Vazante do Rio Juruá provoca desbarrancamento e deixa casas sob risco em Cruzeiro do Sul

A vazante do Rio Juruá abriu uma nova frente de problemas em Cruzeiro do Sul e deixou ao menos cinco casas sob risco de desabamento no bairro Miritizal. A Defesa Civil passou a atuar na área para retirar famílias de pontos mais vulneráveis, desmontar imóveis ameaçados e evitar acidentes com o avanço da erosão na margem do rio.

Uma das residências começou a ser desmontada de forma controlada, enquanto moradores afetados recebem atendimento emergencial. Parte das famílias deve ser incluída em programas de apoio habitacional temporário, e outras aguardam a transferência para terrenos em áreas mais seguras, com ajuda do município para reaproveitar material das casas atingidas.

O problema surgiu após o recuo das águas, que deixou o solo fragilizado e acelerou o desgaste da encosta. Em vez do alívio esperado com o fim da cheia, moradores passaram a enfrentar o risco de perder as casas para o barranco, em uma mudança de cenário comum nas áreas ribeirinhas depois de enchentes prolongadas.

Cruzeiro do Sul já havia sido afetada pela cheia do Juruá neste ano, dentro de um quadro mais amplo de enchentes no Acre. Com a descida do nível do rio, o impacto agora aparece na forma de rachaduras no terreno, desmoronamento da margem e ameaça direta a imóveis construídos próximos da beira.

Equipes técnicas seguem com vistorias para dimensionar a área comprometida e definir novas remoções, caso o barranco continue cedendo. A prioridade é retirar moradores antes que novas estruturas sejam atingidas e reduzir o risco de desabamento em uma região que ainda sente os efeitos do período de cheia.

Entre os moradores, o clima é de insegurança. Famílias acompanham o avanço da erosão com receio de perder a casa e os bens acumulados ao longo dos anos, enquanto a Defesa Civil mantém o monitoramento e prepara novas ações emergenciais no local.

Com informações do Juruá 24 Horas

Governo do Acre reforça assistência a famílias após desbarrancamento em Rodrigues Alves

O governo do Acre levou ajuda emergencial a famílias atingidas por um desbarrancamento na comunidade Foz do Paraná dos Mouras, na zona rural de Rodrigues Alves, no Vale do Juruá. A ação ocorreu na quinta-feira, 14, depois que a erosão provocada pela cheia do Rio Juruá destruiu moradias, ampliou a área de risco e deixou moradores sob ameaça de novos deslizamentos.

Equipes da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, da Casa Civil e do Corpo de Bombeiros foram enviadas à comunidade para entregar 20 cestas básicas, vistoriar o local e cadastrar as famílias afetadas direta e indiretamente. O levantamento também vai orientar as próximas medidas do poder público diante do avanço do barranco e da mudança no curso do rio.

Cinco casas já foram retiradas da área mais vulnerável. Outras seis ainda correm risco, segundo avaliação feita pelos bombeiros. O tenente Rosenildo Pires afirmou que não é possível prever quando novos desabamentos podem ocorrer, mas confirmou que a situação continua instável. “Não é possível informar o tempo, mas podemos afirmar que o rio vem tomado outro sentido aqui nesse percurso e logo pode atingir outras residências, afetando ainda mais famílias”, disse.

A diretora de Direitos Humanos da SEASDH, Joelma Pontes, afirmou que a resposta foi articulada assim que a prefeitura comunicou a situação ao Estado. “Aqui o governo se faz presente, estendendo a mão e levando um pouco mais de dignidade neste momento de tantas dificuldades enfrentadas por essas famílias. Assim que fomos acionados pela prefeitura local, recebemos de imediato a determinação do secretário João Paulo Silva e também da governadora Mailza Assis para nos deslocarmos até a comunidade e trazer apoio às pessoas atingidas”, afirmou.

Entre as famílias atingidas está a pescadora Francisca Isamilde Leite, que perdeu a casa levada pela força da água. Ao receber alimentos, resumiu o impacto da ajuda no momento de maior dificuldade. “A ajuda chegou em boa hora e vai ajudar bastante nesses dias difíceis”, disse.

O sentimento na comunidade ainda é de apreensão. Mesmo entre moradores que não tiveram a casa destruída, o medo de novos deslizamentos permanece. O marceneiro José Vazem afirmou que a presença das equipes deu algum alívio à população. “A gente agradece o apoio que o governo vem prestando neste momento. Nos sentimos mais seguros ao ver tantas pessoas envolvidas, especialmente as equipes do Corpo de Bombeiros, que estão trabalhando e avaliando os riscos. Acreditamos que hoje vamos conseguir dormir mais tranquilos, sem medo de o barranco desabar”, declarou.

A representante do gabinete da governadora no Juruá, Rosa Sampaio, afirmou que novas providências devem ser definidas após a conclusão do levantamento técnico. “Estamos aqui, por determinação da governadora Mailza Assis, em parceria com a Defesa Civil de Rodrigues Alves, levando o apoio necessário para este momento difícil. Após o levantamento que será realizado pelo Corpo de Bombeiros, será possível definir novas medidas que possam beneficiar de forma concreta todas as famílias que enfrentam dificuldades nesta comunidade”, afirmou.

O desbarrancamento em Rodrigues Alves expõe mais uma vez os efeitos da cheia do Rio Juruá sobre comunidades ribeirinhas do Acre, onde a força da água altera margens, derruba estruturas e impõe deslocamento a famílias inteiras. Com a área ainda sob risco, a expectativa agora é pela adoção de medidas emergenciais para reduzir danos e garantir segurança aos moradores que seguem na comunidade.

Interdição no acesso à balsa em Rodrigues Alves força desvio pela AC-407 e eleva tarifa para motos e carros nesta terça (12)

O acesso ao porto da balsa em Rodrigues Alves, na travessia com Cruzeiro do Sul, segue interditado nesta terça-feira (12) após erosão e desbarrancamento na margem do Rio Juruá. O bloqueio foi adotado de forma preventiva por órgãos do Estado por risco à circulação de veículos, motos e pedestres na área de embarque e desembarque.

Com a passagem fechada, o deslocamento entre os dois municípios tem sido feito pela rodovia AC-407, que amplia o percurso para cerca de 47 quilômetros. Equipes do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) trabalham na abertura de um novo acesso provisório ao porto em Rodrigues Alves. A previsão inicial é de até quatro dias para concluir o serviço e permitir a retomada da travessia em segurança.

No mesmo dia, a travessia ficou mais cara para quem utiliza o transporte fluvial. A nova tabela fixou em R$ 10 o valor para motocicletas e em R$ 20 para carros. Os catraieiros afirmam que o reajuste ocorreu porque a distância até o porto aumentou, elevando o consumo de gasolina e os custos das viagens.

Com informações de Juruá 24horas