumento dos casos de síndromes respiratórias na capital. A medida busca fortalecer a rede municipal de saúde e ampliar a vacinação contra a influenza, apontada pela gestão como uma das principais formas de evitar agravamentos e internações.

Durante o encontro, a Secretaria Municipal de Saúde apresentou o cenário epidemiológico mais recente e definiu estratégias para reforçar a atuação das equipes nas unidades básicas. A orientação é ampliar o acolhimento, a triagem e o acompanhamento dos pacientes, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

A diretora de Vigilância em Saúde, Socorro Martins, afirmou que a cobertura vacinal entre os grupos prioritários está em torno de 40%, índice considerado abaixo do ideal para este momento. O alerta se concentra principalmente em crianças, idosos, gestantes e puérperas, públicos com maior risco de complicações causadas pela influenza.

O diretor de Cuidados com a Saúde na Comunidade, Everton Maia, disse que a atenção primária tem papel central no enfrentamento das síndromes respiratórias, tanto na orientação à população quanto no atendimento inicial dos casos. A avaliação da prefeitura é que o reforço da rede básica ajuda a reduzir a pressão sobre os serviços de maior complexidade.

O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que a mobilização faz parte de um conjunto de ações para ampliar a resposta da rede municipal neste período de maior circulação de vírus respiratórios. A recomendação é que as pessoas dos grupos prioritários procurem as unidades de saúde para atualizar a vacinação e reforçar a proteção contra formas graves da doença.

Com Fala, Acre, Alan Rick chega ao Juruá e arrasta público em agenda de escuta

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre pelo Republicanos, chegou ao Vale do Juruá com a caravana do Fala, Acre e tem usado a passagem pela região para reforçar presença política, reunir público e ouvir demandas de moradores, lideranças comunitárias e representantes de diferentes segmentos sociais.

Antes de chegar a Cruzeiro do Sul, a agenda passou por municípios isolados como Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Nas duas cidades, o senador realizou escutas presenciais do projeto e registrou demandas ligadas à saúde, juventude, infraestrutura, educação, mobilidade e oportunidades para a população.

Em Marechal Thaumaturgo, Alan Rick afirmou que a população apresentou propostas para o futuro do estado. Entre os principais pontos levantados estiveram a ampliação do atendimento às pessoas com autismo e transtornos do neurodesenvolvimento, com mais acesso a diagnóstico, terapias e educação especial. Também foram citados pedidos de valorização dos servidores públicos, capacitação, primeiro emprego e projetos voltados para afastar jovens das drogas e da ociosidade.

A população de Marechal Thaumaturgo também reforçou uma demanda antiga da região: a superação do isolamento terrestre, com investimentos em estrada e ponte. Alan agradeceu ao padre Orlando pela acolhida e destacou a contribuição dele no debate sobre atenção aos jovens.

Em Porto Walter, a escuta teve forte participação da juventude. Segundo o senador, jovens participaram propondo ideias e defendendo um Acre com mais oportunidades. Entre os principais apontamentos estiveram cultura, esporte, acesso a médicos especialistas, fortalecimento da telemedicina, atenção a crianças e jovens neurodivergentes, além de soluções de mobilidade e infraestrutura para enfrentar o isolamento da região.

A passagem pelo Juruá é tratada por aliados como uma agenda positiva para Alan Rick. O público presente nas atividades, as imagens de recepção e a participação de lideranças locais reforçam a tentativa de transformar o Fala, Acre em uma vitrine política da pré-campanha, com presença nos municípios e discurso de escuta direta da população.

Em fala durante a agenda em Cruzeiro do Sul, Alan Rick disse que o movimento em torno do seu projeto mostra adesão de lideranças e grupos políticos. “Tem muita gente querendo ingressar no nosso projeto, muita gente colocando nomes, muitos partidos aliados colocando nomes. Isso é muito bonito, isso é muito legal”, afirmou. Para o senador, a movimentação indica que “a população e os próprios grupos políticos querem estar conosco”.

Alan também defendeu que sua atuação parlamentar tem mantido diálogo com os municípios do interior. Ao comentar a relação com Cruzeiro do Sul, afirmou que “todo município tem dificuldade” e que os prefeitos, diante da baixa arrecadação, precisam buscar apoio de parlamentares para realizar obras. “Todas as vezes que Cruzeiro do Sul precisou do senador Alan Rick, prontamente ele atendeu. E farei isso sempre”, declarou.

Neste fim de semana, a caravana segue por Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima, com entregas de maquinários, visitas técnicas, encontros com produtores rurais e novas rodadas de escuta popular. A estratégia de Alan Rick é percorrer comunidades, ouvir demandas e apresentar o projeto como uma construção feita a partir das realidades locais.

Circuito Sesc de Corridas movimenta Rio Branco neste domingo com provas e serviços de saúde

Rio Branco recebe neste domingo, 17 de maio, o Circuito Sesc de Corridas, uma das ações da Semana S 2026 no Acre. A programação começa às 6h, no Sesc Bosque, com percursos de 3 km, 5 km e 10 km e reúne esporte, atendimento em saúde e atividades voltadas à qualidade de vida.

A corrida foi organizada para atender participantes de diferentes perfis, dos iniciantes aos atletas mais experientes, em um evento que também amplia a programação da Semana S na capital acreana. Ao longo do trajeto, os corredores contarão com cinco pontos de hidratação, apoio de ambulância e distribuição de frutas na chegada.

A estrutura montada para o domingo inclui ainda uma série de serviços gratuitos de saúde para o público. Estão previstos atendimentos com aferição de pressão arterial, teste de glicemia, orientações sobre diabetes e hipertensão, ações de saúde bucal e atividades preventivas ligadas ao câncer de mama, de próstata e de pele.

A entrega dos kits aos inscritos ocorreu na sexta-feira, 15 de maio, no Sesc Bosque, em preparação para a prova. A expectativa é de que o circuito reúna competidores e público em uma manhã dedicada ao incentivo à prática esportiva e à prevenção em saúde.

A Semana S é promovida nacionalmente pelo Sistema CNC-Sesc-Senac e reúne ações gratuitas em áreas como esporte, lazer, educação, cidadania e qualificação profissional. No Acre, a programação é realizada com participação de instituições do comércio e do sistema sindical.