Pedro Pascoal nega falta de recursos em crise da ortopedia; dados mostram pagamento após ameaça de suspensão

Ex-secretário afirmou que suspensão de cirurgias não seria causada por falta de dinheiro; GoiásMed havia cobrado débitos de fevereiro, março e abril e ameaçado paralisar eletivas

O ex-secretário de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, afirmou que a ameaça de suspensão de cirurgias ortopédicas na rede estadual não é causada por falta de recursos. Segundo ele, o Estado teria disponibilidade financeira para honrar os compromissos da área, e o problema estaria relacionado ao fluxo administrativo dos pagamentos, e não à ausência de orçamento ou de dinheiro em caixa.

A declaração, feita em suas redes sociais, coloca o centro do problema não na falta de recursos, mas na forma como a gestão da Saúde conduziu os pagamentos à empresa responsável pelo serviço. Pascoal destacou que a Saúde estadual possui planejamento financeiro e que os contratos em andamento contam com previsão orçamentária para execução, afastando a hipótese de que a paralisação tenha ocorrido por incapacidade financeira do governo.

A fala ocorre em meio à crise envolvendo a GoiásMed Serviços Médicos Ltda., contratada pela Secretaria de Estado de Saúde para atuar nos serviços de Ortopedia e Traumatologia da rede estadual. A empresa comunicou oficialmente à Sesacre que poderia paralisar parcialmente os atendimentos e cirurgias eletivas caso os pagamentos em atraso não fossem regularizados até quarta-feira, 8 de julho.

No ofício, a GoiásMed informou que a paralisação começaria a partir das 18h do dia 8 e atingiria os atendimentos e cirurgias eletivas de Ortopedia e Traumatologia programados no âmbito do Contrato Sesacre nº 140/2026. A empresa alegou inadimplência da contratante e cobrou o saldo remanescente da competência de fevereiro, a quitação integral dos serviços de março e a emissão do empenho referente a abril.

A prestadora afirmou, no entanto, que os atendimentos de urgência e emergência seriam mantidos no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) e no Hospital Geral de Cruzeiro do Sul, evitando uma interrupção completa da assistência ortopédica no estado.

A própria Sesacre informou, depois da notificação, que o pagamento referente aos serviços já havia sido processado e encaminhado à instituição bancária em 7 de julho, com expectativa de crédito na conta da empresa no dia seguinte. A pasta afirmou ainda que acompanhava a situação para garantir a continuidade dos serviços de ortopedia e traumatologia no estado.

Os dados atualizados de empenhos e pagamentos confirmam que houve mudança após a cobrança da empresa. No primeiro levantamento, o empenho nº 7216075944, no valor de R$ 1.630.134,00, referente à competência de março, aparecia liquidado, mas com pagamento zerado. Na consulta atualizada desta quinta-feira, o mesmo valor já aparece como pago.

Com isso, o total pago pelo governo à GoiásMed passou de R$ 1.049.184,00 para R$ 2.679.318,00. Ainda permanece sem pagamento registrado um empenho de R$ 373.129,87 referente a OPME, órteses, próteses e materiais especiais usados nos procedimentos ortopédicos e traumatológicos. Esse valor aparece empenhado, mas sem liquidação e sem pagamento.

A contratação da GoiásMed tem valor total classificado de R$ 29.294.170,00 no Pregão Eletrônico SRP nº 600/2025, ComprasGov nº 90600/2025, da Sesacre. O objeto inclui serviços médicos em Ortopedia e Traumatologia, adulto e pediátrico, com equipe multidisciplinar, equipamentos, instrumentais e fornecimento de OPME para a rede estadual de saúde.

A documentação da própria licitação mostra que a contratação tinha como justificativa evitar descontinuidade, filas e cancelamentos. O termo de referência afirma que a ortopedia eletiva tem demanda reprimida elevada e que a realização regular dos procedimentos é essencial para reduzir filas de espera, evitar agravamento de lesões e prevenir incapacidades permanentes.

O documento também aponta que a Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre) é referência estadual para cirurgias ortopédicas eletivas de média e alta complexidade, mas enfrenta limitações de estrutura e pessoal para atender toda a demanda existente.

Outro trecho do termo de referência diz que a interrupção abrupta do contrato representaria risco iminente de desassistência à população, comprometendo tanto os atendimentos de urgência quanto os procedimentos eletivos. A contratação conjunta de serviços médicos e OPME foi defendida pela Sesacre como forma de garantir resolutividade imediata e evitar adiamento ou cancelamento de cirurgias por falta de materiais no momento do procedimento.

É nesse ponto que a declaração de Pedro Pascoal ganha peso político. Ao afirmar que não faltam recursos, o ex-secretário desloca o debate para a gestão dos processos internos da Secretaria de Saúde. Se havia previsão financeira e disponibilidade para pagamento, a cobrança formal da empresa indica que o entrave pode ter ocorrido em etapas como empenho, liquidação, autorização ou liberação dos valores.

Os registros oficiais reforçam essa discussão. O empenho referente aos serviços de março, no valor de R$ 1,63 milhão, só foi registrado em 23 de junho e permaneceu sem pagamento até depois da ameaça de paralisação. Após a manifestação da GoiásMed, o valor foi quitado, segundo os dados atualizados.

O caso também expõe uma discussão sobre prioridades de pagamento do governo. Em junho, levantamento anterior mostrou que a Casa Civil teve R$ 3.047.156,00 em despesas com fretamento administrativo de aeronaves pagos integralmente à Ortiz Táxi Aéreo. Já na Saúde, a GoiásMed chegou a comunicar risco de paralisação parcial de cirurgias eletivas por falta de pagamento de competências anteriores.

Mesmo com o pagamento de R$ 1,63 milhão lançado após a ameaça, a crise deixa perguntas em aberto: se havia recursos disponíveis, por que os valores chegaram ao ponto de cobrança formal pela empresa? Por que a competência de março só foi empenhada em 23 de junho? O que aconteceu com o saldo de fevereiro citado pela GoiásMed? Abril já teve empenho emitido? E quantos pacientes tiveram cirurgias ameaçadas ou remarcadas durante o impasse?

A fala de Pedro Pascoal, portanto, não encerra a crise. Ao contrário, reforça a necessidade de explicações da Sesacre sobre o funcionamento do fluxo de pagamentos. Se não houve falta de dinheiro, o governo precisa esclarecer por que uma empresa contratada para uma área sensível da saúde pública precisou ameaçar paralisar cirurgias eletivas para que os pagamentos avançassem no sistema.

Mãe cobra resposta após 54 dias de espera por TFD em Cruzeiro do Sul

A espera por Tratamento Fora de Domicílio interestadual chegou a 54 dias para uma jovem de 18 anos internada no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. O caso, que já havia exposto a demora na transferência de pacientes graves para fora do Acre, ganhou novo elemento: um laudo da equipe de neurocirurgia confirma a complexidade do quadro, aponta a necessidade de atendimento fora da rede local e alerta para riscos em caso de demora na avaliação especializada.

A paciente tem hidrocefalia congênita e passou pela primeira cirurgia ainda recém-nascida, com apenas 11 dias de vida. Segundo a mãe, Antônia de S. Cruz, desde então a família enfrenta uma rotina de internações, cirurgias e tentativas de controle do quadro. Em 2022, a válvula de derivação ventriculoperitoneal, conhecida como DVP, começou a apresentar problemas.

“Minha filha tem hidrocefalia congênita, fez a primeira cirurgia com 11 dias. Desde então é uma luta. Hoje tem 18 anos e, no ano de 2022, a DVP começou a dar problema. Desde então vem fazendo vários procedimentos cirúrgicos sem êxito. Está à base de Tramal, que só alivia. Ou seja, é como ela suporta a dor”, afirmou Antônia.

O laudo da neurocirurgia descreve a paciente como portadora de hidrocefalia complexa, já submetida a múltiplas intervenções neurocirúrgicas e com evolução marcada por complicações relacionadas ao sistema de derivação. O histórico médico aponta implante de DVP de média pressão em novembro de 2022, troca para DVP de alta pressão em novembro de 2023 por quadro de hiperdrenagem e novo procedimento em setembro de 2025 para avaliação da hiperdrenagem e possível dependência valvular.

Apesar de, no momento da avaliação, a paciente estar consciente, orientada, com escala de coma de Glasgow 15 e sem déficits neurológicos focais ao exame, o documento é direto ao afirmar que ela precisa de reavaliação especializada. A equipe médica também registra que a manutenção do quadro sem avaliação adequada pode evoluir com piora neurológica, disfunção valvular, hipertensão intracraniana, rebaixamento do nível de consciência, déficits neurológicos permanentes e risco de óbito.

Diante da complexidade do caso e da necessidade de recursos terapêuticos não disponíveis na rede local, o laudo indica TFD interestadual para avaliação e possível realização de terceiroventriculostomia endoscópica ou implante de válvula programável ou autorregulável. O documento afirma ainda que o encaminhamento é necessário por se tratar de procedimento e acompanhamento de alta complexidade, exigindo equipe especializada e centro de referência com experiência em hidrocefalia complexa.

Para a família, a demora deixou de ser apenas uma espera por vaga. São 54 dias de internação, dor controlada com medicação e incerteza sobre quando a transferência será autorizada.

“Será que em 54 dias não teve nenhum estado disponível para receber os pacientes? 54 dias procurando leito, é vergonhoso isso!”, cobrou Antônia.

O caso não é isolado, segundo relato encaminhado ao Grupo Integração. A mãe também informou a situação de outro paciente, identificado como Manoel, que estaria internado desde 23 de abril deste ano no Hospital Regional do Juruá, também à espera de TFD interestadual.

De acordo com o relato, Manoel sofreu um acidente com disparo de arma de fogo em 20 de fevereiro de 2025 e, desde então, passou por cinco procedimentos cirúrgicos. Em 2026, voltou ao hospital com fortes dores e infecção no local da cirurgia. A situação exigiu a retirada de uma placa craniana. A equipe médica teria solicitado avaliação de um cirurgião plástico, já que a pele na região do crânio não estaria mais se regenerando adequadamente.

Manoel Oliveira da Conceição

Ainda segundo a família, Manoel enfrenta fortes dores de cabeça e já apresentou acúmulo de líquido cefalorraquidiano, o que exigiu nova drenagem. O quadro, conforme o relato, vem se agravando enquanto o paciente segue sem transferência para tratamento fora do estado.

Apesar da cobrança pela demora no TFD, os familiares destacam que os pacientes têm recebido acolhimento dos profissionais do Hospital Regional do Juruá. No caso de Manoel, o relato aponta acompanhamento psicológico durante a internação. A crítica se concentra na falta de resposta sobre a transferência, na ausência de prazo e na dificuldade de acesso a serviços de alta complexidade fora do Acre.

A espera de 54 dias escancara um problema que vai além de um caso individual. Em Cruzeiro do Sul, pacientes graves dependem de regulação, vaga, autorização e transporte para conseguir atendimento especializado em outros estados. Quando esse fluxo não acontece, a dor permanece dentro do hospital, sob cuidado das equipes locais, mas sem a solução que só pode vir com o tratamento fora da rede disponível no Juruá.

Enquanto isso, famílias seguem contando os dias. Para Antônia, a pergunta continua sem resposta: por que, em quase dois meses, o Estado ainda não conseguiu garantir um leito para quem precisa sair do Acre para tratar uma condição grave?

Prefeitura de Rio Branco reforça vacinação e mobiliza rede de saúde contra síndromes respiratórias

A Prefeitura de Rio Branco reuniu na terça-feira, 9 de junho, mais de 60 coordenadores das unidades de Atenção Primária para alinhar ações de prevenção, monitoramento e atendimento diante do aumento dos casos de síndromes respiratórias na capital. A medida busca fortalecer a rede municipal de saúde e ampliar a vacinação contra a influenza, apontada pela gestão como uma das principais formas de evitar agravamentos e internações.

Durante o encontro, a Secretaria Municipal de Saúde apresentou o cenário epidemiológico mais recente e definiu estratégias para reforçar a atuação das equipes nas unidades básicas. A orientação é ampliar o acolhimento, a triagem e o acompanhamento dos pacientes, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

A diretora de Vigilância em Saúde, Socorro Martins, afirmou que a cobertura vacinal entre os grupos prioritários está em torno de 40%, índice considerado abaixo do ideal para este momento. O alerta se concentra principalmente em crianças, idosos, gestantes e puérperas, públicos com maior risco de complicações causadas pela influenza.

O diretor de Cuidados com a Saúde na Comunidade, Everton Maia, disse que a atenção primária tem papel central no enfrentamento das síndromes respiratórias, tanto na orientação à população quanto no atendimento inicial dos casos. A avaliação da prefeitura é que o reforço da rede básica ajuda a reduzir a pressão sobre os serviços de maior complexidade.

O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que a mobilização faz parte de um conjunto de ações para ampliar a resposta da rede municipal neste período de maior circulação de vírus respiratórios. A recomendação é que as pessoas dos grupos prioritários procurem as unidades de saúde para atualizar a vacinação e reforçar a proteção contra formas graves da doença.

Com Fala, Acre, Alan Rick chega ao Juruá e arrasta público em agenda de escuta

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre pelo Republicanos, chegou ao Vale do Juruá com a caravana do Fala, Acre e tem usado a passagem pela região para reforçar presença política, reunir público e ouvir demandas de moradores, lideranças comunitárias e representantes de diferentes segmentos sociais.

Antes de chegar a Cruzeiro do Sul, a agenda passou por municípios isolados como Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Nas duas cidades, o senador realizou escutas presenciais do projeto e registrou demandas ligadas à saúde, juventude, infraestrutura, educação, mobilidade e oportunidades para a população.

Em Marechal Thaumaturgo, Alan Rick afirmou que a população apresentou propostas para o futuro do estado. Entre os principais pontos levantados estiveram a ampliação do atendimento às pessoas com autismo e transtornos do neurodesenvolvimento, com mais acesso a diagnóstico, terapias e educação especial. Também foram citados pedidos de valorização dos servidores públicos, capacitação, primeiro emprego e projetos voltados para afastar jovens das drogas e da ociosidade.

A população de Marechal Thaumaturgo também reforçou uma demanda antiga da região: a superação do isolamento terrestre, com investimentos em estrada e ponte. Alan agradeceu ao padre Orlando pela acolhida e destacou a contribuição dele no debate sobre atenção aos jovens.

Em Porto Walter, a escuta teve forte participação da juventude. Segundo o senador, jovens participaram propondo ideias e defendendo um Acre com mais oportunidades. Entre os principais apontamentos estiveram cultura, esporte, acesso a médicos especialistas, fortalecimento da telemedicina, atenção a crianças e jovens neurodivergentes, além de soluções de mobilidade e infraestrutura para enfrentar o isolamento da região.

A passagem pelo Juruá é tratada por aliados como uma agenda positiva para Alan Rick. O público presente nas atividades, as imagens de recepção e a participação de lideranças locais reforçam a tentativa de transformar o Fala, Acre em uma vitrine política da pré-campanha, com presença nos municípios e discurso de escuta direta da população.

Em fala durante a agenda em Cruzeiro do Sul, Alan Rick disse que o movimento em torno do seu projeto mostra adesão de lideranças e grupos políticos. “Tem muita gente querendo ingressar no nosso projeto, muita gente colocando nomes, muitos partidos aliados colocando nomes. Isso é muito bonito, isso é muito legal”, afirmou. Para o senador, a movimentação indica que “a população e os próprios grupos políticos querem estar conosco”.

Alan também defendeu que sua atuação parlamentar tem mantido diálogo com os municípios do interior. Ao comentar a relação com Cruzeiro do Sul, afirmou que “todo município tem dificuldade” e que os prefeitos, diante da baixa arrecadação, precisam buscar apoio de parlamentares para realizar obras. “Todas as vezes que Cruzeiro do Sul precisou do senador Alan Rick, prontamente ele atendeu. E farei isso sempre”, declarou.

Neste fim de semana, a caravana segue por Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima, com entregas de maquinários, visitas técnicas, encontros com produtores rurais e novas rodadas de escuta popular. A estratégia de Alan Rick é percorrer comunidades, ouvir demandas e apresentar o projeto como uma construção feita a partir das realidades locais.

Circuito Sesc de Corridas movimenta Rio Branco neste domingo com provas e serviços de saúde

Rio Branco recebe neste domingo, 17 de maio, o Circuito Sesc de Corridas, uma das ações da Semana S 2026 no Acre. A programação começa às 6h, no Sesc Bosque, com percursos de 3 km, 5 km e 10 km e reúne esporte, atendimento em saúde e atividades voltadas à qualidade de vida.

A corrida foi organizada para atender participantes de diferentes perfis, dos iniciantes aos atletas mais experientes, em um evento que também amplia a programação da Semana S na capital acreana. Ao longo do trajeto, os corredores contarão com cinco pontos de hidratação, apoio de ambulância e distribuição de frutas na chegada.

A estrutura montada para o domingo inclui ainda uma série de serviços gratuitos de saúde para o público. Estão previstos atendimentos com aferição de pressão arterial, teste de glicemia, orientações sobre diabetes e hipertensão, ações de saúde bucal e atividades preventivas ligadas ao câncer de mama, de próstata e de pele.

A entrega dos kits aos inscritos ocorreu na sexta-feira, 15 de maio, no Sesc Bosque, em preparação para a prova. A expectativa é de que o circuito reúna competidores e público em uma manhã dedicada ao incentivo à prática esportiva e à prevenção em saúde.

A Semana S é promovida nacionalmente pelo Sistema CNC-Sesc-Senac e reúne ações gratuitas em áreas como esporte, lazer, educação, cidadania e qualificação profissional. No Acre, a programação é realizada com participação de instituições do comércio e do sistema sindical.